Prisioneiro no Vaticano ou prisioneiro do Vaticano (em italiano: prigioniero del Vaticano) é a expressão com que o Papa Pio IX passou a descrever a si mesmo após a captura de Roma pelas forças do Reino da Itália, em 20 de setembro de 1870. A tomada da cidade, encerrando o processo de unificação italiana, pôs fim ao milenar poder temporal dos Papas sobre a Itália central e permitiu que Roma fosse estabelecida como capital da nova nação. A designação estendeu-se, por uso comum, aos sucessores de Pio IX até o pontificado de Pio XI.

Ao longo dos séculos, no exercício de sua autoridade temporal, os Pontífices ampliaram gradualmente seu domínio sobre as regiões vizinhas. Assim se formaram os Estados Pontifícios, que compreenderam vastas áreas da península Itálica durante mais de mil anos. No entanto, ao longo do século XIX, grande parte desse território foi progressivamente incorporada pelo nascente Reino da Itália, culminando na unificação sob o rei Vítor Emanuel II e na transformação de Roma em capital do novo Estado.

O movimento nacionalista que percorreu a Itália no século XIX encontrou obstáculo parcial nos Estados Pontifícios, cuja extensão geográfica e relevância histórica — incluindo a antiga capital imperial, Roma — dificultavam a consolidação política da península. Durante décadas, a influência diplomática do papado junto às principais potências europeias, especialmente França e Áustria, contribuiu para preservar a integridade desses territórios. Contudo, quando Roma foi finalmente tomada, o governo italiano chegou a propor que o Papa conservasse a porção ocidental da cidade, conhecida como Cidade Leonina, como resquício dos Estados Pontifícios. Pio IX recusou tal solução,Kertzer, p. 45 e, poucos dias após a entrada das tropas italianas, estas ocupavam toda a cidade. Um plebiscito local aprovou a anexação definitiva ao Reino da Itália.Kertzer, p. 63

Nos 59 anos seguintes, os Papas permaneceram voluntariamente dentro do Vaticano, evitando qualquer gesto que pudesse indicar aceitação tácita da autoridade do governo italiano sobre Roma. Durante este período, não compareciam à Praça de São Pedro nem à sacada principal da Basílica Vaticana, uma vez que a praça ficara sob controle das tropas italianas. As bênçãos Urbi et Orbi eram concedidas a partir de um pátio interno ou do interior da Basílica, e as cerimônias de coroação papal realizavam-se na Capela Sistina. Esta situação perdurou até 1929, quando os Pactos de Latrão estabeleceram o Estado da Cidade do Vaticano, solucionando a chamada Questão Romana.

Ver também Questão Romana

Bibliografia

Categoria:História do papado Categoria:Relações entre Itália e Santa Sé Categoria:Estados e territórios fundados em 1870 Categoria:Estados e territórios extintos em 1929 Categoria:Prisioneiros Categoria:Anticatolicismo na Itália Categoria:Papa Pio IX Categoria:História da Igreja Católica na Itália