A psicologia da Gestalt,Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. Academia Brasileira de Letras. gestaltismo, guestaltismo, configuracionismo ou psicologia da forma (não confundir com Gestalt-terapia) é uma escola de psicologia que surgiu no início do século XX na Áustria e na Alemanha como uma teoria da percepção que era uma rejeição dos princípios básicos da psicologia elementalista e estruturalista de Wilhelm Wundt e Edward Titchener.

Conforme usado na psicologia da forma, a palavra alemã Gestalt (, ; "forma") é interpretado como "padrão" ou "configuração". Os psicólogos da forma enfatizam que os organismos percebem padrões ou configurações inteiras, não apenas componentes individuais. A visão às vezes é resumida usando o ditado, "o todo é mais do que a soma de suas partes."

A psicologia da forma foi fundada em obras de Max Wertheimer, Wolfgang Köhler e Kurt Koffka.

Origem e história

Max Wertheimer (1880–1943), Kurt Koffka (1886–1941) e Wolfgang Köhler (1887–1967) fundaram o guestaltismo no início do século XX. A visão dominante na psicologia na época era o estruturalismo, exemplificado pelo trabalho de Hermann von Helmholtz (1821–1894), Wilhelm Wundt (1832–1920) e Edward B. Titchener (1867–1927). O estruturalismo estava firmemente enraizado no empirismo britânico e era baseado em três teorias estreitamente inter-relacionadas: "atomismo", também conhecido como "elementalismo", a visão de que todo conhecimento, mesmo ideias abstratas complexas, é construído a partir de constituintes simples e elementares "sensacionalismo", a visão de que os constituintes mais simples — os átomos do pensamento — são impressões sensoriais elementares "associacionismo", a visão de que ideias mais complexas surgem da associação de ideias mais simples. Juntas, essas três teorias dão origem à visão de que a mente constrói todas as percepções e até pensamentos abstratos estritamente a partir de sensações de nível inferior que estão relacionadas apenas por estarem intimamente associadas no espaço e no tempo. Os guestaltistas discordaram dessa visão "atomística" generalizada de que o objetivo da psicologia deveria ser quebrar a consciência em supostos elementos básicos.

Em contraste, os guestaltistas acreditavam que dividir os fenômenos psicológicos em partes menores não levaria à compreensão da psicologia. Esses psicólogos acreditavam, em vez disso, que a maneira mais frutífera de ver os fenômenos psicológicos é como um todo organizado e estruturado. Eles argumentaram que o "todo" psicológico tem prioridade e que as "partes" são definidas pela estrutura do todo, e não vice-versa. Pode-se dizer que a abordagem foi baseada em uma visão macroscópica da psicologia, em vez de uma abordagem microscópica. As teorias da percepção da forma são baseadas na natureza humana sendo inclinada a entender os objetos como uma estrutura inteira, em vez da soma de suas partes.

Wertheimer foi aluno do filósofo austríaco Christian von Ehrenfels (1859–1932), membro da Escola de Brentano. Von Ehrenfels introduziu o conceito de guestaltismo na filosofia e na psicologia em 1890, antes do advento da psicologia da forma como tal. Von Ehrenfels observou que uma experiência perceptiva, como perceber uma melodia ou uma forma, é mais do que a soma de seus componentes sensoriais. Ele afirmou que, além dos elementos sensoriais da percepção, há algo extra. Embora em certo sentido derivado da organização dos elementos sensoriais componentes, essa qualidade adicional é um elemento por direito próprio. Ele chamou isso de Gestalt-qualität ou "qualidade da forma".

Fundamentos teóricos Segundo a Gestalt, existem quatro princípios a ter em conta para a percepção de objetos e formas: a tendência à estruturação, a segregação figura-fundo, a pregnância ou boa forma e a constância perceptiva.

Outros conceitos dessa teoria são super-soma e transponibilidade.O psicólogo austríaco Cristian von Ehrenfels apresentou esses critérios pela primeira vez em 1890, na Universidade de Graz Super-soma refere-se à ideia de que não se pode ter conhecimento de um todo por meio de suas partes, pois o todo é maior que a soma de suas partes: "'A + B' não é simplesmente '(A + B)', mas sim um terceiro elemento 'C', que possui características próprias".Revista Mente e Cérebro, 179, pgs. 88-93. Editora Duetto. São Paulo (dezembro de 2007) Já segundo o conceito da transponibilidade, independentemente dos elementos que compõem determinado objeto, a forma se sobressai. "Uma cadeira é uma cadeira, seja ela feita de plástico, metal, madeira ou qualquer outra matéria-prima."

Sete fundamentos básicos esquerda|miniaturadaimagem|Os sete elementos básicos Os sete fundamentos básicos da Gestalt - muito usado hoje em dia em profissões como design, arquitetura etc. - são: Segregação: desigualdade de estímulo; gera hierarquia: importância e ordem de leitura. Semelhança: elementos da mesma cor e forma tendem a ser agrupados e constituir unidades. E estímulos mais próximos e semelhantes, possuem a tendência de serem mais agrupados. Unidade: um elemento se encerra nele mesmo; vários elementos podem ser percebidos como um todo. Proximidade: elementos próximos tendem a ser agrupados visualmente: unidade de dentro do todo. Pregnância: é a lei básica da percepção da gestalt. Simplicidade: tendência à harmonia e ao equilíbrio visual. Fechamento: formas interrompidas; preenchimento visual de lacunas.

Aplicações Enquanto isso, cada um diligencia, em seu setor de pesquisa, "espaço" disponível em que a gestalt possa se implantar legitimamente e contribuir com uma nova perspectiva. Podemos vê-la tentar conquistar seu espaço em contextos muitos variados: gestalt junto a crianças e adolescentes, casais em processos de divórcio e divorciados, celibatários ou solitários, expansão da sexualidade, grupos de mulheres, homossexuais etc. Preparação para a aposentadoria, acompanhamento dos últimos momentos da vida. Grupos especiais para: psicóticos, doenças psicossomáticas, cancerosos, alcoólicos, toxicômanos, bulímicos ou obesos, desempregados, imigrados etc.

Além disso, vemos tentativas de associar a gestalt a outras abordagens, como: análise transacional, rebirthing, bioenergética, programação neurolinguística, psicodrama, ioga, rolfing, massagem, heptonomia, eutonia, astrologia, tarô, tudo isso com maior ou menor sucesso, conforme o caso. Registramos experiências de aplicação da gestalt em domínios variados: hospitais psiquiátricos, prisões, escolas, infância, pessoas desajustadas, serviços sociais, conselhos conjugais, terapia familiar, empresas, publicidade, agricultores, dentistas etc.

Aplicações na arte De acordo com a gestalt, a arte se funda no princípio da pregnância da forma. O importante é perceber a forma por ela mesma; vê-la como "todos" estruturados, resultados de relações. A Gestalt, após sistemáticas pesquisas, apresenta uma teoria nova sobre o fenômeno da percepção. Segundo esta teoria, o que acontece no cérebro não é idêntico ao que acontece na retina. A excitação cerebral não se dá por pontos isolados, mas por extensão. A primeira sensação já é de forma, já é global e unificada. O postulado da gestalt no que se refere às relações psicofisiológicas pode ser definido como: todo processo consciente, toda forma psicologicamente percebida, está estreitamente relacionada com as forças integradoras do processo fisiológico cerebral.

A hipótese da gestalt para explicar a origem dessas forças integradoras, é atribuir, ao sistema nervoso central, um dinamismo autorregulador que, à procura de sua própria estabilidade, tende a organizar as formas em todos coerentes e unificados. Essas organizações, originárias da estrutura cerebral, são espontâneas, independente da nossa vontade. Na realidade, a "psicologia da gestalt" não tentou integrar os fatos da motivação com os fatos da percepção e esta foi a grande contribuição de Frederick Perls que deu origem à gestalt-terapia.

A tendência à estruturação, por exemplo, explica como os diferentes povos distinguem grupos de estrelas e reconhecem constelações no céu; a configuração ideal mais conhecida é a proporção áurea dos arquitetos e geômetras gregos, o que explica muitas das formas que se tornam agradáveis aos olhos humanos. As empresas de publicidade e os criadores de signos visuais (marcas) são grandes usuários da descoberta dos símbolos e de seu poder de atração (pregnância). Vários artistas se utilizaram das ilusões de óptica. Muitas delas são explicadas pela lei da segregação da figura e fundo, a exemplo das obras de Escher e Salvador Dalí ou dos discos ópticos de Marcel Duchamp. A ilusão de perspectiva e a proposição cubista de criação de uma cena com (sob) múltiplos pontos de vista também são explicados pela teoria da gestalt.

Através dos estudos das teorias elaboradas pela gestalt no início do século XX referentes à psicologia das imagens, foi possível criar condições favoráveis para a racionalização na construção de projetos gráficos. Reforça-se a ideia de que o todo, é mais que a soma das suas partes, existindo um envolvimento psicológico e cultural. Compreender a construção de imagens é imprescindível para a elaboração e desenvolvimento de objetos visuais, viabilizando a ampliação do acervo de soluções gráficas.

Gestalt-terapia

A partir da teoria da gestalt e da psicanálise, o médico alemão Fritz Perls (1893-1970) desenvolveu uma forma de psicoterapia de orientação gestáltica. A gestaltoterapia ou terapia gestalt orienta-se segundo o conceito que o desenvolvimento psicológico e biológico de um organismo se processa de acordo com as tendências inatas desse organismo, que tentam adaptá-lo harmoniosamente ao ambiente. A prática psicoterapêutica é, normalmente, realizada em grupo e, ao longo das suas sessões, destaca-se a realização de um conjunto de exercícios sensório-motores (que trabalham as áreas sensoriais e motoras do nosso corpo) e meditativos (de relaxamento). Estes exercícios pretendem, principalmente, que os indivíduos descubram novas forças existentes em si, para poderem ultrapassar as suas dificuldades.

A gestalt-terapia, apesar da coincidência de nome, não está diretamente ligada à psicologia da gestalt. Ela foi criada pelo médico alemão Frederick Perls (1893-1970) em 1951. Perls atuou como psicanalista até 1941, mas sua formação é muito eclética e passou por importantes psicanalistas como Otto Fenichel e Karen Horney. Passou também por Wilhelm Reich e foi assistente de Kurt Goldestein, que pertencia ao grupo da psicologia da gestalt, e foi muito influenciado pela filosofia fenomenológica. Provavelmente, dessa relação, veio a inspiração para o nome da corrente.

Com a aproximação da Segunda Guerra Mundial, Perls foi obrigado a se exilar e escolheu a África do Sul para morar, onde fundou o Instituto Sul-Africano de Psicanálise. No final da década de 1940, imigrou para os Estados Unidos e, lá, lançou a primeira publicação em gestalt-terapia.TELLEGEN, A.T. In: PERLS, F.S. Gestalt Terapia aplicada. São Paulo: Summus, 1977. Apesar da experiência psicanalítica de Perls, a gestalt-terapia está muito mais próxima da fenomenologia que dos princípios de psicanálise. Em primeiro lugar, a gestalt-terapia não trabalha com o conceito de inconsciente, que é central na psicanálise.

O que importa para essa corrente é o aqui-agora. A centralidade no presente, ao contrário da psicanálise, que busca no passado a elucidação do trauma, é a pedra de toque da gestalt-terapia.

De acordo com Naranjo (1980), são três os princípios gerais da gestalt-terapia: "valorização da realidade: temporal (presente versus passado ou futuro); valorização da tomada de consciência e aceitação da experiência; valorização do todo ou responsabilidade".

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