A Seleção Mexicana de Futebol (em espanhol: Selección de fútbol de México), amplamente conhecida como El Tri ou Tricolor, representa o México nas competições oficiais de futebol masculino internacional. É controlada pela Federação Mexicana de Futebol (FMF), fundada em 1927, afiliada à FIFA desde 1929 e membra fundadora da CONCACAF desde 1961. Regional e historicamente, a equipe também se associou à NAFU, à antiga NAFC e à PFC. O México manda seus jogos oficiais no Estádio Azteca e se identifica tradicionalmente com as cores verde, branco e vermelho de sua bandeira nacional. Seu uniforme reserva variou ao longo das décadas, utilizando atualmente a cor branca com detalhes em guinda.
A seleção disputou sua primeira partida internacional em 9 de dezembro de 1923, vencendo a Guatemala por 2 a 1. Historicamente, o México participou do jogo de abertura da primeira Copa do Mundo da FIFA em 1930, contra a França, e se classificou para o torneio dezoito vezes, acumulando presenças consecutivas desde 1994. Seus melhores resultados em Mundiais foram obtidos como anfitrião em 1970 e 1986, edições nas quais alcançou as quartas de final e terminou na sexta colocação em ambos os torneios. A maior conquista da seleção principal ocorreu na Copa das Confederações da FIFA de 1999, também sediada no país, onde os mexicanos venceram o Brasil por 4 a 3 na final; este título os tornou a única seleção de fora da UEFA e da CONMEBOL a vencer uma competição global sênior da FIFA. O México é ainda uma das poucas nações a conquistar dois dos três torneios globais mais importantes chancelados pela entidade (a Copa das Confederações de 1999 com a equipe principal e o Torneio Olímpico de Futebol de 2012 com a equipe sub-23).
No cenário continental, o México é a equipe mais bem-sucedida de sua confederação, registrando 15 títulos da CONCACAF (dez da Copa Ouro, três do Campeonato da CONCACAF, uma Liga das Nações da CONCACAF e uma Copa CONCACAF), além de conquistas na NAFC e no Campeonato Norte-Americano de Nações. Fora de sua zona habitual, a seleção competiu como convidada na Copa América por onze edições entre 1993 e 2024, alcançando o vice-campeonato em duas ocasiões (1993 e 2001) e o terceiro lugar em outras três.
Contabilizando os resultados das seleções principal e de base, o México soma 40 títulos internacionais oficiais reconhecidos pela FIFA (4 globais e 36 continentais), figurando como a terceira seleção mais vitoriosa do mundo, atrás apenas de Brasil e Argentina. Entre as categorias olímpicas e juvenis, destacam-se a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, a de bronze em Tóquio 2020, o bicampeonato no Mundial Sub-17 (2005 e 2011), bem como o vice-campeonato Mundial Sub-20 em 1977. O país também ostenta ampla dominância regional em eventos multiesportivos, sendo dono de múltiplos pódios e medalhas de ouro tanto nos Jogos Centro-Americanos e do Caribe quanto nos Jogos Pan-Americanos.
História Primeiros anos O futebol no México foi organizado no início do século XX por grupos de imigrantes europeus, nomeadamente mineiros córnicos da Cornualha, Inglaterra, e em anos mais tarde, espanhóis exilados que fugiam da Guerra Civil Espanhola. A equipe original jogou contra a Guatemala em solo guatemalteco e a equipe mexicana venceu por 3-2.
Uma série de amistosos internacionais foram jogados contra a representação nacional da Guatemala em 9, 12 e 16 de dezembro de 1923. O jogo em 9 de dezembro foi jogado no Parque España e foi vencido pelo México com um placar final de 2-1. Em 12 de dezembro, o jogo terminou em uma vitória por 2-0 para o México e o jogo final da série terminou em um empate em 3-3. O técnico desta equipe era Rafael Garza Gutiérrez "Récord" e o assistente era Adolfo Frías. Os quatorze jogadores selecionados para esta série de amistosos incluem: Nacho de la Garza, Pedro "Perico" Legorreta, Manuel "Güero" Yáñez, Enrique "La Matona" Esquivel, Agustín Ojeda, Roberto Jardón, Carlos Garcés, Horacio Ortiz, Adeodato López, Mauro Guadarrama "La Venada" Alatorre, Cornelio Cuevas e Alfredo García Besné.
Seriam mais quatro anos antes de a equipe nacional ser representada em amistosos internacionais. Em preparação para um amistoso contra a Espanha, o time jogou um amistoso contra a sua equipe "B" em 12 de junho de 1927, vencendo por 4-2. Em 19 de junho de 1927, a equipe mexicana enfrentou a seleção da Espanha, empatando em 3-3. Durante esta série, a equipe também jogou contra o clube uruguaio Nacional de Montevideo, perdendo de 3-1.
Formação thumb|250px|México em 1930
Em 9 de agosto de 1927, o organismo oficial que rege o futebol no México foi fundado. Desde a sua criação, a federação tem sido o principal órgão responsável pela promoção, administração, organização, gestão e financiamento da equipe de futebol nacional mexicana, assim como toda a competição de futebol no México. Representantes do clube da primeira divisão da federação votaram na direção, gerência e equipe técnica da equipe de futebol nacional. Os Jogos Olímpicos de Verão de 1928 foram anfitriões do primeiro torneio internacional do México. Antes do torneio, a equipe mexicana realizou amistosos contra a seleção de Astúrias, bem como dois amistosos contra a Espanha. Estes jogos resultaram em dois empates e uma derrota. No torneio olímpico, o México enfrentou a Espanha nas oitavas de final em 30 de maio de 1928, resultando em uma derrota por 7-1 para o México.
O México participou da Copa do Mundo FIFA de 1930, tendo sido agrupados com a Argentina, Chile e França. O primeiro jogo do México foi jogado contra a França no Estádio Pocitos, em Montevidéu, em 13 de julho de 1930. A partida terminou com uma vitória por 4-1 para a França, mas testemunhou o primeiro gol do México em Copas do Mundo por Juan Carreño. Este jogo ocorreu simultaneamente com o jogo EUA-Bélgica. Em seu segundo jogo do torneio, o México perdeu para o Chile por 3-0 em Montevidéu no Estádio Gran Parque Central. O terceiro jogo do México, contra a Argentina, contou com o primeiro pênalti do torneio, assinalado aos 42' e marcado por Manuel Rosas, do México. Um total de cinco pênaltis foram assinalados durante a partida, que foi arbitrada pelo boliviano Ulises Saucedo, três deles controversos.
Pós-Segunda Guerra Mundial O México não aparece novamente em uma Copa do Mundo até a Copa de 1950. Antes de 1970, o México se esforçou para fazer um impacto muito grande na Copa do Mundo quando competindo contra equipes europeias e sul-americanas. No entanto, o goleiro Antonio Carbajal tem a distinção de ser o primeiro jogador a aparecer em cinco Copas do Mundo FIFA consecutivas.
Em 1970, o México sediou a Copa do Mundo e começou sua campanha com um empate sem gols contra a União Soviética. Isto foi seguido por uma vitória sobre El Salvador (4-0). México avançou para a próxima rodada com uma vitória contra a Bélgica, graças a uma penalidade marcada por Gustavo Peña aos 14 minutos. Nas quartas de final, o México foi eliminado pela Itália por 4-1, apesar do México ter tido uma vantagem inicial.
O México não se classificou para a Copa do Mundo de 1974, mas classificou-se para a de 1978. O México sofreu uma eliminação precoce depois de três derrotas: 6-0 para a Alemanha Ocidental, 3-1 para a Tunísia e 3-1 para a Polônia. O México não se classificou para a Copa da Espanha de 1982.
Em 1986, o México novamente sediou a Copa do Mundo. Treinada por Bora Milutinović, o México foi colocado no Grupo B, onde derrotou a Bélgica por 2-1, empatou em 1-1 com o Paraguai e derrotou o Iraque por 1-0. Com esse desempenho, o México ganhou o primeiro lugar em seu grupo e avançou para a próxima rodada, onde enfrentou a Bulgária em uma vitória por 2-0. Nas quartas de final, o México perdeu para a Alemanha Ocidental (4-1 nos pênaltis).
O escândalo dos Cachirules
O México foi desclassificado da Copa do Mundo FIFA de 1990 (e qualquer outra competição internacional) depois de utilizar os jogadores acima do limite de idade permitido pela FIFA na fase de qualificação para o Mundial Sub-20 de 1989. A punição originalmente seria só aplicada à equipe nacional Sub-20 e não as seleções principal e Olímpica, mas a pena foi aplicada a todos os representantes mexicanos de todos os torneios nacionais sancionados pela FIFA. Esta foi uma punição dura, já que este era o momento de ouro do lendário atacante Hugo Sánchez, que na próxima Copa do Mundo, era apenas considerado um "bom" jogador, em vez de um "lendário". Muitos outros jogadores que estavam tendo um momento emocionante em suas carreiras de clube, como Carlos Hermosillo (Standard de Liège), Ricardo Peláez (Necaxa), Alberto García Aspe (Pumas UNAM), Adrián Chávez (América), Fernández Felix (Atlante), Luis Flores (Pumas UNAM), Zaguinho (América), Miguel Herrera (Atlante), Benjamín Galindo (Guadalajara), Daniel Guzmán (Universidad de Guadalajara), Guillermo Huerta (América); e muitos outros viram o sonho da Copa do Mundo de 1990 ser despedaçado, esmagado e arruinado por este escândalo que na mídia mexicana ficou conhecido como "Los Cachirules".
Pós-1990 Na década de 1990, após contratar o técnico César Luis Menotti, o futebol mexicano começou a experimentar um grande sucesso internacional. Um ponto de viragem importante foi sua participação na Copa América de 1993, onde terminou em segundo lugar no torneio, perdendo para a Argentina por 2-1 na final. Para a Copa do Mundo de 1994, jogadores como Hermosillo (Cruz Azul), Sanchez (Rayo Vallecano), García Aspe (Necaxa), Chávez (América), Fernández (Atlante), Galindo (Chivas) e Zaguinho (América) foram escalados para a equipe embora não em suas melhores condições. Como para Peláez, que foi cortado do elenco de 1994, seu tempo chegaria na Copa do Mundo de 1998 (realizada na França): ele conseguiu fazer parte da equipe e marcou dois gols memoráveis, contra a Coreia do Sul e Holanda, com 35 anos de idade.
Desde a sua chegada em segundo lugar na Copa América 1993, o México tem sido um participante regular no torneio sul-americano e já competiu bem. Ele ganhou o terceiro lugar em 1997, 1999 e 2007, e outra segunda colocação em 2001. O México sempre esteve nas quartas de final da Copa América até a de 2011 e duas vezes teve o artilheiro do torneio (Luis García em 1995 [dividiu o título com o atacante argentino Gabriel Batistuta] e Luis Hernández em 1997).
Após sua participação na Copa Rei Fahd (que acabaria por se tornar a Copa das Confederações da FIFA) e ser treinado novamente por Bora Milutinovic e depois por Manuel Lapuente, em uma rodada muito boa de qualificação para a Copa de 1998, chegaram em primeiro lugar na CONCACAF. Na Copa do Mundo, o México foi colocado no Grupo E, com Holanda, Coreia do Sul e Bélgica. O México começou contra a Coreia do Sul perdendo de 1-0, mas virou para 3-1. A Bélgica começou derrotando o México por 2-0, mas eles reagiram e empataram em 2-2. O terceiro jogo contra a Holanda terminou em outro empate em 2-2 que resultou na qualificação do México para as oitavas de final. Na próxima rodada, o México enfrentou a Alemanha. Apesar de ter a vantagem inicial, o México não conseguiu segurá-la e perdeu o jogo por 2-1.
O México se tornou o primeiro país anfitrião a ganhar a Copa das Confederações. O México derrotou os Estados Unidos por 1-0 na semifinal, graças a um "Gol de Ouro" espetacular de Cuauhtémoc Blanco. O México ganhou o seu primeiro torneio oficial mundial da FIFA ao derrotar o Brasil com um placar final de 4-3. A estrela do México, Cuauhtémoc Blanco, dividiu a Chuteira de Ouro do torneio como artilheiro com Ronaldinho Gaúcho, e também foi premiado com a Bola de Prata.
Século XXI