Xossas, xhossas ou cosas são um grupo étnico sul-africano que fala a língua xossa (ou IsiXhosa).

A língua xossa é uma das 11 línguas oficiais da África do Sul, falada por aproximadamente 7,9 milhões de pessoas na África do Sul (cerca de 18% da população), principalmente nas províncias do Cabo Oriental e sul do Cuazulo-Natal, mas também nos países vizinhos, Zimbábue e Lesoto. É a segunda língua materna mais falada no país, perdendo apenas para a língua zulu, à qual é estreitamente relacionada. O sistema apartheid dos bantustões pré-1994 negava a cidadania sul-africana aos xossas, mas os possibilitava ter "terras natais": Transquei e Cisquei, ambos atualmente parte da província Cabo Oriental, onde reside a maioria dos xossas. Muitos xossas vivem na Cidade do Cabo, East London e Porto Elizabeth.

Os xossas se dividem em várias tribos: as principais são amaGcaleka, amaRharhabe, imiDange, imiDushane e amaNdlambe. Existem tribos que vivem próximas aos xossas e que adotaram a língua e os costumes xossas, como os abaThembu, amaBhaca, abakoBhosha e amaQwathi.

O nome "xossa" vem de um rei lendário chamado Uxossa. Os xossas designam-se a si próprios "amaXhosa". História Os xossas se originaram da lenta migração dos angunes a partir dos Grandes Lagos Africanos. Os xossas já estavam bem estabelecidos na África do Sul quando os neerlandeses chegaram em meados do e ocuparam grande parte do leste do país, entre Porto Elizabeth e Durban.

Os xossas e os colonos brancos se encontraram pela primeira vez na região da atual cidade de Somerset East no início do século XVIII. No final desse século, pastores africânderes originários da Cidade do Cabo entraram em conflito com pastores xossas na região do rio Great Fish. Depois de mais de vinte anos de conflito intermitente, o Império Britânico forçou os xossas a se deslocar para leste.

Nos anos seguintes, muitos povos do nordeste do país foram empurrados para o oeste na direção dos xossas devido à expansão zulu em Natal, no processo conhecido como mfecane, ou "dispersão". Os xossas receberam esses povos dispersos, os quais acabaram adotando os costumes xossas. Os xossas chamaram essas tribos de AmaMfengu, que significa "andarilhos". Algumas dessas tribos eram os amaBhaca, amaBhele, amaHlubi, amaZizi e Rhadebe.

A unidade xossa e sua capacidade de resistir à expansão europeia foram enfraquecidas por carestias e divisões políticas que se seguiram à matança de gado entre 1856 e 1858. Língua

O xossa é uma língua tonal aglutinante da família banta. Ele utiliza uma escrita baseada no alfabeto latino. É falado por aproximadamente dezoito por cento da população sul-africana, e possui alguma inteligibilidade mútua com o zulu, especialmente o zulu falado em zonas urbanas. Muitos falantes de xossa, particularmente os que vivem em áreas urbanas, também falam zulu e/ou africâner e/ou inglês. Folclore e religião Os sangomas são adivinhos (amagqirha). É um emprego exercido principalmente por mulheres, que aprendem o ofício durante um período de cinco anos. Também existem herboristas (amaxhwele), profetas (izanuse) e curadores (inyanga).

Os xossas possuem uma grande tradição oral, com muitas histórias sobre heróis ancestrais; de acordo com a tradição, o líder do qual os xossas tiraram o nome foi o primeiro rei da nação. Um dos descendentes de xossa chamado Phalo gerou dois filhos, Gcaleka kaPhalo, o herdeiro, e Rarabe kaPhalo. Rarabe era um grande guerreiro e um homem de grande habilidade, e era muito amado por seu pai. Gcaleka era manso e apático, e não possuía as qualidades necessárias a um futuro rei. As coisas se complicaram ainda mais com a iniciação de Gcaleka como adivinho, o que era uma prática vedada aos membros da família real.

Vendo a popularidade de seu irmão e temendo que ele um dia pudesse desafiar seu direito de sucessão ao trono, Gcaleka tentou usurpar o trono de seu pai, mas Rarabe veio em defesa de seu pai e reprimiu a insurreição. Rarabe se mudou então para a região das montanhas Amathole, onde subjugou várias tribos e comprou terrenos dos cóis, fundando seu próprio reino. A partir de então, os xossas se dividiram em dois ramos: o de Rarabe e o de Gcaleka. O ramo de Rarabe encontra-se atualmente sob a liderança da rainha regente Noloyiso Sandile Aah! Noloyiso, filha do rei Cyprian Bhekuzulu kaSolomon e irmã do atual rei zulu Goodwill Zwelithini kaBhekuzulu. O ramo de Gcaleka encontra-se atualmente sob a liderança do rei Zwelonke Sigcawu. Este último foi coroado rei dos xossas em 15 de maio de 2015.

A figura chave na tradição oral xossa é o imbongi (plural: iimbongi), ou cantor de louvor. Ele vive tradicionalmente próximo ao "grande lugar" do chefe. Ele acompanha o chefe em ocasiões importantes. O imbongi Zolani Mkiva acompanhou o presidente Nelson Mandela na sua posse em 1994. A poesia do imbongi, chamada imibongo, louva as ações dos chefes e ancestrais.

O ser supremo é chamado uThixo ou uQamata. Na tradição xossa, os ancestrais atuam como intermediários entre os viventes e Deus; eles são honrados em rituais com o objetivo de trazer boa sorte. Os sonhos exercem um importante papel na adivinhação e no contato com os ancestrais. Práticas religiosas tradicionais incluem rituais, iniciações e festas. Rituais modernos tipicamente se referem a doenças e bem-estar psicológico.

Missionários cristão estabeleceram postos avançados entre os xossas na década de 1820, e a primeira tradução da Bíblia foi feita em meados da década de 1850, parcialmente por Henry Hare Dugmore. Os xossas não se converteram em grande número até o século XX, mas muitos hoje são cristãos, principalmente pertencentes a igrejas africanas. Algumas denominações combinam o cristianismo com crenças tradicionais.

Ritos de passagem Os xossas são um grupo cultural sul-africano que enfatiza práticas tradicionais e costumes herdados de seus antepassados. Cada pessoa dentro da cultura xossa tem seu lugar, que é reconhecido por toda a comunidade. Desde o nascimento, o xossa passa por etapas que atestam seu crescimento e lhe asseguram um lugar na comunidade. Cada etapa é marcada por um ritual específico, que objetiva apresentar o indivíduo a seus companheiros e também a seus ancestrais. Começando pelo imbeleko, o ritual que apresenta o recém-nascido aos ancestrais, e passando pelo umphumo (a chegada ao lar), o inkwenkwe (a passagem para a infância) e o indoda (a passagem para a idade adulta). Esses rituais ainda são praticados, mas muitos xossas urbanos não os seguem rigidamente. O ulwaluko e o intonjane são tradições que separam os xossas dos angunes. Eles marcam a transição de criança para adulto. Os zulus, uma vez, fizeram esses rituais, mas o rei Shaka os proibiu por causa da guerra na década de 1810. Em 2009, eles foram reintroduzidos pelo rei Goodwill Zwelithini Zulu, não como um costume, mas como um procedimento médico para combater o HIV. Isso causou disputas entre xossas e zulus.

Todos esses rituais simbolizam o desenvolvimento pessoal. Antes de cada ritual, o indivíduo passa um tempo com os mais velhos. O conhecimento dos mais velhos não é escrito, mas é transmitido de geração para geração através da tradição oral. O iziduko (nome do clã), por exemplo, é transmitido através da tradição oral. É considerado uburhanuka (ausência de identidade) se uma pessoa não sabe o nome de seu clã. Quando dois estranhos se encontram, a primeira identidade apresentada é a do clã. O clã é a base do ubuntu (gentileza, solidariedade).

O ulwaluko, ritual de transição entre infância e idade adulta, ainda é praticado atualmente. Depois da circuncisão, os iniciados (abakwetha) vivem em isolamento por várias semanas, frequentemente nas montanhas. Durante o processo, eles passam barro branco no corpo e respeitam inúmeros tabus.

Nos tempos modernos, a prática tem gerado controvérsias, com 825 mortes causadas pela circuncisão desde 1994, e a disseminação de infeções sexualmente transmissíveis, incluindo o vírus da imunodeficiência humana, por causa do uso comum de lâmina nas circuncisões. Em março de 2007, uma minissérie controversa que falava sobre as circuncisões e os rituais de iniciação xossas estreou na South African Broadcasting Corporation. Intitulada Umthunzi Wentaba, a minissérie foi retirada do ar após queixas de líderes tradicionais, que argumentaram que os rituais eram secretos e não deveriam ser revelados a não iniciados e a mulheres. Em janeiro de 2014, o site ulwaluko.co.za foi criado por um médico neerlandês. Ele apresenta uma galeria de fotos de pênis deformados, o que desencadeou revolta entre líderes tradicionais da província do Cabo Oriental. A secretaria de filmes e publicações da África do Sul qualificou o site como "científico com grande valor educativo", dizendo ainda que havia "um problema social com necessidade urgente de intervenção".

Garotas também são iniciadas à idade adulta, através do ritual do intonjane. Elas também ficam reclusas, embora por um período menor de tempo. E não sofrem mutilação genital feminina.

Outros ritos incluem a reclusão das mães dez dias após o parto, e o enterro da placenta e do cordão umbilical perto da vila. Isso se expressa na tradicional saudação Inkaba yakho iphi?, que significa "onde está seu umbigo?" A resposta mostra onde você vive, qual é seu clã e qual é seu status social. Casamento O casamento xossa, umtshato, está recheado de costumes e rituais que buscam unir as duas famílias e orientar os cônjuges. Ukuthwalwa Para iniciar o processo, o homem que deseja casar pratica o ukuthwalwa, "escolha da pessoa". O homem escolhe uma mulher que lhe interessa, e a família do homem visita a família da mulher para ambas as famílias chegarem a um acordo quanto ao casamento. Antigamente, o desejo da mulher não era levado em conta, mas atualmente o homem e a mulher já costumam se relacionar antes do ukuthwalwa. Isiduko Quando o homem revela a sua família sua intenção de se casar, é feita uma pesquisa sobre o nome do clã (isiduko) da noiva. Se o noivo e a noiva pertencerem ao mesmo clã, então eles não poderão se casar. Ikhazi Quando as discussões dentro da família do homem estão terminadas e já se conhecem informações suficientes sobre a noiva, a família escolhe negociadores que irão visitar a família da noiva para comunicar-lhe as intenções do noivo. Os negociadores, ao visitarem a família da noiva, aguardarão no lado de fora da casa, muitas vezes no curral (inkundla), e só poderão entrar na casa com o consentimento da família da noiva. É quando as negociações do dote (lobola) começam. A família da noiva irá dar o preço da noiva e uma data para receber o pagamento. O preço da noiva depende de muitos fatores, como o seu nível educacional, a riqueza de sua família em comparação com a riqueza da família do noivo, o que o homem quer ganhar com o casamento e a desejabilidade geral da mulher. O pagamento pode ser efetuado em gado ou em dinheiro, dependendo da família da noiva. As atuais famílias xossas costumam preferir dinheiro, pois costumam viver em áreas urbanas onde não é possível a pecuária.

Quando a família do noivo retorna na data estipulada, eles pagam o dote e trazem presentes, como gado e bebidas alcoólicas, iswazi, para serem bebidas pela família da noiva. Quando o lobola dos negociadores é aceito, então o casamento é considerado consumado, e as celebrações começam. Isso inclui a matança de gado como um gesto de agradecimento aos ancestrais, assim como derramar considerável quantidade de bebida alcoólica no piso da casa da noiva, também num gesto de agradecimento aos ancestrais. A família do noivo passa a fazer parte da família da noiva, e a cerveja tradicional, umqombothi, é preparada pela família da noiva como um sinal de agradecimento à família do noivo. Ukuyalwa