Born This Way é o segundo álbum de estúdio da cantora e compositora norte-americana Lady Gaga. Foi lançado a 23 de Maio de 2011 e distribuído pela Interscope Records. Born This Way é notavelmente diferente dos álbuns anteriores de Gaga, como incorpora uma vasta gama de elementos de vários géneros musicais, inclusive a ópera, o heavy metal, o disco e o rock and roll, e funde os elementos com sons de electropop e dance. Também é fortemente inspirado pelo synthpop e pela música electrónica das décadas de 80 e 90. Na gravação das canções, Gaga trabalhou com vários produtores, incluindo RedOne, Fernando Garibay, Jeppe Laursen e DJ White Shadow, e contou com a participação de artistas como Clarence Clemons e Brian May. Com Born This Way, a cantora teve mais controle de sua direcção musical e composição.
De Born This Way surgiram cinco singles. A faixa homónima alcançou o topo das tabelas de trinta e um países, incluindo os Estados Unidos, onde tornou-se o terceiro single de Gaga a atingir o pico nessa posição. Ele tornou-se o single com a venda mais rápida da história da iTunes Store, tendo vendido mais de um milhão de cópias nos seus primeiros cinco dias. "Judas" atingiu o pico entre as dez melhores colocações de dezanove países, incluindo os EUA. "The Edge of Glory" tornou-se em pouco tempo o terceiro single do álbum devido a boas vendas no iTunes. Estreou no número três nos EUA e liderou as tabelas do Brasil, Eslováquia, Coreia do Sul e Japão. "Yoü and I" estreou nos Estados Unidos no número trinta e seis, tendo mais tarde atingido o pico no número seis. "Marry the Night" estreou na tabela nacional no número setenta e nove, e no Canadá no número noventa e nove. "Hair" foi lançado como o único single promocional do disco.
Considerado um dos álbuns mais esperados de 2011, foi recebido com opiniões positivas pela crítica contemporânea especialista, que elogiou os vocais da artista e os estilos musicais variados do álbum. Porém, o uso repetitivo da palavra "Jesus", bem como o emprego de sinos de igreja e vozes de monge em muitas das faixas, provocaram reacções negativas de algumas sociedades cristãs, incluindo as do Líbano, onde Born This Way foi temporariamente banido. Apesar de tais conflitos, o disco liderou as tabelas em vinte e três países. Estreou no topo nos EUA, com a primeira semana de vendas igual a um milhão e cento e oito mil cópias. Mais de 430 mil destas vendas foram a um preço especial de USD 0,99, que a Amazon.com ofereceu por dois dias durante a primeira semana de lançamento do álbum.
Antecedentes Os primeiros indícios do álbum surgiram em Março de 2010, quando Gaga revelou em entrevista à MTV britânica que já havia terminado de escrever o tema central do mesmo, afirmando ser "sem dúvida [...] o meu melhor trabalho até hoje. É uma libertação total." A produção concluiu-se três meses depois enquanto a cantora ainda estava na digressão The Monster Ball Tour, porém, embora muito animada com o projecto, a artista declarou que o mesmo não seria lançado até 2011, mas prometeu que seria o álbum da década e ainda "o hino da nossa geração. Ele inclui a melhor música que eu já escrevi. ...prometo a você que este álbum é o maior da minha carreira." O título do disco foi anunciado em Setembro de 2010 quando Gaga venceu na categoria "Vídeo do Ano" por "Bad Romance" na cerimónia dos prémios de vídeos musicais da MTV. "Born This Way é a minha resposta para muitas questões ao longo dos anos: Quem é você? De que fala você? [...] O tema mais supremo na gravação é eu tentando entender como posso existir como mim própria como alguém que vive entre a fantasia e a realidade ao mesmo tempo," afirmou Gaga em entrevista à MTV.
Lançamento thumb|esquerda|A artista a interpretar "Yoü and I" no The Today Show a 9 de Julho de 2010. Das dezassete faixas gravadas para o álbum, quatorze delas seriam inclusas na versão padrão e as três restantes seriam lançadas em uma edição deluxe exclusiva para a Target. Contudo, a parceria com a empresa foi terminada devido a uma doação de 150 mil dólares desta última à organização anti-homossexual Minnesota Forward. As datas de lançamento do álbum foram anunciadas na véspera de Ano Novo, com previsão para 23 de Maio de 2011. "Yoü and I" foi o primeiro tema a ser estreado, na manhã de 9 de Julho de 2010 no The Today Show, diante de uma multidão de aproximadamente vinte mil pessoas. Apesar da canção já ter vindo a ser interpretada desde concertos da The Monster Ball Tour, a intérprete afirmou que esta não era um indicativo da sonoridade do novo álbum. A 2 de Março foi revelada a obra "Government Hooker" e ainda realizada uma ante-estreia de uma versão remixada de "Scheiße" no desfile de moda de Thierry Mugler, para o qual Gaga havia sido nomeada directora musical. A faixa "Marry the Night" foi lançada no jogo virtual FarmVille a 17 de Maio, seguida por "Electric Chapel" no dia seguinte, e "Fashion of His Love" no dia após este. O remix do DJ White Shadow desta canção tornou-se disponível no Farmville, bem como "Government Hooker", "Americano", "Scheiße", "Bad Kids", "Yoü and I" e "Born This Way (Jost & Naaf Remix)", e foram transmitidas online entre 20 e 23 de Maio de 2011.
Internacionalmente, Born This Way estreou a 18 de Maio de 2011 no Spotify de países europeus, assim como na página online do jornal britânico Metro. O Amazon.com vendeu a versão padrão do disco por 0,99 dólares na data de lançamento, para promover o seu serviço de Cloud Drive nos Estados Unidos.
"O álbum é a união da música electrónica com melodias com muitas batidas de dança. Está terminado e tudo, [agora] é simplesmente ajuste de afinação a tudo. É como um tipo de etapa pós-operatória do álbum. Já fiz a cirurgia de coração inteiro. Estou apenas costurando-me novamente. Liricamente, acho que este álbum é mais poético. É realmente escrito pelos fãs, que realmente escreveram isso para mim, pois toda noite eles canalizam muito em mim. Então eu escrevi para eles. Born This Way é toda sobre os meus little monsters e também sobre mim, mother monster."
A capa de Born This Way foi revelada a 15 de Abril de 2011 e apresenta a cantora fundida em uma motocicleta. O seu nome não aparece — o único texto, o nome do álbum, está presente na parte superior. A capa foi recebida com opiniões negativas por parte de críticos e fãs. Sean Michaels, do The Guardian, achou que "... se parece mais com um trabalho de Photoshop barato do que de um dos álbuns mais esperados do ano... foram-se os óculos futuristas, os cortes de cabelo assimétricos, até mesmo os chifres mágicos de Gaga, ao invés, uma moto mutante com os braços e cabeça de Gaga, além de uma fonte de texto cromado de porcaria." Michaels fez referência a várias mensagens de fãs no fórum oficial de Gaga que expressavam o seu desagrado pelo trabalho. Andrew Martin, da Prefix Magazine, descreveu a capa como "uma rejeição do último filme Terminator," assim como Rick Porter, do Zap2it, que acrescentou que ela é "estranha" e muito diferente das capas dos seus lançamentos anteriores. Tris McCall, do The Star-Ledger, achou que foi "uma das piores artes relacionadas com CD alguma vez feita." A capa da versão especial de Born This Way foi lançada dois dias depois e é um recorte da imagem da versão padrão que apresenta apenas a cabeça da artista. Os nomes da artista e do disco aparecem no canto superior esquerdo, digitadas na fonte Impact, com o nome do álbum destacado com fundo branco e letras pretas. Nenhuma das palavras "especial" ou "deluxe" aparecem, conforme a vontade de Gaga.
Em Maio de 2021, como uma celebração ao décimo aniversário do álbum, foi anunciado um relaçamento intitulado Born This Way Reimagined. Lançado a 25 de Junho, consiste de um disco adicional que contém faixas reconcebidas por artistas LGBT e aliados à comunidade, tais como Big Freedia em "Judas", Orville Peck em "Born This Way (The Country Road Version)", e Kylie Minogue em "Marry the Night".
Estrutura musical e conteúdo lírico thumb|150px|Canções como "Marry the Night", "Hair", "Highway Unicorn (Road to Love)" e "The Edge of Glory" contêm influências de Bruce Springsteen. thumb|150px|Fernando Garibay, frequente colaborador de Gaga, trabalhou em onze faixas de Born This Way. thumb|150px|Brian May, guitarrista da banda Queen, tocou uma guitarra eléctrica em "Yoü and I", faixa na qual usou uma amostra de "We Will Rock You". Em termos de composição musical, embora composto principalmente por músicas dance de ritmo moderado, Born This Way é um afastamento dos trabalhos anteriores de Gaga, que consistiam em electropop, house e dance-pop, enquanto este incorpora uma ampla gama de géneros, inclusive ópera, new wave e mariachi, além de apresentar uma maior variedade de instrumentos e estilos.
O álbum abre com "Marry the Night", uma homenagem dance-pop à Cidade de Nova Iorque com batida house influenciada por disco, techno e funk. A faixa seguinte, "Born This Way", é um tema com sonoridade eurodisco cuja instrumentação inclui um órgão e conteúdo lírico aborda a igualdade e incentiva o ouvinte a perseguir os seus sonhos. Composta por Gaga e Jeppe Laursen, foi bastante comparada a "Express Yourself" de Madonna. A terceira canção, "Government Hooker", inclui elementos de ópera, e melodia techno/trance/música industrial, bem como influências de hip hop nas batidas. "Judas" é uma obra influenciada por música industrial sobre traição influenciada pela personagem bíblica homónima,
Além de "Marry the Night", seis outras faixas do álbum foram gravadas no estúdio do autocarro da digressão The Monster Ball Tour: "Americano", "Hair", "Scheiße", "Bloody Mary", "Bad Kids" e "Highway Unicorn (Road to Love)". A primeira é uma obra essencialmente pop que incorpora fortemente o mariachi. Suas letras abordam o "Sonho Americano" e contêm vários assuntos religiosos, culturais e políticos, inclusive a Lei de Imigração do Arizona, a Arizona SB 1070, uma medida extremamente rígida implantada contra a imigração ilegal para aquele estado. A seguir vem "Hair", um tema sobre expressar a liberdade individual através do cabelo com melodia influenciada por rock e heavy metal similar ao popularizado por artistas como Bruce Springsteen, Iron Maiden e Kiss. "Hair", bem como "The Edge of Glory", são obras distinguíveis do resto do álbum pois um saxofone, tocado por Clarence Clemons, pode ser ouvido nelas. Idealizada após Gaga ter passado uma noite de curtição com os seus amigos em uma discoteca em Berlim, "Scheiße" contém letras em alemão e uma mensagem de feminismo, e é acompanhada por uma melodia que incorpora elementos notórios de música techno e electroclash, bem como o eurodisco. "Bloody Mary", a oitava faixa, tem ritmo lento e inúmeras referências religiosas, além de uma melodia influenciada por trance. Um dos seus segmentos inclui um coro vocal masculino inspirado em canto gregoriano. "Bad Kids", a faixa seguinte, é influenciada por heavy metal e synthpop dos anos 1980 com uma batida disco comparada à de obras de Donna Summer e instrumentação acompanhada por piano e guitarras eléctricas características de música rock. O seu conteúdo lírico foi descrito como uma "ode aos jovens delinquentes que atribuem a culpa dos seus falhanços aos seus pais." "Highway Unicorn (Road to Love)", a décima faixa de Born This Way, foi descrita como electropop influenciado por música dance e rock com elementos de música industrial. Gaga revelou que Springsteen foi uma enorme influência enquanto compunha as letras e produzia a faixa. Clemons também tocou o saxofone nesta canção.