Vila Bancária é um bairro da cidade de São Paulo, localizado na Zona Sudeste da cidade, área situada a leste do rio Tamanduateí, pertencente ao distrito de Sapopemba, distando cerca de 15 km da capital do estado, no 26º subdistrito de Vila Prudente, subordinado ao 6º cartório de registro de imóveis de São Paulo e administrado pela subprefeitura da Vila Prudente.

Ocupa uma área de aproximadamente 127,309 m² em perímetro urbano. Várias ruas ligam o bairro de Vila Bancária a diversos outros bairros da região, bem como permite o acesso a diversas rodovias e cidades paulistas, tais como a Marginal Tietê, Rodovia Anhanguera e a Rodovia Castelo Branco, havendo ainda disponibilidade de transporte público para acesso á ferrovias e aeroportos.

Algumas de suas principais vias são a Rua General Porfírio da Paz e Avenida da Barreira Grande. Na primeira estão concentradas várias indústrias.

O Bairro é um dos que mais têm crescido entre os bairros vizinhos em números de comércio. O comércio local é diversificado contando com farmácias, supermercados, lojas de variedades, escritórios contábeis etc. O bairro conta ainda com diversos estabelecimentos de ensino e de saúde, além de uma associação comunitária que têm como objetivo organizar e centralizar forças para representar, de maneira mais eficaz, interesses comuns.

Etimologia

História - Primórdios Período pré-colonial

A região leste da cidade de São Paulo era povoada exclusivamente pelos índios, por tribos indígenas, como o aldeamento dos índios guaru, da tribo dos guaianases, que integravam a nação tupi, a Guaianaz que formou a Aldeia Ururai em 1580, que se dispersavam por algumas aldeias tais como o extinto aldeamento de São Miguel Paulista e Guarulhos, onde cultivavam pequenas plantações, vivendo ainda da caça, da pesca, da coleta de mel e frutas nativas. Porém com o passar do tempo essas terras passaram a ser dominadas pelas fazendas de forasteiros. O apossamento dessas terras não foi pacífico, e aos poucos elas foram, e ainda até hoje continuam sendo legitimadas e consolidadas por meio de diversas ações judiciais, inclusive de heranças.

O local era chamado de "Monte Rosso", devido à terra vermelha que havia na região, que era considerada própria para a agricultura e fabricação de telhas e tijolos. A região recebia muitos forasteiros, que saíam de várias partes do Brasil e do mundo, em busca de terras para a exploração. Muitos também vieram em decorrência do Café, trazendo sementes, e que aos poucos se transformavam em grandes cafezais. Várias fazendas se formaram, mas os verdadeiros responsáveis pelo povoamento da região foram os portugueses, que transformaram as grandes extensões de terras férteis, em chácaras, sítios e fazendas.

Período colonial thumb|esquerda|Fundação de São Paulo, quadro de 1913 de Antônio Parreiras.

A povoação de São Paulo de Piratininga surgiu em 25 de janeiro de 1554 com a construção de um colégio jesuíta por doze padres, entre eles Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, no alto de uma colina escarpada, entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí.AZEVEDO MARQUES, Manuel Eufrásio, Província de São Paulo, Editora Itatiaia, 1980 Tal colégio, que funcionava num barracão feito de taipa de pilão, tinha, por finalidade, a catequese dos índios que viviam na região do Planalto de Piratininga, separados do litoral pela Serra do Mar, chamada pelos índios de "Serra de Paranapiacaba".

O nome São Paulo foi escolhido porque o dia da fundação do colégio foi 25 de janeiro, mesmo dia no qual a Igreja Católica celebra a conversão do apóstolo Paulo de Tarso, conforme disse o padre José de Anchieta em carta à Companhia de Jesus:

O povoamento da região do Pátio do Colégio teve início em 1560, quando, na visita de Mem de Sá, governador-geral do Brasil, à Capitania de São Vicente, este ordenou a transferência da população da Vila de Santo André da Borda do Campo, que fora criada por Tomé de Sousa em 1553, para os arredores do colégio, denominado "Colégio de São Paulo de Piratininga", local alto e mais adequado (uma colina escarpada vizinha a uma grande várzea, a Várzea do Carmo, por um lado e, pelo outro lado, por outra baixada, o Vale do Anhangabaú), para melhor se proteger dos ataques dos índios. Desta forma, em 1560, a Vila de Santo André da Borda do Campo foi transferida para a região do Pátio do Colégio de São Paulo e passou a se denominar Vila de São Paulo, pertencente à Capitania de São Vicente.

thumb|esquerda|Pátio do Colégio, no Centro Histórico de São Paulo. Neste local, foi fundada a cidade, em 1554. O prédio atual é uma reconstrução feita na segunda metade do século XX, tendo, como modelos, o colégio e igreja jesuítas que foram erigidos no local em 1653.

São Paulo permaneceu, durante os dois séculos seguintes, como uma vila pobre e isolada do centro de gravidade da colônia, o litoral e se mantinha por meio de lavouras de subsistência. São Paulo foi, por muito tempo, a única vila no interior do Brasil. Esse isolamento de São Paulo se dava principalmente porque era dificílimo subir a Serra do Mar a pé da Vila de Santos ou da Vila de São Vicente para o Planalto de Piratininga. Subida esta que era feita pelo Caminho do Padre José de Anchieta.PRESTES DE ALBUQUERQUE, Júlio, No Rancho de Paranapiacaba, Casa Mayença, São Paulo, 1922 Mem de Sá, quando de sua visita à Capitania de São Vicente, proibira o uso do "Caminho do Piraiquê" (hoje Piaçaguera), por serem, nele, frequentes os ataques dos índios.

thumb|Capela de São Miguel Arcanjo Os colonizadores portugueses que buscavam rumos para o leste da capital sofriam de constantes e violentos ataques indígenas pelo caminho por terra. Então os rios Tietê, Tamanduateí, Aricanduva e seus afluentes, tiveram um importante papel nas bandeiras. Estas utilizavam as vias fluviais para garantir segurança e maior rapidez. Pouco a pouco as localidades banhadas por esses rios, foram povoadas, exemplo de: Mooca, Tatuapé e São Miguel Paulista. Na última, o primeiro núcleo populacional da zona leste da cidade, houve a fundação da primeira igreja por meio dos jesuítas, a chamada Capela dos Índios, uma igreja construída no século XVI, no ano de 1622, para o aldeamento de indígenas da região, sendo estabelecida a Capela de São Miguel Arcanjo.http://www.cidadedesaopaulo.com/sp/br/o-que-visitar/181-capela-de-sao-miguel-arcanjo

O surgimento do bairro de Vila Bancária O bairro de Vila Bancária originou-se por volta de 1920, a partir da criação e implantação de um loteamento que contava com mais de 900 lotes, conforme transcrição nº 3.604 do 3º CRI, cujos primeiros lotes vendidos foram registrados nesse mesmo CRI. Pela descrição do título originário do bairro de vila Bancária, com origens nas Transcrições n°23.612, e n°23.791, ambas do 3º RGI da Capital/SP, até 16 de setembro de 1934 o bairro de Vila Bancária pertencia ao bairro de São Mateus, que pertencia ao então Distrito de São José do Belém ou "Belenzinho", subordinado ao 3º e, posteriormente, ao 7º cartório de registro de imóveis de São Paulo, localizado na região sudeste da cidade de São Paulo, entre os bairros de São Mateus e Sapopemba, numa antiga gleba de terras também conhecida como Fazenda Sapopemba, também chamado por muitos como antigo Sítio Grande ou Itaquaracenduba, hoje localizado entre as avenidas Sapopemba e Barreira Grande, atualmente no distrito de Sapopemba.

Pelos documentos consultados, para a construção do bairro de Vila Bancária, foram transmitidos por Carlos A. Ferreira Penna Júnior à Church & Kenyon (que teve outros nomes) duas glebas de terras com cerca de 15 alqueires, ou 360.000m2, empresa que mais tarde passou a propriedade para a Companhia Imobiliária de Terrenos S. A., transcritas sob nº 3.604 e 7.477 – do 3º CRI, que continuou vendendo e administrando o parcelamento. Em 23 de julho de 1936, o título foi registrado no 7º CRI sob a transcrição n° 11.836, e a partir daí surgindo à problemática.http://www.ibdu.org.br/imagens/AREGULARIZAcaO%20FUNDIaRIAEASOBREPOSIcaODETiTULOS.pdf

Atualmente a titularidade dominial do bairro de Vila Bancária pertence a João Abukater, cujo título de aquisição foi registrado no 7º CRI, sob a transcrição n° 18.718, em data de 16 de março de 1939. Segundo consta ainda dos documentos consultados, é que João Abukater e Nami Abu Gannam adquiriram por COMPRA feita a SOCIEDADE POPULAR LIMITADA, o remanescente de duas áreas anexas de terras, á época calculados em aproximadamente 120.231m², porém com as mesmas características de um todo que guardava, inclusive, com os mesmos dados do que fora adquirido por sua antecessora, a Empresa "PINTO DA FONSECA".

Além desse remanescente realmente adquirido, com área liquida e certa, aos compradores João Abukater e Nami Abu Gannam, foram atribuídos direitos e obrigações relativas a terrenos prometidos á venda a terceiros, pela SOCIEDADE POPULAR LIMITADA, num total de 213.336m², promessas essas que, no entanto, não estavam registradas perante o Registro Imobiliário, fugindo, portanto, a competência da Lei Federal n° 58 de dezembro de 1.937, ficando, porém, os compradores João Abukater e Nami Abu Gannam, com direito aos lotes cujos compromissos se viessem a rescindir por parte dos compromissários compradores.

Desde então, até 16 de setembro de 1934 (criação de Vila Prudente) a competência dos registros de terras do subdistrito da Vila Prudente subordinou-se a vários cartórios da capital, cujos imóveis passaram por um verdadeiro festival de registros, que muito dificultou a compreensão das suas origens, um facilitador ao surgimento dos problemas de sobreposição existentes na região, por conta do passa-passa de registros de um cartório para outro, cuja atualização nem sempre foi seguida pelos proprietários, como acontece até hoje com parte dos lotes já ocupados no bairro de Vila Bancária.

Para entender melhor essa questão, veja a relação dos cartórios de registro de imóveis vinculados ao subdistrito da Vila Prudente:

Relação dos cartórios de Registro de Imóveis vinculados ao subdistrito da Vila Prudente 01º, 03º e 7º CRI: até 16 de setembro de 1934 (por pertencer ao subdistrito do Belenzinho); 06º CRI: de 17 de setembro de 1934 a 14 de maio de 1939 (após ser criado o subdistrito de Vila Prudente); 09º CRI: de 15 de maio de 1939 a 20 de novembro de 1942; 11º CRI: de 21 de novembro de 1942 a 31 de dezembro de 1971; 06º CRI: de 1 de janeiro de 1972 até nossos dias.

É bom que se diga desde logo também, que até 16 de setembro de 1934 o bairro de Vila Bancária pertencia ao bairro de São Mateus, que pertencia ao subdistrito de São José do Belém ou Belenzinho, subordinado ao 3º cartório de registro de imóveis de São Paulo.

A problemática fundiária e a sobreposição de títulos sobre as origens Atualmente, o bairro de Vila Bancária acha-se localizado entre as Avenidas Sapopemba e Barreira Grande, no distrito de Sapopemba, e reduzido proporcionalmente com grandes percas em suas características originais como um todo que guardava sua história, inclusive, pelos dados do que fora adquirido por seus antecessores. Os dados obtidos em vários documentos oficiais indicam que as vendas dos lotes deram-se de forma rápida, se comparadas à sua ocupação, que se deu de forma muito lenta, pois, até o início da década de 1980 poucas casas haviam sido construídas no local.

A descrição do título originário do bairro de Vila Bancária, conforme a transcrição nº 3.604 do 3º CRI da Capital/SP, diz que o imóvel iniciava-se na Estrada da Porteira Grande (atual Av. da Barreira Grande) para depois seguir pelo ribeirão Anhumas (ou Inhumas) ou Rio das Pedras (certidão das transcrições nº 11.836, 11.993 e 11.835 – informações expedidas nessa ordem – do 7º CRI), em cuja descrição desta última transcrição são mencionadas as divisas com a Estrada da Porteira Grande, rio Quilombo e Estrada Rio das Pedras (a atual Av. Rio das Pedras está distante do local, abaixo da Av. Barreira Grande).