Religião no Brasil é muito diversificada, mas se caracteriza principalmente pela forte presença do cristianismo na sociedade. A Constituição prevê a liberdade de religião e declara que a Igreja e o Estado estão oficialmente separados, sendo o Brasil um Estado laico. A legislação brasileira proíbe qualquer tipo de intolerância, sendo a prática religiosa geralmente livre no país. Segundo o Relatório Internacional de Liberdade Religiosa de 2005, elaborado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, a "relação geralmente amigável entre religiões contribui para a liberdade religiosa" no Brasil.

Estatísticas

A população brasileira é majoritariamente cristã, sendo sua maior parte católico-romana. Herança da colonização portuguesa, o catolicismo foi a religião oficial do Estado até a Constituição Republicana de 1891, que instituiu o Estado laico. Também estão presentes os movimentos básicos do protestantismo: adventismo, batista, evangelicalismo, luteranismo, metodismo e, presbiterianismo. No entanto, existem muitas outras denominações religiosas no Brasil, algumas dessas igrejas são: pentecostais, episcopais, restauracionistas, entre outras. Há mais de três milhões e meio de espíritas (ou kardecistas) que seguem a doutrina espírita, codificada por Allan Kardec. O animismo também é forte dividindo-se em candomblé, umbanda, esoterismo, santo daime e tradições indígenas. Existe também uma minoria de muçulmanos, budistas, judeus e neopagãos. 8% da população (cerca de 15 milhões de pessoas) declarou-se sem religião no 2010 censo, podendo ser agnósticos, ateus ou deístas. Cerca de noventa por cento dos brasileiros declararam algum tipo de afiliação religiosa no 2010 censo realizado.IBOPE - Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística. Pesquisa de Opinião Pública sobre Criacionismo. Dec. 2004 .

Nas últimas décadas, tem havido um grande aumento de igrejas neopentecostais o evangelicalismo, o que diminuiu o número de membros tanto da Igreja Católica quanto das religiões afro-brasileiras. Eles cresceram principalmente devido ao desejo político do Partido Republicano dos EUA de espalhar o conservadorismo EUA e conter a América Latina dentro da hegemonia americana durante a Guerra Fria e no início dos anos 2000. O crescimento do protestantismo evangélico no Brasil é atribuído principalmente a uma combinação de trabalho missionário americano independente e colaboradores de direita latino-americanos com o governo americano e a Agência Central de Inteligência durante a Operação Condor. Muitos dos líderes e igrejas evangélicas do início do século XX foram apoiados pelos governos fantoches latino-americanos dos EUA e pelas próprias organizações americanas, que se alinharam aos valores políticos do governo, opondo-se à Teologia da Libertação e a movimentos moderados ou politicamente liberais. Muitas igrejas evangélicas brasileiras continuaram a se alinhar às ideologias americanizadas trazidas e financiadas pelas três instituições.

O censo demográfico realizado em 2010, pelo IBGE, apontou a seguinte composição religiosa no Brasil: 64,6% dos brasileiros (cerca de 123 milhões) declaram-se católicos; 22,2% (cerca de 42,3 milhões) declaram-se protestantes (evangélicos tradicionais, pentecostais e neopentecostais); 8,0% (cerca de 15,3 milhões) declaram-se irreligiosos: ateus, agnósticos, ou deístas; 2,0% (cerca de 3,8 milhões) declaram-se espíritas; 0,7% (1,4 milhão) declaram-se testemunhas de Jeová; 0,3% (588 mil) declaram-se seguidores do animismo afro-brasileiro como o Candomblé, o tambor de Mina, além da Umbanda; 1,6% (3,1 milhões) declaram-se seguidores de outras religiões, tais como: os budistas (243 mil), os judeus (107 mil), os messiânicos (103 mil), os esotéricos (74 mil), os espiritualistas (62 mil), os islâmicos (35 mil) e os hoasqueiros (35 mil). Há ainda registros de pessoas que declaram-se baha'ís e wiccanos, porém nunca foi revelado um número exato dos seguidores de tais religiões no país.IBGE. Tabela 1.4.1 - População residente, por situação do domicílio e sexo, segundo os grupos de religião - Brasil - 2010.

De acordo com o censo de 2022, 56,75% da população era católica, 26,85% protestante ou evangélica, 9,28% sem religião, 1,84% espírita, 1,05% de religião afro-brasileira, 4,01% de outras religiões, 0,06% de religião indígena e 0,17% não declarada. Notavelmente, áreas com crescente presença evangélica protestante em todo o Brasil também têm visto aumentos na população irreligiosa.

História Antes da colonização europeia, os povos indígenas do Brasil praticavam muitas religiões diversas. Algumas dessas religiões indígenas estavam fortemente conectadas à natureza. O Brasil por ter sido uma colónia portuguesa tem uma população majoritariamente cristã católica (99,7%) de acordo com o primeiro da história do país em agosto de 1872 sob o comando de Dom Pedro II, que contabilizou quase 10 milhões de habitantes (atualmente a capital paulistana tem 12,4 milhões de habitantes).

Durante o reinado brasileiro do imperador Dom Pedro I (1822-1831), este tentou ser a liderança suprema da igreja no país, seguido pela segunda pessoa mais influente do reinado, Diego Antonio Feijó (1784—1843), um padre galicano anti-roma. Na época de Dom Pedro II, este favoreceu as opiniões nacionais de Voltaire e desconfiava da influência da Igreja na povo; pois o imperador via a igreja como uma parte da administração estatal. Os municípios estatutários encerraram as atividades e a burguesa brasileira criou políticas baseadas no positivismo anti-clerical.

Em 1869/1870, os bispos do Brasil participaram do Concílio Vaticano I, o que fortaleceu a igreja como uma organização independente do Estado.

Com o crescimento do protestantismo histórico no Brasil e a secularização do país, missionários americanos começaram a introduzir o protestantismo evangélico. Durante o século XX, o evangelicalismo também começou a ser usado como ferramenta pelo governo dos Estados Unidos e pela Agência Central de Inteligência. O movimento evangélico, transformado em arma no Brasil, foi usado para denunciar, perseguir e silenciar o catolicismo e movimentos não conservadores; esses movimentos foram vistos sob a ótica dos Estados Unidos como ferramentas para promover o comunismo.

Com o crescimento do evangelicalismo e sua disseminação no Brasil e em outros países latino-americanos, financiado e influenciado pelos Estados Unidos, para denunciar especificamente a Teologia da Libertação, o movimento, assim como seus equivalentes católicos, começou a influenciar a política brasileira. Ao infiltrar ideologias americanas e valores religiosos conservadores e evangélicos em países latino-americanos, especialmente no Brasil, muitos brasileiros que estiveram envolvidos com empresas, agentes governamentais, líderes religiosos e intelectuais americanos auxiliaram no crescimento desse movimento.

Em oposição à teologia da libertação do catolicismo latino-americano, muitas igrejas evangélicas adotaram princípios de individualismo, capitalismo e teologia da prosperidade entre seus membros. Segundo a Polícia Federal, algumas igrejas evangélicas que foram criadas a partir de suas filiais nos EUA (a Assembleia de Deus e a Igreja Batista, por exemplo) foram implicadas na tentativa de golpe de Bolsonaro. Alguns políticos evangélicos também ameaçaram com respostas reacionárias aos julgamentos de Bolsonaro. Desde o seu crescimento no Brasil, muitas igrejas evangélicas também se envolveram na perseguição de religiões afro-brasileiras. Diversas igrejas neopentecostais também foram notadas por perseguir católicos por meio do uso de facções. Esses eventos têm causado protestos inter-religiosos.

Embora se espere que os evangélicos e o neopentecostalismo superem em número os católicos brasileiros até 2035, os brasileiros eram majoritariamente católicos em 2025. Os brasileiros também continuam a constituir a maior população católica do mundo. Os protestantes evangélicos têm enfrentado um aumento na desfiliação religiosa em áreas de destaque protestante.

Grupos religiosos

Bahaísmo A religião abraâmica bahaísmo (Fé bahá'í) no Brasil iniciou em 1919 com a primeira visita dos bahá'ís no país, sendo a pioneira desta religião no Brasil a norte-americana Leonora Armstrong quando mudou para o país em fevereiro de 1921.

Budismo

thumb|Templo budista Zu Lai em Cotia, São Paulo, o maior da América Latina.

O budismo é provavelmente a maior de todas as religiões minoritárias do Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010 havia budistas no Brasil — em 1991 budistas, em 2000 budistas no país (-9.1%)

Os ensinamentos budistas chegaram ao Brasil com os primeiros imigrantes asiáticos, principalmente dos japoneses, coreanos e chineses que queriam trabalhar nas lavouras de café do Brasil, há aproximadamente 110 anos. A religião e seus ensinamentos ganharam força no país a partir da década de 1950, quando as pressões decorrentes da Segunda Guerra Mundial se amenizaram. A cidade de Moji das Cruzes, em São Paulo, foi a primeira a abrigar um templo, o Zengen-ji. Acredita-se que, atualmente, mais de 200 mil cidadãos brasileiros se declaram budistas, exercendo várias denominações a depender de qual escola, como a escola tibetanas, Soto Zen, Theravada, Kadampa e Terra Pura.

Cristianismo No Brasil, a denominação cristã com mais membros é a religião católica romana, seguido pelas religiões protestantes evangélicas. Os evangélicos e pentecostais cresceram muito no Brasil nas últimas décadas, e estima-se que cerca de 15% dos cristãos sejam pentecostais.

As dez maiores denominações cristãs no país são: Igreja Católica Apostólica Romana (cerca de 117.381.550 membros em 2025) Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (6.000.000 membros em 2018) Congregação Cristã no Brasil (4.500.000 membros em 2018) Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil (4.000.000 membros em 2018) Convenção Batista Brasileira (1.863.617 membros em 2025) - 2.223.617 aderentes (em 2025) Igreja Universal do Reino de Deus (1.873.243 membros em 2010) Igreja Adventista do Sétimo Dia (1.826.903 membros em 2025) Igreja do Evangelho Quadrangular (1.808.389 membros em 2010) Igreja Internacional da Graça de Deus (1.195.380 membros em 2014) Igreja Pentecostal Deus é Amor (845.383 membros em 2010)

Catolicismo

thumb|Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida, um dos maiores templos católicos do mundo. thumb|direita|Estátua do Cristo Redentor no Rio de Janeiro, Brasil.

A principal religião do Brasil, desde o século XVI, tem sido o catolicismo romano. Ela foi introduzida por missionários jesuítas que acompanharam os exploradores e colonizadores portugueses nas terras do país recém-descoberto. O Brasil é considerado o maior país do mundo em número de católicos nominais, com 64,6% da população brasileira declarando-se católica, de acordo com o Censo do IBGE de 2010.

No transcorrer do século XX, foi perceptível uma diminuição no interesse pelas formas tradicionais de religiosidade no país. Um reflexo disso é o aparecimento de grande número de pessoas que se intitulam católicos "não praticantes". Uma pesquisa de 2007 da Fundação Getúlio Vargas, no entanto, indicou que o número de católicos estagnou no país depois de mais de 130 anos de queda. Entretanto, segundo dados do Censo do IBGE, entre os anos 2000 e 2010, o total de católicos diminuiu 1,4%, enquanto a população brasileira aumentou 12,3%. Em 2010, havia 123,2 milhões de católicos no País; em 2000, eram 124,9 milhões. Em dez anos, a comunidade católica perdeu uma população equivalente à de Curitiba. Em 2022, o censo relatou que 56,75% da população era católica. Em 2025, segundo dados da Igreja, a população católica brasileira havia se recuperado e contava com mais de 182 milhões de adeptos. A Igreja Católica conta todos os batizados como católicos (incluindo pessoas que deixaram a Igreja e até aquelas que estão mortas).