Os curdos (; ), ou povo curdo , são um grupo étnico do Médio Oriente com cerca de trinta milhões de indivíduos no mundo;Kurdish political geography (em inglês) Open Democracy. Pesquisa em 15/04/17 a maioria, cerca de 14 milhões (as estimativas variam), vive no leste da Turquia, numa região frequentemente referida como Curdistão turco. Os demais, cerca de 16 milhões, vivem no Iraque e em partes da Síria e do Irã. Há também comunidades curdas no Líbano, Armênia, Geórgia e, em décadas recentes, em alguns países europeus, como na Alemanha.Manifestação de curdos na Alemanha irrita Turquia Euronews. Pesquisa em 16/04/17

Os curdos são cultural e linguisticamente relacionados aos povos iranianos. Em sua maioria, falam o idioma curdo, uma língua indo-europeia do ramo irânico. No entanto, as origens étnicas curdas são ainda indefinidas.

População thumb|Áreas de falantes da língua curda miniaturadaimagem|Distribuição da população curda no Irã com base em províncias O número exato de curdos vivendo no Oriente Médio ainda não se sabe, devido à análise dos recenseamentos recentes e à relutância dos vários governos das regiões habitadas por curdos em fornecer dados importantes.

De acordo com o CIA Factbook, os curdos compreendem 20% da população da Turquia, de 15 a 20% no Iraque, possivelmente 8% na Síria, 7% no Irã e 1,3% na Armênia. Em todos estes países, com exceção do Irã, os curdos são o segundo maior grupo étnico.

Aproximadamente 55% dos curdos no mundo vivem na Turquia, 20% no Irã, 20% no Iraque e um pouco menos de 5% na Síria. Estas estimativas estabelecem o número total de curdos entre 27 e 36 milhões.

Há outras fontes que registram uma população maior de curdos que a que está acima. Além disso, estima-se que os curdos, especialmente na Turquia, têm um índice de natalidade quase 50% mais que os turcos. Devido a isso, eles são vistos como um desafio demográfico para o estado.

Diáspora curda De acordo com um relatório do Conselho da Europa, aproximadamente 1,3 milhão de curdos vivem na Europa Ocidental. Os primeiros imigrantes foram os curdos da Turquia, que se estabeleceram na Alemanha, Áustria, países do Benelux, Reino Unido (especialmente em Londres), Suíça e França durante a década de 1960. Períodos sucessivos de conflitos políticos e sociais no Oriente Médio, durante as décadas de 1980 e 1990, causaram novas ondas de refugiados curdos para a Europa, a maioria do Iraque sob Saddam Hussein e do Irã.

Houve também uma imigração significativa de curdos para a América do Norte, principalmente refugiados políticos e imigrantes em busca de oportunidades econômicas. Estima-se que 100 mil curdos vivam nos Estados Unidos e 50 mil no Canadá.

Origens Embora os curdos habitem as regiões montanhosas de seu atual território há alguns milênios, sua pré-história é vagamente conhecida, devido à falta de um estudo extensivo. De acordo com a Encyclopaedia Kurdistanica, os curdos são descendentes de todos aqueles que se tenham historicamente fixado no Curdistão, e não de um grupo em particular.Origin of The Kurds (em inglês) Kurdistanica. Pesquisa em 25/05/17

Os hurritas habitaram as regiões do atual Curdistão (na Mesopotâmia e montes Zagros-Tauro) de até Eles falavam uma língua que pertencia possivelmente à família das línguas caucasianas do nordeste (ou à proposta alarodiana), aparentada ao moderno checheno e ao lezguiano. Os hurritas se espalharam e por fim dominaram territórios significativos fora de sua base nos montes Zagros-Tauro. No entanto, como os curdos, eles não se expandiram muito além das montanhas. À medida que se estabeleciam, os hurritas se dividiam em vários clãs e subgrupos, fundando cidades-estado, reinos e impérios com epônimos dos nomes dos clãs. Esses clãs incluíam os gútios, curti, khadi, muscu, manas, Hati, Mitani, Urartu e os cassitas, entre outros. Todas essas tribos eram parte do grande grupo hurrita, e juntos ajudaram a formar a fase hurrita da história curda.

Do segundo ao primeiro milênio antes de Cristo, um grande número de povos arianos se juntou aos hurritas. Entre as tribos arianas mais importantes que se estabeleceram nas montanhas curdas estavam os medos, os citas e os sármatas. Por volta de , os medos estabeleceram um grande império, que incluiu toda a área do atual Curdistão e outros territórios. Outros reinos conquistaram a região posteriormente, sendo todos de origem ariana-iraniana, assim a população tornou-se iraniana e falante do curdo.

De acordo com Vladimir Minorsky, "não há dúvidas que o termo mar (medos) se refere aos curdos". Além disso, ele escreve que "no raro manuscrito armênio contendo amostras de alfabetos e línguas, escrito em algum momento antes de 1446, uma oração curda aparece como exemplo da língua dos medos".

Nome Esta amálgama de povos e tribos continuou a ser conhecida sob um único nome pelos habitantes das terras baixas da Mesopotâmia. Uma das primeiras menções nos registros históricos aparece nos escritos cuneiformes dos sumérios datados de cerca de , referindo-se à "terra de Karda" nos montes Zagros-Taurus do norte e nordeste da Mesopotâmia. A região era conhecida como a terra dos "Karda" ou "Qarduchi" e a terra dos "Guti" ou "Gutium". Eram descritos como sendo o mesmo povo apenas diferindo no nome tribal.

Os babilônios chamavam-nos "Gardu" e "Qarda". Na região vizinha da Assíria, eles eram os "Qurti" ou "Guti". Quando os gregos penetraram no território, eles se referiram a esse povo como "Kardukh", "Carduchi", "Gordukh", Kyrti(oi) e os romanos os conheciam como Cyrti. Os armênios os chamavam "Gortukh" ou "Gortai-kh" e os persas os chamavam "Gord" ou "Kord". Em siríaco, hebraico e caldeu eles eram, respectivamente, "Qardu", "Kurdaye" e "Qurdaye". Em aramaico e nestoriano, eram chamados "Qadu".

Assume-se que sua língua original foi influenciada e gradualmente substituída pelo iraniano do noroeste, com a chegada dos medos ao atual Curdistão. Os curdos consideram-se indo-europeus e descendentes dos grupos acima mencionados, em especial os medos.

A primeira menção histórica notável aos curdos, com este nome, foi registrada no Sharafnama (O Livro da Honra) do poeta curdo medieval Sharaf al-Din Bitlisi, em 1597. Escrito por um curdo e sobre o seu próprio povo, o Sharafnama foi responsável por ter colocado a história e cultura curda no mapa.Independence and the Iraqi Kurds (em inglês) Aljazeera. Pesquisa em 24/01/19

Origens genéticas e étnicas De acordo com a Encyclopædia Britannica, "os persas, curdos e falantes de outras línguas indo-europeias no Irã são descendentes das tribos arianas que começaram a migrar da Ásia Central para o atual Irã no ".

De acordo com a Columbia Encyclopedia, os curdos, assim como outros grupos étnicos migrantes da região, estão "entre os descendentes menos miscigenados dos iranianos originais".

De acordo com a Enciclopédia do Islamismo, a classificação dos curdos como arianos é principalmente baseada em dados linguísticos e históricos e não prejudica o fato de haver uma complexidade de elementos étnicos a eles incorporados.

De acordo com um estudo de 2001 sobre a população turca, os ancestrais dos "curdos, armênios, iranianos, e outros grupos mediterrâneos (orientais e ocidentais) parecem dividir um ancestral comum" e pertenciam a um substrato mediterrâneo antigo, ou seja, a grupos hurritas e hititas e que estes povos não tinham conexão com uma invasão ariana que se supõe ter ocorrido por volta de . "Conclui-se que esta invasão, se ocorreu, teve relativamente poucos invasores em comparação às populações já estabelecidas, como os grupos hititas anatolianos e hurritas (anteriores a ). Estes devem ter iniciado as atuais populações curda, turca e armênia". A comparação da distância genética em outro estudo revelou que os povos falantes de línguas turcas e turcomenas na região do mar Cáspio agrupam-se com os curdos, gregos e ossetas. Neste estudo, os falantes de persa são geneticamente afastados destas populações; eles são, todavia, próximos dos parsis que migraram do Irã para a Índia no final do .

Cultura miniaturadaimagem|Celebração do Noruz em Tangi Sar (2018)

A cultura curda é o legado de vários povos antigos que moldaram os modernos curdos e sua sociedade, principalmente os hurritas nativos, os iranianos antigos (medos) e os muçulmanos. A cultura é muito próxima da de outros povos iranianos: os curdos, por exemplo, também celebram o Noruz (21 de Março) como Dia de Ano Novo.

Língua A língua curda pertence ao subgrupo noroeste das línguas iranianas, que por sua vez pertence ao ramo indo-iraniano da família de línguas indo-europeias. O curdo deve ter evoluído a partir de línguas caucasianas e do aramaico devido a certas peculiaridades que a fazem distinta das outras línguas iranianas. A maioria dos ancestrais dos curdos falava várias línguas da família indo-europeia.

A língua original da região do Curdistão foi o hurrita, uma língua indo-europeia que pertencia à família caucasiana. A antiga língua foi substituída pelo indo-iraniano por volta de com a chegada dos Medos à região. Todavia, a influência do hurrita no curdo ainda é evidente na sua estrutura gramatical ergativa e nos topônimos.

A maioria dos curdos são multilíngues, falando as línguas dos povos da vizinhança tais como o árabe, o turco e o persa como segunda língua. Os judeus curdos e alguns cristãos curdos (não confundir com os assírios étnicos do Curdistão) habitualmente falam aramaico (por exemplo, lishana deni) como sua primeira língua.

Música Tradicionalmente, há três tipos de artistas clássicos curdos: os contadores de histórias (çîrokbêj), os menestréis (stranbêj) e os bardos (dengbêj). Não houve música específica relacionada às cortes principescas curdas, e, em vez disso, a música apresentada em reuniões noturnas (şevbihêrk) é considerada clássica. Várias formas musicais são encontradas neste gênero. Muitas músicas são épicas por natureza, como a popular Lawiks, balada heróica contando histórias de heróis curdos como Saladino. Heyrans são baladas de amor que freqüentemente expressam a melancolia da separação e do amor não conquistado, enquanto Lawje é uma forma de música religiosa e Payizoks são canções apresentadas durante o outono. Canções de amor, música para dançar, para casamentos e outras celebrações (dîlok/narînk), poesia erótica e música a capela são também populares.

Religião esquerda|miniaturadaimagem|Celebrações yazidis de ano novo em Lalish em 18 de abril de 2017

O iazdanismo é um grupo de religiões monoteístas praticadas entre os curdos: o alevismo, o iarsanismo e o iazidismo. O principal elemento nas religiões iazdânis é a crença em sete entidades angélicas que protegem o mundo, e por isso estas tradições são chamadas de Culto dos Anjos.

A religião original dos curdos é o iazidismo, religião muito influenciada pelas crenças judaica, zoroastriana, cristã e islâmica. Todavia, há diferenças significativas entre o iazidismo e o Zoroastrismo, como a crença na reencarnação. A maioria dos iazidis vive no Curdistão iraquiano, nas vizinhanças de Mossul e Sinjar.

O Iarsanismo é praticado no oeste do Irã, principalmente nos arredores de Quermanxá. O Cristianismo e o Judaísmo ainda são praticados por poucos. A rabina Asenath Barzani, que viveu em Mossul de 1590 a 1670, foi uma das primeiras mulheres judias a se tornar rabina.

Atualmente, a maioria dos curdos é oficialmente muçulmana, pertencendo à escola xafeíta do Islamismo sunita. Práticas místicas e participações em ordens sufistas estão também disseminadas entre os curdos. Há também uma minoria curda que é xiita, vivendo principalmente nas províncias iranianas de Ilão e Quermanxá e no leste do Iraque (curdos feyli). Os alevitas são outra minoria religiosa entre os curdos, encontrados principalmente na Turquia.