O rio Liesbeek é um curso de água urbano da Cidade do Cabo, na província do Cabo Ocidental, África do Sul. Com aproximadamente nove quilômetros de extensão, nasce a partir de vários riachos que descem pelas encostas orientais da Montanha da Mesa, acima do Jardim Botânico Nacional de Kirstenbosch, e atravessa os subúrbios meridionais da cidade antes de se unir ao rio Black, nas proximidades de Observatory.
A bacia hidrográfica do Liesbeek possui aproximadamente 2 600 hectares e integra o sistema do rio Salt. Depois da confluência com o Liesbeek, o rio Black segue em direção à Baía da Mesa, alcançando o oceano por meio do sistema fluvial do Salt.
Percurso
O Liesbeek é alimentado por diversos riachos provenientes da Montanha da Mesa. Em seu curso superior, atravessa áreas próximas a Kirstenbosch e Bishopscourt. Em seguida, passa por Newlands, Rondebosch, Rosebank, Mowbray e Observatory.
No trecho superior, o canal apresenta áreas de leito rochoso e vegetação ribeirinha. Nas partes média e inferior, a urbanização modificou amplamente o curso original, e segmentos do rio foram retificados e revestidos com concreto para conduzir as águas pluviais.
A confluência entre os rios Liesbeek e Black situa-se na área conhecida como Two Rivers. A partir desse ponto, o sistema fluvial percorre cerca de dois quilômetros antes de alcançar a Baía da Mesa.
Hidrologia
A região da Cidade do Cabo apresenta regime de chuvas predominantemente invernal. Consequentemente, o Liesbeek registra seus maiores fluxos durante os meses úmidos do inverno. No verão, a vazão diminui e alguns trechos rasos dos cursos superior e médio podem secar temporariamente.
Um estudo realizado durante uma tempestade em junho de 2017 mostrou que mais de 90% da água que compôs o aumento da vazão do Liesbeek era proveniente diretamente da chuva recente. Durante o evento, a vazão medida em Mowbray aumentou aproximadamente cem vezes. Os pesquisadores atribuíram essa resposta rápida ao elevado número de superfícies impermeáveis da bacia urbanizada, que favorecem o escoamento superficial em vez da infiltração da água no solo.
A precipitação varia consideravelmente dentro da bacia. Nas áreas mais elevadas próximas à Montanha da Mesa, a média anual pode chegar a cerca de 1 500 milímetros, enquanto os setores de menor altitude recebem aproximadamente 600 milímetros por ano.
História
O rio era conhecido pelos colonizadores neerlandeses pelos nomes Amstel e Versse Rivier. Posteriormente, recebeu o nome Liesbeek, associado a um curso de água dos Países Baixos.
Em 1657, a Companhia Holandesa das Índias Orientais concedeu terras ao longo do rio aos primeiros colonos autorizados a cultivar propriedades de forma independente no Cabo. As fazendas estabelecidas nas margens contribuíram para a formação de uma das primeiras áreas agrícolas coloniais da região.
A expansão urbana posterior substituiu grande parte das propriedades agrícolas por bairros residenciais, vias, instalações comerciais e infraestrutura de drenagem. A canalização do curso inferior separou o rio de partes de sua várzea original e transformou alguns segmentos principalmente em condutores de águas pluviais.
Ambiente e recuperação
A urbanização alterou o fluxo, a forma do canal e os habitats do Liesbeek. O revestimento de partes do leito com concreto reduziu a variedade de ambientes disponíveis para a vegetação ribeirinha e para os organismos aquáticos, enquanto o escoamento proveniente de ruas e outras superfícies urbanas transporta sedimentos e poluentes para o rio.
Em janeiro de 2022, a Universidade da Cidade do Cabo, o centro de pesquisa Water Hub e a organização comunitária Friends of the Liesbeek iniciaram um projeto-piloto em um trecho canalizado de Rosebank. A iniciativa introduziu plantas ribeirinhas nativas, especialmente exemplares de Prionium serratum, conhecidos localmente como palmiet, com o objetivo de recriar habitats, melhorar a qualidade da água e estudar métodos de recuperação de canais urbanos.
O projeto também passou a funcionar como área de pesquisa sobre qualidade da água, transporte de sedimentos, vegetação ribeirinha e controle de inundações. Suas atividades foram concebidas como experiência para avaliar a possibilidade de aplicação das técnicas em outros trechos do Liesbeek e em outros cursos de água urbanos da Cidade do Cabo.
Ver também
Lista de rios da África do Sul Montanha da Mesa Cidade do Cabo
Referências
Ligações externas
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