Bucareste (; ) é a capital e maior cidade da Roménia. Além de capital oficial, é também a capital cultural, industrial e financeira do país. Está localizada na parte sudeste da Roménia, na região histórica da Munténia (parte da Valáquia), nas margens do rio Dâmbovița, cerca de 60 km a norte do rio Danúbio e da fronteira com a Bulgária.

O município de Bucareste tem 228 km² e em 2011 tinha habitantes (). A área urbana estende-se para além dos limites administrativos do município e em 2017 tinha mais de dois milhões de habitantes. Em termos de população dentro dos limites da cidade, Bucareste é a quinta cidade mais populosa da União Europeia, a seguir a Berlim, Madrid, Roma e Paris.

Para os padrões europeus, Bucareste não é uma cidade antiga, já que a primeira menção histórica da sua existência data de 1459. Tornou-se a capital dos Principados Unidos da Roménia, resultantes da união dos principados da Valáquia e da Moldávia, consolidando a sua posição como centro político, cultural, artístico do que é atualmente a Roménia. A arquitetura da cidade apresenta uma diversidade de estilos, que vão desde o neoclássico até aos mais modernos, passando pelos do período entreguerras (Art déco e Bauhaus) e pelos da era comunista. No período entre as duas guerras mundiais, a arquitetura elegante de Bucareste, muito influenciada pela arquitetura e urbanismo franceses, e a sofisticação das suas elites grangearam-lhe o apelido de "Pequena Paris do Oriente" (Micul Paris). A arquitetura e urbanismo do centro histórico sofreu graves danos devido às guerras, sismos e, sobretudo ao programa de "" do ditador comunista Nicolae Ceaușescu, um projeto megalómano de urbanização que basicamente passava pela demolição dos edifícios bairros existentes e pela sua substituição por novas estruturas. Desde o final do que a cidade vive um período de acentuado desenvolvimento cultural e económico. Em 2016, o centro histórico de Bucareste foi classificado como "em perigo" pelo World Monuments Fund.

Bucareste é a cidade mais próspera economicamente da Roménia e é um dos principais centros industriais e de transporte da Europa do Leste. A cidade dispõe de grandes espaços para realização de convenções e outros eventos, nomeadamente culturais, institutos de educação, locais de comércio e áreas de recreio. Em termos administrativos, o Municipiul București (Município de Bucareste) está equiparado a um distrito, que está dividido em seis "setores", cada um deles governado por um prefeito local.

Etimologia O nome romeno București tem origem incerta. Segundo a tradição, a cidade teria sido fundada por alguém chamado , que conforme as diferentes lendas, era um pastor, um boiardo, um príncipe, um fora-da-lei, um pescador ou um caçador. O nome Bucur (derivado de bucurie, que significa "alegria") e provavelmente é de origem dácia. Em albanês, língua que possui ligações históricas com as línguas trácias, bukur significa "bonito".

Estudiosos do passado sugeriram outras etimologias. O viajante otomano do Evliya Çelebi escreveu que Bucareste tinha o nome de um tal Abu-Kariș, da tribo dos Bani-Kureiș. Em 1781, o historiador austríaco Franz Sulzer sugeriu que o nome estava relacionado com bucurie (alegria), bucuros (alegre) ou a se bucura (tornar-se alegre). Segundo um livro publicado em Viena no início do , o nome deriva de bukovie (floresta de faias).

O gentílico romeno dos habitantes de Bucareste é bucureștean.

História

Da pré-história ao thumb|305px|Artefactos da cultura de Tei

Os vestígios mais antigos de povoamento humano no que é hoje Bucareste e o distrito de Ilfov remontam ao Paleolítico. Nos vales dos rios Colentina e Dâmbovița, existiram assentamentos nesse período. Mais tarde, durante o Neolítico e Idade do Bronze, houve a presença das culturas de , . e Tei.

Durante a Idade do Ferro, viveram na área getas e dácios que tiveram ligações comerciais com cidades gregas e romanas. A região nunca chegou a estar sob o domínio romano, exceto quando a Munténia foi ocupada brevemente pelas tropas de Constantino na década de , embora se considere provável que a população local estivesse romanizada quando ocorreram as migrações dos povos bárbaros, a partir do . Os eslavos fundaram vários povoados na região de Bucareste, mas possivelmente foram assimilados antes do fim da Alta Idade Média (séculos VI a X). Segundo alguns historiadores, a área integrou o Primeiro Império Búlgaro entre 681 e , numa época em que mantinha ligações comerciais com o Império Bizantino. Houve várias invasões de pechenegues e cumanos e, em 1241, mongóis. Depois disso, é provável que tenha sido objeto de disputa entre o Reino da Hungria e o Segundo Império Búlgaro.

Além da lenda de Bucur (referida na secção "Etimologia"), outra tradição atribui a fundação de Bucareste ao lendário príncipe da Valáquia Radu Negru, que também teria fundado grande parte das cidades mais importantes da Munténia. A teoria muito generalizada que identifica Bucareste com a "cidadela de Dâmbovița" e o pârcălab mencionado como ligado a não é apoiada pelos estudos arqueológicos, que mostram que a área era praticamente desabitada no .

Capital do Principado da Valáquia O primeiro registro escrito sobre a cidade menciona-a como "Cidadela de București" em 1459, quando se tornou a residência do famoso príncipe da Valáquia Vlad, o Empalador, também conhecido como Vlad, o Drácula. Tornou-se rapidamente a residência de verão favorita da corte principesca e, juntamente com Târgovişte, uma das duas capitais da Valáquia. O palácio de Vlad, atualmente conhecido como Curtea Veche (Corte Velha), foi reconstruído por Mircea Ciobanul (Mircea, o Pastor , que também construiu uma paliçada e melhorou o abastecimento de água potável e de alimentos. Na segunda metade do a cidade foi afetada pela ocupação de janízaros (1554) — o Principado da Valáquia era vassalo do Império Otomano — e disputas pelo poder na Valáquia (1558, 1574 e 1590).

thumb|esquerda|Ruínas da Curtea Veche (Corte Velha), o palácio real construído no por Vlad, o Empalador (Drácula)

thumb|esquerda|Xilogravura com vista de Bucareste, publicada em Lípsia em 1717

Entre os séculos XVI e XIX, a cidade assistiu a várias rebeliões contra os suseranos otomanos, lutas pelo poder no principado, crises de fome, epidemias de peste bubónica, cheias, sismos e fogos, alguns deles ateados durante as lutas pelo poder e pelas intervenções militares otomanas. O viajante otomano Evliya Çelebi relata que a cidade era incendiada pelos otomanos e pelos seus aliados nogais a cada sete ou oito anos para reprimir as revoltas dos chefes locais , mas os habitantes restauravam as suas "pequenas mas robustas casas" em menos de um ano. Não obstante as turbulências, a cidade foi-se desenvolvendo e ganhando edifícios importantes.

As últimas décadas do foram um período relativamente mais pacífico, apesar das rivalidade políticas entre as famílias e e à posterior deterioração das relações entre os Băleanu e os . Foi nessa altura que o Renascimento chegou à cidade, nomeadamente com o desenvolvimento do estilo arquitetónico autóctone Brâncovenesc e a criação das primeiras instituições de ensino, como o Colégio de São Sava, fundado em 1694.

Em 1716, na sequência de mais uma rebelião, os otomanos colocaram no governo da Valáquia fanariotas (gregos) da sua confiança, iniciando aquilo a que se chama "período fanariota", que duraria até 1822. Os príncipes fanariotas marcaram decisivamente o desenvolvimento de Bucareste em vários aspetos. A cidade passou a ser a capital sem rival, para o que contribuiu o declínio do senhorialismo e dos centros rurais, e desenvolveu-se tanto economicamente como culturalmente, inspirando-se no iluminismo.

As sucessivas guerras austro-turcas e russo-turcas afetaram Bucareste, que foi invadida em praticamente todas elas, por austríacos ou por russos. A primeira invasão deu-se durante a guerra austro-turca de 1716–1718 e a última, que na prática só terminaria em 1856, durante a Guerra da Crimeia. A cidade foi também afetada pela guerra da independência grega, a que esteve intimamente ligada a . Bucareste esteve então brevemente sob o controlo do líder pandur Tudor Vladimirescu, a que se seguiu a ocupação por tropas da Filikí Etería, que foi esmagada pelos otomanos, que em represália levaram a cabo um massacre no qual morreram mais de 800 pessoas. A rebelião ditou um fim do período fanariota.

thumb|Litografia do combate dos bombeiros de Bucareste lutando contra tropas otomanas durante a

Entre 1828 e 1834, a Valáquia foi governada por governadores militares russos. O segundo governador russo, Pavel Kiselyov, residiu em Bucareste e empenhou-se no bom governo da cidade. Dotou o principado do primeiro documento legal semelhante a uma constituição, o Regulamentul Organic ("Estatuto Orgânico") e tomou várias medidas para melhorar as condições sanitárias, de defesa e urbanismo. Após a retirada dos russos, assistiu-se a um renascimento económico. A cidade foi afetada por um sismo de pouca gravidade em janeiro de 1838 e por uma grande cheia em março de 1839. Em 23 de março de 1847, o consumiu cerca de duas mil casas, ou seja, aproximadamente um terço da cidade.

No ano de 1848 . Em junho, o príncipe Gheorghe Bibescu viu-se forçado a nomear um governo provisório inspirado nas revoluções europeias desse ano e renunciou ao trono no dia seguinte. As medidas liberais do novo governo inquietaram o czar russo , que pressionou a Sublime Porta para esmagar o movimento liberal. A nível interno, o governo também enfrentou a oposição e tentativas de golpes de estado dos boiardos e da igreja. O efémero período liberal acabou com uma invasão de tropas otomanas, as quais só retiraram no fim de abril de 1851.

Capital dos Principado Unidos e do Reino da Roménia

esquerda|thumb|A entrada de em Bucareste a 10 de maio de 1866, numa ilustração dum jornal francês

esquerda|thumb|Entrada da cavalaria alemã de Falkenhayn em Bucareste em 6 de dezembro de 1916. Os soldados na fotografia são hussardos húngaros.

Após a Guerra da Crimeia e o fim da ocupação austríaca, conforme previsto pelo Tratado de Paris de 1856, foi criado um novo estado denominado Principados Unidos, unindo a Valáquia com a Moldávia, com capital em Bucareste, cujo primeiro governante foi o moldavo Alexandre João Cuza. Durante o reinado de Cuza foram criadas várias escolas secundárias (ginásios) e sociedades académicas, entre elas a Universidade de Bucareste, foram construídas várias fábricas metalúrgicas no distrito de Ilfov e uma linha ferroviária entre Bucareste e o porto de Giurgiu, no rio Danúbio.

Em 1866 subiu ao trono , que 15 anos depois seria proclamado rei da Roménia. No início da guerra russo-turca de 1877–1878, o apoio da população de Bucareste à intervenção russa levou os otomanos a bombardearem a margem esquerda do Danúbio quando a independência da Roménia era proclamada pelo parlamento. Durante os primeiros anos do reinado de Carlos I, Bucareste foi dotada de iluminação pública a gás, um sistema de transporte público com carros americanos, várias fábricas, edifícios administrativos, bulevares e várias residências privadas de grandes dimensões, como o . Foram também construídas nesse período as estações ferroviárias de (1869) e do Norte (1872). O Banco Nacional da Roménia abriu em abril de 1880. Depois da proclamação do Reino da Roménia em 1881, as obras de construção, tanto públicas como privadas, foram aceleradas. Em 1885–1887, o desenvolvimento comercial e industrial da cidade também acelerou, devido ao fim dos constrangimentos resultantes dos laços económicos da Roménia com a Áustria-Hungria que forma entretanto rompidos.