The Washington Times é um jornal diário conservador dos Estados Unidos, publicado em Washington, D.C.. Cobre assuntos de interesse geral, com ênfase na política nacional. Sua edição diária em formato standard circula em Washington e na Região metropolitana de Washington. O jornal também publica uma edição semanal por assinatura, em formato tabloide, destinada ao público de todo o país.
A primeira edição de The Washington Times foi publicada em 17 de maio de 1982. O jornal foi fundado por Sun Myung Moon, líder da Igreja da Unificação, e pertenceu até 2010 à News World Communications, grupo internacional de mídia fundado por Moon. A publicação pertence à Operations Holdings, organização que faz parte do movimento da Igreja da Unificação.
The Washington Times mantém uma orientação política conservadora e apoiou com frequência as políticas dos presidentes republicanos Ronald Reagan, George H. W. Bush, George W. Bush e Donald Trump. Nas décadas de 1990 e 2000, foi crítico dos presidentes democratas Bill Clinton e Barack Obama e publicou matérias favoráveis ao revisionismo histórico neoconfederado. Também gerou controvérsias pela publicação de teorias da conspiração e de colunas racistas de um antigo editor sobre Obama. O jornal publicou ainda colunas que contradiziam o consenso científico em questões ambientais e de saúde.
História Década de 1980 thumb|Sede de The Washington Times na New York Avenue NE, em Washington, D.C.
The Washington Times foi fundado em 17 de maio de 1982 pela News World Communications, grupo internacional de mídia sediado em Nova Iorque e ligado à Igreja da Unificação, que também possuía a United Press International e jornais no Japão, na América do Sul e na Coreia do Sul. O jornal teve grandes prejuízos nos primeiros anos e dependia da renda da Igreja da Unificação no Japão para cobri-los.
Bo Hi Pak, principal assessor de Sun Myung Moon, foi o primeiro presidente da empresa e o primeiro presidente de seu conselho de administração.Pak foi presidente fundador da The Washington Times Corporation entre 1982 e 1992 e primeiro presidente de seu conselho de administração. Bo Hi Pak, "Appendix B: Brief Chronology of the Life of Dr. Bo Hi Pak", em Messiah: My Testimony to Rev. Sun Myung Moon, vol. I, University Press of America, Lanham, 2000. Moon convidou Richard L. Rubenstein, rabino e professor universitário que havia escrito sobre o Holocausto, para integrar o conselho. James R. Whelan foi o primeiro editor e publisher do jornal.
The Washington Times surgiu um ano depois do fechamento do Washington Star, jornal diário de Washington, que havia deixado The Washington Post como o único diário da cidade. Uma parcela grande da nova redação veio do Star.
O uso de cores era incomum entre os jornais diários quando o Times começou a circular. Todas as seções tinham primeiras páginas em cores, que também eram usadas em outras partes da publicação. O jornal empregava ainda uma tinta que anunciava como menos propensa a deixar resíduos nas mãos do leitor que a usada pelo Washington Post. No início, tinha 125 repórteres, dos quais 25% eram membros da Igreja da Unificação nos Estados Unidos.
O presidente Ronald Reagan lia The Washington Times diariamente. Em 1997, Reagan afirmou que o jornal havia contado a verdade aos americanos, mesmo quando fazê-lo era impopular, e que havia sido uma voz forte durante seu governo. Também associou o trabalho do jornal à vitória dos Estados Unidos na Guerra Fria.
Depois de um curto período sob Smith Hempstone, Arnaud de Borchgrave, ex-repórter da UPI e da Newsweek, tornou-se editor-executivo e permaneceu no cargo de 1985 a 1991. Borchgrave recebeu crédito por incentivar uma cobertura mais enérgica, mas também tomou decisões jornalísticas pouco convencionais. Durante sua gestão, o jornal organizou uma campanha de arrecadação de recursos para os rebeldes Contras na Nicarágua e ofereceu recompensas por informações que levassem à prisão de criminosos de guerra nazistas.
Entre 1985 e 2008, a News World publicou como publicação complementar ao Times a revista semanal Insight on the News, também chamada apenas de Insight. Suas reportagens estiveram envolvidas em algumas controvérsias jornalísticas.
Década de 1990 thumb|Expositor de The Washington Times
Em 1991, Moon afirmou ter gasto entre US$ 900 milhões e US$ 1 bilhão com The Washington Times. Em 2002, estimativas diferentes situavam o total acumulado entre US$ 1,7 bilhão e US$ 2 bilhões.
Wesley Pruden, antes correspondente e depois editor administrativo do jornal, tornou-se editor-executivo em 1991. Sob sua direção, o jornal adotou uma linha editorial fortemente conservadora e nativista.
Em 1992, o dirigente da Coreia do Norte Kim Il-sung concedeu sua primeira e única entrevista à imprensa ocidental à repórter Josette Sheeran, do Times. Sheeran mais tarde tornou-se diretora-executiva do Programa Alimentar Mundial.
Naquele ano, a circulação do Washington Times, de 100 mil exemplares, equivalia a um oitavo dos 800 mil exemplares do Washington Post. Dois terços dos assinantes do Times também assinavam o Post. Em 1994, o jornal lançou uma edição semanal nacional em formato tabloide, distribuída por todo o país. O presidente George H. W. Bush incentivou a atuação política do Washington Times e outras atividades do movimento da Igreja da Unificação que apoiavam a política externa dos Estados Unidos.
Em 1997, a revista Washington Report on Middle East Affairs, crítica das políticas dos Estados Unidos e de Israel, elogiou o Washington Times e sua publicação irmã The Middle East Times pelo que chamou de cobertura objetiva e informativa do islã e do Oriente Médio, embora criticasse a orientação editorial geralmente pró-Israel do Times. A revista afirmou que esses jornais e The Christian Science Monitor, todos pertencentes a instituições religiosas, sofriam menos pressão de grupos pró-Israel que jornais de propriedade empresarial.
Década de 2000 thumb|Centro de impressão e distribuição de The Washington Times
Em 2002, numa comemoração dos vinte anos do jornal, Moon afirmou que cabia ao Washington Times informar o povo americano sobre Deus e que a publicação seria um instrumento para difundir essa verdade pelo mundo.
Em 2004, David Ignatius, correspondente do Washington Post, escreveu que Chung Hwan Kwak, dirigente da Igreja da Unificação, queria que o Times apoiasse organizações internacionais como a Organização das Nações Unidas e promovesse a paz mundial e o entendimento entre religiões. Isso criou atritos com Pruden e alguns colunistas. Ignatius também citou como pontos de conflito a postura conciliadora do movimento em relação à Coreia do Norte, que incluía empreendimentos comerciais conjuntos, e a defesa feita por Kwak de maior entendimento entre os Estados Unidos e o mundo islâmico. Ignatius previu que conservadores do Congresso e do governo George W. Bush apoiariam Pruden contra Kwak.
Em 2006, Hyun Jin Moon, filho de Sun Myung Moon e presidente e diretor-executivo da News World Communications, demitiu o editor administrativo Francis "Fran" Coombs após acusações de conteúdo editorial racista. Coombs também havia feito comentários racistas e sexistas e foi processado por outros funcionários do jornal.
Em janeiro de 2008, Pruden se aposentou. John F. Solomon, que havia trabalhado na Associated Press e dirigia a área de jornalismo investigativo e desenvolvimento de mídia mista do Washington Post, tornou-se editor-executivo.
Um mês depois, o jornal modificou partes de seu manual de redação para se aproximar dos usos que se tornavam comuns na imprensa. Deixaria de usar expressões como "illegal aliens" e "homosexual", preferindo na maioria dos casos termos mais neutros como "illegal immigrants" e "gay". Também decidiu parar de chamar a então senadora Hillary Clinton apenas de "Hillary". A palavra "marriage" em "gay marriage" deixou de ser colocada entre aspas. As mudanças receberam críticas de alguns conservadores. A revista Prospect relacionou a aparente moderação política do jornal às divergências sobre a ONU e a Coreia do Norte e escreveu que a direita republicana poderia estar perdendo seu aliado mais dedicado na imprensa.
Em novembro de 2009, The New York Times informou que The Washington Times deixaria de receber recursos do movimento da Igreja da Unificação e poderia ter de encerrar suas atividades ou passar a existir apenas na internet. Ainda naquele ano, demitiu 40% de seus 370 funcionários e encerrou o serviço de assinaturas, passando a distribuir exemplares gratuitamente em algumas partes da região metropolitana de Washington, inclusive em departamentos e órgãos do governo federal.
O site por assinatura theconservatives.com e o programa de rádio de três horas America's Morning News permaneceram em atividade. O jornal também anunciou que deixaria de publicar a edição dominical, entre outras mudanças, em parte para acabar com sua dependência dos subsídios da Igreja da Unificação.
Em 31 de dezembro de 2009, o Times anunciou que deixaria de funcionar como jornal de cobertura completa e extinguiria as editorias de notícias metropolitanas e esportes.
Década de 2010 thumb|Redação de The Washington Times
Em julho de 2010, a Igreja da Unificação publicou uma carta em protesto contra a direção tomada pelo jornal e defendeu laços mais estreitos entre os dois. Em agosto, chegou-se a um acordo para vender o jornal a um grupo mais próximo do movimento. O editor-chefe Sam Dealey disse que os funcionários do Times receberam a notícia favoravelmente.
Em novembro de 2010, Moon e um grupo de antigos editores compraram The Washington Times da News World Communications por US$ 1. A transação encerrou um conflito na família Moon que ameaçava provocar o fechamento do jornal. Em junho de 2011, Ed Kelley, antes no The Oklahoman, foi contratado para supervisionar o conteúdo de notícias e opinião.
Em março de 2011, o jornal anunciou que recontrataria alguns antigos funcionários e restauraria as editorias de esportes, notícias metropolitanas e estilo de vida.
Em 2012, Douglas D. M. Joo deixou os cargos de executivo sênior, presidente e presidente do conselho. Tom McDevitt, presidente do Times, assumiu a presidência do conselho, enquanto Larry Beasley tornou-se presidente e diretor-executivo da empresa.
Em março de 2013, o jornal associou-se à Herring Networks para criar o canal conservador de notícias a cabo One America News Network (OAN), que começou a transmitir em meados daquele ano.; ;
Em julho de 2013, o jornal contratou David Keene, ex-presidente da Associação Nacional de Rifles e ex-presidente da União Conservadora Americana, para dirigir a editoria de opinião.
Solomon voltou ao jornal em setembro de 2013 como editor e vice-presidente de conteúdo e desenvolvimento de negócios. Seu período foi marcado pela busca de rentabilidade.
Em setembro de 2015, The Washington Times teve seu primeiro mês lucrativo, encerrando 33 anos de prejuízos mensais. Em dezembro, Solomon saiu para trabalhar na Circa News.
O editor de opinião Charles Hurt esteve entre os primeiros apoiadores de Trump em Washington. Na eleição presidencial de 2016, o jornal não apoiou nenhum candidato, mas apoiou a reeleição de Trump na eleição de 2020.
Década de 2020 Em 2020, durante a pandemia de COVID-19, The Washington Times recebeu US$ 1,5 milhão em empréstimos para pequenas empresas garantidos pelo governo federal, concedidos pelo Citibank por meio do Paycheck Protection Program. O dinheiro permitiu manter 91 funcionários. O empréstimo foi perdoado. Na eleição presidencial de 2024, o jornal apoiou Trump.The Washington Post, 2 de agosto de 2024.
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