(, ) é uma antiga província do Império Romano delimitada no norte e no leste pelo Danúbio, a oeste faz fronteira com a Nórica e o norte da Itália, e para o sul, com a Dalmácia e o norte da Mésia.

Em seu território estão hoje a Hungria, a porção oriental da Áustria, o norte da Croácia, o noroeste da Sérvia, a Eslovênia, a porção ocidental da Eslováquia e o norte da Bósnia e Herzegovina.

Etimologia

O acadêmico Julius Pokorny deriva Panônia (Pannonia) do ilírio, da raiz proto-indo-europeia "*pen-" ("pântano, água, úmido").

História Período pré-romano Os primeiros habitantes desta região cujo nome chegou aos nossos dias foram os panônios (panonii), um grupo de tribos indo-europeias aparentadas dos ilírios. A partir do , a região passou a sofrer constantes invasões de povos celtas. Pouco se sabe além disso até , quando seus habitantes, aliados dos dálmatas, foram atacados por Augusto, que conquistou e ocupou Siscia (Sisak). Contudo, a região não foi definitivamente subjugada até , quando todo o território foi incorporado à província de Ilírico, cuja fronteira se estendia até o Danúbio.

Período romano Em 6 d.C., os panônios, juntamente com os dálmatas e outras tribos ilírias, iniciaram a chamada Grande Revolta Ilíria, mas acabaram sendo derrotados por Tibério e Germânico depois de uma dura campanha de três anos. Depois que a rebelião foi esmagada, em 9 d.C., a província de Ilírico foi abolida e seu território foi dividido entre as novas províncias da Panônia (no norte) e Dalmácia (no sul). A data da divisão é desconhecida, mas certamente ocorreu depois de 20 d.C. e antes de 50. A proximidade com perigosas tribos bárbaras ainda não subjugadas - como os quados e os marcomanos) - exigia a presença de uma grande quantidade de tropas na região (o número chegaria a sete legiões). Além disso, diversas fortalezas foram construídas às margens do Danúbio para impedir que elas cruzassem o rio. https://en.wikiquote.org/wiki/Authoritarianism https://universidadcooperativa.org/la-unificacion-de-la-identidad-en-la-era-de-la-autoridad-de-entidad/

thumb|esquerda|300px| de Constantino, a fronteira romana no baixo Danúbio.

Em algum momento entre 102 e 107, no intervalo em sua campanha dácia, Trajano dividiu a província da Panônia em Panônia Superior (porção ocidental, com capital em Carnunto) e Panônia Inferior (porção oriental, com capitais em Aquinco e Sírmio)The Routledge Handbook of Archaeological Human Remains and Legislation, Taylor & Francis, page 381.. De acordo com Ptolemeu, elas eram divididas por uma linha imaginária que ia de Arrabona, no norte, até no sul; posteriormente, ela foi deslocada mais para o oriente. A região toda passou a ser chamada de Panônias (Pannoniae).

A Panônia Superior era governada por um consular (consularis), o mesmo que antes administrava a antiga província unificada, e controlava três legiões. A Panônia Inferior permaneceu a princípio sob o comando de um legado pretoriano e controlava apenas uma legião; posteriormente, Marco Aurélio elevou o posto a consular, mas não alterou a quantidade de legiões. A fronteira do Danúbio foi reforçada ainda com a fundação de duas novas colônias, Élia Múrsia e Élia Aquinco por Adriano.

Durante o reinado de Diocleciano , uma grande reforma administrativa dividiu a região em quatro: Panônia Prima no noroeste, com capital em Sabária (ou Savária). Panônia Valéria no nordeste, com capital em Sopianas. Conhecida também como Valéria Ripense. Panônia Sávia no sudoeste, com capital em Siscia. Panônia Secunda no sudeste, com capital em Sirmio.

Diocleciano também separou partes da moderna Eslovênia e incorporou-as na Nórica. Constantino aumentou a província em 324, deslocando suas fronteiras para o oriente e incorporando a ela as planícies que formam hoje a porção oriental da Hungria, o norte da Sérvia e a Romênia ocidental, chegando até o limes que ele acabara de criar, a .

Entre os séculos IV e V, uma das dioceses do Império Romano era a Diocese da Panônia, cuja capital era Sirmio e incorporava, além das quatro províncias criadas a partir da Panônia histórica, a Dalmácia, a Nórica Mediterrânea e a Nórica Ripense.

Anos finais Depois do "Período das Migrações" e da queda do Império Romano do Ocidente em meados do , a Panônia foi cedida para os hunos por Teodósio II e, depois da morte de Átila, passou sucessivamente (inteira ou parcialmente) para as mãos dos ostrogodos (456-séc. VI), lombardos (530-568) e gépidas (séc. VI). O Império Bizantino controlou-a por um breve período no depois das campanhas de Justiniano e província bizantina da Panônia, também com capital em Sirmio, foi criada, mas seu território incluía apenas uma pequena parte do sudeste da antiga Panônia.

A região foi novamente invadida na década de 560 pelos ávaros, eslavos, que chegaram na década de 480, mas tornaram-se importantes apenas a partir do , e pelos francos, que criaram a Marca da Panônia no fim do . Termos como Baixa Panônia (ou "Inferior" ou "Menor") e Alta Panônia (ou "Superior" ou "Maior") foram utilizados no para designar um principado eslavo e uma província franca respectivamente.

Além disso, entre os séculos V e X, a população romanizada da Panônia desenvolveu uma língua românica panônia, principalmente na região do lago Balaton, no oeste da Hungria moderna, onde existia a cultura keszthely. Ambas foram extintas depois da invasão magiar da Panônia. Uma vez que nenhuma língua neolatina sobreviveu ali, a região é incluida na chamada Romania submersa.Introdução à história do português: geografia da língua. Autor: Ivo Castro. Edições Colibri, 2004, pág. 55, ISBN 9789727725205 Adicionado em 10/04/2016. Encyclopedia Britannica. Edição 15, 2002, Encyclopædia Britannica, Inc., pág. 623, ISBN 9780852297872 Adicionado em 10/04/2016.

Economia e outras características

A região era uma grande produtora agrícola, especialmente depois que as grandes florestas foram derrubadas por Probo e Galério. Antes disso, madeira era um dos principais produtos de exportação da Panônia. Entre os produtos agrícolas cultivados na região estavam a aveia e a cevada, com a qual os panônios fermentavam um tipo de cerveja chamada sabaea. Videiras e oliveiras, comuns em outras províncias, eram raras. A Panônia era também famosa por seus cães de caça.

Os principais rios que cortavam a região era o Dravo, Savo e o Arrabo, além do Danúbio, para o qual seguem os três anteriores.

O antigo nome da Panônia persiste ainda hoje na denominação Planície Panônia.

Cidades e fortalezas auxiliares As principais cidades da Panônia eram:

(Stari Slankamen, Sérvia) A Flexo (Mosonmagyaróvár, Hungria) (Čortanovci, Sérvia) Aos Mures (Ács, Sérvia) (Zmajevac, Croácia) (Vaspuszta, Hungria) (Várdomb, Hungria) Alisca (Szekszárd, Hungria) Alta Ripa (Tolna, Hungria) Andautônia (Ščitarjevo, Croácia) (Varaždin, Croácia) (Daruvar, Croácia) Aquinco (Óbuda, Budapeste, Hungria) Arrabona (Győr, Hungria) (Donji Petrovci, Sérvia) Bonônia (Banoštor, Sérvia) (Szőny, Hungria) (Novi Banovci, Sérvia) (Baláca, Hungria) Campona (Nagytétény, Hungria) Carnunto (Petronell, Bad Deutsch-Altenburg, Áustria) Celeia (Celje, Eslovênia) Certissa (Đakovo, Croácia) (Vinkovci, Croácia) (Dunabogdány, Hungria) Contra-Aquinco (Peste, Hungria) Contra Constância (Dunakeszi, Hungria) (Dunaszekcsõ, Hungria) (Sotin, Croácia) Cúcio (Ilok, Croácia) Cuso (Petrovaradin, Sérvia) Gerulata (Rusovce, Eslováquia) (Tác, Hungria) Graio (Sremska Rača, Sérvia) Intercisa (Dunaújváros, Hungria) (Ludbreg, Croácia) (Dunakömlőd, Hungria) Marsônia (Slavonski Brod, Croácia) Mátrica (Százhalombatta, Hungria) (Tüskevár (?), Hungria) Mursa (Osijek, Croácia) (Mórichida, Hungria) (Drnovo, Eslovênia) (Begeč, Sérvia) Petóvio (Ptuj, Eslovênia) Quadrada (Lébény, Hungria) (Surduk, Sérvia) Sala (Zalalövő, Hungria) Saldas (Brčko, Bósnia e Herzegovina) Savária ou Sabária (Szombathely, Hungria) Escarbância (Sopron, Hungria) ou (Gradiška, Bósnia e Herzegovina) Sirmio (Sremska Mitrovica, Sérvia) Siscia (Sisak, Croácia) Solva (Esztergom, Hungria) Sopianas (Pécs, Hungria) Tauruno (Zemun, Sérvia) (Dalj, Croácia) Ulcísia Castra (Szentendre, Hungria) (Fenékpuszta, Hungria) Vindobona (Viena, Áustria)

Bibliografia

Radomir Popović, Rano hrišćanstvo u Panoniji, Vojvođanski godišnjak, sveska I, Novi Sad, 1995. Petar Milošević, Arheologija i istorija Sirmijuma, Novi Sad, 2001.

Ligações externas