Basterotes II Bagratúnio (; , Baristerótzes; , Varaz-Tirocʼ) foi governador (marzobã) da Armênia, tendo governado entre 628 e 634. Fugiu ao Império Bizantino ao entrar em conflito com o governador do Azerbaijão e foi recebido com honras pelo imperador Heráclio . Participou num complô armênio para derrubar Heráclio e nomear seu bastardo João Atalarico como imperador e foi exilado na África. Em 645/6, a pedido de Teodoro Restúnio, foi perdoado e reconvocado do exílio, foi à Armênia onde foi nomeado príncipe, mas morreu antes de assumir sua posição.

Nome

Basterotes é a forma latinizada do grego Baristerotzes (, Baristerótzes), que derivou do nome composto armênio Varaz-Tirose (, Varaz-Tirocʼ); em grego, o nome ainda foi registrado sobre as formas Cristerotzes (, Kristerótzes) e Carterotzes (, Karterotzes). Varaz () derivou do persa médio e parta Varaz (), que derivou do avéstico Varaza (Warāza, "javali selvagem"). Foi registrado em latim como Varazes e em grego como Barazes (, Barázēs), Uarazes (, Ouarázēs) e Guraz (, Gouraz). Por sua vez, Tirose derivou do nome do deus Tir.

thumb|upright=1.05|Dinar de thumb|upright=1.05|Dracma de

Vida

Era filho de , irmão de Gariquepetes e pai de (seu filho mais velho) e outros de nome incerto. Sua esposa e família são mencionadas na obra de Sebeos. Basterotes e Gariquepetes foram criados na corte do xá em Ctesifonte. Após a derrota da rebelião de Bestã por seu pai em 596, foi nomeado copeiro real. Nesse momento, ou após a vitória de Simbácio sobre os heftalitas em 608, também recebeu o título honorífico de "Eterno Cosroes" (Zavitean Χosrou).

Em 628, o xá foi derrubado por uma conspiração que envolveu várias casas aristocráticas, e Basterotes participou. Um dos líderes da conspiração, Farruquezade informou Basterotes (chamado Tucar nesse relato) sobre quem as facções escolheram para suceder no trono (Cavades) e ele disse: "a escolha seria satisfatória ao canaranges também". Seu apoio, segundo Parvaneh Pourshariati, foi assegurado sob garantias de que teria o ofício de tanuter (membro sênior de um família nacarar). Como recompensa por sua ajuda, nomeou-o marzobã da Armênia com posição de aspetes. Um de seus primeiros atos foi a nomeação do católico . Ele logo entra em disputa com o governador persa Rustão do vizinho Azerbaijão e foge com sua família a Taraunitis e então, após receber garantias do imperador Heráclio , para sua corte à época ainda no Assuristão.

thumb|upright=1.05|esquerda|Tremisse de Heráclio thumb|upright=1.05|esquerda|Soldo de

O nacarar , general dos exércitos da Armênia nomeado por Heráclio, cobriu-o de calúnias, mas o imperador não deu importância. Segundo o cronista Sebeos, Heráclio recebeu-o com grandes honrarias, deu-lhe "residência real, assentos de prata e muito tesouro" e "exaltou-o sobre todos os patrícios de seu reino". Em 635 ou 637, Basterotes se envolveu na conspiração Teodoro, Vaanes Corcorúnio e Davi Sarones para derrubar o imperador e nomear seu filho bastardo João Atalarico. A conspiração foi revelada, e Basterotes foi exilado na África; sua vida foi poupada porque, alegadamente, se opôs à morte do imperador. Pourshariati propõe que seja o homônimo que esteve na Batalha de Jalula de 637 travada entre o Império Sassânida e o Califado Ortodoxo.

Em seu leito de morte em 641, Heráclio alegadamente perdoa-o e faz seu sucessor Constantino III jurar que reconvocaria-o com sua família do exílio e restauraria suas honras. Em 642, o Califado Ortodoxo avança contra a Armênia e toma Dúbio, a capital, levando muito espólio e butim. O marzobã Teodoro Restúnio solicita sua reconvocação a por saber de suas habilidades em lidar com tais situações. Pourshariati propõe que Basterotes é o homônimo que também esteve nas Batalhas de Niavende de 642 e Uaje Rude de 642/3, na qual supostamente morreu. Porém, essa suposição colide com o relato de Sebeos e a datação proposta por outros autores, que consideram que Constante restaurou-o a sua antiga dignidade no Império Bizantino em 645/6.

Aparentemente estava em Constantinopla quando Restúnio foi convocado para responder por suas ações diante de Constante. Pouco tempo depois, fugiu da capital e dirigiu-se a Taique, na Armênia. Restúnio, os príncipes armênios e o católico mediaram sua situação com o imperador e pediram-lhe que nomeasse Basterotes como "príncipe da terra". Constante cede e nomeia-o governador (príncipe) com a alta posição de curopalata. Constante enviou-lhe a coroa de honra (talvez a bálteo ou zoen), sua família e os ricos presentes concedidos antes por Heráclio, mas adoece e falece antes de recebê-los. Foi sepultado ao lado de seu pai na fortaleza de Terua, em Cogovita.

Ver também

Bibliografia

Categoria:Marzobãs da Armênia Categoria:Prisioneiros do Império Bizantino Categoria:Armênios do século VI Categoria:Armênios do século VII Categoria:Família Bagratúnio Categoria:Armênios do Império Sassânida Categoria:Oficiais de Cosroes II Categoria:Oficiais de Cavades II Categoria:Generais de Isdigerdes III Categoria:Oficiais de Heráclio Categoria:Oficiais de Constante II Categoria:Curopalatas do século VII Categoria:Bizantinos do século VII Categoria:Bizantinos de origem armênia Categoria:Tanuteres Categoria:Aspetes