Turma da Mônica (em Portugal, Turma da Mónica na RTP2 e Mónica e Amigos na SIC K) é uma série de animação brasileira criada por Maurício de Sousa, baseada na série de quadrinhos homônima. Com episódios exibidos desde 1976, pode ser considerada a mais longa produção do segmento no país.

Seus episódios já foram transmitidos através de diversos meios de exibição, sendo inicialmente pela televisão, passando por venda de filmes em Super-8, cinema, home video - em VHS e DVD - e atualmente também em plataformas de streaming.

Historicamente, a TV Globo é a principal exibidora do seriado na televisão brasileira, nos períodos de 1976 a 1987, de 1999 a 2001 e de 2010 a 2014. Entretanto, também foi exibida pelo canal pago Cartoon Network entre 2004, sendo uma série original do mesmo a partir de 2012, e 2025, quando passou para o Discovery Kids. Em 2021, a plataforma de streaming HBO Max disponibilizou a mais recente temporada da série simultaneamente com o Cartoon Network.

O seriado é atualmente reprisado pelos canais Cartoonito desde 2021, na TV fechada, e na TV aberta desde 9 de outubro de 2017 na TV Cultura. No entanto, segmentos da série já foram reprisados em diversos canais brasileiros como Boomerang, Tooncast e Cartoonito e Cartoon Network na TV paga; já na TV aberta, chegou a ser exibido pelo SBT em 2023, estreou em 06 de julho de 2013 na TV Globo Internacional.

Em Portugal, foi exibida pela RTP2 e pela RTP Açores, no programa infantil "Zig Zag", de 2008 a 2009, com a dublagem original brasileira. Em 2015, a série foi exibida no Globo Premium (Globo Now). Também em 2015, os episódios de 2002 para frente foram adquiridos e exibidos na SIC K, desta vez com uma dobragem portuguesa. Atualmente, não está em exibição no país.

Episódios

Histórico da produção do seriado Primeiros anos O Natal da Turma da Mônica (1976) Após figurarem como garotos-propaganda em comerciais da Cica durante as décadas de 1960 e 70 (alguns desses comerciais podem ser vistos no VHS Momentos Inesquecíveis do Desenho Animado Publicitário, lançado pela Transvídeo em 1989), esta animação de pouco mais de cinco minutos, lançada no final de 1976, apresenta Mônica, Cebolinha, Cascão e Anjinho em suas formas angulares características da segunda metade da década de 1970, vivendo sua primeira história completa em animação, ou seja, estreando o episódio piloto. O Natal da Turma da Mônica foi exibido por anos na noite do dia 24 de dezembro durante a programação das Redes Globo e Tupi. Curtas em Super-8 (1980) Outros curtas seriam produzidos em seguida e lançados em Super-8 em 1980: Um Cachorro bem Treinado, O Último Desejo, Oh, que Dia!, O Grande Show e Feliz Natal pra Todos. Quatro dos cinco curtas seriam relançados em 1986, através do filme As Novas Aventuras da Turma da Mônica. O curta "Feliz Natal pra Todos" era considerado uma lost media antes de ser encontrado em 9 de fevereiro de 2026. O curta também foi exibido na TVS (SBT) em 1981. Primeira fase no cinema (1982–1987) As Aventuras da Turma da Mônica (1982)

O primeiro longa-metragem para cinema da Turma da Mônica, As Aventuras da Turma da Mônica (1982), tenta pela primeira vez reproduzir a linguagem específica dos gibis para as telonas, e o resultado, com sensíveis diferenças, foi a base para a maioria dos filmes seguintes. Quatro histórias adaptadas dos primeiros gibis dos personagens são apresentadas através de uma história central, em sequências live action protagonizadas pelo próprio Mauricio de Sousa, que pensa em qual argumento usar para fazer um filme com seus personagens. Os episódios que compõem "As Aventuras da Turma da Mônica" foram exibidos esporadicamente em TV aberta pela TV Manchete, dentro das exibições do filme em si. A estreia do filme na emissora carioca foi em 12 de outubro de 1983. A Princesa e o Robô (1984)

Livremente inspirado na franquia Star Wars e no segmento O Império Empacota de As Aventuras da Turma da Mônica, este foi o primeiro filme de longa-metragem da Turma da Mônica com apenas um enredo inédito estrelando os personagens, com 90 minutos de duração. Seria o único filme desse tipo até a estreia de Uma Aventura no Tempo, em 2007. As Novas Aventuras da Turma da Mônica (1986)

Começando em 1986, os filmes para cinema da Turma da Mônica seguiriam um novo formato: visando exibições para a televisão, os filmes passaram a ter entre 50 e 60 minutos de duração, como se fosse um programa infantil, consistindo apenas em trazer animações adaptadas de histórias em quadrinhos da Turma da Mônica com vinhetas de apresentação entre elas. "As Novas Aventuras" é apresentado por Jotalhão, que, ao lado da Turminha em um cenário que emula um set de gravação, introduz cada uma das histórias apresentadas e o perfil de cada personagem. O filme teve histórias adaptadas do gibis acompanhadas dos curtas lançados em Super-8 em 1980, além de trechos de comerciais estrelando os personagens entre o final do anos 70 e o início dos anos 80 - com outra trilha sonora - durante as suas apresentações. Mônica e a Sereia do Rio (1987)

Os modelos dos personagens ganharam uma sensível alteração, que pode ser percebida no novo traço dos olhos e na movimentação. A apresentação fica por conta de sequências que unem animação e live-action de forma rudimentar: Mônica encontra um portal para um mundo encantado, onde vive uma fada (Tetê Espíndola) que adora ouvir histórias e cantar. O que justifica os números musicais, um tanto exóticos, exibidos entre cada uma das histórias. Walter Hugo Khouri ("Amor Estranho Amor") dirige as sequências live-action, filmadas na Pousada do Rio Quente. O Bicho Papão e Outras Histórias (1987)

Um programa de variedades é o formato escolhido para apresentar as histórias deste filme. Temos a Turma apresentando dois números musicais ("Atirei o Pau no Gato" e "O Sonho"), um game show de charadas, uma sessão de cassetadas apresentada por Cascão e o Jornal da Mônica, uma paródia do Jornal Nacional apresentada por Mônica e Cebolinha que retornaria em uma 'segunda edição' no filme seguinte, A Estrelinha Mágica. A Estrelinha Mágica (1988)

Sem o mesmo cartaz dos filmes anteriores, o formato anterior de "apresentação" não é usado neste filme - que, lançado em vídeo antes dos cinemas, é ao mesmo tempo o primeiro lançamento "direct-to-video" da Turma da Mônica e a última aparição dos personagens nos cinemas, antes do hiato de 16 anos que o separaria de "Cine Gibi: o Filme". Fora a segunda edição do Jornal da Mônica, exibido antes do filme em si, os episódios aqui são exibidos em sequência, sem muita cerimônia entre eles além de uma pequena introdução geral em off de Maurício de Sousa no início. O curta que dá nome ao filme já tinha sido apresentado como um especial de natal na TV Globo em 1987. No lançamento original de "A Estrelinha Mágica" em 1988, quatro segmentos de "O Natal de Todos Nós" (os com Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali) são exibidos antes do episódio principal. Antes do lançamento no vídeo, estes curtas circularam pela televisão como vinhetas comemorativas. Posteriormente em 1992, O Natal de Todos Nós seria lançado separadamente em vídeo, compilando todos os segmentos - que, juntamente de "A Estrelinha Mágica" seriam reprisados em TV aberta pela TV Cultura no início da década de 2000, também durante a programação de natal. Distribuição exclusiva em Direct-to-video (1990–1999) Chico Bento, Óia a Onça (1990)

O último filme desta fase tem a metade da duração dos filmes anteriores (30 minutos) e prenuncia o destino das animações da Turma da Mônica durante os anos 90, lançados diretamente em vídeo. Chico Bento, Rosinha e Zé Lelé passeiam pelo campo, enquanto Chico conta 'causos' da sua vida, ora engraçados, ora curiosos, ora emocionantes. Fora o curta que dá título à história, "Óia a Onça", os "causos" são episódios curtos, de cerca de dois minutos de duração, e sem diálogos (a ação é pontuada pela própria narração de Chico Bento). Antes do vídeo, patrocinado pela Perdigão e pelas Lojas Mabel, de artigos para pesca, três peças comerciais em animação exaltam os nomes dos anunciantes e seus produtos. Turma da Mônica Quadro a Quadro (1996) Lançado pela Estrela em 1996, este pode ser considerado como o precursor da coleção Video Gibi, que concentraria boa parte dos episódios de Turma da Mônica produzidos no final da década de 1990. Foi a primeira experiência de animação digital dos Estúdios Maurício de Sousa, com traços mais rudimentares, animação limitada e pouco fluida, além de alguns cenários tridimensionais. Certos momentos (como a conclusão de "Tá Morto... Ou Não?") são compostos, no produto final, de quadrinhos dos próprios gibis e animação em progresso. A estética dos quadrinhos é evidenciada quando alguns personagens se deslocam entre quadrinhos de gibi. Cada história é separada por transições, que sugerem a leitura de uma revista. Video Gibi Turma da Mônica (1997–1999) A Publifolha (braço audiovisual do Grupo Folha), que faria o último relançamento em vídeo dos filmes originais da Turma da Mônica (alguns com cortes e sob o título "Clássicos Turma da Mônica") em 1999, prosseguiu o lançamento dos novos episódios de Turma da Mônica para vídeo em 4 volumes. Os traços digitais evoluem nos dois primeiros volumes, O Mônico (1997) e O Plano Sangrento (1998) e testam diálogo entre personagens em animação tradicional e cenários digitais tridimensionais. A dinâmica de "Quadro a Quadro" se manteve, além de trazer vinhetas de 30 segundos com a Turma do Penadinho e um clipe musical no final. A coleção Video Gibi prosseguiria com adições especiais. No segundo volume, uma pequena animação antes do filme traz Mônica e Cebolinha desenhados em forma de esboços, criando o famoso padrão de teste e interagindo com o narrador sobre como é feito um Video Gibi. Os dois volumes finais da série são significativamente diferentes dos primeiros. O 3º volume, intitulado O Estranho Soro do Dr. X, (1998), teve sua animação co-produzida na China, com uma estética muito distinta e tradicional, além de uma trilha sonora produzida nos EUA e uma abertura inspirada na dos desenhos americanos, com uma versão instrumental em jazz de "A Fantasia se torna Real", uma das músicas-temas da Turma da Mônica, novamente visando uma exibição televisiva. Entre as histórias, pequenos curtas de 1 minuto de duração ilustram planos infalíveis do Cebolinha entre cada uma das histórias. Esse formato e animação continua na 4ª e última edição, A Ilha Misteriosa (1999); porém, com a trilha sonora e a animação dos curtas dos planos infalíveis, além do episódio "Mingau com Chuva", produzidos no Brasil. A abertura do volume, curiosamente, volta a ser a dos dois primeiros, mas com outra trilha. Entrada na televisão e Segunda fase no cinema (1999–2008) 1ª temporada original da TV Globo (curtas) (1999–2001) A primeira inserção de episódios lançados para televisão começou em uma parceria com a TV Globo com curtas de 1 a 2 minutos de duração exibidos no programa Angel Mix. A animação voltou a ser produzida integralmente dentro dos Estúdios Maurício de Sousa, assim como seus traços, que possuem uma maior fidelidade aos quadrinhos da época. A partir daí, seus cenários passam a ser feitos por Mauro Sousa, filho de Maurício. Ambas as características acabaram perdurando nas séries e filmes posteriores, com refinamentos ao longo do tempo. No ano seguinte, o bloco Turma da Mônica na TV estreou dentro do programa Bambuluá. Os mesmos curtas de 1999 ganharam a companhia de musicais e uma série do Penadinho feita com fantoches. No entanto, em 2001, a emissora suspendeu a exibição sem qualquer acordo formal com a MSP, o que constituiu quebra de contrato e ocasionou uma disputa judicial. Por conta disso, nem todos os episódios deste período foram ao ar no ano de produção. Grandes Aventuras, começo do projeto CineGibi e Início da exibição pelo Cartoon Network (2002–2008)