A Estação Ferroviária de Trofa é uma antiga interface da Linha do Minho, que servia a localidade de Trofa, no distrito do Porto, em Portugal. Também serviu como ponto de entroncamento com a Linha de Guimarães. Foi encerrada em 2010, tendo sido substituída por uma nova gare ferroviária.

Descrição Vias e plataformas O edifício de passageiros situa-se do lado nascente da via (lado direito do sentido ascendente, a Valença). Segundo dados oficiais de 2010, a estação da Trofa apresentava três vias de circulação, com 286, 274 e 95 m de comprimento; as duas plataformas tinham 140 e 100 m de extensão, e 25 cm de altura.

História

Inauguração e união à Linha de Guimarães Esta estação inseria-se no lanço, em via ibérica, do que viria a ser parte da Linha do Minho e o Ramal de Braga, entre Porto e Braga, que foi inaugurado em 21 de Maio de 1875, tendo sido uma das estações que entraram a uso logo à data de criação da linha. Em 31 de Dezembro de 1883, entrou ao serviço o primeiro tramo da Linha de Guimarães, da Trofa a Vizela, em bitola métrica.REIS et al, 2006:12

Originalmente, a Linha de Guimarães partilhava o leito do canal ferroviário com a Linha do Minho, no sistema de via algaliada, no lanço entre a Trofa e Lousado, com cerca de dois quilómetros de extensão. No entanto, esta solução, que visava evitar a construção de uma segunda ponte sobre o Rio Ave para a via estreita, criou graves problemas em ambas as linhas, ao criar um ponto de estrangulamento de tráfego.

Ligação à Linha da Póvoa Desde os princípios do século XX, que se procurou ligar a Linha de Guimarães com a da Póvoa de Varzim, criando assim uma extensa rede em via estreita que facilitaria as comunicações entre a cidade do Porto com a província do Minho. Um despacho ministerial de 22 de Junho de 1909 autorizou a fusão da Companhia do Caminho de Ferro do Porto à Póvoa e Famalicão com a Companhia do Caminho de Ferro de Guimarães, com a construção de um ramal entre Lousado e Mindelo, de forma a ligar as duas linhas, e o encerramento do lanço entre Lousado e a Trofa. Porém, este processo foi interrompido pela Primeira Guerra Mundial, que tornou impossível reunir os recursos financeiros necessários. Na década de 1920, a Companhia da Póvoa retomou as suas tentativas, mas mudou os planos para o ramal que ligaria as duas linhas, que desta vez deveria começar na Trofa, continuando desta forma a Linha de Guimarães, e terminar na Senhora da Hora. Este traçado permitia conservar a passagem pela Trofa, aproveitando desta forma as instalações já existentes, possibilitava um acesso mais directo ao Porto de Leixões, e fazia a linha atravessar regiões mais povoadas. Em 5 de Julho de 1926, a Companhia da Póvoa, em combinação com a Companhia de Guimarães, pediu que lhes fosse autorizada a construção e exploração do troço a partir da Trofa, requerimento que foi aceite pelo Decreto 12:568, de 26 de Outubro de 1926, com várias condições, incluindo a mudança para via própria do lanço da linha de Guimarães entre Lousado e Trofa.PORTUGAL. Decreto n.º 12:568, de 26 de Outubro de 1926. Ministério do Comércio e Comunicações - Direcção Geral de Caminhos de Ferro - Divisão Central e de Estudos, Paços do Governo da República. Publicado no Diário do Governo n.º 242, de 29 de Outubro de 1926

Em Fevereiro de 1932, já tinham sido concluídas as obras no troço da Senhora da Hora à Trofa, que entrou ao serviço em 14 de Março desse ano. Para a inauguração deste troço, foi organizado um comboio especial de Porto - Boavista a Guimarães, que foi recebido pela multidão quando chegou à Trofa. Para a inauguração, a estação foi decorada com colchas de damasco.

Em 2 de Maio de 1937, os antigos combatentes dos Sapadores de Caminhos de Ferro organizaram um comboio especial da Trofa a Guimarães, para o banquete de confraternização anual.

thumb|left|Antiga Estação de Trofa, em 2010, pouco antes do encerramento Declínio e encerramento Em 24 de Fevereiro de 2002 foi encerrado o troço da Linha de Guimarães entre a Senhora da Hora e Trofa, para ser convertido numa linha do Metro do Porto. Com efeito, o canal por onde seguia a linha foi transferido da REFER para a Metro do Porto, mas as obras acabaram por só avançar entre a Senhora da Hora e o ISMAI, troço que ficou concluído em 2006, integrado na Linha C do Metro do Porto. Com efeito, desde 2002 que o troço da Linha de Guimarães entre o ISMAI e a Trofa se mantém sem qualquer tráfego ferroviário, pesado ou ligeiro, o que tem gerado descontentamento na região, principalmente depois de em 2010 a empresa Metro do Porto ter retirado do seu plano de atividades o prolongamento da Linha C desde o ISMAI até à Trofa.

Em 2006, os serviços foram reduzidos nesta estação, o que levantou críticas à operadora Comboios de Portugal, e em 2008 e 2009 os utentes reprovaram a falta de condições da estação em termos de segurança e de higiene, e os horários das bilheteiras. Foi encerrada em 14 de Agosto de 2010, passando todos os serviços a serem realizados na nova estação da Trofa, que foi inaugurada no dia seguinte; para assinalar o término dos serviços, a autarquia da Trofa organizou nesse dia um serviço especial, que partiu desta estação com destino a São Romão do Coronado, passando pelo Apeadeiro de Senhora das Dores — a última circulação neste troço antes do seu desmantelamento.

Uso pós-ferroviário Em Fevereiro de 2010, foi anunciado que o edifício da Câmara Municipal da Trofa iria ser construído na zona da antiga estação ferroviária, o que não se chegou a verificar.

Planeada desde 2014, a criação da Alameda da Estação — arruamento ajardinado e área circundante de 4,2 hm², visto pela autarquia como «motor do desenvolvimento urbano» e «um equipamento municipal de natureza polivalente», «devolvido»« à comunidade» após a eliminação da «barreira arquitetónica herdada do caminho-de-ferro, restituindo a vitalidade que esta zona nobre e central teve no século XX» (sic!) — arrancou em Janeiro de 2017 com financiamento de 2,5 milhões de euros, comparticipados a 85% pelo Programa Portugal 2020 no âmbito do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano. A área abrangida, também designada como Corredor Central da Trofa, liga a Igreja Matriz de São Martinho de Bougado aos parques das Dores e Lima Carneiro. O logradouro intervencionado foi inaugurado em Julho de 2017; entulho proveniente desta obra havia sido despejado em aterros ilegais na região, tendo a G.N.R. de Santo Tirso instaurado «competente auto de contraordenações», visando a sua remoção para local licenciado.“Resíduos e inertes da obra da Alameda da Estação depositados em aterros ilegais” O Noticias da Trofa (2017.02.14)

Em Agosto de 2018 também a estação foi aberta ao público em estado requalificado, tendo sido investidos na sua recuperação e dos edifícios e equipamento anexos (armazém, grua, casa do chefe da estação, casas de banho, e plataformas — mas não carris e travessas) a soma de 620 mil euros, parcela da verba total de 2,5 milhões.“Antiga Estação da Trofa inaugurada hoje após investimento de 620 mil euros” O Noticias da Trofa (2018.08.18) No âmbito da inauguração esteve patente no edifício uma exposição intitulada Memória e Identidade da Estação da Trofa, instalada no próprio edifício.“Está “inaugurada” a nova vida da antiga Estação da Trofa” O Noticias da Trofa (2018.08.18)

Ver também Comboios de Portugal Infraestruturas de Portugal Transporte ferroviário em Portugal História do transporte ferroviário em Portugal

Bibliografia

Leitura recomendada

Ligações externas “Sinalização da Estação da Trofa” (diagrama anexo à I.T. n.º 28)

Trofa (antiga) Trofa (antiga) Trofa (antiga) Categoria:Estações ferroviárias da Trofa Categoria:Fundações em Portugal em 1932 Categoria:Extinções em Portugal em 2010 Categoria:Estações ferroviárias inauguradas em 1932 Categoria:Estações ferroviárias desativadas em 2010