Demócrito César de Souza Filho (Recife, - ) foi um estudante brasileiro morto em praça pública por forças do governo de Getúlio Vargas.
História Demócrito de Souza Filho iniciou seu estudo de Direito na Faculdade de Direito do Recife em 1941, durante a ditadura de Getúlio Vargas.
Em 1944, realizou-se no salão nobre da Faculdade de Direito uma sessão extraordinária para comemorar a tomada de Roma pelos exércitos aliados.
A eleição, naquele ano, da presidência do diretório acadêmico da faculdade fez que alguns candidatos derrotados ligados ao governo vissem naquela eleição a ameaça de criação de uma oposição. Aquela eleição motivou a criação da União dos Estudantes de Pernambuco.
Em 7 de setembro daquele ano autoridades policiais prenderam intelectuais, professores e estudantes. Entre os presos estava o estudante Demócrito de Sousa Filho. Todos foram soltos 4 dias depois.
No dia 2 de março de 1945, no restaurante Lero-Lero, os estudantes Demócrito de Sousa Filho e Jorge Carneiro da Cunha rasgaram um retrato de Getúlio Vargas e distribuíram seus pedaços entre os presentes. O incidente gerou reação imediata da polícia política e fez com que os estudantes se refugiassem no Diario de Pernambuco.
Em 3 de março de 1945, os estudantes promoveram uma passeata em protesto contra a ditadura Vargas.
Na Praça da Independência, diante do prédio do Diario de Pernambuco foi feito um comício. O primeiro orador foi o estudante Odilon Ribeiro Coutinho. Depois, da sacada do prédio do Diário, durante o discurso de Gilberto Freyre, a polícia de Pernambuco abriu fogo em várias direções. Uma bala atingiu Demócrito de Sousa Filho, que estava ao lado do orador. Outra bala matou o operário Manuel Elias dos Santos, conhecido por Manuel Carvoeiro, que estava entre o povo.
Demócrito ainda foi socorrido no antigo Hospital de Pronto Socorro, mas morreu na noite daquele mesmo dia.
O fato gerou um inquérito, onde o governo foi responsabilizado, que não levou a punição de nenhum integrante da polícia, alegando "crime de multidão".
Consequências O Diario de Pernambuco foi empastelado, passando 40 dias sem circular e só voltando por força de mandado de segurança.
Alguns historiadores entendem que a morte de Demócrito de Sousa Filho selou o fim da ditadura de Getúlio Vargas.
Homenagens No seu enterro os professores da Faculdade de Direito do Recife compareceram usando becas. Uma multidão acompanhou o féretro a pé até o Cemitério de Santo Amaro. O Professor Soriano Neto proferiu um discurso na Faculdade de Direito do Recife na cerimônia de 30 dias de sua morte. Uma frase ficou marcada:
Os estudantes que colaram grau no dia 13 de dezembro de 1945 nomearam Demócrito de Souza Filho como orador, sendo do anunciado pelo seu colega, o formando José Gonçalves, que a mãe do estudante falecido faria um pronunciamento na sacada do Diario de Pernambuco, o que foi realmente feito. Foi inaugurado um busto do estudante na Praça Adolfo Cirne em sua homenagem. O Diretório Acadêmicro da Faculdade de Direito do Recife, órgão máximo de representação estudantil dos discentes do curso de Direito da Universidade Federal de Pernambuco, leva seu nome.
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