Maria (Palácio de Linlithgow, 7 ou 12 de dezembro de 1542 – Castelo de Fotheringhay, ), também conhecida como Maria Stuart (em inglês: Mary Stuart) ou Maria I, foi rainha da Escócia de 1542 a 1567 e rainha consorte da França de 1559 a 1560, sendo filha do rei Jaime V da Escócia e de Maria de Guise, Maria herdou o trono escocês com apenas seis dias de vida após a morte de seu pai. Ela foi coroada em 9 de setembro de 1543, sendo a última monarca da casa Stuart a governar independentemente a Escócia.
Maria foi a única descendente legítima sobrevivente do rei Jaime V da Escócia, tendo apenas seis dias de idade quando seu pai morreu. Ela passou a maior parte de sua infância na França enquanto a Escócia era governada por regentes, casando-se em 1558 com Francisco, Delfim da França. Ele ascendeu ao trono em 1559 como Francisco II e Maria brevemente se tornou sua consorte; todavia Francisco acabou morrendo no final do ano seguinte. Maria voltara então para a Escócia viúva, chegando em Leith no dia 19 de agosto de 1561. Casou-se quatro anos depois com seu primo Henrique Stuart, Lorde Darnley, porém a união era infeliz. A sua residência foi destruída em fevereiro de 1567 numa explosão, com Henrique sendo encontrado morto no jardim.
Acreditava-se que Jaime Hepburn, 4.º Conde de Bothwell, havia orquestrado a morte de Henrique, porém ele foi absolvido das acusações em abril de 1567 e casou-se com Maria no mês seguinte. Após um levante contra o casal, ela foi aprisionada no Castelo de Lochleven. Maria foi forçada a abdicar em 24 de julho em favor de seu filho com Henrique, Jaime, até então com apenas um ano de idade. Depois de uma tentativa mal-sucedida de reconquistar o trono, ela fugiu procurando a proteção de sua prima, a rainha Isabel I de Inglaterra. Maria anteriormente havia reivindicado o trono de Isabel para si mesma, e foi considerada como a legítima soberana da Inglaterra por católicos ingleses, incluindo os participantes da rebelião conhecida como Rebelião do Norte. Vendo-a como uma ameaça, Isabel a aprisionou em vários castelos e mansões no interior do país. Depois de dezoito anos e meio, Maria foi condenada por tramar o assassinato de Isabel, sendo decapitada em 1587 aos 44 anos de idade.
Infância e início de reinado thumb|left|O Palácio de Linlithgow, local de nascimento de Maria Maria nasceu no dia 7 ou no Palácio de Linlithgow, Escócia, filha do rei Jaime V e sua segunda esposa Maria de Guise. Afirma-se que ela nasceu prematura e foi a única descendente legítima de Jaime a sobreviver. Era neta de Margarida Tudor, irmã mais velha do rei Henrique VIII de Inglaterra, sendo assim sobrinha neta do rei inglês. Ela ascendeu ao trono seis dias após seu nascimento quando seu pai morreu, talvez por conta de uma crise nervosa depois da Batalha de Solway Moss, ou por ter bebido água contaminada durante a campanha.
Uma lenda popular registrada pela primeira vez por João Knox diz que Jaime, ao ouvir em seu leito de morte que sua esposa havia dado à luz uma menina, tristemente exclamou que "Começou com uma moça, acabará com uma moça!" A Casa de Stuart havia ganho o trono da Escócia pelo casamento de Margarida de Bruce, filha do rei , com Gualtério Stuart, 6.º Grão-senescal da Escócia. A coroa chegou em sua família através de uma mulher e seria tirada por uma mulher. Essa afirmação lendária virou realidade dois séculos depois – apesar de não com Maria, mas sim com sua descendente, a rainha Ana da Grã-Bretanha.
Maria foi batizada pouco depois de seu nascimento na Igreja Paroquial de São Miguel. Rumores se espalharam dizendo que ela era fraca e frágil, porém o diplomata inglês Ralph Sadler viu a criança no Palácio de Linlithgow em março de 1543 e escreveu: "é uma criança tão boa quanto eu já vi de sua idade, e provavelmente viverá".
A Escócia foi governada por regentes até Maria alcançar a idade adulta já que ela era um bebê quando herdou o trono. Desde o início havia dois reivindicantes ao cargo: o primeiro era o católico cardeal David Beaton, e o segundo era o protestante Jaime Hamilton, 2.º Conde de Arran e o seguinte na linha de sucessão. A reivindicação de Beaton vinha de uma versão do testamento do rei que seus oponentes dispensaram como falso. Hamilton conseguiu se tornar regente com o apoio de seus amigos e parentes, ficando no cargo até 1554 quando foi removido do cargo por Maria de Guise.
Tratado de Greenwich thumb|Moeda de 1553: anverso, brasão da Escócia; reverso, monograma real Henrique VIII aproveitou a oportunidade da regência escocesa para propor o casamento entre Maria e seu filho Eduardo, tendo a esperança de uma união da Escócia com a Inglaterra. Quando a rainha tinha apenas seis meses de idade, foi assinado em 1 de julho de 1543 o Tratado de Greenwich, que dizia que Maria se casaria com Eduardo aos dez anos de idade e se mudaria para a Inglaterra, onde Henrique poderia supervisionar seu crescimento. O tratado ditava que os dois países permaneceriam legalmente separados, e que caso o casal não tivesse filhos a união temporária seria dissolvida. Porém, Beaton voltou ao poder e começou a defender uma política pró-católica e pró-francesa, enfurecendo Henrique que queria quebrar a aliança escocesa com a França. O cardeal queria levar Maria para longe da costa até a segurança do Castelo de Stirling. Hamilton resistiu à mudança, porém cedeu quando os apoiadores armados de Beaton se reuniram em Linlithgow. Mateus Stuart, 4.º Conde de Lennox escoltou Maria e Maria de Guise com três mil homens até Stirling em 27 de julho de 1543. A rainha foi coroada em 9 de setembro de 1543 na capela do castelo com "tal solenidade como eles usam neste país, que não é muito custosa", de acordo com Sadler e Henrique Ray.
Henrique prendeu mercadores escoceses indo para a França pouco depois da coroação, confiscando as mercadorias. As prisões causaram fúria na Escócia e Hamilton juntou-se a Beaton e converteu-se ao catolicismo. Em dezembro o Tratado de Greenwich foi repudiado pelo parlamento escocês. A rejeição do tratado de casamento e a renovação da Velha Aliança com a França fez Henrique partir para o "Rude Cortejo", uma campanha militar que tinha a intenção de impor o casamento de Maria com Eduardo. As forças inglesas realizaram vários ataques contra o território escocês e francês. Edimburgo foi saqueada em maio de 1544 por Eduardo Seymour, 1.º Conde de Hertford, e a rainha foi levada para Dunkeld por segurança.
Beaton foi assassinado em maio de 1546 por membros protestantes da pequena nobreza, e em 10 de setembro de 1547 – nove meses após a morte de Henrique e a ascensão de Eduardo VI – os escoceses sofreram uma enorme derrota na Batalha de Pinkie Cleugh. Os guardiões de Maria temiam por sua segurança e a enviaram para o Priorado de Inchmahome durante três semanas e pediram a ajuda dos franceses.
O rei Henrique II de França propôs unir a França e a Escócia através do casamento da jovem rainha com seu filho de três anos de idade, Francisco, Delfim da França. Hamilton concordou com o casamento por causa da promessa de ajuda militar francesa e um ducado francês para si próprio. Maria mudou-se outra vez em fevereiro de 1548 para sua segurança, desta vez para o Castelo de Dumbarton. Os ingleses deixaram um rastro de devastação e tomaram a importante cidade de Haddington. O muito esperado auxílio francês chegou em junho em Leith, cercando e tomando de volta Haddington. O parlamento escocês se reuniu em 7 de julho de 1548 em um convento perto da cidade e concordou com o tratado de casamento francês.
Vida na França Maria, então com cinco anos, foi enviada para a França e passou os próximos treze anos na corte francesa. A frota enviada por Henrique II era comandada por Nicolas Durand de Villegaignon e partiu de Dumbarton com a rainha em 7 de agosto de 1548, chegando em Roscoff ou Saint-Pol-de-Léon na Bretanha cerca de uma semana depois.
thumb|upright|left|Retrato de Maria na França 1555–59 Foi acompanhada pela sua própria corte que incluía dois meio-irmãos ilegítimos e "quatro Marias", quatro meninas de mesma idade todas chamadas Maria, filhas de algumas das famílias mais nobres da Escócia: Beaton, Seton, Fleming e Livingston. Sua governanta foi Janet Stuart, Lady Fleming e mãe de Maria Fleming, além de filha ilegítima de Jaime IV.
Maria foi descrita por contemporâneos como vivaz, bonita e inteligente, tendo uma infância promissora. Era a favorita de todos na corte francesa, com a exceção da rainha consorte Catarina de Médici. Maria aprendeu a tocar alaúde e virginal, sendo competente na escrita, poesia, equitação, falcoaria e bordado, também aprendendo a falar francês, italiano, latim, espanhol e grego, além de falar seu nativo scots. Ela ficou muito amiga de sua futura cunhada Isabel de Valois, de quem Maria "manteve memórias nostálgicas depois na sua vida". Sua avó materna Antonieta de Bourbon foi outra forte influência na sua infância, atuando como uma de suas principais conselheiras.
Os retratos mostram Maria com uma cabeça pequena e com formato oval, um pescoço longo e delicado, cabelo ruivo claro, olhos castanhos, pálpebras pesadas e abaixadas, sobrancelhas finas e arqueadas, pele branca, uma testa alta e características firmes e regulares. Ela foi considerada uma criança bonita e depois, quando adulta, uma mulher muito atraente. Em algum momento da infância ela pegou varíola, porém a doença não deixou marcas.
A rainha era eloquente e extraordinariamente alta para os padrões do (quando adulta ela chegou a medir 1,80 m), enquanto seu marido Francisco era gago e anormalmente baixo. Henrique II comentou que "desde o primeiro dia que se conheceram, meu filho e ela se deram bem juntos como se já se conhecessem há muito tempo". Maria assinou um acordo secreto em 4 de abril de 1558 legando a Escócia e sua reivindicação aos tronos inglês e francês caso morresse sem deixar herdeiros. Vinte dias depois casou-se com o delfim na Catedral de Notre-Dame de Paris, com Francisco tornando-se rei consorte da Escócia.
Pretensão ao trono inglês thumb|Francisco e Maria c. 1559 Eduardo VI havia morrido em julho de 1553 e fora sucedido por sua meia irmã Maria I, que morreu em novembro de 1558 e por sua vez foi sucedida por sua única meia-irmã ainda viva Isabel I. Sob o Terceiro Ato de Sucessão aprovado em 1543 pelo parlamento inglês, Isabel foi reconhecida como herdeira de seu meio-irmão e meia-irmã, enquanto o testamento de Henrique VIII excluiu a Casa de Stuart da linha de sucessão da Inglaterra. Mesmo assim, Eduardo e Isabel eram vistos por muito católicos como ilegítimos, e que assim Maria da Escócia era a verdadeira rainha inglesa como descendente de Margarida Tudor. Henrique II proclamou que seu filho e sua nora eram os rei e rainha da Inglaterra, fazendo com que o brasão real inglês fosse empalado com o francês de Francisco e o escocês de Maria. Sua reivindicação ao trono da Inglaterra foi um ponto de discórdia permanente entre ela e Isabel.
Henrique II se feriu durante uma justa e morreu em , assim Francisco, então com quinze anos de idade, ascendeu ao trono com Maria, com dezesseis anos, sendo sua consorte. Os tios da rainha, Francisco, Duque de Guise, e Carlos, Cardeal de Lorena, passaram a dominar a política francesa em uma ascensão chamado por alguns historiadores como "a tirania guisiana".