Nicolas Behr (Cuiabá, 5 de agosto de 1958) é um poeta brasileiro, geralmente associado à geração mimeógrafo e à poesia marginal.

Biografia Filho de alemães, estudou o primário com padres jesuítas, em Diamantino (MT), onde os pais eram fazendeiros. Mudou-se para Brasília em 1974.

Em 1977, lançou Iogurte com farinha — seu primeiro feito em mimeógrafo, com 8.000 cópias vendidas de mão em mão pelos bares e outros locais públicos da Capital Federal, tornando-se uma das principais vozes da Poesia Marginal, ao lado de Chacal e Chico Alvim. Em 1978, organizou a antologia Grande Circular: poemas com sabor bem Brasília, que contava com poemas seus e também de Luís Sóter, Tetê Catalão, Luís Martins da Silva, Paulo Tovar e Climério Ferreira.

Em agosto de 1978, após ter escrito Grande circular, Caroço de goiaba e Chá com porrada, foi preso e processado pelo DOPS por "porte de material pornográfico", sendo julgado e absolvido no ano seguinte.

Entre 15 de agosto de 1978 a 30 de março de 1979, impedido de publicar por ordem judicial, escreveu poemas em telhas frescas, depois queimadas, série esta denominada O que me der na telha.

Daí até 1980 publicou 10 livrinhos mimeografados. A partir desse ano passou a trabalhar como redator em agências de publicidade. Em 1982 ajudou a fundar o MOVE – Movimento Ecológico de Brasília, a primeira ONG ambientalista da Capital Federal. Em 1986, abandonou a publicidade para trabalhar na FUNATURA - Fundação Pró-Natureza, onde ficou até 1990, dedicando-se, desde então, profissionalmente, ao seu antigo hobby: produção de espécies nativas do cerrado. Biólogo, é co-autor do livro “ Palmeiras no Brasil” e sócio- proprietário da Pau-Brasilia Viveiro Eco.loja.

A partir de 1993, voltou a publicar seus livros de poesia, com “Porque Construí Braxília”. É casado, desde 1986, com Alcina Ramalho e tem três filhos: Erik, Klaus e Max. Teve o seu perfil biográfico traçado pelo jornalista Carlos Marcelo no livro “ Nicolas Behr – Eu Engoli Brasília”, publicado em 2004. A jornalista Gilda Furiati defendeu tese de mestrado no Instituto de Letras da Universidade de Brasília em 2007 sob o título: “Brasília na poesia de Nicolas Behr: idealização, utopia e crítica”, editada em livro pela Editora UnB em 2012. Em 2008 seu livro “Laranja Seleta – poesia escolhida – 1977 – 2007 “ pela Língua Geral, foi finalista do Prêmio Portugal Telecom de Literatura. “Do fenômeno poético à experiência urbana: (por) uma poesia de Nicolas Behr”, dissertaçao de mestrado apresentada por Laíse Ribas Bastos na Universidade Federal de Santa Catarina, em 2009. No ano seguinte a cineasta Danyella Proença dirigiu o filme “Braxília”, (17 minutos ) um ensaio sobre a relação do poeta e sua cidade, ganhador do Prêmio Especial do Juri, no 43º. Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Em 1987, morou em Washington DC, EUA, vindo a trabalhar na FUNATURA – Fundação Pró-Natureza de 1988 a 1990. A partir daí passou a dedicar-se à produção e comercialização de mudas, seu antigo “ hobby”, sendo pioneiro na produção de mudas de espécies nativas dos cerrados, especializando-se em palmeiras e em frutas e árvores raras.

Obra publicada

Livrinhos (mimeografia) Iogurte com Farinha – Agosto de 1977 Grande Circular – Junho de 1978 Caroço de Goiaba – Julho de 1978 Chá com Porrada – Julho de 1978 Bagaço – Maio de 1979 Com a Boca na Botija – Junho de 1979 Parto do Dia – Julho de 1979 Elevador de Serviço – agosto de 1979 Põe sia nisso! – agosto de 1979 Entre Quadras – agosto de 1979 Brasiléia Desvairada – setembro de 1979 Saída de Emergência – setembro de 1979 Kruh – outubro de 1979 303F415 – julho de 1980 L2 Noves Fora W3 – novembro de 1980

Livros Porque Construi Braxília – 1993 Beijo de Hiena – 1993 Pelas Lanchonetes dos Casais Felizes – 1994 Segredo Secreto – 1996 Estranhos Fenômenos – 1997 (ant.) Palmeiras no Brasil: nativas e exóticas - 1997. (co-autor) Viver Deveria Bastar – 2001 Umbigo – 2001 Poesília – poesia pau-brasilia - 2002 Menino Diamantino, Brasília, LGE, 2003. Peregrino do Estranho - 2004. Braxília revisitada - vol. 1 - 2004. Restos vitais (coletânea) - 2005. Braxília revisitada - vol. 2 - 2005. Iniciação à dendrolatria - 2005. Laranja seleta, Editora Língua Geral, 2007. Beije-me - 2009. La Brasilíada (espanhol) - 2009. O bagaço da laranja - 2009. (ant.) Brasilíada - 2010. A lenda do Menino Lambari - 2012. Meio seio, Editora Língua Geral, 2012. Brasífra-me - 2013. BrasíliA-Z cidade-palavra - 2014 A teus pilotis - 2014. Brasilyrik - 2015. (ant.) Traduzido por Timo Berger. Alcina, - 2020 Histórias de Brasília: 55 mitos e verdades - 2022 (com João Carlos Amador). Braxília: não lugar - 2023 (Círculo de Poemas)

Participação em filmes

Braxília (17 min.) - Danyella Proença, 2010. Babilônia Norte (15 mim.) - Renan Montenegro, 2013. Brasília, Vida Depois do Design (88 min) - Bart Simpson, 2019.

Leitura adicional

Eu engoli Brasília, Vol. I da Coleção Brasilienses, de Carlos Marcelo, Brasília, 2004. Menino Diamantino 2ª Edição, Nicolas Behr, Edição do autor, Brasília, 2012. BrasíliA-Z - cidade-palavra, Nicolas Behr, Edição do autor, Brasília, 2014.

Ligações externas

Pau-Brasília

Categoria:Brasileiros de ascendência alemã Categoria:Naturais de Cuiabá Categoria:Poetas da Geração Mimeógrafo Categoria:Poetas de Mato Grosso