thumb|320px|O território de Israel no com uma falsa representação de suas rotas comerciais e militares Israel e Judá foram alguns reinos da Idade do Ferro do antigo Oriente Médio. Este artigo abrange o período de tempo que vai desde a primeira menção do nome Israel no registro arqueológico (c. ) até ao reino judeu da época de Jesus Cristo e à diáspora judaica.
Os dois reinos surgiram na costa oriental do Mediterrâneo, na porção mais a oeste do Crescente Fértil, entre os antigos impérios do Egito ao sul, Assíria, Babilônia e mais tarde Pérsia ao norte e a leste, e Grécia e depois Roma através do mar a oeste. A área envolvida é relativamente pequena, talvez apenas 148 km no sentido norte-sul e 60–70 km de leste a oeste.
Israel e Judá emergiram da cultura canaanita autóctone do Bronze Tardio, e tinham como base vilas que se formaram e cresceram nas áreas montanhosas do Levante meridional (i.e. a definição atual para a região compreendida entre as planícies costeiras e o vale do Jordão) entre c. . Israel se tornou um importante poder local nos séculos antes de cair nas mãos dos assírios; o reino do sul, Judá, usufruiu de um período de prosperidade como um estado-vassalo dos grandes impérios da região antes de uma revolta contra a Babilônia levar à sua destruição no início do Exilados judeus retornaram da Babilônia no começo do período persa, inaugurando uma época de formação no desenvolvimento de uma distinta identidade judaica na província de Jeúde, como Judá passara a ser chamada. Jeúde foi absorvida pelos reinos gregos subsequentes às conquistas de Alexandre, o Grande. Em 167 a.C., os judeus se revoltaram contra o domínio grego e criaram o Reino da Judeia, que se tornou primeiramente um estado-vassalo de Roma passando depois ao seu controle direto.
Antecedentes () Israel e Judá emergiram entre a costa do Mediterrâneo e a depressão do vale do Jordão. Imediatamente ao sul e a leste estavam os reinos de Edom (ao sul do Mar Morto), Moabe (leste do Mar Morto), além de Aram e Amom ao norte. Na costa mediterrânea, a sudoeste estavam as cidades-estado dos filisteus e a noroeste as dos fenícios, com cidades-estado israelitas entre elas. Grandes impérios se estendiam a sudoeste (Antigo Egito) e a nordeste: Assíria nos sécs. , Babilônia no e a Pérsia Aquemênida depois disso). Também havia contato considerável entre todas essas e as cidades-estado da Grécia Antiga através do mediterrâneo oriental.James Maxwell Miller and John Haralson Hayes, "A History of Ancient Israel and Judah" (Westminster John Knox Press, 1986) pp.30-49
De acordo com a Bíblia, os israelitas conquistaram a sua terra dos canaanitas nos tempos de Josué, através da promessa e orientação divinas, depois dos acontecimentos do Êxodo. Por outro lado, a limitada evidência epigráfica disponível mostra que linguisticamente os dialetos israelita e judaíta do início do se assemelham notavelmente ao fenício, moabita e edomita. E dentro desse agrupamento, um grupo "caaanita central" de israelita e fenício pode ser distinguido de um "canaanita periférico" de judaíta, amonita, moabita e edomita.Thomas L. Thompson, "Early History of the Israelite People" p.413
Período Pré-Exílico Idade do Ferro I () thumb|200px|As doze tribos de Israel a partir das quais surgiu o reino
Pesquisas têm identificado até agora mais de 300 pequenas vilas, a maioria das quais assentamentos recentes, sendo que a maior delas tinha uma população que não ultrapassava 300 pessoas, nas montanhas palestinas da Idade do Ferro I. O processo de assentamento era mais intenso e as vilas maiores na região mais ao norte (as regiões bíblicas de Manassés e Efraim), no entanto, nenhum assentamento pode ser considerado realmente urbano. A população fixa total no começo do período é estimada em 20 mil e o dobro disso no final do período.Paula McNutt, "Reconstructing the Society of Ancient Israel" pp.69-70
Politicamente, as montanhas palestinas nesse período não apresentam nenhum sinal de autoridade centralizada. No campo religioso, não contam com templos, capelas ou lugares de culto centralizados (apesar de que objetos de culto associados ao culto do deus canaanita El terem sido encontrados). A cerâmica permanece fortemente na tradição desde o bronze tardio na região e o alfabeto usado, apesar de terem sido encontrados muito poucos exemplos, é proto-canaanita. Praticamente a única marca distintiva dos assentamentos israelitas dos outros assentamentos canaaneus é a ausência de ossadas de porco, apesar de que se isso pode ser considerado um marcador cultural ou se é devido a outros fatores ainda é objeto de controvérsia.Anne E. Killebrew, "Biblical Peoples and Ethnicity" (Society of Biblical Literature, 2005) p.176
A Estela de Merneptá, erigida por um faraó egípcio para comemorar uma vitória sobre os líbios (as tribos bérberes Libu e Meshwesh) e os povos do mar, que inclui um pequeno poema ou hino listando suas vitórias em Canaã. Próximo do final ocorre a linha: "Israel está devastada, sua semente já não existe."Lawrence E. Stagger, Forging an Identity: The Emergence of Ancient ISrael, in Michael D. Coogan (ed), "The Oxford History of the Biblical World (Oxford UP, 1998), p.91 Este Israel, identificado como um povo, estavam provavelmente localizados na parte norte das montanhas centrais, geograficamente parte do que seria mais tarde o Reino de Israel bíblico.Niels Peter Lemche, "The Israelites in History and Tradition" (Westminster John Knox, 1998) pp.35-8
Idade do Ferro II () Uma inscrição do faraó egípcio Sisaque I (XXII dinastia), provavelmente o mesmo que o citado na Bíblia, registra uma série de campanhas dirigidas na área imediatamente ao norte de Jerusalém na segunda metade do . Cerca de cem anos mais tarde, no , o rei assírio Salmaneser III cita Acabe de Israel entre seus inimigos na batalha de Carcar (), enquanto que na estela de Mesha (c. ) um rei de Moabe celebra seu sucesso por se libertar da opressão da “Casa de Omri” (i.e. Israel). Já a estela de Tel Dã fala da morte de um rei de Israel, provavelmente Jorão, nas mãos do rei arameu cerca de . Escavações na Samaria, a capital israelita, reforçam a impressão de um reino forte e centralizado nas montanhas do norte durante os séculos Amihai Mazar, The Divided Monarchy: Comments on some Archaeological Issues, in Israel Finkelstein and Amihai Mazar, "The quest for the historical Israel" (Society of Biblical Literature, 2007) p.163 Na segunda metade do o rei Oseias de Israel se revoltou contra os Assírios e foi esmagado (c. ). Parte da população foi deportada, e população de outras partes do império assírio foram trazidas para substituí-los, assim Israel se tornou uma província Assíria.Stephanie Dalley, "The Legacy of Mesopotamia" (OUP, 1998) p.62
A primeira evidência para a existência de um reino organizado na região sul vem da estela de Tel Dã, de meados do , que menciona a morte de um rei da casa de David. A contemporânea estela de Mesha talvez também mencione a casa de David, mas a reconstrução que permitiria tal leitura é controversa.Pierre Bordreuil, "A propos de l'inscription de Mesha': deux notes," in P. M. Michele Daviau, John W. Wevers and Michael Weigl [Eds.], The World of the Aramaeans III, pp. 158-167, especially pp. 162-163 [Sheffield, England: Sheffield Academic Press, 2001] É geralmente assumido que essa "Casa de Davi" é idêntica a dinastia bíblica, no entanto, a evidência arqueológica atual indica que durante os séculos X e , Jerusalém era apenas uma dentre as quarto maiores vilas da região, com nenhum sinal de primazia sobre as outras.Gunnar Lehman, The United Monarchy in the Countryside: Jerusalem, Judah and the Shephelah During the Tenth Century BCE, in Vaughan and Killibrew (eds), "Jerusalem in Bible and Archaeology: The First Temple Period" ()p.149 Foi somente na segunda metade do que Jerusalém passou por um período de rápido crescimento, alcançando uma população muito maior que antes e adquirindo clara primazia sobre as vilas ao seu redor. As reconstruções acadêmicas mais antigas desses eventos atribui esse aumento demográfico ao influxo de refugiados subsequente à conquista de Israel pela Assíria (c. ), mas um ponto de vista mais recente é o de que isso refletiria um esforço cooperativo entre a Assíria e os reis de Jerusalém para estabelecer Judá como um estado-vassalo pró-Assíria para controlar a valiosa indústria de azeite.Thomas L. Thompson, "The Early History of Israel" pp.410-412 O súbito colapso do poder Assírio na segunda metade do levou a uma fracassada tentativa de independência pelo rei Josias, seguida pela destruição de Jerusalém pelo sucessor do império Assírio, o Império Neobabilônico (587/586 BCE).
Períodos Exílico e Pós-Exílico Períodos Babilônio e Persa () Exílio na Babilônia
Em , os babilônios, sob o rei Nabucodonosor II capturaram Jerusalém, destruíram o templo de Salomão, puseram um fim à dinastia davídica e levaram o povo cativo. Somente os mais pobres foram deixados em Judá, agora a provincial babilônica de Jeúde com sua capital em Mispá, ao norte de Jerusalém. Alguns anos depois, de acordo com a Bíblia, o governador de Jeúde foi morto por rivais, desencadeando um outro êxodo de refugiados, desta vez para o Egito. Assim, cerca de 580 pessoas do povo de Judá podiam ser encontradas em três localidades separadas: a elite na Babilônia (onde aparentemente foram bem tratados), uma grande comunidade no Egito, e um remanescente em Judá.Kenneth Kitchen, "On the Reliability of the Old Testament (Eerdmans, 2003) pp.66-70
Período Persa O exílio babilônico terminou quando Ciro, o Grande da Pérsia conquistou a Babilônia (tradicionalmente ). Os persas reconstituíram Judá/Jeúde como província ("Jeúde") dentro da satrapia "Além do Rio", e ao longo do século seguinte alguns dos exilados retornaram a Jerusalém. Lá eles eventualmente reconstruíram o Templo (tradicionalmente ), mas por mais de um século a capital administrativa permaneceu em Mispá.Victor H. Matthews, "A Brief History of Israel" (Westminster John Knox, 2002) p.103 Ciro apontou Zorobabel (o neto do penúltimo rei de Judá, Jeoiaquim) para governador, mas não permitiu a restauração do reino. A Samaria, nesse ínterim, continuou como a província de Samaria dentro da mesma satrapia que Jeúde.[Lester L. Grabbe, "A history of the Jews and Judaism in the Second Temple Period, Volume 1: Yehud: A History of the Persian Province of Judah" (T&T Clarke International, 2004) p.134]
Sem o poder limitante da monarquia, a autoridade do Templo foi amplificada e o sacerdotes se tornaram a autoridade dominante. Entretanto, o Segundo Templo tinha sido construído sob os auspícios de um poder estrangeiro e havia dúvidas a respeito da sua legitimidade. Isso forneceu condições para várias seitas se desenvolverem dentro do judaísmo ao longo dos séculos seguintes, a maioria das quais desencorajavam a mistura social, especialmente o casamento com membros de outras seitas. A influência do zoroastrismo sobre o monoteísmo, é um tema de amplo debate acadêmico.
O fim do exílio babilônico viu não apenas a construção do Segundo templo mas, de acordo com a hipótese documental, também a redação final da Torá. Apesar de que os sacerdotes controlavam a monarquia e o templo, os escribas e sábios (que mais tarde seriam chamados de rabis) monopolizaram o estudo da Torá, que (a partir da época de Esdras) era lida publicamente. Os sábios desenvolveram e mantiveram uma tradição oral juntamente às Escrituras e se identificavam com os profetas. De acordo com Geza Vermes, tais escribas eram frequentemente referidos com o pronome de tratamento, "senhor."
Períodos Helenístico e Romano ( - ) O período da história judaica na civilização helenística começa em , quando Alexandre, o Grande conquistou a Pérsia. Depois de sua morte em , seu império foi dividido entre seus generais. Primeiramente a Judeia foi governada pelos egípcio-helênicos Ptolomeus, mas em 198, os sírio-helênico Império Selêucida, sob Antíoco III tomou o controle sobre a Judeia.