Vandick José de Oliveira Lima (Conceição do Coité, 7 de abril de 1965), mais conhecido apenas como Vandick, é um ex-futebolista e político brasileiro.
Como jogador, destacou-se nas melhores campanhas a nível nacional de Catuense (semifinalista das Série B de 1985 e de 1989, além de seguidas artilharias e vice-campeonatos baianos na década de 1980Resumo histórico do Campeonato Baiano (2004). Anuário Placar 2003. São Paulo: Editora Abril, p. 171), Linhares (semifinalista da Copa do Brasil de 1994) e Paysandu - onde em 2012 virou presidente credenciado pelo protagonismo nos títulos da Série B de 2001 e da Copa dos Campeões de 2002, dentre outros troféus.DA COSTA, Ferreira (2013). Vandick – Craque, ídolo, presidente. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, p. 289 Também integrou o elenco do Flamengo vencedor da Copa União, em 1987.
A nível local, Vandick também obteve sucesso em especial por Bahia (como campeão e artilheiro estadual em 1991), Veranópolis e Esportivo, com os quais foi figura destacada no campeonato gaúcho entre 1998 e 2001; e, em menor grau, por Náutico e Joinville, com os quais foi vice-campeão pernambucano (1988) e catarinense (1990), respectivamente.
A partir de 2004, iniciou trajetória política como vereador seguidamente eleito em Belém.
Futebol No auge da Catuense thumb|right|250px|Em 1987 na Catuense. Vandick profissionalizou-se na Catuense, que o descobriu quando o jogador possuía ainda 16 anos, ao enfrenta-lo em amistoso contra equipe da cidade natal de Conceição do Coité. Na ocasião, impressionou o treinador Filpo Núñez, que recomendou ao presidente da Catuense a contratação do jovem.
A Catuense havia chegado apenas em 1981 à divisão principal do campeonato baiano, contando então com o veterano Beijoca, ídolo da juventude de Vandick, que o descreveria em 2020 como "o jogador que eu mais me identificava. Chegava cedo aos treinos só pra assistir ele nos treinos. Foi um jogador que me espelhei e pude ter um contato ainda garoto e que não sai da minha memória".
Vandick foi principal goleador do elenco da Catuense já no ano de 1983. No campeonato baiano, ele esteve na luta pela artilharia no certame de 1984, ainda que essa premiação ficasse com Osni e Ricky, respectivamente da dupla Bahia e Vitória. Dentre seus colegas no elenco de 1984 da Catuense estava Bobô, em plantel classificado ao quadrangular decisivo do terceiro turno do campeonato baiano daquele ano – ambos chegaram a marcar juntos em empate em 2-2 contra o Vitória, e desenvolveriam amizade também fora dos gramados.
A Catuense também foi semifinalista da Série B do Brasileirão de 1985, realizada no primeiro semestre. A equipe de Vandick e de Bobô eliminou clubes como Confiança e Central de Caruaru antes de enfrentar na semifinal o Goytacaz. Embora treinados por Aymoré Moreira, os baianos ficaram apenas no 0-0 no duelo em Alagoinhas contra o clube de Campos dos Goytacazes, que adiante terminou avançando ao triangular-final – onde terminou vice-campeão para a Tuna Luso.
No segundo semestre de 1985, ocorreu o campeonato baiano. No time ainda treinado por Aymoré Moreira, Vandick era tido como figura destacada (com oito gols) mesmo entrando esporadicamente na campanha finalista de primeiro turno, contra o Vitória. No segundo turno, a Catuense travou semifinal com o Bahia e Vandick chegou a assustar o Tricolor, ao abrir 2-0, placar que eliminaria o time de capital – que mesmo derrotado acabou sendo o classificado, ao alcançar um gol a dez minutos do fim. Terminou o ano novamente como artilheiro no plantel da Catuense, mesmo ainda conciliando o time adulto com o juvenil.
Pelo campeonato baiano de 1986, Vandick marcou gols tanto no Bahia como no Vitória, em campanha que terminou no vice-campeonato para a Catuense. No estadual de 1987, ele disputou a artilharia com Guga, do Itabuna, e Ronaldo Marques, do Bahia, clube que vinha prospectando muitas das revelações da Catuense. Vandick preferia ficar para conseguir um título por ela, tendo inclusive desistido de uma contratação já acertada com a Ponte Preta.
O campeão baiano de 1987 novamente seria o Bahia, em certame com os méritos da novata Catuense e de Vandick enfatizados nacionalmente: nos primeiros duelos contra o Tricolor, Vandick fez o gol da Catuense em derrota de 2-1 em março; um empate em 2-2 em maio foi alcançado aos 30 minutos do segundo tempo a partir de rebote de arremate de Vandick; e, em julho, os dois clubes empataram em 3-3 após o adversário chegar a estar vencendo por 2-0 e por 3-1, sendo de Vandick o primeiro gol da Catuense, e de Luís Henrique, o terceiro.
Naquele campeonato, com Vandick já liderando a artilharia, seu clube terminou campeão do primeiro turno. No segundo turno, Vandick manteve-se na artilharia e a Catuense, na liderança do grupo B, embora o turno viesse a ser decidido em Ba-Vi, já em meados de agosto. destacando-se junto a Luís Henrique e Naldinho na equipe treinada por Vail Mota. Nas finalíssimas, porém, o Bahia, já com Bobô, venceu ambos os jogos por 2-1.
Vandick terminou artilheiro do torneio baiano de 1987, com 18 gols, ao passo que a própria Catuense, ainda no início de agosto, acabou servindo de base à seleção baiana que disputou o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais de 1987. Vandick foi um dos convocados, no que foi a edição final dessa competição.
Flamengo thumb|right|250px|Com Luís Henrique em 1987, recém-chegados da Catuense ao Flamengo.
No começo de outubro de 1987, Vandick foi sondado pelo Bangu, recém-campeão do segundo turno do campeonato carioca daquele ano, para a disputa do chamado Módulo Amarelo do Brasileirão de 1987. Ainda na primeira semana daquele mês, porém, Vandick e o colega Luís Henrique foram emprestados pela Catuense ao Flamengo, com o segundo se credenciando precisamente pela artilharia baiana,
Na negociação do empréstimo, acertado para até julho de 1988, se pactuou também um amistoso dos rubro-negros com a Catuense para o fim de janeiro seguinte. Naquele contexto, o colega, futuro jogador da seleção brasileira, chegara ao Flamengo tendo menos badalação que Vandick, que pôde angariar amizade baiana com Bebeto. Ao chegar, Vandick declarava que "o grande sonho de todo jogador do interior é uma transferência para um grande clube do Rio ou São Paulo. O Flamengo, em especial, é a grande meta de cada um, por se tratar da melhor equipe do futebol brasileiro, sob todos os aspectos. É claro que todo jogador pensa em ser titular, seja de qual for a equipe. No momento, só quero ver a reabilitação do Flamengo. Isso acontecendo, posso garantir que, mesmo no banco, estarei feliz e satisfeito".
Contudo, o treinador flamenguista Carlinhos Violino justificava desde o início que não usaria Vandick rapidamente, buscando poupa-lo de uma “fogueira” - ainda que o baiano se destacasse em treinamentos, chegando a marcar um dos gols de vitória por 3-2 dos reservas sobre os titulares em um rachão prévio ao jogo contra o Cruzeiro. Vandick viria a estrear exatamente contra o clube mineiro, em 0-0 no qual entrou no lugar de Nunes, em substituição avaliada como tardia: avaliou-se que ela não permitiu que o reforço fosse efetivamente testado, em duelo criticado com vaias a ambas as equipes, que na ocasião apenas cumpriam tabela na rodada final do primeiro turno. Nesse contexto, o ex-futebolista Gérson chegaria a opinar que Vandick deveria ter começado entre os titulares. Nos minutos que teve em campo, Vandick chegou a quase marcar, em dois chutes rentes à trave; em um deles, após tabelar com Andrade. Foi avaliado pelo Jornal dos Sports com a segunda melhor dos flamenguistas naquela tarde no Maracanã, observado como alguém que pôde oferecer mais velocidade no ataque.
Assim, esperava-se a titularidade dele para o clássico com o Botafogo, inclusive pela atuação criticada de Nunes frente o Cruzeiro. Contudo, Vandick acabou jogando somente uma partida pelo Brasileirão de 1987, embora nos treinamentos seguisse marcando gols pelo elenco reserva, ainda havendo no início de novembro impressão de que poderia jogar - para compromisso com o Palmeiras, após sequência ruim do ataque flamenguista em jogos anteriores, em altura na qual o clube se situava na quinta colocação do Grupo A da Copa União.
Embora ao fim o Flamengo terminasse campeão da Copa União, tendo Vandick simulado o posicionamento tático do colorado Amarildo nos treinos prévios à final, o jornalista Washington "Apolinho" Rodrigues viria a criticar a falta de oportunidades a Vandick na campanha. Sem reconhecer a conquista da Copa União suficiente para definir o Brasileirão de 1987, a CBF programou jogos contra os finalistas do chamado Módulo Amarelo. O Flamengo optou por se ausentar da semifinal contra o Guarani, priorizando amistoso contra a seleção da Costa do Marfim programado como festivo de entrega de faixas da Copa União. Esta foi a segunda partida de Vandick pelo Flamengo, ocorrida em 24 de janeiro de 1988, na qual substituiu Renato Gaúcho no decorrer da vitória de 3-0 sobre os marfinenses, na Gávea.
Como flamenguista, Vandick foi utilizado por um total de quatro partidas. Seus outros dois jogos pelo clube também foram amistosos, ambos em fevereiro de 1988: no dia 9, contra a Catuense (derrota de 2-1 em Alagoinhas), partida programada justamente como parte do pagamento pelos empréstimos dele e de Luís Henrique; e no dia seguinte, contra o Fluminense de Feira (vitória de 3-1). Em ambos, também entrou no decorrer dos jogos para substituir Renato Gaúcho. Contudo, naquela mesma excursão o clube iniciou negociação com o Náutico.
Na segunda quinzena de fevereiro, o Flamengo, avaliando excesso de atacantes no plantel, algo que já era criticado desde outubro (quando a presença de 35 jogadores fez a imprensa inferir que nem mesmo todos se conheciam), confirmou a liberação de Vandick. Na época, o próprio jogador assim comentou, ao Diario de Pernambuco: "eu mesmo estava querendo me desligar do Flamengo, porque não vinha sendo aproveitado. Quando cheguei ao clube da Gávea, ele tinha quatro centroavantes, no caso Nunes, Wallace, Kita e Bebeto. Por isso, minha vinda ao Náutico foi ótima". Apesar do contexto, a transferência não foi facilitada, ensejando a intercessão até mesmo do então vice-governador de Pernambuco, Carlos Wilson.
Náutico e novos brilhos no futebol baiano thumb|right|Retratado em 1992 no Bahia.
Inicialmente sem ritmo de jogo, Vandick teve atuações criticadas em seu primeiro mês no Náutico, mesmo com a equipe em momentos de liderança no campeonato pernambucano de 1988. Chegou a cogitar sair, mas recobrou a forma e recuperou aplausos, integrando o elenco que comemorou em 8 de maio o primeiro turno dentro da Ilha do Retiro no clássico com o Sport - no qual Vandick chegou a acertar o travessão. Àquela altura, ele e Mário Tilico já eram vistos como os destaques individuais do elenco treinado por Valmir Louruz.
Em julho, Vandick e Náutico desejam estender o vínculo, mediante compra do passe do atacante junto à Catuense, desejo que se mostrava inviabilizado pelo preço de 20 milhões de cruzados estipulado pelo clube baiano. Autor de dez gols, Vandick foi o vice-artilheiro do Náutico na campanha que terminou no vice-campeonato para o Sport, sendo devolvido à Catuense na primeira semana de agosto diante da recusa do clube em diminuir o preço do passe. Em agosto, tornou e realizar partidas pela seleção baiana.
Seu bom momento no Náutico rendeu interesse aberto do Vitória, ainda em maio; do Santos, chegando a ser apresentado uniformizado na Vila Belmiro (sob notícia de que teria sido adquirido por empréstimo até 31 de maio), mas com o desacerto financeiro junto à Catuense tornando a pesar para que não permanecesse; e do Internacional, que o cogitou em setembro para reserva de Dadinho.