Esta é uma lista de heresias cristãs segundo a Igreja Católica Romana, abrangendo uma série de seitas, movimentos e denominações dissidentes consideradas heréticas pelo Magistério católico ao longo de sua história. Muitas dessas heresias foram alvos de condenações e excomunhões por meio de Concílios ou por decretos dos papas. Na Baixa Idade Média, algumas sofreram perseguições religiosas, inclusive por meio da Inquisição, que julgava e executava os acusados de heresia.

O termo "heresia" geralmente se refere às crenças que foram declaradas anátemas pela Igreja Católica antes do Grande Cisma (1054). Após o cisma, tanto a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa continuaram a utilizar o termo para identificar o que é considerado heterodoxo em termos de crenças e práticas. Igrejas protestantes também têm usado o termo contra indivíduos e grupos considerados heréticos por essas igrejas, a falta de uma autoridade central doutrinária significa que crenças, muitas vezes, não são unanimemente consideradas heréticas da perspectiva protestante.

Origem Tradicionalmente os adeptos da ortodoxia, a consideraram uma linhagem pura da tradição de fé que remonta aos apóstolos, sendo que os primeiros Padres da Igreja a denominaram de Católica ("Universal"), como sendo a "Igreja total, perfeita (na verdade e na união com Cristo)".Congar, Yves. Igreja e Papado (Eglisé et papauté). Les Éditions du Cerf. Pág.: 34, 38 (Capítulo 2, "Romanidade e Catolicidade"). 1994. ISBN 2-204-05090-3 Outras formas de cristianismo eram vistos como fluxos desviantes do pensamento e, portanto, "heterodoxos" ou "heréticos".

A ortodoxia seria guardada especialmente pelo magistério do bispo local, e pelo Bispo de Roma, que por ser o ocupante da "Cátedra de São Pedro", teria um carisma especial no governo da Igreja Universal. Desde a igreja primitiva existiram diversos grupos que foram classificados como heréticos, que, por sua vez, reivindicavam que eles teriam guardado a verdadeira tradição apostólica.

Em 1934, O historiador Walter Bauer, publicou a obra: "Rechtgläubigkeit und im Ketzerei altesten Christentum" ("Ortodoxia e heresia no cristianismo antigo"), na qual sustentou que, na época do cristianismo primitivo, a influência do Bispo de Roma era limitada, e defendeu que cidades como Edessa e outras no Egito, tiveram pouca comunicação com Roma durante o .

Os estudiosos modernos têm tido divergências. Alguns estudiosos sustentam claramente as conclusões. Bauer e outros manifestaram preocupações sobre seu possível viés. Respostas mais moderadas tornaram-se proeminentes, mas a teoria de Bauer é geralmente aceita. No entanto, os estudiosos modernos têm criticado e atualizado o modelo de Bauer.Hunt (2003). Pp 10-11.

Cristianismo primitivo

Costuma-se classificar as heresias que surgiram na época do cristianismo primitivo, em três grupos: Trinitárias/Cristológicas Gnósticas; outras heresias.

+Primeiras heresias cristãs Heresia Descrição Origem Outros Antinomianismo A ideia de que não há nenhuma obrigação de obedecer a legislação de ética ou moralidade, tal como apresentado por autoridades religiosas Poucos grupos reivindicaram realmente serem antinomianos, e o termo tem sido muitas vezes utilizado por um grupo do cristianismo para criticar outros pontos de vista sobre a relação da fé versus obediência à lei moral na determinação da salvação. Audianismo ou Antropoformismo A crença de que Deus tem forma humana (antropomorfismo) e que se deveria comemorar a morte de Jesus durante a Páscoa judaica (quartodecimanismo). Nomeado pelo líder da seita, Audius (ou Audaeus), um sírio que viveu no . NovacianismoSe recusavam a readmitir em comunhão os lapsi - os cristãos batizados que tinham renegado a sua fé e realizado sacrifícios aos deuses pagãosFoi um movimento durante o cristianismo primitivo formado pelos seguidores de Novaciano Fora estes pontos, as demais práticas dos novacianos eram idênticas às da Igreja. Acredita-se que o próprio Novaciano tenha sido martirizado durante a perseguição aos cristãos do imperador Valeriano (253 - 260). Donatismo Donatistas eram rigorosos, sustentando que a Igreja deveria ser uma igreja de santos, sem pecadores, e que os sacramentos, como o batismo, administrado pelos traditores (cristãos que renderam as Escrituras para as autoridades que proibiram a posse delas) eram inválidos. Nomeado pelo cristão berbere Donato de Casa Nigra Os donatistas eram ainda uma força no momento de Santo Agostinho de Hipona no final do , e desapareceram após a conquista árabe do e VIII."Donatism." Cross, F. L., ed. The Oxford dictionary of the Christian church. New York: Oxford University Press. 2005 Ebionismo A seita judaica que insistiu na necessidade de seguir a lei judaica e ritos religiososKaufmann Kohler, "Ebionites", in: Isidore Singer & Cyrus Alder (ed.), Jewish Encyclopedia, 1901-1906. que interpretadas à luz de Jesus expondo da lei Consideravam Jesus como o Messias, mas não como divino. Os ebionitas reverenciavam seu primo San’Tiago, o Justo como o chefe da Igreja de Jerusalém e rejeitaram São Paulo de Tarso como um apóstata «da lei». Seu nome sugere que eles colocaram um valor especial sobre a pobreza religiosa. Em 375, Epifânio registra a liquidação de ebionitas em Chipre, mas por meados do , Teodoreto informou que eles não estavam mais presentes na região

Alguns estudiosos afirmam que os ebionitas sobreviveram muito mais tempo e identificam-os com uma seita encontrada pelo historiador Abd al-Jabbar em torno do ano 1000. Outra possível referência à sobrevivência das comunidades ebionitas no noroeste da Arábia, especificamente nas cidades de Temá e Tilmas, todo o é feita pelo rabino Benjamin de Tudela. O historiador muçulmano Muhammad al-Shahrastani do , menciona os judeus que vivem em Medina próxima Hejaz que aceitaram Jesus como uma figura profética e seguido o judaísmo tradicional, rejeitando a corrente principal cristã. Luciferianismo é uma doutrina esotérica e gnóstica, filosófica no caso de ordens secretas e, em alguns casos, religiosa como em algumas religiões minoritárias da atualidade, baseada na figura de Lúcifer, que por sua vez é considerado como portador da Luz do intelecto. O luciferianismo é um antigo culto de mistérios que tem origem nos cultos de adoração às serpentes. Religião Wicca - A Bruxaria Pagã - através da identificação de Lúcifer como uma das manifestações do Deus sol (o Consorte da Deusa). Alguns grupos pagãos reconhecem Lúcifer como sendo parte do panteão pagão. É interessante destacar que Lúcifer, neste contexto, está totalmente desvinculado da mitologia cristã, que associa a figura de Lúcifer ao "diabo". Marcionismo Um cristianismo primitivo dualista. Os marcionitas afirmavam Jesus Cristo como o salvador enviado por Deus e o apóstolo Paulo como seu chefe, mas rejeitavam a Bíblia Hebraica e Javé. Marcionistas acreditavam que o colérico Deus hebraico era uma entidade separada e menor do que o misericordioso Deus do Novo Testamento. Esta opinião foi de certa forma semelhante à teologia cristã gnóstica, mas de outras maneiras diferentes. Originada nos ensinamentos de Marcião de Sinope em Roma por volta do ano 144.(115 years and 6 months from the Crucifixion, according to Tertullian's reckoning in Adversus Marcionem, xv) O marcionismo continuou no Ocidente por 300 anos, embora as ideias marcionisticas persistiram por muito mais tempo.Berdyaev Online Library O Marcionismo continuou no Oriente durante alguns séculos mais tarde, especialmente fora do Império Bizantino em áreas que mais tarde viria a ser dominada pelo maniqueísmo. O principal texto marcionita era o Evangelho de Marcião, uma revisão do Evangelho segundo São Lucas, adequada à teologia de Marcião. Milenarismo Crença de certas denominações religiosas cristãs de que haverá um Era dourada ou Paraíso na Terra em que "Cristo vai reinar", antes do juízo final e o estado futuro eterno (os Novos Céus e Nova Terra). O milenarismo é uma forma específica de milenarianismo, com base em um ciclo de mil anos. Essa crença é obtida principalmente a partir do Livro do Apocalipse de São João 20,1-6. Montanismo A opinião dos montanistas contrastam com o cristianismo ortodoxo das seguintes maneiras:

A crença de que as profecias dos montanistas anulam e cumprem as doutrinas proclamadas pelos Apóstolos. O incentivo de profetizar em êxtase, contrastando com a abordagem mais sóbria e disciplinada para a teologia dominante no cristianismo ortodoxo na época e desde então. A visão de que os cristãos que caíram em desgraça não poderiam ser resgatados, também em contraste com a visão cristã ortodoxa da contrição que poderia levar à restauração do pecador à igreja. A forte ênfase na prevenção do pecado e da disciplina da igreja do que no cristianismo ortodoxo. Eles enfatizaram a castidade, inclusive proibindo casamento. Alguns dos montanistas também foram "quatrodecimanos", preferindo celebrar a Páscoa na data do calendário hebraico, de 14 de Nisan, independentemente de qual dia da semana. A ortodoxia decidiu que a Páscoa deveria ser comemorada no domingo seguinte a 14 de Nisan.Trevett 1996:202 Nome de seu fundador Montano, o montanismo originou em Hierápolis. Espalhou-se rapidamente para outras regiões do Império Romano durante o período de antes do cristianismo era geralmente tolerado ou legalizado. Embora os ortodoxos (Igreja cristã dominante) prevaleceram contra o montanismo dentro de algumas gerações, a rotulagem de heresia, a seita persistiu em alguns locais isolados no . Pelagianismo / Semipelagianismo Crença de que o pecado original não contaminou a natureza humana e mortal, que ainda é capaz de escolher o bem ou o mal sem o auxílio divino. Nomeado após Pelágio ( - ou ).O Pelagianismo foi condenado como heresia no Primeiro Concílio de Éfeso em 431. O Semipelagianismo foi condenado no Concílio de Orange de 529.

Gnosticismo

O gnosticismo refere-se a diversos movimentos religiosos sincretistas que consiste de vários sistemas de crenças em geral, unidas no ensino que os humanos são almas divinas aprisionadas em um mundo material criado por um deus imperfeito, o demiurgo, que é frequentemente identificado com o Deus de Abraão. O gnosticismo é uma rejeição (por vezes de uma perspectiva ascética) e aviltamento do corpo humano e do mundo material ou cosmos. O gnosticismo ensina a dualidade Material (Matéria/mal) versus o espirito ou alma (bom). O gnosticismo ensina que o mundo natural ou material pode e deve ser destruído (aniquilação total) pelo espiritual verdadeiro Deus, a fim de libertar a humanidade do reino do Deus falso ou Demiurgo.

Um equívoco comum é causado pelo fato de que, no passado, "gnóstico" tinha um significado semelhante ao uso corrente da palavra místico. Havia alguns cristãos ortodoxos que, como os místicos (no sentido moderno) ensinaram gnose (conhecimento do Deus ou do Bem) que poderiam ser chamados gnósticos no sentido positivo (por exemplo, Diádoco de Fotique).