Santa Cruz do Sul é um município brasileiro no centro do estado do Rio Grande do Sul, a de Porto Alegre. Sua população, conforme estimativa do IBGE, era de habitantes em 2024, sendo o 14.º município mais populoso do Rio Grande do Sul. Com uma área de , localiza-se na região do Vale do Rio Pardo, fazendo limite com os municípios de Vera Cruz, Rio Pardo, Sinimbu, Venâncio Aires, e Passo do Sobrado. Com clima temperado, constitui uma região fisiográfica de transição entre o Planalto e a Depressão Central, contando com vegetação oriunda da Mata Atlântica e do Pampa, e predominância litográfica de rochas vulcânicas.
A antiga Colônia de Santa Cruz foi fundada em 6 de dezembro de 1847, e a cidade em 31 de março de 1877, emancipada de Rio Pardo. Um dos principais núcleos da colonização alemã do Rio Grande do Sul, fala-se lá tanto o português como o alemão, principalmente o dialeto Hunsrückisch. Sua economia está historicamente ligada ao tabaco, sendo considerada a capital mundial do fumo. Vivenciou forte expansão econômica, verticalização, e êxodo rural no século XX até o início do século XXI, e em 2018 seu PIB figurava em 9,4 bilhões de reais, o sexto maior do estado, enquanto o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) era de 0,733 em 2010, considerado alto.
Com uma população em grande parte católica e evangélica, é lar da Catedral São João Batista, a maior em estilo gótico da América do Sul, e da Igreja Evangélica de Confissão Luterana, maior templo evangélico do Rio Grande do Sul. Abriga ainda a Universidade de Santa Cruz do Sul, com onze mil alunos matriculados em 52 cursos de graduação, além de três outras instituições de ensino superior, catorze escolas de ensino médio, 114 de ensino básico, e três hospitais, possuindo ainda um aeroporto e um presídio regional.
Com boa infraestrutura para o turismo, a cidade é conhecida por sediar a maior Oktoberfest do Rio Grande do Sul, a Oktoberfest de Santa Cruz do Sul, por receber um dos maiores festivais de arte amadora da América Latina, o Encontro de Arte e Tradição, e pelo Autódromo Internacional de Santa Cruz do Sul, sediando ainda dois clubes profissionais de futebol, o Esporte Clube Avenida e o Futebol Clube Santa Cruz, além de um clube profissional de basquetebol, o União Corinthians.
História miniatura|esquerda|Cerimônia de inauguração da Prefeitura Municipal, em 1892
Fundação e primeiros anos A colônia foi fundada pela lei provincial em 6 de dezembro de 1847,PORTO, Aurélio. O trabalho alemão no Rio Grande do Sul, Graf, Santa Terezinha, Porto Alegre, 1934, p.168. por desejo da Câmara de Rio Pardo de estabelecer uma comunicação com os campos e comércio com a região. Os primeiros habitantes da cidade vieram em 1849 e habitavam choupanas e ranchos. A colônia foi elevada para freguesia em 8 de janeiro de 1859. Em 1879, segundo levantamento de Carlos Trein Filho, 90,54% dos habitantes da Colônia de Santa Cruz, excluindo-se os brasileiros, provinham do Reino da Prússia, sendo 42,53% da Pomerânia, 37,88% da Renânia, 4,46% da Prússia, 3,57% da Silésia, 1,65% da Vestfália, e 0,14% de Brandenburgo. 8,92% vinham de outros estados alemães, e outros 0,55% de outras regiões da Europa. As terras ocupadas pela colônia de Santa Cruz do Sul foram cedidas pelo governo imperial através da lei de 1848 de incentivo à imigração estrangeira. O objetivo da colonização da região era a renovação da economia, sem a mera substituição da antiga mão-de-obra escrava. Os imigrantes se estabeleceram na Colônia Picada Velha (Alt Picade), hoje conhecida como Linha Santa Cruz.
Em 1849, o local, então chamado de Faxinal de João Faria, em terras de Antônio Martins da Cruz Jobim, Barão de Cambaí, foi povoado com a instalação de cinco famílias alemãs. O primeiro administrador da Colônia foi Evaristo Alves de Oliveira, e o primeiro diretor o engenheiro Johann Martin Buff, imigrante alemão de Rödelheim, cidade próxima de Frankfurt. Apesar de a maioria dos imigrantes serem agricultores, muitos artesãos foram instalados na colônia, como, por exemplo, o caso de um grupo de 71 chefes de família chegados em 1853, no qual constavam 25 artesãos e 46 agricultores. Apesar de dificuldades no assentamento da terra — inicialmente mata nativa — bem como em dificuldades financeiras e políticas, como relatadas por Oliveria e Buff, a colônia cresceu rapidamente: em 1849 havia doze habitantes; em 1852 eram 254, e em 1853 ocorreu um incremento de 692 pessoas; em 1859 havia habitantes.
Os colonos inicialmente dedicaram-se à policultura para sua subsistência, plantando sementes trazidas da Alemanha como batata inglesa, aveia, e centeio, bem como produtos produtos locais como o milho, arroz, e feijão, mas a região logo se tornou um centro da produção de fumo. Entre 1859 e 1881, a produção do fumo passou de catorze para toneladas, tornando-se o principal produto para a exportação, com 95% de sua safra exportada para outras localidades. A cidade foi oficialmente fundada em 31 de março de 1877, emancipada de Rio Pardo pela lei nº 1079. No dia 28 de setembro de 1878, instalou-se a Câmara Municipal na casa situada na esquina das ruas São Pedro e Taquarembó (atuais Marechal Floriano e 28 de Setembro). A sessão de posse foi presidida pelo vereador Joaquim José de Brito (Ten. Cel. Brito), mas na primeira ordinária, dia 15 de outubro, a presidência já foi exercida por Carlos Trein Filho. Um dos edis da primeira sessão, Pedro Werlang, destacou-se na Guerra do Paraguai, tendo recebido medalhas e honrarias, dentre elas a comenda da Imperial Ordem da Rosa, conferindo-lhe as honras capitão do exército imperial brasileiro.
Expansão e atualidade miniatura|esquerda|Reitoria da UNISC, no campus de Santa Cruz Com a emancipação, os excedentes da agricultura, e a presença de artesãos e outros profissionais, houve condições sólidas para uma diversificação da economia e a formação de uma média burguesia local. Alguns pequenos agricultores ascenderam economicamente, passando a ter condições de formar pequenos estabelecimentos comerciais e industriais. Em 1904, contando com a cooperação mútua, fundaram o primeiro estabelecimento financeiro local, a Caixa de Crédito Santa-Cruzense. Este banco se expandiu, formando depois o Banco Agrícola Mercantil, que depois se fundiu com o Banco Moreira Salles para formar o Unibanco. Com a expansão econômica nas décadas seguintes, diversas melhorias urbanísticas chegam ao município, como a expansão no número de ruas calçadas, o acesso à energia elétrica em 1906, telefonia em 1907, e à água encanada em 1908.
Em 1905 foi inaugurada a via férrea Santa Cruz – Rio Pardo (estação do Couto), dando impulso à integração da cidade com Porto Alegre, possibilitando o aumento da circulação de mercadorias e de pessoas. A estação férrea foi fundada no mesmo ano, pelo presidente da província, Borges de Medeiros. Porém, devido à decadência do sistema ferroviário no país, em 1965 a via férrea foi suprimida.
De 1917, com a instalação da The Brazilian Tobacco Corporation no município, financiada pela British American Tobacco, até 1965, a cidade vivenciou uma forte expansão no setor fumageiro, recebendo o título de "capital mundial do fumo." A partir de 1918 o processamento do tabaco plantado na região passou a ser controlado por médias e grandes empresas, com o surgimento da Companhia de Fumo Santa Cruz, fusão de seis outras empresas menores. No ano seguinte chega ao município a anglo-britânica Souza Cruz, em 1932 a teuto-brasileira Tabacos Tatch, em 1948 a brasileira Companhia de Tabacos Sinimbu, e em 1975 a francesa Meridional Tabacos. Tais empresas expandiram seu alcance com o tempo, investindo ainda na tecnologia para o aperfeiçoamento de sementes e no acompanhamento dos produtores rurais, estabelecendo ainda quotas de produção e determinando preços. Em 1970, Santa Cruz contava com forte economia industrial, sendo o fumo seu carro chefe.
Em 1937, durante a Era Vargas e no âmbito da Segunda Guerra Mundial, o governo federal iniciou uma campanha nacionalista que proibiu o uso e ensino da língua alemã, estabelecendo inclusive o fechamento de jornais e estabelecimentos culturais, o que teve forte impacto na região, onde a língua é até os dias de hoje falada e ensinada. Dentre os impactos na cidade pode citar-se o fim do jornal Kolonie, em 1941, que operava na cidade desde 1891. Após a segunda guerra, o jornal voltou a circular, então em português, sob o nome de Gazeta de Santa Cruz, e continua a circular até os dias de hoje sob o nome Gazeta do Sul. Com o sentimento pós-guerra, a cultura germânica da cidade ficou mais uma vez retraída, voltando a tona apenas nos anos 70.
Com o crescimento da cidade, em 1962 a Associação Pró-Ensino em Santa Cruz do Sul (APESC) inicia suas atividades com cursos de ensino superior, e em 1980 uniu quatro faculdades criadas por ela nas chamadas Faculdades Integradas de Santa Cruz do Sul (FISC). Em 1982 iniciou-se a construção do atual campus da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), sendo o projeto e os devidos credenciamentos finalizados em 1993. Hoje, a UNISC conta com campus em diversos municípios gaúchos, tendo a criação da universidade contribuído à expansão demográfica do município.
De 1970 a 2010, houve uma acentuada verticalização da cidade, iniciada na área central. Nos bairros, contribuíram à verticalização a moção das FISC do centro para o bairro Universitário, bem como o desenvolvimento do distrito industrial da cidade. No período de 1970 a 1986 foram construídas 899 unidades verticais — apartamentos, lojas e salas. Já de 1987 a 1994 houve um aumento de 135,84% em relação ao anterior, e de 1995 a 2010, de 64%, com unidades construídas. No mesmo período, ocorre um êxodo rural na cidade, com a população rural caindo de 62% em 1970 para 11% em 2010, além de expansão demográfica devido em parte à demanda por mão de obra do setor fumageiro. Além da verticalização, a cidade vivenciou uma ocupação irregular de áreas periféricas.
Em 2020 foi aprovada a lei que oficializa a língua alemã como patrimônio cultural do município.Aprovada a lei que oficializa a língua alemã como patrimônio cultural do município de Santa Cruz, Portal Arauto
Contemporaneamente, a cidade vive uma expansão mais acentuada na região norte e nordeste, com surgimento de condomínios fechados, em especial os de alto padrão, e ainda uma expansão moderada na construção civil de forma geral.
Geografia Localiza-se a de Porto Alegre e a de Santa Maria, no centro do estado, na região do Vale do Rio Pardo. Faz divisa com os municípios de Vera Cruz, a leste, Rio Pardo ao sul, Sinimbu, ao noroeste, Venâncio Aires ao nordeste, e Passo do Sobrado a leste, sendo o polo do Vale do Rio Pardo. De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Santa Cruz do Sul-Lajeado e Imediata de Santa Cruz do Sul. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Santa Cruz do Sul, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Centro Oriental Rio-Grandense.
O município localiza-se em uma região fisiográfica de transição entre o Planalto e a Depressão Central, às margens do Rio Pardinho, constando com a presença dos biomas de Mata Atlântica e Pampa. O relevo é composto por vales, morros, e outras ondulações. Quanto à litografia, predominam as rochas vulcânicas.
A região contém três sub-bacias hidrográficas — a do Pardo, a Taquari-Antas, e a Baixo Jacuí, sendo a principal a primeira, com principal manancial o Rio Pardinho. Na Taquari-Antas, o manancial principal é o Rio Taquari Mirim. A cidade possui ainda uma série de microbacias de esgotamento sanitário — arroios. Devido a suas características geográficas, partes do município são suscetíveis a inundações, com registros de situação de emergência e de calamidade pública nos anos de 1984, 1993, 2005, 2009, 2010, e 2011.