O elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) é um mamífero aquático pertencente à família Phocidae. Este animal recebe esse nome devido à presença de um focinho inflável nos machos da espécie, que se assemelha a uma tromba. Já as fêmeas apresentam focinho arredondado, o que facilita a sua diferenciação. Outro fator que muda entre os sexos é o tamanho: as fêmeas são menores e alcançam cerca de 3,5 metros, enquanto os machos chegam a atingir 6,5 metros de comprimento, além de alcançar cerca de três toneladas e meia. Uma característica comum às duas espécies é a presença de unhas nas pontas das nadadeiras, e o revestimento do corpo por uma espessa camada de gordura, que serve tanto como isolante térmico quanto para proteção contra ataques de predadores, como tubarões e orcas.

Ele passa aproximadamente 3/4 de sua vida no mar aberto ao redor do continente antártico. A maior parte do conhecimento sobre a espécie é a partir de observações. Quando no mar, a espécie passa mais de 80% de seu tempo debaixo d’água. Seu comportamento pode ser dividido em dois: Comportamento não reprodutivo e comportamento reprodutivo. Dos comportamentos fora de época de acasalamento, sua movimentação terrestre é a mais importante, pois o elefante marinho tem limitações para se locomover em terra e maestria ao se locomover na água. Sua forma de locomoção é idêntica em ambos os sexos.

Origem A origem dos elefantes marinhos ainda não é bem definida, assim como de todos os pinípedes. Entretanto, há um consenso de que os animais da família Phocidae tenham se originado onde hoje conhecemos por Ásia, durante meados do Mioceno, cerca de 15 a 20 milhões de anos atrás. Existem especulações de que as focas antárticas descenderam de focas monaquinoides ancestrais que se espalharam para o Sul do Caribe durante o Mioceno, na época do resfriamento da água do mar, e, assim, aproveitaram da ausência da barreira ístmica da América Central e entraram na rota de água fria do Pacífico Leste para o Pacífico Sul. Descrição física O elefante-marinho-do-sul é distinguido do seu parente do norte, o elefante-marinho-do-norte (Mirounga angustirostris) por ser maior e mais corpulento e por ter uma menor, porém mais larga, narina. Os machos do sul também parecem mais altos quando combatem entre si, devido à sua tendência para curvar a coluna com mais força e por se elevar quase que totalmente do que as espécies do norte. O dimorfismo sexual é muito marcante: os machos são de 3 a 4 vezes maiores que as fêmeas. Os maiores podem pesar até 4 toneladas e medir mais de 6 metros, mas, geralmente, os machos têm cerca de 2 toneladas e 4 metros, ao passo que as médias das fêmeas são de 500 kg e 2,70 m.Parajara, Fabiana. (19 de junho de 2007). Elefante-marinho de 3ton aparece em Ubatuba. O Globo, acesso em 27 de maio de 2010

As narinas se desenvolvem entre os machos dominantes na forma de trombas, uma particularidade que dá origem ao nome elefante-marinho. Esta tromba (ou probóscide) fica evidente e se expande para formar uma caixa de ressonância quando o animal se irrita ou quando ruge para afirmar sua autoridade e dominância.Institut polaire français - Paul Émile Victor. L'éléphant de mer austral, acesso em 27 de maio de 2010

Os membros anteriores são capazes de favorecer desde curtas distâncias a movimentos rápidos, de forma a chegar ao mar, atrair as fêmeas ou de espantar os intrusos. O deslocamento em terra pode chegar a 8 km/h.Bost, Charles-André; Guinet, Christophe; Guinet, Dominique; Lequette, Benoît; Weimerskirch, Henri. Sous les quarantièmes rugissants: un sanctuaire sauvage. Éditions du Gerfaut, setembro de 2003, 208 p. (ISBN 2914622376), p. 85

Os filhotes nascem como uma pelagem própria, o lanugo, inteiramente preta, que não é adaptada à água, mas que tem uma densidade suficiente para protegê-los do frio e do meio ambiente. A transformação da voz acompanha o desmame.Jefferson, Thomas A.; Leatherwood, Stephen; Webber, Marc A. Marine mammals of the world: FAO species identification guide, Food and Agriculture Organization of the United Nations (col.). United Nations Environment Programme, 1993, 320 p. (ISBN 9251032920 e ISBN 9789251032923), p. 287

Habitat terrestre miniaturadaimagem|Colônia de elefantes-marinhos-do-sul|250x250pxAs colônias tradicionais e locais de transporte de elefantes marinhos são ilhas ou costas continentais remotas. Os locais de reprodução e de descanso mais buscados por estes animais costumam ser praias arenosas e com declive gradual. Por conta da acessibilidade, os elefantes marinhos instalam-se primeiro em praias de areias finas, a seguir em seixos e, como último recurso, em rochas ou costões rochosos. Um terreno arenoso é o ideal para os movimentos desses grandes animais, pois facilita a sua locomoção. Além disso, tanto no elefante-marinho-do-sul quanto o elefante-marinho-do-norte (Mirounga angustirostris), jogar areia úmida, terra solta ou pequenos seixos úmidos em suas costas ajuda na regulação da temperatura em dias quentes.

População A população mundial compreende de 600 milSeal Conservation Society (SCS). Southern Elephant Seal (Mirounga leonina) , acesso em 27 de maio de 2010 a 740 mil animais.Southern elephants seals as oceanographic samplers (SEaOS). History: The life of the Southern Elephant Seal animais. School of Biology - University of St Andrews, acesso em 27 de maio de 2010

Os estudos que mapeiam populações do elefante-marinho-do-sul mostram populações diferentes em diferentes áreas geográficas e em cada um dos três oceanos.Guinet, Christophe Guinet. Les éléphants de mer sondent l'océan Austral , Mercator Océan, acesso em 27 de maio de 2010

Outras colônias podem existir na Tasmânia, Santa Helena (território) e no Arquipélago Juan Fernández, no Chile.Péron, François; Lesueur, Charles Alexandre; Freycinet, Louis. Voyage de découverte aux Terres australes : exécuté sur les corvettes le Géographe, la Naturaliste et la goëlette le Casuarina pendant les années 1800, 1801, 1802, 1803 et 1804, t. 2, Imprimerie royale, Paris, 1816, p. 38

Alguns indivíduos isolados da espécie chegam ao Brasil, África do Sul e Austrália. Outros também são encontrados nas Ilhas Maurício e nas Ilhas Reunião.Association Globice. Alan le solitaire, acesso em 27 de maio de 2010Antenne Réunion. (6 de agosto de 2008). Un éléphant de mer prend ses quartiers à la Réunion, acesso em 27 de maio de 2010

Nado e comportamento aquático miniaturadaimagem|Elefante-marinho-do-sul fêmea em ambiente aquático O comum é que os filhotes comecem a nadar em curtas distâncias e em poucos locais entre 30 e 40 dias de vida, mas, em circunstâncias anormais, eles podem iniciar sua vida aquática antes disso. Eles levam cerca de uma semana para aprenderem a nadar, e não contam com o auxílio da mãe nesse processo. Diferente dos adultos, suas barbatanas são mais fracas e vão se desenvolvendo conforme o crescimento e a prática da natação.

Os adultos possuem um nado excelente. Eles podem ficar longos períodos submersos, emergem de maneira vertical para respirar, e, ao retornarem, inspiram fortemente antes de mergulhar. A velocidade pode variar de 10 a 50 milhas por hora.

Esses animais são usualmente vistos dormindo na água. Podem ficar submersos de três a quatros pés abaixo do nível do mar, e emergem em intervalos numa média de 5 a 10 minutos para respirar. O esfíncter caval desses animais são muito desenvolvidos, por isso conseguem realizar longos mergulhos pelas profundezas dos oceanos.

Locomoção e comportamento terrestre miniaturadaimagem|Elefante-marinho-do-sul se locomovendo na terra|268x268px Os movimentos de locomoção dos elefantes marinhos são geralmente iniciados por flexão vertical da nadadeira que puxa a região pélvica para frente. A parte anterior do corpo é então levantada e levada para a frente por um impulso para baixo das nadadeiras dianteiras, auxiliado por impulso pélvico e extensão do corpo, de modo que o animal engata para a frente cerca de dez ou doze polegadas. Em movimentos prolongados, como é comum na época de reprodução, o animal salta com grande maestria, de modo que se assemelha com um pneu de borracha parcialmente vazio, o que evidencia a boa flexibilidade de sua coluna vertebral. A natureza rítmica da locomoção sustentada é surpreendentemente graciosa para um animal tão pesado. Sob certas circunstâncias, há algumas modificações desse padrão básico. As fêmeas prenhes, a curto prazo, carregam as nadadeiras traseiras do chão, e o componente pélvico do ritmo locomotor está ausente ou reduzido, mas, mesmo assim, conseguem cobrir distâncias consideráveis​. Ambos os sexos conseguem subir encostas muito íngremes se houver atrito suficiente. Na descida, os membros anteriores são mantidos nas laterais e não são usados, sendo o tórax o meio de tração. Quando viajam distâncias curtas, os machos se movem mais rapidamente; a velocidade máxima observada em terreno plano é, em média, nove quilômetros por hora, embora seja muito menor em terreno acidentado. Já a velocidade máxima das fêmeas em terreno plano é de cerca de três a seis quilômetros por hora.

Alimentação Após o desmame, aos 23 dias de idade, os filhotes vivem cerca de um mês com as reservas de gordura depositadas durante a amamentação. Durante a última parte deste período eles começam a entrar na água, ficando em partes rasas e voltadas para a praia. Nessa época, já com olhos abertos, eles se aninham nos seixos em busca de anfípodes que ali se aglomeram. Após esse período de transição, eles gradualmente adquirem a dieta de adulto conforme sua habilidade de natação melhora.

O elefante-marinho-do-sul adulto se alimenta exclusivamente de cefalópodes e peixes. Crustáceos e outros invertebrados também servem ocasionalmente de alimento para esses animais.

Assim como nas focas, a digestão dos elefantes marinhos é bastante rápida. A comida é geralmente engolida debaixo d'água. Não há um estudo exato que afirme a quantidade de alimento consumido pelo animal adulto, mas um exemplar de 5,5 metros, no zoológico de Berlim, consome de oitenta a duzentos quilogramas de peixe por dia. Essa média varia entre as estações. O animal livre na natureza pode consumir quantidades consideravelmente maiores.

Comportamento do filhote miniaturadaimagem|Filhote de elefante-marinho-do-sul com pelagem preta|253x253px Ao nascer, o filhote carrega uma pelagem preta, de pelos longos e sedosos, que rapidamente se tornam marrons e lanosos. Ele pesa cerca de cinquenta quilograma e mede cerca de cinquenta centímetros do nariz à cauda. Durante a amamentação, que dura pouco mais de três semanas, uma espessa camada de gordura é desenvolvida, o que faz com que o peso aumente quatro vezes e a circunferência quase duplique. O cordão umbilical é eliminado aos oito dias. Os filhotes entram no mar voluntariamente logo após a muda estar concluída, mas em circunstâncias anormais, como o rompimento do gelo rápido, por exemplo, eles podem nadar muito mais cedo. Após o desmame, aos vinte e três dias de idade, o filhote vive com os estoques de gordura acumulados durante a amamentação, perdendo cerca de 1,5 quilogramas dia até começar a ter sucesso na alimentação.

Antes do desmame Os filhotes não nascem com os olhos abertos, e, por isso, procedem por tentativa e erro na busca pelos tetos. Nessa situação, eles podem machucar os tetos da mãe com seus dois únicos dentes. Como resultado do comportamento descrito, os mamilos das fêmeas lactantes costumam ser circundados por uma área de pele em carne viva. miniaturadaimagem|Filhote de elefante-marinho-do-sul|242x242px Os filhotes costumam ser amamentados duas vezes ao dia, mas acontece de haver exceções. Eles são muito ativos. Logo após o nascimento já são capazes de dobrar suas nadadeiras dianteiras em todas as direções com facilidade. No início da muda, eles podem coçar todas as partes do corpo para aliviar a irritação. Podem também levantar a cabeça para olhar ao longo das próprias costas como os adultos.

Depois do desmame