Andrea Cordero Lanza di Montezemolo (Turim, 27 de agosto de 1925 - 19 de novembro de 2017) foi um prelado italiano, cardeal-arcipreste emérito da Basílica de São Paulo fora dos Muros.
Atuou em várias nunciaturas apostólicas pelo mundo, até ser nomeado arcipreste da Basílica de São Paulo fora dos Muros em 31 de maio de 2005. Foi proclamado cardeal-diácono de Santa Maria in Portico Campitelli por Bento XVI em 24 de março de 2006. Em 20 de junho de 2016 foi elevado a Cardeal Presbítero.
Biografia Andrea Cordero Lanza di Montezemolo nasceu em Turim em 27 de agosto de 1925. Era filho do Coronel Giuseppe Cordero Lanza di Montezemolo, vítima da Fossa Ardeatina, e de Amalia Dematteis, que foi auditora leiga durante o Concílio Vaticano II. Tinha duas irmãs. Era parente de Luca Cordero di Montezemolo, presidente da Ferrari e presidente da Fabbrica Italiana Automobili Torino (FIAT). Seu primo em segundo grau, Luca Cordero di Montezemolo, também era sacerdote.
Formação e ministério sacerdotal Estudou em Turim e obteve o bacharelado em Roma. Durante a Segunda Guerra Mundial, alistou-se e lutou como voluntário no "Batalhão Montezemolo", nomeado em homenagem a seu pai. No ano da morte de seu pai, foi escondido dos nazistas pelo clero ucraniano da Pontifícia Universidade Ucraniana de São Josafá. Após a guerra, obteve o doutorado em arquitetura em 1949. Trabalhou como arquiteto independente por vários anos no escritório de Pier Luigi Nervi, com quem colaborou em suas obras mais famosas. Também foi professor assistente de engenharia civil na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Roma "La Sapienza ".
Entretanto, sua vocação para o sacerdócio amadureceu. Estudou como aluno leigo na Pontifícia Universidade Gregoriana e depois seminarista no Almo Collegio Capranica, obtendo as licenciaturas em filosofia e teologia. Em 13 de março de 1954, foi ordenado sacerdote para a diocese de Roma pelo Arcebispo Vice-Regente Luigi Traglia. De 1957 a 1959, estudou na Pontifícia Academia Eclesiástica de Roma, instituto que forma diplomatas da Santa Sé. Obteve o doutorado em Direito Canônico na Pontifícia Universidade Lateranense. Foi vice-capelão da Universidade de Roma.
Em 1960, ingressou no serviço diplomático da Santa Sé. Ocupou os cargos de secretário da delegação apostólica no México de 1960 a 1964, na internunciatura no Japão de 1964 a 1965, e depois na nunciatura no Quênia e na delegação apostólica na África Oriental, de 1965 a 1968. Em seguida, serviu no Conselho para os Assuntos Públicos da Igreja, como auditor da nunciatura de segunda e primeira classe, de 1968 a 1972. Sub-secretário da Comissão Pontifício Conselho Justiça e Paz de 1972 a 1975. Posteriormente, Monsenhor Montezemolo foi promovido a pró-secretário, de 1975 a 1976 e, finalmente, secretário, de 1976 a 1977. O Papa Paulo VI o nomeou camareiro secreto supranumerário em 21 de junho de 1963Annuario Pontificio per l'anno 1964, Città del Vaticano 1964, S. 1243. e prelado honorário de Sua Santidade em 4 de junho de 1974.Annuario Pontificio per l'anno 1977, Città del Vaticano 1968, S. 1695.
Ministério episcopal Em 5 de abril de 1977, o Papa Paulo VI o nomeou Arcebispo titular de Anglona, pró-núncio apostólico em Papua-Nova Guiné e delegado apostólico nas Ilhas Salomão. Recebeu a ordenação episcopal em 4 de junho do Cardeal Jean-Marie Villot, Cardeal Secretário de Estado, tendo como co-consagradores os Arcebispos Bernardin Gantin, pró-presidente da Comissão Pontifícia "Justitia et Pax" e vice-presidente do Pontifício Conselho "Cor Unum", e Duraisamy Simon Lourdusamy, secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos.
Em 25 de outubro de 1980, Montezemolo foi transferido para as nunciaturas de Honduras e Nicarágua e, em 1º de abril de 1986, tornou-se núncio apostólico no Uruguai. Em 28 de abril de 1990, foi nomeado delegado apostólico em Jerusalém e na Palestina. Em 28 de maio do mesmo ano, tornou-se também pro-núncio no Chipre. Em 13 de abril de 1991, foi transferido para a sé titular de Tuscania. Ele esteve entre os arquitetos das negociações para a normalização das relações entre a Santa Sé e o Estado de Israel, que levaram, em 30 de dezembro de 1993, à assinatura do "Acordo Fundamental entre a Santa Sé e o Estado de Israel", que reconheceu "a natureza única das relações entre a Igreja Católica e o povo judeu" e "o processo histórico de reconciliação e crescimento na compreensão mútua e na amizade entre católicos e judeus".
Monsenhor Montezemolo, em 19 de janeiro de 1994, tornou-se o primeiro núncio apostólico em Israel. Em 7 de março de 1998, foi nomeado núncio apostólico na Itália e em San Marino. No ano seguinte, foi nomeado Cavaleiro da Grã-Cruz da Ordem do Mérito da República Italiana. Também foi nomeado cavaleiro da grã-cruz da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém e desde 1999, cavaleiro da grã-cruz sacerdotal da Sagrada Ordem Militar de Santo Estêvão Papa e Mártir. Em 17 de abril de 2001, o Papa João Paulo II aceitou sua renúncia ao cargo ao atingir a idade limite, com a nomeação de Paolo Romeo.
Em 31 de maio de 2005, o Papa Bento XVI promulgou novas normas para a retomada do culto na Basílica de São Paulo Extramuros, nomeou-o primeiro arcipreste da basílica.
Cardinalato Em 24 de março de 2006, o mesmo pontífice o criou cardeal e lhe atribuiu o diaconato de Santa Maria in Portico Campitelli, do qual tomou posse em 17 de julho. Como arcipreste, sugeriu ao Papa a celebração do Ano Paulino entre junho de 2008 e junho de 2009, contexto no qual promoveu a investigação científica no interior do sarcófago tradicionalmente considerado o de São Paulo. A pesquisa trouxe a confirmação histórica de que se trata, de fato, de seu túmulo e que os restos mortais ali contidos são, de fato, os de Paulo de Tarso. Promoveu e colaborou na restauração de parte da basílica e tornou visível o túmulo do apóstolo. Ele trabalhou para restaurar a vitalidade espiritual de todo o complexo e para dar novo impulso à vocação ecumênica daquele lugar.
Logo após ser nomeado cardeal, tornou-se Bailio Grã-Cruz de Honra e Devoção da Ordem Soberana de Malta em 2006. Monsenhor Montezemolo fazia parte da ordem desde 1962, primeiro como capelão conventual, no Grão-Priorado da Lombardia e Veneza, e depois em Roma. Nomeado Capelão Conventual da Grã-Cruz em 1999, trabalhou durante muitos anos com os grupos de voluntários e jovens da Ordem de Malta. Ele também foi Bailio Grã-Cruz da Sagrada Ordem Militar Constantiniana de São Jorge.
Em 3 de julho de 2009, o Papa Bento XVI aceitou sua renúncia como arcipreste, sendo sucedido por Francesco Monterisi. Em 27 de março de 2011, como filho de uma das vítimas, acompanhou o Papa Bento XVI em sua visita às Fossas Ardeatinas. Em 20 de junho de 2016, seu diaconato foi elevado pro hac vice ao título presbiteral.
Foi consultor da Seção para as Relações com os Estados da Secretaria de Estado da Santa Sé a partir de 17 de novembro de 2001 e membro da Congregação para os Bispos a partir de 22 de novembro de 2001. Participou, por designação pontifícia, da XII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que ocorreu na Cidade do Vaticano de 5 a 26 de outubro de 2008, com o tema "A Palavra de Deus na Vida e na Missão da Igreja".
Ele era um grande especialista em heráldica e, desde jovem, desenhou os brasões de armas de inúmeros prelados, incluindo o do Papa Bento XVI. Ele o definiu como "um brasão rico de simbolismos e de significados, para confiar à história a sua personalidade e o seu Pontificado".
Em uma entrevista de 2013, Montezemolo disse que o Papa Emérito Bento XVI precisava de um novo brasão de armas agora que não era mais o pontífice. “O problema agora é se o Papa Emérito pode manter o mesmo brasão de armas ou não”. “E como alguém que sempre se dedicou a isso, eu digo 'não'”. Ele elaborou um novo brasão de armas, que acreditava poder ser usado pelo ex-pontífice. Ele moveu as grandes chaves de São Pedro da parte de trás do brasão para a parte superior do escudo e as tornou muito menores. “Mas esta é apenas uma proposta, não é oficial”, ressalvou Montezemolo.
O cardeal residia na Casa de Repouso Villa Betânia, em Roma. Após uma longa doença, ele faleceu em Roma ao meio-dia de 19 de novembro de 2017, aos 92 anos. O funeral foi realizado em 21 de novembro, às 11h30, no Altar da Cátedra, na Basílica de São Pedro, no Vaticano. A liturgia fúnebre foi celebrada pelo Cardeal Giovanni Battista Re, vice-decano do Colégio Cardinalício. Ao final da celebração, o Papa Francisco presidiu o rito da última commendatio e valedictio. Ele está sepultado na Basílica de São Paulo Fora dos Muros.
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