O RMS Lusitania foi um navio de passageiros britânico que esteve em operação durante o início do século XX. A embarcação foi detentora da Flâmula Azul e, brevemente, o maior navio de passageiros do mundo até a conclusão de seu navio irmão, o Mauretania. A Cunard Line lançou o Lusitania em 1906, em uma época de forte concorrência pelo comércio do Atlântico Norte. Ele fez um total de 202 travessias transatlânticas.

As companhias de navegação alemãs eram fortes concorrentes no comércio transatlântico, e a Cunard respondeu tentando superá-los em velocidade, capacidade e luxo. Tanto o Lusitania como o Mauretania foram equipados com novos e revolucionários motores de turbina que lhes permitiram manter uma velocidade operacional de 25 nós (46 km/h; 29 mph). Eles eram equipados com elevadores, telégrafo sem fio e luz elétrica, e forneciam 50% mais espaço para passageiros do que qualquer outro navio; os conveses de primeira classe eram notáveis por seu mobiliário suntuoso.

A Marinha Real havia bloqueado a Alemanha no início da Primeira Guerra Mundial. Quando o Lusitania partiu de Nova Iorque para a Grã-Bretanha em 1 de maio de 1915, a guerra submarina alemã estava se intensificando no Atlântico. A Alemanha declarou que os mares ao redor do Reino Unido eram uma zona de guerra; a embaixada alemã nos Estados Unidos colocou um anúncio de jornal alertando as pessoas sobre os perigos de navegar no Lusitania. Na tarde de 7 de maio, um submarino alemão torpedeou o Lusitania, a 18 km da costa sul da Irlanda e dentro da zona declarada de guerra. Uma segunda explosão interna o levou para o fundo do mar em apenas 18 minutos, com a morte de passageiros e tripulantes.

Como os alemães afundaram, sem aviso prévio, o que era oficialmente um navio não-militar, muitos os acusaram de infringir as regras marítimas internacionalmente reconhecidas. Os alemães justificaram a ação ao dizer que o Lusitania transportava centenas de toneladas de munições de guerra, tornando-o assim um alvo militar legítimo, e argumentou que os navios mercantes britânicos violavam as regras marítimas desde o início da guerra.

O naufrágio causou uma série de protestos nos Estados Unidos devido ao fato de 128 cidadãos americanos estarem entre as vítimas. O naufrágio ajudou a mudar a opinião pública nos Estados Unidos contra a Alemanha, e foi um fator na declaração de guerra dos Estados Unidos quase dois anos depois. Após a Primeira Guerra Mundial, os sucessivos governos britânicos afirmaram que não havia munições a bordo do Lusitania e que os alemães não se justificaram ao tratar a embarcação como um navio de guerra. Em 1982, o chefe de departamento da North America Department admitiu que há uma grande quantidade de munição nos destroços, alguns dos quais são altamente perigosos e representam um risco de segurança para os mergulhadores. Lusitania divers warned of danger from war munitions in 1982, papers reveal, The Guardian, 1 de maio de 2014. Government papers released in 2014 confirmed the ship was carrying war material, facebook.com; Consultado em 23 de fevereiro de 2017.

Antecedentes O Lusitania e o Mauretania foram comissionados pela Cunard em resposta à crescente concorrência no mercado transatlântico, em particular as alemãs Norddeutscher Lloyd (NDL) e Hamburg-Amerika Linie (HAPAG). Eles tinham navios maiores, mais rápidos, mais modernos e mais luxuosos do que a Cunard, que a partir dos portos alemães, capturavam o lucrativo comércio de emigrantes que deixavam a Europa para a América do Norte. Em 1897, o transatlântico da NDL Kaiser Wilhelm der Grosse conquistou a Flâmula Azul que pertencia até então ao Campania da Cunard, perdendo o prêmio em 1900 para o Deutschland da HAPAG. A NDL recuperou o prêmio três anos depois com os novos Kaiser Wilhelm II e Kronprinz Wilhelm. Como resultado, a Cunard viu seu número de passageiros caírem com os chamados "transatlânticos da Classe Kaiser".

O presidente da Cunard, Lord Inverclyde, se aproximou do governo britânico para obter assistência. Confrontados com o iminente colapso da frota de navios britânicos e a consequente perda de prestígio nacional, bem como a reserva de navios para fins de guerra, concordaram em ajudar. Em um acordo assinado em junho de 1903, a Cunard recebeu um empréstimo de 2,6 milhões de libras esterlinas para financiar duas embarcações, reembolsáveis em 20 anos a uma taxa de juros favorável de 2,75%. Os navios receberiam um subsídio operacional anual de £ 75 000 cada, além de um contrato de correio no valor de £ 68 mil. Em troca, os navios seriam construídos de acordo com as especificações do Almirantado para que pudessem ser utilizados como cruzadores auxiliares em tempos de guerra.

Construção thumb|esquerda|O Lusitania durante seu lançamento, 7 de junho de 1906. O Lusitania foi construído nos estaleiros da John Brown & Company em Clydebank, Escócia. Sua construção começou em 16 de junho de 1904 com o batimento de sua quilha. A Cunard o apelidou de "navio escocês", em contraste com o Mauretania, cujo contrato de construção foi assinado com os estaleiros da Swan Hunter na Inglaterra, onde sua construção iniciou três meses depois.

Ele foi lançado ao mar em 7 de junho de 1906, oito semanas depois do planejado devido à greves e oito meses após a morte de Lord Inverclyde. A Princesa Luísa foi convidada para nomear o navio, mas não pôde comparecer, então a honra coube à viúva de Inverclyde, Mary. O lançamento contou com 600 convidados e milhares de espectadores. Suas hélices foram montadas ainda durante sua construção, medida que foi alterada em lançamentos posteriores; as hélices só seriam instaladas em doca seca, já que estas poderiam ser danificadas em caso de colisão com outro objeto.

Seus motores foram testados em junho de 1907, antes de realizar os testes completos programados para julho. Um cruzeiro preliminar foi organizado para o dia 27 de julho com representantes da Cunard, do Almirantado, da Junta Comercial e John Brown a bordo. A embarcação alcançou uma velocidade de 25,6 nós (47,4 km/h; 29,5 mph) em Skelmorlie com suas turbinas funcionando a 194 rotações por minuto, produzindo 76 mil shp. Em altas velocidades, a embarcação sofreu com vibrações na popa, assim tornando inabitável o alojamento de segunda classe. A causa da vibração foi mais tarde atribuída a um problema nas hélices. A solução foi adicionar um endurecimento interno à popa do navio, mas isso exigiu remover as áreas de segunda classe e depois reconstruí-las. Em 29 de julho, o Lusitania partiu para seus testes marítimos. Durante três dias foram testadas suas capacidades de manobra, paradas de emergência e velocidade. Ele navegou mais de 300 milhas (480 km) a uma velocidade média de 25,4 nós, confortavelmente maior que os 24 nós exigidos pelo contrato do Almirantado. A embarcação foi finalmente entregue à Cunard em 26 de agosto.

Carreira thumb| Lusitania chegando em Nova York ao final de sua viagem inaugural.

O Lusitania fez a sua viagem inaugural em 7 de setembro de 1907, sob o comando de James Watt, fazendo o trajeto na rota entre Liverpool e Nova York, com parada em Queenstown (atualmente Cobh). Uma multidão de 200.000 pessoas se reuniu no porto de Liverpool para se despedir do maior navio já construído, que partiu às 21h para o porto irlandês de Queenstown, onde faria uma parada para pegar mais passageiros.

Às 12h10 do dia seguinte, ele continuou seu curso para Nova York através do Atlântico. Nas primeiras 24 horas ele fez 561 milhas (903 km), somadas ao total de milhas diárias percorridas nos quatro dias seguintes: 575, 570, 593 e 493 milhas, antes de chegar a Sandy Hook, às 9h05 do dia 13 de setembro, levando 5 dias e 54 minutos para atravessar o Atlântico. No porto de Nova York, multidões se reuniram nas margens do rio Hudson, do Battery Park ao Pier 56 para receber o Lusitania na sua chegada ao porto, por isso a polícia foi ao local para controlar a multidão e prevenir incidentes. Após atracar nas docas de Nova York, o navio permaneceu aberto ao público durante a próxima semana, estando disponível para visitas guiadas.

Hudson-Fulton Celebration

thumb| O Lusitania ao fundo próximo a Estátua da Liberdade.

O Lusitania e outros navios participaram da Hudson-Fulton Celebration na cidade de Nova York do final de setembro ao início de outubro de 1909. A celebração também foi uma exibição dos diferentes modos de transporte existentes, com o Lusitania representando o mais novo avanço na tecnologia de navios a vapor. Um novo modo de viagem foi o avião. Wilbur Wright trouxe um Flyer para Governors Island e fez voos de demonstração diante de milhões de nova-iorquinos que nunca tinham visto uma aeronave. Algumas das viagens de Wright foram diretamente sobre o Lusitania e ainda existem várias fotografias do Lusitania daquela semana.

Onda Gigante

Durante uma travessia de Liverpool — Nova York , em janeiro de 1910, o Lusitania encontrou uma onda de 23 metros (75 pés) de altura e quando atingiu a proa, danificou o convés do castelo de proa, quebrou algumas escotilhas e quando bateu contra a ponte, acabou deslocando a mesma em centímetros para trás. O Lusitania assim como o RMS Mauretania, foram projetados para quebrar ondas e não para cavalgá-las, mas a onda acabou ferindo alguns tripulantes e deixando passageiros abalados. A forma do casco produzia bolsas de vácuo em cada lado, diminuindo a velocidade do navio. O transatlântico prosseguiu a sua viagem calmamente e chegou ao destino com algumas horas de atraso. Em última análise, isso custou milhares de dólares à Cunard Line em consumo desnecessário de combustível.

Primeira Guerra Mundial

Quando a guerra foi declarada em 1914, o Lusitania estava prestes a retornar para a Inglaterra e após voltar, foi rapidamente requisitado pelo Almirantado Britânico como um cruzador mercante armado (AMC) e foi colocado na lista oficial de AMCs. O Lusitania permaneceu na lista oficial da AMC e foi listado como cruzador auxiliar na edição de 1914 do Jane's All the World's Fighting Ships, junto com o Mauretania. Com isso, navios mercantes receberam ordens de albaroar submarinos que emergiram para emitir os avisos exigidos pela Regra dos Cruzadores. A Declaração de Paris codificou as regras para compromissos navais envolvendo embarcações civis. As chamadas Regras do Cruzador exigiam que a tripulação e os passageiros de navios civis fossem protegidos, se caso, o navio fosse confiscado ou afundado. Essas regras também colocavam um certo compromisso sobre o próprio navio, na medida em que o navio mercante deveria estar arvorando sua própria bandeira e não fingindo ser de uma nacionalidade diferente.