João Tavares Correia Beraldo (Silvianópolis, 20 de fevereiro de 1891 — Juiz de Fora, 17 de março de 1960) foi um advogado, magistrado, banqueiro, professor e político brasileiro do estado de Minas Gerais. Exerceu também as funções de jornalista e era um grande proprietário de terras agrícolas.

João Tavares foi filho de Jonas Correia Beraldo e de Maria Eduarda Tavares Beraldo, nasceu no dia 20 de fevereiro de 1891, no distrito então nomeado de Santana do Sapucaí de Pouso Alegre, em Minas Gerais. A cidade, hoje, chama-se Silvianópolis. A mudança de nome ocorreu em 1911, ao ser elevada de distrito para município, homenageando Francisco Silviano Brandão, filho do Guarda-mor da região, Veríssimo de Carvalho.

Faleceu em Juiz de Fora em 17 de março de 1960.

Estudos Realizou os estudos primários em sua cidade de nascimento e os estudos secundários nos ginásios de Pouso Alegre e Itajubá, também em Minas Gerais. O curso superior foi realizado na Faculdade de Direito de Belo Horizonte.

Vida Política

Em 1914 se candidatou à extra chapa como deputado estadual de Minas Gerais. Neste período, destacou-se por ter relativo alcance dos votos sem nem ao menos ter terminado os estudos. Nesta época, era aluno da Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro, na qual tornou-se bacharel em 1916.

Em 1918, então com 27 anos, foi eleito vereador da Câmara Municipal de Pouso Alegre. Também em 1918, foi eleito deputado de Minas Gerais. Nesta posição, foi reeleito consecutivamente até 1930, ano em que integrou a Comissão de Legislação e Justiça, além de integrar também a Comissão de Finanças da Assembleia de Minas Gerais.

Posteriormente, ocupou cargos como primeiro-secretário, presidente interino da Comissão de Finanças, vice-presidente e presidente da Câmara Municipal de Silvianópolis. Após 1930, ano da Revolução de Getúlio Vargas, João Tavares foi nomeado prefeito de Pouso Alegre. Deixa o PRM, em 1932 e participa da fundação do Partido Progressista de Minas Gerais (PP), em 1933.

Em 1933, tornou-se deputado da Assembleia Nacional Constituinte pelo PP. Teve seu mandato prorrogado até 1935, após a promulgação da nova Constituição.

Atuação na Assembleia Nacional Constituinte de 1934 Seu papel na exclusão da mulher do serviço militar obrigatório

Como deputado à Assembleia Nacional Constituinte de 1934, apresentou diversos projetos de interesse geral, notadamente de ordem econômica e agrícola, sendo, o autor da iniciativa que excluiu a mulher do serviço militar obrigatório. Essa atuação foi elogiada pela líder feminista Bertha Lutz, que o descreveu como um representante da tradição mineira conservadora, mas construtiva, que procurou atender a uma das reivindicações mais caras do movimento feminista.

No final de 1934, ganhou as eleições para deputado de Minas Gerais novamente pelo PP. Só deixou o cargo em 1937 com a supressão dos órgãos legislativos pelo regime do Estado Novo.

Em 1938, tornou-se secretário do Interior de Minas Gerais sob a gestão do interventor Benedito Valadares. Simultaneamente, foi juiz de direito em Cabo Verde, Cambuí e São Gonçalo do Sapucaí. Além dessas funções, foi também depositário judicial do Distrito Federal, na época, ainda localizado no Rio de Janeiro.

Presidente do Banco de Crédito e Interventor do Estado de Minas Gerais Em 1941 assumiu a diretoria do Banco de Crédito de Minas Gerais, em Juiz de Fora. Por essa razão deixou as demais ocupações políticas e públicas até 1945. Em 1946 foi nomeado interventor de Minas Gerais pelo então presidente Eurico Gaspar Dutra. Nessa época, fazia parte do Partido Social Democrático (PSD). Não seguiu as delimitações dadas a ele para esse cargo, no entanto. Sua função era dar procedimento às eleições da Assembleia Constituinte em 1947, mas foi substituído em agosto do mesmo ano por Júlio de Carvalho. Em 1951, reassumiu o cargo de diretor do Banco de Crédito de Minas Gerais, no qual ficou até 1953. miniaturadaimagem|275x275px|Juscelino Kubitschek e João Beraldo.

Contribuições como jornalista Escreveu para alguns jornais de Belo Horizonte e do interior de Minas simultaneamente a sua carreira política.

Vida privada

Casou-se em com Hermantina Schumann Beraldo. Hermantina era sobrinha do Comendador Frederico Schumann. Com ela teve dois filhos. Um deles, Wilson João Beraldo seguiu a carreira política do pai e foi deputado estadual de Minas Gerais entre 1947 e 1951 pelo PSD. Seu segundo casamento foi com Zuleica Teixeira Marinho Beraldo.

João era parente do renomado cientista Wilson Teixeira Beraldo, co-descobridor da substância bradicinina. Também era primo de terceiro grau de Tancredo Neves.

Morte

Na data de sua morte, exercia ainda era membro da comissão Executiva do Partido Social Democrático.

O funeral de João Beraldo, em Juiz de Fora, aconteceu com grande acompanhamento, notanto-se a presença do senador Benedito Valadares, de Tancredo Neves, secretário das Finanças, de Celso Machado, secretário de Segurança, de João Quadros, presidente do Banco Mineiro da Produção, de Joel de Paiva Cortes, presidente do Banco de Crédito Real, de Olavo Costa, prefeito de Juiz de Fora, do presidente da Câmara Municipal e vereadores, diretores e funcionários do Banco de Crédito Real, deputados federais e estaduais, de Astolfo Dutra Nicácio e de Américo Cirilo, do gabinete do secretário das Finanças, representando os antigos auxiliares do interventor João Beraldo.

Antes de baixar o corpo a sepultura falou, entre vários outros oradores, Tancredo Neves, que em nome do governo do estado traduziu o profundo pezar que se abateu sobre toda Minas Gerais com a dolorosa noticia do desaparecimento de um de seus mais ilustres filhos.

Ao ter notícia do lutuoso acontecimento, o Governador Bias Fortes, determinou ponto facultativo, em todas as repartições publicas estaduais.

Categoria:Governadores de Minas Gerais Categoria:Naturais de Silvianópolis Categoria:Deputados federais da Assembleia Nacional Constituinte de 1934 Categoria:Prefeitos de Pouso Alegre Categoria:Deputados federais do Brasil por Minas Gerais Categoria:Políticos de Minas Gerais do século XX Categoria:Banqueiros de Minas Gerais Categoria:Banqueiros do Brasil