Sofia Madalena (dinamarquês:Sophie Magdalene; Copenhague, – Solna, ) foi a esposa do rei Gustavo III e rainha consorte da Suécia de 1771 até 1792. Era a filha do rei Frederico V da Dinamarca com sua primeira esposa Luísa da Grã-Bretanha.
Primeiros anos
Aos cinco anos de idade (1751), Sofia ficou oficialmente prometida ao herdeiro do trono sueco, Gustavo, e foi educada no sentido de se tornar rainha da Suécia. O casamento foi arranjado pelo parlamento e não pela Casa Real da Suécia e não agradou à rainha, Luísa Ulrica da Prússia, que na altura estava já no meio de um longo conflito com o parlamento e que preferia um casamento com a sua sobrinha, Filipina de Brandemburgo-Schwedt. No dia 1 de Outubro de 1766, Sofia casou-se com Gustavo por procuração no Palácio de Christiansborg em Copenhaga. Os dois casaram-se em pessoa no dia 4 de Novembro.
Sofia foi recebida na corte sueca com gentileza por parte do rei Adolfo Frederico, mas a sogra, Luísa Ulrica, a presença mais dominante da corte, odiava-a e o marido ignorava-a completamente. Luísa Ulrica encorajou a distância entre o seu filho e a nora. Sofia Madela foi descrita como sendo bonita; trouxe consigo o maior dote que uma noiva real sueca tinha trazido desde 1680 e foi educada cuidadosamente para ser uma rainha perfeita. Recebeu muitos elogios, mas nunca se tornou popular, uma vez que a sua educação rigorosa dificultou a sua adaptação à corte sueca. Devido à sua personalidade reservada, era vista como fria e arrogante. Após a morte do rei Adolfo Frederico em 1771, Gustavo III tornou-se rei da Suécia. No ano seguinte, Sofia Madalena foi coroada rainha.
Vida como rainha
thumb|esquerda|200px|Sofia Madalena como princesa da Dinamarca.
A rainha Sofia Madalena era uma pessoa séria e tímida e nunca fez parte do círculo intimo de amizades do rei. Ela e Gustavo tinham personalidades diferentes que faziam com que a distância entre eles fosse ainda maior. Cumpria os seus deveres cerimoniais, mas não gostava do estilo de vida da corte do seu esposo extrovertido. Quando cumpria os seus deveres, a sua cunhada Edviges Isabel Carlota escrevia no seu diário que ela "era forçada a conhecer pessoas". Sofia preferia ficar na sua residência privada, o Palácio de Ulriksdal, sempre que podia.
No famoso diário da rainha Edviges de Holsácia-Gottorp, Sofia é descrita como bonita, fria, silenciosa e altiva, muito educada e formal, reservada e pouco social. Era nas ocasiões formais que ela estava melhor: saía-se lindamente, seguindo a etiqueta da corte e era vista como digna e impressionante. Tinha duas amigas muito intimas, Maria Aurora Uggla Ehrengranat e a Baronesa Virginia Carlota Duwall Manderström. Adorava a solidão, passar os seus dias fechada nos aposentos e jantar sozinha. Organizava uma grande tertúlia social de duas em duas semanas e adorava teatro que ia ver frequentemente. Durante a viagem italiana do marido entre 1783-84, organizava um jantar formal público para a cidade de duas em duas semanas. As suas damas-de-companhia incluíam as mulheres suecas mais conhecidas da época, entre as quais as Três Graças, o nome pelo qual Augusta von Fersen, Ulla von Höpken e Lovisa Meijerfelt eram chamadas e as artistas Marianne Ehrenström e Charlotta Cedercreutz.
Sofia nunca se envolveu em política, excepto numa ocasião durante a guerra em 1788 onde teve a tarefa de iniciar as conversações de paz com a Dinamarca. Chamou o embaixador dinamarquês, falou com ele e entregou-lhe uma carta para o rei dinamarquês. Durante a guerra russo-sueca (1788-1790) existe uma nota de que ela conheceu dois prisioneiros de guerra russos no parque do Palácio de Haga e lhes deu 100 coroas suecas a cada um. Diz-se que preferia a moda inglesa porque a francesa era demasiado reveladora.
A questão da sucessão thumb|esquerda|Busto da rainha esculpido em 1783 pelo sueco Johan Tobias Sergel.
Sofia Madalena é mais conhecida na História da Suécia pelo escândalo criado em torno da consumação do seu casamento e legitimidade questionada do seu filho. O seu casamento foi a típica união arranjada da realeza, feita por conveniência política, na qual Sofia Madalena foi descrita pelo marido como sendo "fria como o gelo" nos primeiros tempos. O casamento não foi consumado até 1775, nove anos depois da cerimónia oficial. Este facto foi muito discutido e ridicularizado em algumas cortes europeias. Havia rumores de que o rei era homossexual ou não estava sexualmente desenvolvido. A sua sexualidade, que pode ter afectado muito a vida de Sofia Madalena, uma vez que os casamentos reais tinham como único objectivo o nascimento de herdeiros, tem sido muito debatida. Vários documentos escritos durante a sua vida alegam que ele seria bissexual. A sua falta de experiência sexual pode ter estado relacionada com a sua imaturidade ou talvez tivesse sido assexuada. Durante a sua adolescência, ele esteve apaixonado pela mãe de Axel de Ferse, Edviges Catarina de la Gardie, e, em 1768, teve uma ligação emocional profunda com a nobre Charlotte Du Rietz, apesar de não se saber se o caso foi consumado. Algumas fontes confiáveis explicaram que tanto a rainha como o rei tinham problemas anatómicos sérios que resultavam em complicações eróticas. Erik Lönnroth concluiu que não existem provas especificas para os rumores de que Gustavo III tinha uma inclinação para a homossexualidade ou a bissexualidade, nem nada indica que Gustavo Adolfo fosse ilegítimo.Lönnroth, Erik (1986). Den stora rollen. p. 61. ISBN 91-1-863652-7.
As dúvidas na relação entre Gustavo III e a sua esposa foram encorajadas pela rainha-viúva que não queria competir com ninguém pela influência no filho. A educação religiosa de Sofia Madalena e a sua personalidade introvertida faziam-na evitar a animada e espontânea corte gustavina, o que a tornavam menos atraente aos olhos do seu marido extrovertido.
Em 1774, o rei arranjou o casamento entre o seu irmão, o futuro rei Carlos XIII da Suécia e Edviges Isabel Carlota de Holsácia-Gottorp para resolver, pelo menos por um tempo, a questão de arranjar um herdeiro para o trono. A Duquesa teve apenas várias gravidezes estéricas e abortos, o que pode ter apressado o rei a resolver a questão da consumação do seu casamento e ter um filho seu.
Em 1778, Sofia Madalena deu à luz um sucessor, Gustavo Adolfo, e em 1782 teve outro filho, Carlos Gustavo, que viveu apenas um ano. Alguns círculos na corte sugeriram que o primeiro filho do rei Gustavo tinha sido fornecido por outra pessoa. Quando o herdeiro nasceu, várias pessoas, incluindo a própria rainha-viúva, acreditaram que o pai seria o Conde Adolfo Frederico Minsque de Fulkila, na altura Riksstallmästare. Vários elementos da corte pública e real acreditaram neste rumor e a concordância da rainha-viúva levou a uma separação de uma ano entre mãe e filho.
O escândalo da sucessão thumb|esquerda|200px|Caricatura mostrando as lições sexuais de Minsque ao casal real.
Minsque era, na verdade, um instrutor sexual. O rei, afirmando ser sexualmente inexperiente,Lars O. Lagerqvist (1976) (in Swedish). Sverige och dess regenter under 1000 år (A Suécia e os seus regentes durante 1000 anos). AB Sporrong. p. 227. ISBN 91-0-075007-7.Sten Carlsson & Jerker Rosén (1979) (in Swedish). Den svenska historien 10. Gustav III: en upplyst envåldshärskare (The history of Sweden 10. Gustav III: an enlightened despot.). Albert Bonniers Förlag AB (Stockholm). p. 91. ISBN. chamou Minsque para o ajudar a reconciliar-se com a sua esposa, e ele instruiu o casal sobre os assuntos relacionados com relações sexuais,Sten Carlsson & Jerker Rosén (1979) (in Swedish). Den svenska historien 10. Gustav III: en upplyst envåldshärskare (The history of Sweden 10. Gustav III: an enlightened despot.). Albert Bonniers Förlag AB (Stockholm). p. 91. ISBN 91-0-042680-6.(in Swedish) Den svenska historien. Gustavianska tiden 1772-1809 (History of Sweden. The Gustavian Age 1772-1809). Albert Bonniers Förlag, Stockholm. 1968. p. 95. ISBN. mostrando-lhes fisicamente como deveriam consumar o casamento. Minsque, um nobre finlandês era, na altura, mestre do estábulo e amante de Anna Sofia Ramström, a camareira da rainha.Wilhelmina Stålberg & P. G. Berg (40) (in Swedish). Anteckningar om svenska qvinnor (Notes on Swedish women). P. G. Berg, Stockholm. ISBN. Minsque e Ramström deveriam estar presentes num quarto, perto dos aposentos reais, prontos para assistir o casal quando fosse preciso e Minsque foi chamado algumas vezes ao quarto. Minsque escreveu o seu próprio testemunho dos acontecimentos que se encontra preservado nos Arquivos Nacionais da Suécia, no qual disse que, para ter êxito, foi obrigado a tocar nos dois fisicamente.Adolf Munck (1960) [March 22, 1779]. ""Forsoningen" med drottningen". In Beth Hennings. Ögonvittnen om Gustav III.
Quando se soube que Minsque participou na reconciliação do casal real, começaram os rumores de que seria ele o pai do primeiro filho de Sofia Madalena.Lars O. Lagerqvist (1976) (in Swedish). Sverige och dess regenter under 1000 år (Sweden and its regents during a 1000 years). AB Sporrong. p. 227. ISBN 91-0-075007-7.
Os rumores tornaram-se tema de acusações por parte da oposição política apenas em 1786 e 1789,Annie Mattson (2010) (in Swedish). Komediant och riksförrädare. Handskriftcirkulerande smädeskrifter mot Gustav III (Comedian and traitor. Handwritten libels toward Gustav III). Edita Västra Aros. p. 132. ISBN 978-91-554-7780-6. onde foi afirmado que toda a nação sabia do rumor de que o rei tinha pedido a Minsque para engravidar a rainha. Foram afixados panfletos com estas informações por toda a cidade de Estocolmo.Annie Mattson (2010) (in Swedish). Komediant och riksförrädare. Handskriftcirkulerande smädeskrifter mot Gustav III (Comedian and traitor. Handwritten libels toward Gustav III). Edita Västra Aros. p. 143. ISBN 978-91-554-7780-6.
Esta situação foi também caricaturada por Carl August Ehrensvärd numa carta privada descoberta muito depois (o seu desenho foi publicado em 1987), onde ele escrevia uma série de rumores e piadas sobre Gustavo III, Sofia Madalena e Minsque sem inferir que estes seriam verdadeiros.Jakob Christiensson (2007) (in Swedish). Signums svenska kulturhistoria. Gustavianska tiden (Signum’s Swedish Culture history. The Gustavian Age.). Bokförlaget Signum, Lund. p. 432. ISBN 978-91-878-96-84-2. Também houve um rumor de que a rainha se tinha divorciado secretamente e que se tinha casado com Minsque.
Não existem provas de que Minsque fosse o pai do príncipe-herdeiro. Nem o rei nem a rainha foram descritos como tendo grande interesse em sexo. O Professor Lönnroth sugeriu que os seus problemas anatómicos, conhecidos apenas por algumas pessoas próximas, foram a principal razão pela qual houve um atraso no nascimento de um herdeiro. Contudo, na altura, os rumores tornaram-se mais persistentes quando o casal encheu Minsque de presentes: o rei promoveu-o e a rainha ofereceu-lhe um relógio com a sua imagem, uma pensão e um anel de diamantes.Cecilia af Klercker (1903) (in Swedish). Hedvig Elisabeth Charlottas dagbok II 1783-1788 (The diaries of Hedvig Elizabeth Charlotte II). P.A. Norstedt & Söners förlag. ISBN 412070.
Algumas socialites da corte ficaram do lado da rainha-mãe, apoiando e espalhando os rumores, tal como Anna Charlotta Schröderheim e Eva Helena Löwen.Carl Grimberg (1961) (in Swedish). Svenska Folkets underbara öden VII. Gustav III:s och Gustav IV Adolfs tid 1756-1792 (The wonderous destinys of the Swedish people. The age of Gustav III and Gustav IV Adolf). Norstedt & Söner. p. 624. ISBN.Svante Norrhem (2007) (in Swedish). Kvinnor vid maktens sida : 1632-1772 (Women by the side of power: 1632-1772). Nordic Academic Press. p. 90. ISBN 978-91-891116-91-7.