thumb|Frontispício da obra, de 1876. A Cachoeira de Paulo Afonso é o título do livro do poeta brasileiro Castro Alves, publicado em 1876, excerto de seu livro Os Escravos, e que trazem um conjunto de 33 poemas.
O título homenageia a queda d'água de Paulo Afonso, no rio São Francisco e que o poeta canta em A Cachoeira, como um centauro sobre cujos ombros lhe cai o rio inteiro. Trazia como subtítulo "Manuscriptos de Stenio", tendo sido publicado pela editora "Imprensa Econômica", de Salvador.
Afrânio Peixoto, sobre o título "Manuscriptos de Stenio", esclarece que não encontrou qualquer outra alusão a este nos autógrafos do autor, senão aquela feita em uma edição de 1883 de Os Escravos, no qual se achava a obra dividida em duas partes, sendo a primeira "a Cachoeira de Paulo Affonso" e "II Manuscriptos de Stenio" - esta última composta de seis poesias apenas. Assinala, ainda, que Stenio é um personagem da obra Lélia, da escritora George Sand, de 1833: um jovem poeta que tendo um amor inatingível, cai na boemia e acaba morrendo, ressaltando o ex-Presidente da Academia Brasileira de Letras que esta alusão se baseasse "talvez no ânimo de Castro Alves simbólico da própria vida."
Peixoto narra, ainda, que Castro Alves lera em 1868 a Machado de Assis "A Cascata de Paulo Afonso" - e que a mudança do título deveria ter-se dado no sertão baiano, para onde o poeta retornara após sua viagem ao Sul - apondo-lhe a data que seria definitiva: fazenda "Santa Isabel, 12 de julho de 1870 no Rosário do Orobó".
Na edição Le cinquantenaire de Castro Alves da Revue de l'Amerique Latine nº 3, maio de 1922, o professor Georges Le Gentil declarou que a América contribuíra com duas obras para a literatura universal: A Cabana do Pai Tomás, Beecher-Stowe e a Cachoeira de Paulo Afonso, de Castro Alves.
Excertos (em domínio público):A Queimada
Meu pobre perdigueiro! vem comigo. Vamos a sós, meu corajoso amigo, Pelos ermos a vagar! Vamos lá dos gerais, que o vento açoita, Dos verdes capinzais n'agreste moita A perdiz levantar!...
Mas não!... Pousa a cabeça em meus joelhos... Aqui, meu cão!... Já de listrões vermelhos O céu se iluminou. Eis súbito, da barra do ocidente, Doudo, rubro, veloz, incandescente, O incêndio que acordou!
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Ligações externas
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