Flávia Oliveira da Fraga (Rio de Janeiro, 2 de agosto de 1969) é uma jornalista brasileira. Recebeu reconhecimentos como o Prêmio Esso de Jornalismo em 2021, a condecoração Ordem de Rio Branco em 2023 e o Prêmio Especial Vladimir Herzog em 2024.
Biografia thumb|right|300px|Flávia Oliveira apresentando o GloboNews Economia
Flávia Oliveira nasceu em Irajá, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro. Sua mãe Ana Lúcia nasceu em Cachoeira, cidade da região do Recôncavo da Bahia, e trabalhava em uma companhia de seguros, sendo a única responsável pela criação de sua única filha. Seu pai foi embora quando ela tinha sete anos de idade.
A jornalista cresceu em um apartamento de 33 metros quadrados, em um conjunto habitacional em Irajá. Flávia e sua mãe realizavam um percurso de 30 quilômetros diariamente, ela para cursar o Ensino Médio na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE), onde concluiu sua formação técnica em estatística, e sua mãe para trabalhar no Centro do Rio de Janeiro. Com apoio e incentivo de sua mãe, ingressou no curso de jornalismo no Instituto de Artes e Comunicação Social (IACS) da Universidade Federal Fluminense (UFF). A mãe da jornalista faleceu em 2011, em decorrência de um enfarto fulminante.
Em 2015 a jornalista descobriu seu parentesco com a Ialorixá Mãe Beata de Iemanjá. Em entrevista, Flávia conta que, enquanto assistia uma entrevista da Ialorixá ao programa "Espelho", apresentado por Lázaro Ramos, no Canal Brasil, notou uma semelhança entre Mãe Beata de Iemanjá e sua mãe. As famílias tinham em comum a mesma origem: a cidade de Cachoeira (BA). No dia seguinte, teve oportunidade de encontrar a Ialorixá, que estava acompanhada de Lúcia Xavier, da ONG Criola, durante o Prêmio Camélias da Liberdade. Na ocasião, viu a oportunidade de falar com Mãe Beata, com quem conversou para verificar e a mesma conhecia sua mãe Ana Lúcia, mais conhecida como Lucinha. Mãe Beata não recordava-se de conhecê-la. Entretanto, quando Flávia perguntou se a mesma recordava-se de conhecer o seu avô, que era ferreiro na cidade de Cachoeira, e conhecido como Pitú, Mãe Beata emocionou-se ao lembrar de quem, para ela, era o "tio Pitú". O avô de Flávia era primo de primeiro grau da mãe de Mãe Beata e, portanto, a Ialorixá era prima de segundo grau de sua mãe."Somos de núcleos familiares distintos, mas ainda assim éramos parentes. Nós duas começamos a chorar muito. Aí ela chamou o babalorixá Adailton Moreira, que é filho dela e ela falou assim pra ele: 'conheça sua prima' (risos). Foi um dos encontros mais emocionantes que tive na minha vida. Ela me incorporou a sua família, embora eu seja de outro terreiro, comecei a fazer várias visitas a ela, levei minha filha pra conhecer Mãe Beata. Conversávamos no chão, eu ouvindo suas histórias. Ela contava os seus causos com o dedo em riste como minha mãe fazia… e ela gostava de declamar poesias como a minha fazia! A minha filha se impressionou com a semelhança desse comportamento e também começou a chorar sobre com aquela ancestralidade que começou a se apresentar pra gente. Ela quase passou o Natal aqui com a gente. Não pôde, por problemas de saúde. O último dia das mães passamos juntas. Dez dias depois ela faleceu também de infarto fulminante. Foi uma segunda mãe que encontrei. Convivi muito intensamente com ela." (Flávia Oliveira)Flávia cresceu na Umbanda, e há 15 anos tem o Candomblé como sua religião e afirma que “Fora a maternidade, o Candomblé foi a melhor coisa que me aconteceu na vida. Me sustenta”. A jornalista é ativista antirracista e seu interesse por temas econômicos e sociais, e pela histórica desigualdade brasileira se conectam com sua própria história. Flávia, ainda, luta pela promoção da diversidade no jornalismo e afirma a importância da representatividade, sem perder de vista os obstáculos impostos pelas desigualdades e racismo no Brasil:“Sou procurada por jovens estudantes, tento ser bastante acessível, até porque isso diz respeito à minha própria trajetória, que transcende uma mobilidade social que não está posta para todos os brasileiros. Sou a exceção que confirma a regra e tento não ser cínica em relação a isso. Não posso dizer ‘se eu consegui, qualquer um consegue’" (Flávia Oliveira)
Carreira Flávia iniciou sua carreira em 1992, como repórter do Jornal do Commercio. Depois foi para o jornal O Globo, onde trabalhou como repórter de economia de 1994 a 2000, como editora de suplementos especiais de 2001 a 2005 e passou a produzir a coluna Negócios & Cia a partir de agosto de 2006. Desde 2009, é também uma das comentaristas fixas do programa Estúdio i, do canal por assinatura GloboNews, onde comenta sobre economia, política e cultura. Em abril de 2011 passou a ser também comentarista de finanças pessoais e economia doméstica nos programas Bom Dia Rio e RJTV, da Globo Rio, função que exerceu até a segunda metade da década de 2010.
É colunista do jornal O Globo e comentarista dos programas Em Pauta e Jornal das Dez, todos da GloboNews; além da Rádio CBN. Desde 2019, atua como host do podcast Angu de Grilo, já indicado para o prêmio MTV Miaw, com sua filha, a também jornalista Isabela Reis.
Prêmios No ano de 2001, recebeu os prêmios Esso de Jornalismo, na categoria Melhor Contribuição à Imprensa, por uma série de reportagens chamada Retratos do Rio; em 2002 recebeu os prêmios Fiat Allis de Jornalismo Econômico, Ayrton Senna e Imprensa Embratel, pelo seu trabalho no caderno Pirataria S/A, junto com Nelson Vasconcelos
Em 2003, recebeu o prêmio Imprensa Embratel, pelo seu trabalho no caderno Exclusão Digital, também junto com Vasconcelos. No mesmo ano, a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) concedeu à jornalista o Prêmio Jornalismo para Tolerância, por seu trabalho como coeditora do suplemento A Cor do Brasil, no jornal O Globo. No mesmo ano, recebeu o Prêmio Elizabeth Neuffer da Associação dos Correspondentes da ONU, por uma série de reportagens sobre desenvolvimento humano junto com a também jornalista Luciana RodriguesFlávia Oliveira Portal dos Jornalistas e no mês de novembro, foi condecorada com o grau Oficial da Ordem de Rio Branco.
Em 2018 a jornalista recebeu a Medalha Tiradentes, a maior horaria da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ). Em 2021 recebeu o Prêmio Marielle Franco, concedido pela ALERJ e foi finalista do Troféu Mulher Imprensa. Em 29 de outubro de 2024, recebeu o Prêmio Especial Vladimir Herzog que reconhece o trabalho jornalístico defesa da democracia, dos direitos humanos, da justiça social e da paz. Em 2026 recebeu o Prêmio Estrelas do Diálogo, reconhecimento concedido pelo Instituto pelo Diálogo Intercultural.
Ligações externas
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