O nome "Espanha", evolução da designação do Império Romano "Hispânia", era, até o , apenas descritivo da Península Ibérica, não se referindo, assim, a um país ou Estado específico, mas ao conjunto de todo o território ibérico e dos países que nele se incluíam. A Espanha foi unificada durante o Iluminismo. Até então, era um conjunto de reinos jurídica e politicamente independentes governados pela mesma monarquia. Até a data da unificação, a monarquia era formada por um conjunto de reinos associados por herança e união dinástica ou por conquistas. A forma de governo era conhecida como aeque principaliterː os reinos eram governados cada um de forma independente, como se tivesse, cada reino, o seu próprio rei. Cada reino mantinha o seu próprio sistema legal, a sua língua, os seus fóruns e os seus privilégios. A Constituição de 1812 adopta o nome "As Espanhas" para a nova nação. A Constituição de 1876 adopta pela primeira vez o nome "Espanha".

Os termos "As Espanhas" e "A Espanha" não eram equivalentes e eram usados com muita precisão. A expressão "As Espanhas" referia-se a um conjunto de unidades jurídico-políticas, isto é, referia-se a um conjunto de reinos independentes, primeiramente apenas aos reinos cristãos da Península Ibérica, depois apenas aos reinos unidos sob a mesma monarquia. A expressão "A Espanha" referia-se a um espaço geográfico e cultural que englobava diversos reinos independentes. A partir de Carlos V o uso do título "rei das Espanhas" referia-se à parte de Espanha que não incluía Portugal, mas esta designação era apenas uma forma de designar coletivamente um extenso número de reinos, uma abreviação, que não tinha validade jurídica para uma longa lista de títulos reais cuja forma oficial era rei de Castela, de Leão, de Aragão, de Navarra, de Granada, de Toledo, de Valência, da Galiza, de Maiorca, de Menorca, de Sevilha, etc. (da mesma forma utilizava-se o título Sua Majestade Lusitana para o rei de Portugal, ou rei lusitano).

A partir de 1640, com a Restauração da Independência em Portugal, a designação "Rei de Espanha" manteve-se, apesar de a união dinástica já não englobar toda a Península.

A abordagem da História de Espanha mais comum é a de descrever, nos seus tópicos iniciais, a história da Península Ibérica até os períodos anteriores à conquista da América.

Pré-história thumb|Dólmen de Menga, no sul de Espanha

A história da presença humana na Península Ibérica remonta a cerca de anos, depois do descobrimento de um dos primeiros antepassados dos seres humanos em Atapuerca (Burgos) e ao que foi batizado como Homo antecessor. Em 1848, foi encontrado, numa caverna do atual território britânico de Gibraltar, um crânio de um homem de Neanderthal que teria aproximadamente vivido há 60 000 anos.

Durante o Paleolítico Superior, por volta de 16 000 anos atrás, a cultura magdaleniana estava presente nas Astúrias, Cantábria e parte do País Basco, cujo registro mais notável é a presença das pinturas rupestres na caverna de Altamira. No Paleolítico Médio, registros de pinturas rupestres foram encontradas na zona mediterrânea da península, fundamentalmente no que hoje é a província de Castellón.

Em aparece na península a cultura Campaniforme ou mais exatamente "Cultura do vaso campaniforme". Por volta de aparecem a cultura megalítica e a agricultura.

A aparição de culturas que usavam os metais espoletou em torno dos anos a A sua distribuição geográfica é maior e considera-se que a busca dos metais trouxe fluxos migratórios importantes, destacando Los Millares em Almería, com uma grande fortificação, e no curso do Rio Tejo na zona portuguesa atual.

Hispânia pré-romana Os celtas chegaram à península no , usando as atuais Galiza, Astúrias, Cantábria, País Basco, norte de Castela e boa parte de Portugal.

A costa peninsular oriental foi ocupada primeiro pelos fenícios, aproximadamente até Fundaram Gadir (Cádis), Málaca (Málaga) e Abdera (Adra, na atual província de Almería).

Os gregos se instalaram mais ao norte da costa, em Rhodes (Rosas) e Empório (Ampúrias), na atual zona da Catalunha, encontrando os iberos e trazendo aos dias de hoje as primeiras referências deste povo.

É o momento em qual aparece os tartessos como civilização no Vale de Guadalquivir. Os dados históricos deixados pelos gregos nos falam de duas culturas presentes: celtas e iberos, uns a norte e outros a sul. Junto a estes conviviam na península os celtiberos na zona central da Meseta, com cidades como Numância, os lusitanos, galaicos, ástures, cántabros e vascões. A denominada civilização ibérica teve a sua origem, segundo a maioria dos autores, em uma mistura de indo-europeus dos celtas, dos povos ibéricos autóctones, das presenças púnica e grega e do início da romanização.

No , os cartagineses iniciam na Península Ibérica um projeto imperialista mediterrâneo no qual fundam Qart Hadasht (Cartagena) que se converte rapidamente em uma importante base naval.

Cartago e Roma se enfrentaram finalmente em uma série de guerras (Guerras Púnicas) pela hegemonia no Mediterrâneo Ocidental. Depois da derrota na Primeira Guerra Púnica, Cartago tenta ressarcir-se de suas perdas da Sicília, Sardenha e Córsega, incrementando seu domínio na Ibéria.

Amílcar Barca, Aníbal e outros generais cartagineses situam-se nas antigas colônias fenícias da Andaluzia e o Levante sob seu controle e procedem depois à conquista ou extensão de sua área de influência sobre os povos indígenas. Ao final do , a maior parte das cidades e povos a sul dos rios Douro e Ebro, assim como as Ilhas Baleares, reconhecem o domínio cartaginês.

No ano produz-se a ofensiva de Aníbal contra Roma, tomando a Península Ibérica como base de operações e incluindo uma grande proporção de hispanos em seu exército.

Foi neste processo que tentaram submeter a colônia grega de Sagunto, situada ao sul da fronteira do Ebro mas aliada de Roma, dando lugar à Segunda Guerra Púnica, que culminaria com a incorporação da parte civilizada (ibera) da península à República Romana.

Período romano

Depois da Segunda Guerra Púnica, entre 218 e , pôde-se considerar a Península Ibérica submetida ao poder de Roma. A campanha de ocupação, depois da expulsão cartaginesa, foi rápida, exceto no interior (Numância) e o povo cántabro que resistiu até a chegada de Augusto nos inícios do Império Romano. thumb|left|Tumba Ibera em Azaila. Em os romanos dividiram o território ibérico em duas zonas: a Hispânia Citerior e a Hispânia Ulterior. Em o general Agripa criou as províncias: Tarraconense, antiga Hispânia Citerior; a Bética e a Lusitânia, a partir da Hispânia Ulterior. Em 216, surgiu a Nova Hispânia Citerior Antoniana, na região noroeste da península, aproximadamente onde hoje são as Astúrias. Diocleciano reuniu essas províncias, inclusive a Baleárica, a Tingitana e a Cartaginense, formando a diocese da Hispânia, politicamente dependente da prefeitura pretoriana da Gália.

O processo de romanização, entendido como a incorporação da língua, dos costumes e da economia romana, começou aproximadamente em e duraria com toda sua força até meados do . Séculos mais tarde, o latim vulgar, idioma dos conquistadores romanos, daria origem a várias línguas neolatinas como o catalão, o castelhano (ou espanhol), o galego, entre outras. O idioma basco é o único idioma na Espanha a não ter origem no latim vulgar. thumb|right|O Aqueduto de Segóvia, importante obra de construção civil romana.

Invasões germânicas e o Reino Visigodo (séc. V - 711)

As invasões Na Península Ibérica, como em outras províncias, a predominância do Império Romano foi caindo gradualmente. Com os processos quase que simultâneos da "desromanização" do Império Romano na Hispânia, há que citar: debilitação da autoridade central nos séculos III, IV e V e da "romanização" das tribos germânicas, por exemplo, a adoção do direito romano, que é evidente na Lex Gothorum (Lei dos Godos), a conversão ao cristianismo e a afinidade que alguns reis tinham pelo latim.

No inverno de 406, aproveitando o congelamento do rio Reno, vândalos, suevos e alanos invadiram o império com grande vigor e pujança. Ao cabo de três anos, cruzaram os Pireneus, chegaram à Península Ibérica, e dividiram, entre si, as partes ocidentais, que correspondiam aproximadamente a Portugal atual e Espanha ocidental até Madrid.

O Reino suevo da Galécia

O Reino Suevo configura-se como a mais antiga estrutura política das atuais regiões da Galiza e (norte e centro de) Portugal depois da queda do domínio romano. Foi o primeiro reino que se separou do Império Romano e cunhou moeda. Os suevos eram um povo germânico que teria entrado no noroeste da Península Ibérica em 409 numa vaga migratória ou guerreira, mas com pouca população. Rapidamente, tomaram o controle do território, mas, devido ao seu número reduzido, não modificaram grandemente a estrutura nem a cultura em que se assentaram. As crónicas de Idácio são uma das fontes que mais dados dão sobre a estadia deste povo no noroeste peninsular e possuem grande valor por se tratarem de uma fonte contemporânea aos acontecimentos relatados.

É notável, nesta época, o trabalho de São Martinho de Braga, impulsionador dos ditos concílios, da ordenação do território (Parochiale Suevorum) e da difusão do cristianismo frente às crenças pagãs de raiz pré-românica (De correctione rusticorum). Desempenhou funções de chanceler do rei Teodomiro. Miro (570-583) foi o seu sucessor. Durante o seu reinado celebrou-se o Segundo Concílio de Braga (572). Aproximadamente em 577 iniciou-se a guerra civil visigoda, na que interveio Miro, que, em 583, organizou uma expedição fracassada de conquista a Sevilha. Durante o regresso desta expedição o rei encontrou a morte. No reino suevo começaram uma série de lutas internas. Eborico (também chamado de Eurico, 583-584) foi destronado por Andeca (584-585), que falhou no seu intento de evitar a invasão visigoda, dirigida por Leovigildo, que se fará efetivamente no ano de 585.

O Reino Visigodo

Os visigodos, que tinham tomado Roma fazia dois anos, chegaram à região em 412, fundando o Reino de Tolosa (Toulouse, no sul da França), e estenderam a sua influência gradualmente à península, empurrando os vândalos e alanos para o norte da África, quase não dando tempo para que estes deixassem a sua marca na cultura ibérica. Mais tarde, depois da conquista de Tolosa pelos Francos e da perda de grande parte dos territórios no que atualmente é a França, os visigodos mudaram a capital do reino para Toledo. Atribui-se que o apogeu do Reino Visigótico se deu durante o reinado de Leovigildo (572 - 586). Em 585, os visigodos capturaram o rei dos suevos, anexando os seus territórios.

Os visigodos eram os mais romanizados dos povos bárbaros. Eles mantiveram o sistema legal romano. O modo de produção era próximo do sistema feudal típico, e a religião predominante era a católica. A cristologia classificada como heresia pela Igreja Católica denominada arianismo propagou-se pelo reino, sendo combatida pelo rei católico Recaredo.

Curiosamente, a Espanha nunca entrou no período de analfabetismo que chamamos de Idade das Trevas, de que sofreram a Bretanha, a Gália, a Lombardia, e a Alemanha nesses anos. A razão deve-se ao facto de os visigodos terem sabido respeitar as instituições e as leis romanas, mantendo uma infraestrutura estável e arquivos históricos durante a maior parte do intervalo entre 415, quando, segundo a tradição, começou o Reino Visigodo, e 711, quando foi destruído pelos árabes (na realidade, estava já muito decadente antes de sua chegada).