Conde de Alva foi um título nobiliárquico português, criado por decreto de 29 de abril de 1729 do rei D. João V, a favor de D. João Diogo de Sousa e Ataíde, segundo filho dos 6.os condes de Atouguia.

O título manteve-se ligado, desde a origem, à Casa dos senhores do morgado de Alva, de que a mulher do primeiro titular era herdeira. Extinta a descendência do 1.º Conde, foi atribuído a um parente seu, D. Luís Mascarenhas, que não sucedeu no morgado, e voltou mais tarde à linha que herdara a Casa de Alva, a dos Sousa Coutinho Monteiro Paim, cujo chefe foi elevado a Marquês de Santa Iria em 1833.

História O 1.º Conde, D. João Diogo de Sousa e Ataíde (1663–1740), foi conselheiro de Guerra e tenente-general, governou as armas do Minho e do Alentejo e combateu na Guerra da Sucessão Espanhola. Casou com D. Constança Luísa Monteiro Paim, filha primogénita de Roque Monteiro Paim, secretário de Estado de D. Pedro II, e 3.ª senhora do morgado de Alva, vínculo a que o título ficou associado.

Por não ter havido descendência deste casamento, o morgado de Alva passou para a irmã da condessa, D. Maria Antónia de São Boaventura de Meneses Paim, mulher de D. Rodrigo de Sousa Coutinho, e, depois, para o filho de ambos, D. Vicente Roque José de Sousa Coutinho Monteiro Paim (1726–1792), pai do futuro 3.º conde.

O título, que se encontrava vago, foi concedido por D. José, por decreto de 13 e carta de 24 de março de 1754, a D. Luís Mascarenhas, quarto filho do 2.º Marquês de Fronteira e neto materno dos 7.os Condes de Atouguia, que não sucedeu no morgado. Antigo governador da capitania de São Paulo (1739–1748), recebeu a mercê antes de partir para a Índia como 46.º vice-rei e morreu em campanha a 28 de junho de 1756, durante a marcha sobre Pondá.

Em junho de 1797, durante a regência do príncipe D. João, o título foi renovado em D. Luís Roque de Sousa Coutinho Monteiro Paim (1783–1850), sobrinho-neto dos 1.os Condes, reunindo-se assim de novo à Casa de Alva. Tenente-general e par do Reino, foi elevado a Marquês de Santa Iria por decreto de 4 de abril de 1833, durante a regência de D. Pedro IV.

O 4.º e último titular foi o seu filho primogénito, D. Vicente de Sousa Coutinho Monteiro Paim (1805–1868). O título foi-lhe concedido, em atenção aos serviços do pai, por decreto de 22 de junho de 1815, de D. João VI e a respetiva carta foi passada a 23 de abril de 1823.

Armas Os condes de Alva da linha Sousa Coutinho Monteiro Paim usaram um escudo partido. A primeira metade é esquartelada de Pains e de Monteiros e a segunda tem as armas dos Sousas do Prado, adotadas pelos Sousas Coutinhos. O timbre é de Pains e a coroa é de conde.

Condes de Alva (1729) # Titular Datas Títulos Notas Ref. 1 D. João Diogo de Sousa e Ataíde 31 de outubro de 1663 – 11 de abril de 1740 1.º Conde de Alva Primeiro titular, criado conde por decreto de 29 de abril de 1729, de D. João V. Segundo filho dos 6.os Condes de Atouguia; conselheiro de Guerra e tenente-general. Casou com D. Constança Luísa Monteiro Paim, 3.ª senhora do morgado de Alva, sem descendência. 2 D. Luís Mascarenhas m. 28 de junho de 1756 2.º Conde de Alva Parente do 1.º Conde: Filho dos 2.os Marqueses de Fronteira e neto materno dos 7.os Condes de Atouguia. Recebeu o título, que se encontrava vago, por decreto de 13 e carta de 24 de março de 1754, de D. José, sem suceder no morgado de Alva. Governador da capitania de São Paulo e 46.º vice-rei da Índia, onde morreu em campanha. Casou com D. Maria Bárbara de Meneses, filha dos 2.os Condes de Santiago de Beduído. 3 D. Luís Roque de Sousa Coutinho Monteiro Paim 1 de fevereiro de 1783 – 5 de abril de 1850 3.º Conde de Alva(1.º Marquês de Santa Iria) Sobrinho-neto do 1.º Conde pela linha da 1.ª Condessa, cuja irmã herdara o morgado de Alva. O título foi-lhe renovado em junho de 1797, durante a regência do príncipe D. João, e foi elevado a Marquês de Santa Iria em 1833. Tenente-general e par do Reino. Casou com a sua sobrinha D. Mariana Vicência de Sousa Holstein, com descendência. 4 D. Vicente de Sousa Coutinho Monteiro Paim 7 de abril de 1805 – 11 de setembro de 1868 4.º Conde de Alva Filho do anterior. O título foi-lhe concedido por decreto de 22 de junho de 1815, de D. João VI, com carta de 23 de abril de 1823. Diplomata e par do Reino por sucessão. Casou em 1826 com D. Leonor Juliana Luísa de Mascarenhas, filha dos 6.os Marqueses de Fronteira; o único filho, D. Luís de Sousa, não usou o título e morreu solteiro.

Representantes do título na República Após a implantação da República, em 1910, cessou a concessão de títulos nobiliárquicos pelo Estado. (art. 3.º, n.º 3) Desde então, reivindicaram a representação do título os seguintes membros da família: # Representante Datas Títulos pretendidos Notas Ref. 5 José Luís Andrade de Vasconcelos e Sousa 1924 – 2006 5.º Conde de Alva Descendente de D. Pedro de Sousa, irmão do 4.º Conde, em cuja linha recaiu a representação do título; filho primogénito varão do 2.º Marquês de Santa Iria. Cavaleiro de honra e devoção da Ordem Soberana e Militar de Malta. Casou em 1947 com D. Maria Teresa de Lancastre de Melo, filha do 3.º Visconde de Taveiro, o que ligou a família à Casa de Santar e Magalhães. 6 José Luís de Melo de Vasconcelos e Sousa n. 1959 6.º Conde de Alva Filho primogénito varão do anterior. Economista formado pela Universidade de Lausana, dirigiu em Portugal o banco Edmond de Rothschild Europe. Com o irmão, Pedro, está na origem do projeto Santar Vila Jardim, e preside ao conselho fiscal da Associação dos Amigos do Jardim Botânico da Ajuda. Em 2026 foi tema de um episódio da rubrica Sangue Azul, da SIC.

Referências

Categoria:Títulos criados por João V de Portugal Categoria:Fundações em Portugal em 1729