Terminal Intermodal Palmeiras–Barra Funda, também conhecido como Terminal Barra Funda, ou apenas Estação Barra Funda, é o segundo intercambiador de transportes mais importante de São Paulo. Inaugurado em 17 de dezembro de 1988, fica localizado na Barra Funda e reúne num mesmo complexo terminal linhas de ônibus municipais, intermunicipais, interestaduais, internacionais e metropolitanos, trens e metrô.
Estação Palmeiras-Barra Funda
Segundo dados divulgados pela Secretaria de Transportes Metropolitanos, a estação Palmeiras Barra Funda teve média de 355.000 mil passageiros por dia nas plataformas de trens e metrô.
A Linha 3-Vermelha do Metrô de São Paulo movimenta cerca de 209.200 passageiros por dia na estação.
A Linha 7-Rubi da TIC Trens e a Linha 8-Diamante da ViaMobilidade, ambas do Trem Metropolitano de São Paulo, recebem, juntas, cerca de 144.814 passageiros por dia na estação.
O Terminal Rodoviário da Barra Funda recebe em média 40.000 passageiros por dia.
História thumb|200px|left|Estação Barra Funda - São Paulo, SP, pintura de Antonio Ferrigno thumb|200px|left|Estação Barra Funda da ferrovia Santos-Jundiaí no final dos anos 1950 thumb|200px|left|Restos da 2ª estação Barra Funda da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, inaugurada em 1964 e desativada em 29 de novembro de 1998
Em abril de 1892 os pátios do Brás e do Pari da São Paulo Railway se encontravam superlotados ao ponto de parte das cargas ser impedida de descarregamento por falta de espaço, com os vagões carregados e parados nos desvios dos pátios. Ao mesmo tempo, cargas destinadas ao interior do estado estavam paradas por falta de vagões e locomotivas para transporte. Esse “esgotamento” do transporte ferroviário era em parte culpa da Epidemia de Febre Amarela em Campinas que fez adoecer dezenas de funcionários das ferrovias Paulista e Mogiana, mão-de-obra necessária para garantir a regularidade do tráfego de passageiros e mercadorias. Também ocorreu escassez de carvão e a rediscussão do contrato de concessão da São Paulo Railway pelo Governo Federal. Diante dessa situação de esgotamento, o superintendente da São Paulo Railway, William Speers, apelava aos clientes para que retirassem suas cargas com urgência. Ao mesmo tempo, a São Paulo Railway resolveu abrir uma pequena estação com um novo pátio de recebimento de cargas. O novo pátio foi aberto em 19 de maio de 1892 sendo batizado Barra Funda. A pequena estação Barra Funda funcionou precariamente até 21 de janeiro de 1895 quando foi destruída por um incêndio.
Após a fusão da Companhia Ituana de Estradas de Ferro e da Estrada de Ferro Sorocabana em 1892, o trecho inicial da linha tronco da Ituana entre Itaici e Mairinque recebeu melhorias e unificação de bitola com a rede e a Sorocabana passou a ser uma alternativa para o escoamento da produção de café do interior paulista até São Paulo, onde era transferida nos pátios do Brás e do Pari para a São Paulo Railway. Diante do alto custo de frete cobrado pela São Paulo Railway, detentora do monopólio do transporte de cargas e passageiros entre o Porto de Santos e Jundiaí, o barão de Socorro, presidente da Sorocabana, idealizou a construção de uma segunda ferrovia ao porto de Santos. Apesar de ter obtido a concessão do governo federal para construir a ferrovia Mairinque - Santos, a Sorocabana entrou em crise financeira e o projeto não saiu do papel. Como forma de retaliação, a São Paulo Railway passou a não receber mercadorias escoadas via linha Ituana pela Sorocabana nos pátios da Barra Funda, Brás e Pari, além de reter por longo período centenas de vagões de café da Sorocabana nos pátios sem justificativa plausível. A resposta inicial da Sorocabana foi adquirir terrenos no entorno da estação de São Paulo para ampliar as instalações para receber cargas escoadas pela antiga linha Ituana e a construção de uma nova casa para abrigar as turmas de conservação do quilometro 3 na Barra Funda. A concentração de funcionários e equipamentos no quilômetro 3 deu origem ao pátio e estação Barra Funda da Sorocabana, aberto em 1902 mas ainda sem um prédio para atendimento de passageiros.
A ideia de integrar os trens de subúrbio ao Metrô começou a ganhar corpo na década de 1970. Com o crescimento do distrito da Barra Funda, a Santos–Jundiaí investiu na reconstrução da estação, demolindo o prédio de estilo vitoriano e inaugurando outro de linhas modernistas em 1964.
Em 1968, a Companhia do Metropolitano de São Paulo apresentou o primeiro projeto para a implantação da Estação Barra Funda, da Linha Leste-Oeste. Projetada em superfície, a estação teria, além de suas instalações usuais, um estacionamento-garagem, um terminal de ônibus e duas torres para receber as sedes da Companhia do Metropolitano e da Ferrovia Paulista S.A. (Fepasa). Até 1979, o projeto era cogitado ao lado de uma pretensa expansão da Linha Leste-Oeste até a Lapa. Nesse ano, devido à falta de recursos para as obras da linha e à transferência da gestão do Metrô, do município para o estado, o projeto foi abandonado, e um novo projeto passou a ser estudado.
Dentro do projeto de remodelação dos subúrbios da Fepasa, a empresa inaugurou uma Estação Barra Funda para seus serviços, com entrada localizada no fim da Rua Barra Funda. Com projeto arquitetônico idêntico ao da Estação Lapa, a estação foi aberta em 1979 e demolida em 1988.
Projetada pelos arquitetos Roberto MacFadden e Luiz Carlos Esteves (apenas os acessos do terminal), a estação atual foi construída pela empreiteira Mendes Júnior (que posteriormente ganharia sem licitação o contrato de construção do Memorial da América Latina), contratada pelo Metrô com recursos do Governo do Estado de São Paulo e do Governo Federal, no local da antiga estação homônima da Sorocabana, para atender a sua Linha Leste–Oeste (atual Linha 3–Vermelha) e unificar em uma só estação as linhas de trem de subúrbio da Fepasa (antiga Sorocabana) e da CBTU (antiga Estrada de Ferro Santos-Jundiaí). Durante a construção, em maio de 1986, foi desalojada uma favela que ficava sob o adjacente Viaduto Antártica, tendo sido entregues seis mil cruzados para cada família. Apesar dessa quantia, as famílias optaram por invadir um terreno no Alto da Lapa, no que foi considerada a primeira invasão de terreno municipal na gestão Jânio Quadros.
A estação foi inaugurada em 17 de dezembro de 1988, apenas com as linhas do Metrô e da Fepasa. A linha da CBTU só seria transferida para lá em 5 de janeiro de 1989.
Em 1990, saíam da estação os trens turísticos da Fepasa, que seguiam rumo às cidades de Santos e Peruíbe, no litoral paulista. Em 1996, a estação passou a ser a inicial e terminal dos trens de passageiros de longas distâncias da Fepasa que seguiam rumo ao interior paulista. Os trens turísticos que saíam da estação e seguiam para o litoral foram desativados em 1997, ainda sob a gestão da Fepasa.
A área do Metrô recebeu um dos dois primeiros elevadores para deficientes físicos do sistema metroviário, em 1993.
Após a unificação das linhas de subúrbio da Fepasa e da CBTU como CPTM, passou a ter transferência gratuita entre as linhas das antigas companhias. A estação Barra Funda da Santos–Jundiaí continuou operando, apenas com o serviço do Trem de Prata, até 29 de novembro de 1998, quando foi desativada.
A Estação Barra Funda da Fepasa continuou operando com o serviço de trens de passageiros de longa distância até janeiro de 1999, quando deixaram de circular, após a privatização da companhia e a sua compra pela concessionária Ferroban, atualmente extinta. Desde então, a estação opera somente com os serviços de trens metropolitanos e com o serviço da Linha 3–Vermelha do Metrô.
Em 27 de abril de 2006, a estação do Metrô passou a se chamar Palmeiras–Barra Funda, em homenagem à Sociedade Esportiva Palmeiras, clube paulistano sediado a cerca de 1,1 quilômetro do terminal. O mesmo veio a acontecer com a CPTM durante o ano de 2007.
A Secretaria de de Transportes Metropolitanos anunciou que a Linha 11–Coral deveria ser levada até esta estação. Em dezembro de 2024, foi inaugurada a extensão da linha até a estação, em operação assistida aos domingos, e em agosto de 2025 ela passou a operar aos sábados e aos dias úteis, inicialmente, apenas fora dos horários de pico. Essa extensão se faz necessária para compensar a redução do traçado da Linha 7-Rubi, entre Brás e Palmeiras - Barra Funda, após a concessão à TIC Trens.
A partir de 1º de setembro de 2023, o Expresso Aeroporto da Linha 13–Jade da CPTM passou a iniciar suas viagens a partir da Estação da Barra Funda, com sentido à Estação Aeroporto–Guarulhos, com paradas intermediárias na estações: Luz e Guarulhos-Cecap no sentido aeroporto e Guarulhos-CECAP, Brás e Luz no sentido Palmeiras-Barra Funda. Dessa forma, buscou-se facilitar o acesso de passageiros do terminal rodoviário interestadual da Barra Funda, com o Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos.
A partir de 28 de agosto de 2025, a estação Palmeiras-Barra Funda passou a ser o terminal oficial das linhas 7-Rubi, 10-Turquesa e 11-Coral do trem metropolitano. Essa mudança transforma a estação em um hub central do transporte sobre trilhos em São Paulo.
Trem metropolitano LinhaTerminaisComprimento (km)EstaçõesObservações7RubiPalmeiras-Barra Funda ↔ Jundiaí57,10017Antiga Linha A–Marrom/ Antiga Linha Noroeste–Sudeste (trecho noroeste) da CBTU8DiamanteJúlio Prestes ↔ Itapevi35,30020Possui extensão operacionalAntiga Linha B–Cinza / Antiga Linha Oeste do Trem Metropolitano da FEPASA10TurquesaPalmeiras-Barra Funda ↔ Rio Grande da Serra43,60015Antiga Linha D-Bege/ Antiga Linha Noroeste–Sudeste (trecho sudeste) da CBTU11CoralPalmeiras-Barra Funda ↔ Estudantes54,10018Estação encontra-se em operação assistidaAntiga Linha E–Laranja / Antiga Linha Leste Tronco do Trem Metropolitano da CBTU13Jade (Expresso Aeroporto) Palmeiras-Barra Funda ↔ Aeroporto–Guarulhos27,8005 Serviço Expresso que parte de hora em hora entre as 05h e meia-noite em direção ao Aeroporto–Guarulhos
SiglaEstaçãoInauguraçãoIntegraçãoPlataformasPosiçãoNotasBFUPalmeiras–Barra Funda19 de maio de 1892 (SPR); 17 de dezembro de 1988 (FEPASA e Metrô); 5 de janeiro de 1989 (CBTU)Linha 3–Vermelha, Bilhete Único da SPTransCentrais e lateraisSuperfícieReconstruída pelo Metrô de São Paulo, com recursos do Governo Federal e do Governo Estadual de São Paulo, em 1988
Metrô Linha Terminais Estações3VermelhaPalmeiras–Barra Funda ↔ Corinthians–Itaquera18
SiglaEstaçãoInauguraçãoCapacidadeIntegraçãoPlataformasPosiçãoNotasBFUPalmeiras–Barra Funda17 de dezembro de 198860 mil passageiros hora/picoLinhas 7 e 8 do Trem Metropolitano, Bilhete Único da SPTrans e Cartão BOMLaterais e centralSuperfícieEstação com estrutura de concreto pré-moldado
FEPASA (extinta) LinhaTerminaisComprimento (km)EstaçõesObservações1Linha TurísticaPeruíbe ↔ Campinas290105Conhecido como Trem do Pettená, esta linha tinha como destino a estação central de Campinas, com partidas de Peruíbe, no litoral sul paulista, e a estação de Barra Funda era usada para embarque e/ou desembarque de passageiros oriundos da capital paulista e troca de locomotivas. Foi suprimido em 1997 juntamente com a Ferrovia Paulista S.A. quando ocorreu a privatização </center>
Obras de arte CPTM A estação da CPTM possui duas obras de arte expostas em seu mezanino de distribuição e integração com o metrô:
Grande Painel Azul II (1998), de Marcelo Lago, constituída de placas de concreto com círculos estampados em baixo relevo, pintados com pintura automotiva; Entorno de nós (2018), organizada por Danilo Blanco. A obra apresenta trabalhos de marchetaria de 420 alunos das escolas estaduais Professor Dr. Geraldo Campos Moreira (Parque Cisper), Prof. Laurinda Vieira Pinto (Ibiúna), Rodrigues Alves (Bela Vista) e João Kopke (Campos Elíseos), reunidos em oficinas patrocinadas pela Fundação Stickel e auxiliadas pela Escola Senai Orlando Laviero Ferraiuolo. Composta por 690 placas de azulejo de 15×15 centímetros.
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