Ricardo Leyva Muñoz Ramírez (El Paso, Texas, 29 de fevereiro de 1960 — Greenbrae, Califórnia, 7 de junho de 2013), mais conhecido por Richard Ramírez, foi um notável criminoso norte-americano, conhecido por realizar assaltos, sequestros, estupros e assassinatos em série na região da Grande Los Angeles e São Francisco entre 1984 e 1985. Primeiramente Ramirez recebeu da imprensa a alcunha de “The Walk-In Killer”, “Valley Intruder" (já que seus primeiros ataques aconteceram na área do Vale de San Gabriel) e depois "Night Stalker" ("Perseguidor da Noite").

Ramírez, nos seus ataques, utilizou uma variedade de armas, incluindo armas de fogo, facas, machete, chave de roda, martelo assim como chutes e pisões. Ele ficou conhecido também pelo uso de imagens satânicas como pentagramas, que desenhava com batom nos locais dos ataques e nos corpos das vítimas. Ramirez nunca expressou qualquer remorso por seus crimes, ainda insultava e dava risadas durante o julgamento. O juiz que assinou sua décima-nona condenação de pena de morte afirmou que seus atos demonstravam "crueldade, insensibilidade e perversidade além de qualquer compreensão humana". Ramirez foi condenado, em 1989, por treze assassinatos de quinze cometidos, cinco tentativas de homicídio, onze atos de agressão sexual e catorze roubos. Veio morrer devido a complicações de um linfoma (câncer) enquanto aguardava execução no corredor da morte em San Quentin.

Primeiros anos Ricardo Muñoz Ramírez, nascido na cidade de El Paso (Estado do Texas), foi o mais novo de cinco filhos de Julián Ramírez e Mercedes Muñoz, imigrantes mexicanos da classe trabalhadora. É relembrado como sendo uma criança pacata e solitária, por aqueles que o conheciam. Com a idade de dois anos sofreu uma convulsão, após um armário ter caído sobre ele, e teve de ser suturado com mais de 30 pontos. Sofria também de convulsões e foi-lhe diagnosticada epilepsia do lobo temporal, com a idade de seis anos. Supostamente, com a idade de dez anos, começou a dormir, durante a noite, em cemitérios.

Quando tinha 13 anos começou a passar muito tempo com o seu primo Mike, um veterano das forças especiais do exército que cumpriu serviço militar no Vietname. Mike fascinou o primo Ramírez mostrando-lhe fotografias de mulheres vietnamitas que se gabava de ter torturado e assassinado. Os dois entretinham-se a fumar cannabis e viajar de carro e, de acordo com Ramírez, foi nesta altura que o primo lhe ensinou a disparar uma arma de fogo e a cortar pessoas de forma a obter um “efeito máximo ”.

Mike acabaria por assassinar a esposa enquanto Ramírez se encontrava a pouca distância. Após este episódio Ramírez continuou a fumar cannabis e começou a faltar à escola e a inalar cola. Não tardou a cometer assaltos por forma a poder financiar o consumo de estupefacientes. Frequentou a Escola Secundária Thomas Jefferson, em El Paso (Texas) mas acabou por desistir antes de completar o primeiro ano. Durante este período foi preso por duas vezes e acusado de posse de substância ilícita.True Crime: Serial Killers. Time-Life Books Publishing. 1992. ISBN 0-7835-0000-9

De acordo com os jornalistas da UPI, Aurelio Rojas e Kenny Mack Sisk, Ramírez começou a viver uma vida de vagabundo, fumando cannabis e alimentando-se de comida pronta. Como consequência da fraca higiene, e dieta rica em açúcares, os seus dentes começaram a apodrecer. O consumo habitual de droga, que nesta altura já havia progredido para um padrão de utilização diária de cocaína, conduziu a diversas detenções por posse de substância ilícita e furto. Foi preso por duas vezes, e acusado de furto automóvel, a primeira em 1981 (Pasadena, Califórnia) e a segunda em 1984 (Los Angeles, Califórnia).

Michael D. Harris, numa reportagem para a UPI, escreveu que anos mais tarde o pai de Ramírez continuaria a afirmar que o seu filho era um “bom rapaz” cujo descontrolo foi originado pelo consumo de drogas. Ramírez costuma desenhar pentagramas no próprio corpo, um símbolo por vezes associado ao Satanismo. Durante uma sessão do seu julgamento ele chegou mesmo a gritar “Viva Satanás”.

Vítimas thumb|right|Ramírez em 1984 Jennie Vincow No dia 28 de junho de 1984, após ter passado uma noite a inalar cocaína, Ramírez retirou o vidro e penetrou na casa de Jennie Vincow, uma septuagenária de 79 anos natural da cidade de Glassell Park (Los Angeles).Carlo, Philip. The Night Stalker. Pinnacle Books, 1996. ISBN 0786018100. O filho da senhora Vincow, Jack, descobriu o corpo da mãe na tarde do dia seguinte. Estava deitada na cama, o cadáver apresentava marcas de ter sido esfaqueado repetidamente, e a garganta havia sido tão profundamente lacerada que quase havia provocado a decapitação. Ramírez vasculhou o seu apartamento, furtando diversos objectos. A polícia conseguiu retirar marcas de impressões digitais do vidro da janela. A autópsia, posteriormente realizada ao corpo, revelou sinais de abuso sexual.People v. Ramirez, 39 Cal. 4th 398. California Supreme Court, 27 September 2006. Access date: 2 November 2007.

Maria Hernandez e Dayle Okazaki No dia 7 de março de 1985, Maria Hernandez, de 22 anos, foi abordada quando estacionava o seu veículo na garagem do condomínio que partilhava com a colega de quarto, Dayle Okazaki, de 34 anos, na cidade de Rosemead.

Maria Hernandez descreveu Ramírez como sendo alto, trajando todo de preto, com um boné de basebol puxado para a frente da cara e empunhando uma arma. Ramírez disparou, atingindo-a no rosto enquanto ela tentava erguer os braços. A bala atingiu Hernandez na mão, tendo sido deflectida pelas chaves que segurava. Atirou-se para o chão e simulou estar morta, Ramírez, julgando tê-la morto, penetrou no condomínio. Hernandez permaneceu imóvel durante algum tempo até escutar a porta a ser fechada, foi nesta altura que abandonou o edifício. Ao se aproximar da porta da frente do condomínio, Ramírez estava a sair do edifício. Ela abaixou-se e escondeu-se atrás de uma viatura enquanto Ramírez apontava-lhe novamente a arma. Hernandez suplicou-lhe que não disparasse sobre ela, Ramírez abaixou a arma e fugiu do local.

Hernandez entrou no condomínio pela porta da frente e descobriu Okazaki morta no chão da cozinha. Havia sido baleada na testa a curta distância e a sua blusa havia sido levantada. Hernandez chamou a polícia. A autópsia posterior realizada ao cadáver conseguiu recuperar uma bala calibre .22 do crânio de Okazaki.

No exterior do edifício as autoridades encontraram um boné de basebol azul com a inscrição AC/DC na parte frontal. No julgamento, uma testemunha afirmou que o boné era semelhante ao que Ramírez costumava usar. Hernandez também identificou Ramírez como sendo o seu assaltante numa fila policial e, posteriormente, no seu julgamento.

Tsia-Lian-Yu Nesta mesma noite (7 de março de 1985), após o assalto a Maria Sophia Hernandez e o homicídio de Dayle Okazaki, o carro conduzido por Tsia-Lian Yu foi forçado a parar por um outro carro conduzido por um homem, posteriormente identificado como sendo Ramírez, perto de Monterey Park. Ramírez aproximou-se da viatura de Yu e puxou-a para o exterior.

Após escutar o som de uma mulher a gritar por auxílio, Joseph Duenas veio ao exterior da varanda do seu apartamento, localizado num segundo andar. Duenas voltou a entrar no apartamento e telefonou à polícia. Posteriormente regressou à varanda e observou um homem a empurrar Yu, entrar no carro dela e abandonar o local na sua viatura. Ao fugir Ramírez passou por outra viatura onde se encontrava Jorge Gallegos e sua namorada que conseguiram observar o condutor de perfil e anotaram a sua matrícula. Ambos os homens testemunharam, posteriormente, no seu julgamento.

Yu rastejou uma curta distância e permaneceu prostrada e imóvel. A polícia descobriu-a ainda a respirar, mas inconsciente. Sofreu paragem respiratória e a polícia efectuou técnicas de reanimação até à chegada da ambulância. Foi declarada morta no Lake House Inn. A autópsia revelou que havia sido baleada, por duas vezes, a curta distância no peito. A polícia descobriu que o projéctil recuperado havia sido disparado da mesma arma utilizada no homicídio de Dayle Okasaki.

Vicent e Maxime Zazzara Na manhã do dia 27 de março de 1985 foram descobertas mais duas vítimas. Vicent Zazzara, de 64 anos, era um analista de investimentos, reformado, que operava a sua própria pizzaria. O seu corpo foi descoberto, pelo filho Peter, que havia vindo visitá-lo. Após tocar à campainha por diversas vezes decidiu entrar na habitação. O corpo de Vicent encontrava-se no sofá, baleado na zona temporal esquerda. Aparentava ter sofrido morte imediata. O corpo da sua esposa, Maxine Zazzara, de 44 anos de idade, foi descoberto prorrogado na sua cama, em decúbito dorsal, e despido. Após executar Vincent Zazzara ele confrontou Maxine que já sabia onde ela estava, ele a amarrou e começou a saquear a casa, Maxine conseguiu se livrar das amarras e alcançou uma espingarda que o casal tinha debaixo da cama, ela puxou o gatilho mas a arma não estava carregada, Vincent havia tirado as munições por conta dos netos do casal, após isso Richard a matou com tiro na cabeça. Enfurecido, o assassino tentou remover o coração, mas não conseguiu cortar a caixa torácica, então ele arrancou os olhos e os levou. Ela também havia sido esfaqueada, repetidamente, na zona da face, pescoço, abdómen e virilhas. A autópsia posterior revelou que, tal como o marido, havia sido baleada na face, sofrido morte instantânea, sendo as facadas e a mutilação realizada post-mortem. A habitação havia sido vasculhada e assaltada.

William e Lillian Doi No dia 15 de abril, duas semanas após os homicídios de Vicent e Maxime Zazzara, Ramírez regressou a Monterey Park e forçou a entrada na casa de William e Lillian Doi, de 66 e 63 anos de idade respectivamente, acordando-os. Ramírez baleou primeiro William Doi acima do lábio esquerdo, a bala atravessou a sua língua e alojou-se na sua garganta. Posteriormente, Ramírez agrediu-o até perder a consciência. Seguidamente entrou no quarto de Lillian Doi, esbofeteou-a, e avisou-a que não gritasse afirmando que, se não permanecesse calada, matava-a. Prendeu-lhe as mãos atrás das costas com algemas para mantê-la imóvel enquanto vasculhava a habitação. Após descobrir o que pretendia, regressou ao quarto e violou Lillian Doi.

No entanto, William Doi não estava morto. Apesar dos diversos ferimentos na cabeça, conseguiu rastejar até ao quarto da esposa e marcou o 911. Apesar de ter sido incapaz de falar com a telefonista, a sua chamada foi localizada e foi enviada uma ambulância e um carro de patrulha. William Doi foi encaminhado para o hospital mas faleceu na ambulância. Lillian Doi foi assistida pelo pessoal médico e foi capaz de descrever à polícia o seu assaltante.

Malvia Keller e Blanche Wolfe Os ataques continuaram, lançando a cidade de Los Angeles num estado de pânico. Um oficial de polícia referiu-se ao assassino/violador como o “Valley Intruder” (Intruso do Vale). Vários jornais locais atribuíram-lhe a alcunha de “Midnight Stalker” (Perseguidor da Meia-noite). Na primavera de 1985, a frequência dos seus homicídios escalou, e por volta do Verão atingiu o seu pico.