A Classe Montana foi uma classe de couraçados planejada para a Marinha dos Estados Unidos, composta pelo Montana, Ohio, Maine, New Hampshire e Louisiana. Os trabalhos de desenvolvimento dos navios começaram em meados de 1939 antes dos Estados Unidos entrarem na Segunda Guerra Mundial e, diferentemente de classes de couraçados anteriores, ocorreram sem nenhuma limitação imposta por tratados internacionais de controle armamentista. Consequentemente seu projeto foi o maior, mais bem protegido e bem armado já criado no país, possuindo uma capacidade de defesa antiaérea aprimorada e uma blindagem consideravelmente mais espessa em todas as áreas das embarcações.

Os cinco couraçados da Classe Montana, como originalmente projetados, seriam armados com doze canhões de 406 milímetros montados em quatro torres de artilharia triplas. Teriam um comprimento de fora a fora de 280 metros, uma boca de 37 metros, um calado de onze metros e um deslocamento carregado de mais de 72 mil toneladas Seus sistemas de propulsão seriam compostos por oito caldeiras a óleo combustível que alimentariam quatro conjuntos de turbinas a vapor, que por sua vez girariam quatro hélices até uma velocidade máxima de 28 nós (52 quilômetros por hora). Os navios seria protegidos por um cinturão principal de blindagem cuja espessura ficaria entre 183 a 409 milímetros.

Quatro couraçados foram originalmente planejados pela marinha, mas cinco acabaram sendo encomendados. A construção dos navios da Classe Montana foi autorizada pelo Congresso dos Estados Unidos em meados de 1940 com previsão de começo das obras para algum momento do ano seguinte. Entretanto, eles acabaram sendo adiados, primeiro devido à escassez de materiais e depois porque prioridade de construção foi dada para embarcações consideradas mais necessárias para o esforço de guerra naquela época, como contratorpedeiros, submarinos e porta-aviões. Os trabalhos na Classe Montana foram suspensos em abril de 1943 e eles foram cancelados em definitivo em julho.

Antecedentes A maior preocupação da Marinha dos Estados Unidos durante o período entreguerras era com a Marinha Imperial Japonesa, sua rival no Oceano Pacífico. O sistema internacional de limitação de armamentos navais instaurado em 1922 pelo Tratado Naval de Washington tinha dado aos Estados Unidos uma superioridade sobre o Japão em termos de tonelagem total. A Marinha dos Estados Unidos, com o objetivo de substituir seus obsoletos navios construídos antes da Primeira Guerra Mundial, começou as obras dos couraçados da Classe North Carolina em 1937 depois de um período de mais de dez anos em que o tratado proibiu a construção de novos navios capitais. Esse sistema de controle, ampliado em 1930 e 1936 pelo Primeiro e Segundo Tratados Navais de Londres, começou a ruir no final desta década depois do Japão ter se recusado a assinar o Segundo Tratado Naval de Londres. Isto fez com que as outras grandes potências navais começassem programas de rearmamentos próprios, com os Estados Unidos iniciando o desenvolvimento da Classe South Dakota. O financiamento para seus dois primeiros navios foi aprovado no ano fiscal de 1937, porém as obras só foram começar em 1939.

O Congresso dos Estados Unidos autorizou mais duas embarcações da Classe South Dakota em 1938 junto com outros dois couraçados de um projeto ainda a ser determinado. A Marinha dos Estados Unidos já tinha começado em 1937 os trabalhos de desenvolvimento do seu próximo projeto de couraçado. O desejo era por navios maiores e mais rápidos que excedessem o limite de 36 mil toneladas de deslocamento padrão imposto pelo sistema do Tratado Naval de Washington. Como o Japão já tinha se recusado a cumprir os termos do Segundo Tratado Naval de Londres, as outras potências tinham se movimentado para aliviar as restrições sobre seus novos couraçados. Os Estados Unidos, Reino Unido e França trocaram mensagens em 31 de março de 1938 indicando que aceitariam um aumento do limite de deslocamento para 46 mil toneladas.

Os projetistas norte-americanos trabalharam na criação de propostas para esses novos navios, com duas linhas de pensamento surgindo. A primeira era para uma embarcação comparativamente mais lenta, mas muito mais bem armada e protegida, enquanto a segunda era para um navio mais rápido, porém com menos blindagem e sem tantos armamentos que tinha o objetivo de pegar os cruzadores japoneses e fazer frente aos couraçados da Classe Kongō. Este último, que era essencialmente uma versão melhorada da Classe South Dakota, seria capaz de uma velocidade de 33 nós (61 quilômetros por hora), mas o desenvolvimento da primeira versão continuou em paralelo. O Conselho Geral da Marinha queria que a versão mais lenta e bem armada se tornasse a próxima geração dos couraçados tipo padrão, tendo 46 mil toneladas de deslocamento, um armamento de doze canhões de 406 milímetros e capaz de alcançar uma velocidade máxima de 27 nós (cinquenta quilômetros por hora), a mesma da Classe South Dakota.

Ficou claro para a liderança naval em meados de 1939 que uma guerra era iminente e assim a necessidade de novos navios se tornou urgente. O começo da Segunda Guerra Mundial na Europa em setembro de 1939 e depois a Queda da França em junho de 1940 apenas aumentou ainda mais a pressão pela rápida construção de novos navios de guerra. Os primeiros couraçados encomendados foram dois do projeto mais rápido de 33 nós, que se tornaria a Classe Iowa, sendo autorizados sob o ano fiscal de 1939. A aprovação do Ato da Marinha de Dois Oceanos em 19 de julho de 1940 proporcionou aumentos significativos para a Marinha dos Estados Unidos, incluindo um aumento de 391 mil toneladas apenas para couraçados, mais centenas de milhares de toneladas para novos porta-aviões, cruzadores e contratorpedeiros. O terceiro e quarto couraçados da Classe Iowa foram autorizados no programa do ano fiscal de 1941, com mais dois navios sendo adicionados ao programa em maio. Estes originalmente seriam construídos sob o projeto seguinte, mas Frank Knox, o Secretário da Marinha, decidiu que eles deveriam ser construídos sob o projeto da Classe Iowa a fim de acelerar a produção.

Desenvolvimento Inicial Apesar do projeto de 33 nós ter sido o escolhido para a Classe Iowa, ficou claro para a liderança naval que isto seria uma exceção das doutrinas normais, além de que uma reversão para um couraçado tipo padrão de 27 nós ocorreria para o próximo projeto. A principal consideração para a nova classe foi o desenvolvimento de um projétil perfurante superpesado de 1,2 tonelada que tinha sido criado durante a construção da Classe North Carolina. A prática padrão de projeto afirmava que couraçados deveriam ser imunes a armas idênticas às suas nas esperadas distâncias de batalha, porém o novo projétil superpesado possuía uma capacidade perfurante significativamente melhor que projéteis mais antigos e leves. As Classes North Carolina, South Dakota e Iowa não eram imunes a esse projétil, com o Conselho Geral desejando que o projeto seguinte tivesse melhor proteção. Propostas que com até 46 mil toneladas, doze canhões de 406 milímetros e velocidade de 27 nós foram pedidas ao Escritório de Construção e Reparo.

A resposta foi o projeto chamado "BB 65A", usando a Classe South Dakota como ponto de partida, mas com o comprimento alongado a fim de acomodar uma quarta torre de artilharia principal. O deslocamento já ficou acima do limite com 46 164 toneladas e o navio seria protegido apenas contra o projétil perfurante anterior de uma tonelada. A equipe de projeto estimou que seriam necessárias mais de duas mil toneladas seriam necessárias para proteger a embarcação contra o projétil superpesado. Uma variante, "BB 65B", substituiu a bateria secundária original de vinte canhões calibre 38 de 127 milímetros por doze dos novos canhões calibre 47 de 152 milímetros, mas isto aumentou o deslocamento ainda mais. Seguiram-se outros dois projetos, "BB 65C" e "BB 65D", que adotaram três torres quádruplas em vez de quatro triplas, o que proporcionou uma economiza de aproximadamente 1 625 toneladas. O "BB 65C" tinha a bateria secundária de 127 milímetros e o "BB 65D" a de 152 milímetros. Todos esses projetos era protegidos apenas contra o projétil de uma tonelada, mas como os dois últimos estavam abaixo do limite de deslocamento, o Escritório de Construção e Reparo tentou usar o peso disponível para fortalecer a blindagem com o projeto "BB 65E". Os projetistas logo perceberam que o convés poderia ser aprimorado a fim de proporcionar uma zona de imunidade relativamente estreita contra projéteis em mergulho, porém um fortalecimento do cinturão de blindagem contra o projétil superpesado aumentaria o deslocamento para 56 mil toneladas.

Nenhuma dessas primeiras propostas foi considerada aceitável e também havia preocupações sobre a viabilidade das torres quádruplas. Outros canhões foram sugeridos, desde 457 milímetros até um um experimental calibre 56 de 406 milímetros. O Escritório de Construção e Reparo elaborou uma nova série de estudos começando com o "BB 65F". Várias destas propostas experimentavam com uma mistura de torres duplas, triplas ou quádruplas para dez ou onze armas com o objetivo de reduzir peso mas ainda assim ter um poder de fogo maior que a Classe South Dakota com nove canhões. Uma das propostas, "BB 65J", adotou doze canhões de 356 milímetros e uma proteção capaz de resistir ao projétil superpesado. O canhões de 457 milímetros foi descartado depois de estudos terem demonstrado que apenas seis poderiam ser instalados dentro do limite de 46 mil toneladas. Uma das variantes com dez canhões foi selecionada até setembro de 1939, arranjadas e duas torres triplas à vante e uma quádrupla à ré.

Tempos de guerra thumb|240px|esquerda|Desenho do projeto "BB 65-4" de 1940 O início da Segunda Guerra Mundial alterou radicalmente as restrições impostas sobre o Escritório de Construção e Reparo. Os limites restantes dos diferentes tratados internacionais foram removidos completamente, assim os novos navios seriam limitados apenas por restrições logísticas da infraestrutura naval já existente, principalmente o Canal do Panamá e as docas secas disponíveis. A Marinha dos Estados Unidos estava defendendo desde 1938 a construção de um novo conjunto maior de eclusas para o canal, algo aprovado em 1940. Algumas limitações ainda assim permaneceram: o comprimento e altura dos couraçados deveria levar em conta os estaleiros em que seriam construídos, com as rampas de lançamento do Estaleiro Naval de Nova Iorque não conseguindo acomodar a construção de um navio maior que 59 mil toneladas, além de que as embarcações deveriam ser baixas o suficiente para passarem por baixo da Ponte do Brooklyn em maré baixa. Consequentemente, a doca seca 4 do estaleiro precisaria ser ampliada e os navios seriam flutuados para fora em vez do lançamento ao mar tradicional. O Conselho Geral pediu em outubro de 1939 por novos projetos com doze canhões de 406 milímetros e que tivessem blindagem suficiente, estimando que isso poderiam ser realizado em um deslocamento de aproximadamente 51 mil toneladas. O departamento de Projetos Preliminares respondeu com um projeto em janeiro de 1940 que de forma geral se adequava aos requerimentos do Conselho Geral, porém o deslocamento era de 52,3 mil toneladas. Uma opção para substituir a bateria secundária padrão de canhões calibre 38 de 127 milímetros pelo novo modelo calibre 54 adicionaria por volta de duas mil toneladas.