Maria Dulce Rudio Soares (Fundão, 28 de novembro de 1950) é uma professora e política brasileira. Atualmente é prefeita no município de Fundão, Espírito Santo, onde já foi vereadora e prefeita.

Licenciada em História, foi eleita vereadora pelo PP para o período de 2001 a 2004 com a maior votação para o cargo no pleito de 2000 em Fundão. Em 2004, tendo como candidato a vice-prefeito em sua chapa o ex-prefeito Sebastião Carreta (então no mesmo partido), elegeu-se como prefeita para o período entre 1º de janeiro de 2005 e 31 de dezembro de 2008, derrotando Gilton Luís Ferreira (então no PPS). Candidatou-se pelo PMDB, por meio de recurso, à reeleição contra Marcos Fernando Moraes (PDT) em 2008, sendo derrotada.

Nas eleições de 7 de outubro de 2012, os últimos prefeitos interinos, Anderson Pedroni Gorza (então no PCdoB) e Claydson Pimentel Rodrigues (PSB), juntamente com João Manoel (DEM), candidatos a prefeito para a legislatura 2013-2016, foram derrotados com 37,43% dos votos para a ex-prefeita Maria Dulce, que venceu com a coligação Avançar para Recomeçar, formado pelos partidos PRB/PMDB/PR/PHS), mesmo condenada em primeira instância pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) por improbidade administrativa devido a superfaturamento.

Foi condenada também, em dezembro do mesmo ano, a seis anos de prisão em regime semiaberto, e, em maio de 2013, a perder o cargo em exercício e os direitos políticos por cinco anos, em processos do quais ainda recorre. Nesse período, era a pessoa à frente de uma prefeitura com mais processos de improbidade administrativa no Espírito Santo, somando onze ações. Em junho de 2013, teve seus bens bloqueados pela Justiça. Em setembro de 2014, o Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCE-ES) determinou que Maria Dulce deveria devolver aos cofres públicos dinheiro devido a gastos sem comprovada finalidade pública.

É casada com Raimundo Soares da Consolação, que exerceu o cargo de vereador por dois mandatos, entre 1º de janeiro de 1993 e 31 de dezembro de 2000.

Primeiro governo (2005-2008) thumb|left|Guarita do Parque Municipal do Goiapaba-Açu, cuja construção teria sido superfaturada.

Em 2006, o Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo julgou prestações de contas de 64 municípios capixabas. Dentre elas, as contas prestadas por Maria Dulce foram julgadas irregulares. Em 21 de novembro de 2006, Enivaldo Euzébio dos Anjos, conselheiro elator do Tribunal de Contas, julgou irregulares atos de responsabilidade da então prefeita Maria Dulce no seu primeiro ano de gestão, em 2005.

A partir de 2008, último ano de seu mandato de prefeita, Maria Dulce Rudio Soares foi acusada em uma série de ações civis públicas e denúncias do Ministério Público do Espírito Santo por suspeitas de nepotismo, improbidade administrativa, compra de votos, superfaturamento, contrato de empresa sem licitação, promoção pessoal em publicação da prefeitura e formação de quadrilha.

Ainda em seu primeiro mandato de prefeita, Maria Dulce recebeu ações civis públicas e denúncias pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) em 2008, que se estenderam por 2009. Antes das eleições municipais de 2008, o MPES apresentou quatro ações civis, sendo uma por nepotismo e três por improbidade administrativa.

Quanto à improbidade administrativa, Maria Dulce foi acusada pelo MPES de superfaturar a construção de uma guarita no Parque Municipal do Goiapaba-Açu no valor de R$ 38 mil. Haveria também irregularidades na compra de cartuchos de impressora e toners remanufaturados, em cujo processo a prefeita foi absolvida em segunda instância e os demais acusados, condenados. Um funcionário público municipal teria usado uma agente de saúde e estudante de Santa Teresa como laranja para participar da licitação. Alertada dos riscos de licitar enquanto tinha uma bolsa de faculdade, a própria agente denunciou o esquema. Uma ligação telefônica entre os dois dava conta de que a prefeita tinha conhecimento do caso. Na ocasião, Maria Dulce não falou sobre esta acusação. Ainda em 2008, uma empresa de limpeza urbana teria sido contratada irregularmente pela prefeitura por R$ 127 mil mensais.

Também foi denunciado pelo MPES um convênio em que a Prefeitura Municipal de Fundão transferiu R$ 10.800,00 à Fundação Pastor Homero Pereira Ramos de Assistência Social de Fundão, supostamente para o custeio de eventos religiosos acobertados por leis municipais. No caso, Maria Dulce foi absolvida na primeira e na segunda instância.

No mesmo ano, a festa de aniversário de emancipação do município teve a data adiantada para coincidir com a convenção de seu partido em Fundão, realizada próxima ao palco principal da festa, que não chegou a acontecer O juiz Gedeon Rocha Lima Júnior considerou "Absurdo, inacreditável e audacioso [...]". A prefeita disse na época não se manifestar antes de contactar seus assessores jurídicos.

Durante a campanha eleitoral de 2008, a candidata à reeleição foi acusada de distribuir cestas básicas em troca de votos, o que resultou em momentânea cassação de sua candidatura e da de seu vice, Sebastião Carreta. Em 22 de agosto, nove cestas foram encontradas em seu comitê eleitoral pela Polícia Civil do Estado do Espírito Santo e duas mulheres foram presas, sendo uma a secretária de Administração da prefeitura e a outra dona da casa onde funcionava o comitê que teria confessado o esquema à Polícia. O juiz eleitoral Gedeon Rocha Lima ouviu vinte testemunhas do caso em 10 de setembro e, no dia 23, cassou as candidaturas de Maria Dulce e Sebastião Carreta, ordenou aos dois pagamento de R$ 50 mil de multa e, à secretária e à dona da casa do comitê, aplicou multa de R$ 1 mil. Na sentença da Justiça Eleitoral, o juiz Gedeon Rocha Lima Júnior disse:

Ao portal Terra, Maria Dulce afirmou que se defenderia das acusações de compra de votos, pois a distribuição das cestas faria parte havia dois anos de um programa da prefeitura. Já ao portal Folha Vitória, a candidata disse não ter nenhum envolvimento com distribuição de cestas básicas. Em 24 de setembro, funcionários da TV Vitória procuraram Maria Dulce para se defender das recentes acusações. Ao fecharem uma das portas da prefeitura para fotografarem o brasão de Fundão nela gravado, os enviados da emissora foram ofendidos e ameaçados por simpatizantes de Maria Dulce, que também bateram no automóvel da equipe. A prefeita justificou-se, dizendo ter sido informada "Que a equipe de reportagem teria fechado a prefeitura, impedindo o atendimento de quem estava lá." Os empregados da emissora registraram boletim de ocorrência.

No pleito que se seguiu, Maria Dulce, já filiada ao PMDB, foi derrotada por Marcos Fernando Moraes (PDT). Em 2009, Maria Dulce passou a responder por peculato, formação de quadrilha e contratação de empresa sem licitação, além de ter sofrido ação civil por suposta promoção pessoal em periódico de prestação de contas, editado com verbas públicas.

Segundo governo (2013-) Em reportagem de maio de 2013, o jornal A Gazeta ressaltou o recorde de ações por improbidade administrativa por prefeitos do Espírito Santo. Maria Dulce defendeu-se alegando se tratam de "denúncias infundadas feitas por políticos da oposição", que o MPES abriu uma ação para cada suposta irregularidade apontada pelo TCE-ES, e que várias das acusações foram arquivadas. Ainda disse que pretende agir "com mais cautela, sem realizar processos emergenciais” e que “tudo terá que caminhar nos trâmites legais, mesmo que isso demande uma maior espera por parte da população".

Em sessão da Câmara Municipal de Fundão em 6 de março de 2014, o vereador Edson Onofre (então no PT) e outros parlamentares protocolaram o requerimento 007/2014, que pediu a instauração de comissão parlamentar de inquérito (CPI) em desfavor de Maria Dulce para investigar a aplicação dos royalties de petróleo no município entre 2005 e 2013. Os vereadores Edson Onofre e Everaldo dos Santos (então vice-presidente da Câmara pelo PSB), justificaram a abertura da CPI por não verem retornos da aplicação do dinheiro dos royalties. Everaldo dos Santos diz que há provas documentais de irregularidades na aplicação dos R$ 60 milhões recebidos por Fundão. Ainda segundo Everaldo dos Santos, a gestão de Maria Dulce é caracterizada pela falta de transparência. Para ele, o dinheiro dos royalties é usado para despesas de custeio, como transporte escolar, shows e contas de telefone, por isso, o destino da verba deveria ser discutido com a população. Por fim, apontou que a CPI investigaria não só Maria Dulce, mas também os outros ex-prefeitos que governaram até 2013. A abertura da CPI foi aprovada por seis votos a cinco e a comissão tem como membros Edson Onofre, Everaldo dos Santos e Ângela Maria Coutinho Pereira (então no DEM). Por nota, Maria Dulce se disse surpresa com a criação da CPI, mas a avaliou como legítima e declarou que estaria à disposição para esclarecimentos, por considerar legais e éticos seus atos como prefeita.

Na mesma sessão em que foi aprovada a instauração da CPI, os vereadores aprovaram alteração ao Regimento Interno que reduz de dois terços para maioria simples a parcela de votos necessários para as providências contra políticos que cometam irregularidades, facilitando, no caso, eventual afastamento da prefeita. Maria Dulce acusou a Mesa Diretora de manobra, mas o vice-presidente da Câmara na época, Everaldo dos Santos, disse que não há relação entre as decisões, sendo essa uma adequação necessária à lei.

Quatro dias depois, em 10 de março, foi publicado o decreto 138/2014, em que a prefeita suspende a aplicabilidade do parágrafo único e dos incisos do artigo 59 da Lei Orgânica Municipal, que trata do julgamento de infrações político-administrativas, e do caput e dos incisos do artigo 60 da mesma lei, sobre a cassação do prefeito. No decreto, Maria Dulce justifica que tais artigos estão sendo questionados na Justiça estadual e que estes vão de encontro às Constituições Federal e Estadual. Com isso, deixaria de ser infração o prefeito não passar informações à Câmara e ficariam os vereadores proibidos de apreciar denúncias e de instaurar pedidos de cassação. Vereadores concordaram que decretos do Executivo não podem anular artigos da Lei Orgânica, pois esta só pode ser alterada por lei, aprovada pela Câmara. O então vice-presidente da Câmara, Everaldo dos Santos, entendeu que o decreto é um atentado ao Estado de direito e "é letra morta", e que haveria ligação entre o decreto e a CPI aberta, Para Everaldo, a desobrigação de a Prefeitura fornecer documentos dificultaria fiscalizações, mas a CPI continuaria a funcionar e, se a Prefeitura negasse a entrega de documentos, a Justiça seria acionada. O vereador Edson Onofre disse que não entendeu os respaldos da prefeita e que seria preciso analisar o motivo da assinatura do decreto. A vereadora Ângela Maria Coutinho Pereira afirmou que o decreto "Não tem lógica" e não teria validade, e que "Nunca houve bom senso entre a Câmara e a prefeitura; eles acham que o vereador não deve fiscalizar.". Ao portal Folha Vitória, o procurador do município, em nome da prefeita, disse que os artigos apontados no decreto ferem a Constituição Federal, e que o decreto suspende os efeitos dos artigos, mas não os anula. O procurador negou que houvesse relação entre o decreto e a abertura da CPI. Ao jornal A Tribuna, Maria Dulce disse que o decreto não impede a CPI, tratando-se de questões de inconstitucionalidade, e que seu gabinete estaria à disposição de qualquer vereador.