O Campeonato Brasileiro Feminino Série A1, também conhecido como Brasileirão Feminino é a principal divisão do sistema de ligas do futebol feminino no Brasil. É disputado por dezoito clubes em um sistema de promoção e despromoção com a Série A2.
Criado em 1997 e descontinuado em 2001, foi retomado, pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), de forma definitiva em 2013. Foi antecedido pela Taça Brasil de Futebol Feminino e pelo Troféu Brasil de Futebol Feminino.
Para a edição de 2024, o país ocupava a 1.º posição no ranking histórico da CONMEBOL. Dessa forma, ambas as equipes finalistas da competição nacional classificam-se para a CONMEBOL Libertadores Feminina.
O atual campeão nacional é o Sport Club Corinthians Paulista, após conquistar seu sétimo título na temporada de 2025.
História
Proibição e primeiros anos A proibição da prática do futebol por mulheres no Brasil teve origem com o decreto-lei 3199 de 14 de abril de 1941, na ditadura Estado Novo. A proibição só veio a ser derrubada em 1979 ainda na ditadura militar. Com enfraquecimento do poder militar e o movimento das Diretas Já, a Liga Nacional de Futebol (LINAF) introduziu os primeiros campeonatos nacionais de futebol feminino.
Anos 1980
Entre 1983 e 1989, a Taça Brasil de Futebol Feminino consagrou o Radar o primeiro campeão nacional de futebol feminino e hexacampeão consecutivo entre 1983 e 1989, batendo clubes consagrados do futebol nas finais como Atlético Mineiro e Internacional.
A VI Taça Brasil de Futebol Feminino, organizada pela CBF, foi adiada de 1988 para 1989 em razão da participação da Seleção Brasileira no Torneio Experimental da China. Esse foi o primeiro torneio oficial de seleções femininas organizado pela FIFA, realizado no país asiático entre 1.°e 12 de junho de 1988. A primeira formação da Seleção foi predominantemente composta por jogadoras do Radar e com a participação do então presidente do clube Eurico Lira como chefe da delegação.
Anos 1990
No início da década de 1990, a Taça Brasil de Futebol Feminino teve um período de inatividade, sendo retomada apenas em 1993 em sua sétima edição. Em 1991, não houve campeonato, pois as principais jogadoras estavam envolvidas na prepração da Seleção Brasileira para a primeira Copa do Mundo de Futebol Feminino (1991). Em 1990, houve dois campeonatos de caráter nacional, o Troféu Brasil de Futebol Feminino organizado pela prefeitura de Mairinque (SP) e o Torneio Quadrangular de Futebol Feminino de Águas de Lindóia.
A Taça Brasil de Futebol Feminino teve ainda mais duas edições (1994 e 1996), quando foi substituída pelo Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino nas edições 1997, 1998, e 1999/2000. A IX Taça Brasil de Futebol Feminino prevista para 1995 foi adiada para 1996, devido ao envolvimento das principais jogadoras na preparação para a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 1995.
A Taça Brasil de Futebol Feminino, bem como o Troféu Brasil de Futebol Feminino, foi consideradada um título brasileiro pelos jornais e pela própria CBF na época, utilizando- o campeonato para compor a lista de selecionáveis para os torneios regionais e mundiais de seleções. Ressalta-se que a CBF ao organizar a edição de 1988 (adiada para 1989) manteve a sequência das edições, reconhecendo, portanto, seu caráter oficial.
Anos 2000
Nos anos 2000, o Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino será realizado apenas em 2001, havendo um novo período de descontinuidade entre 2002 e 2005, à exceção feita do I Circuito Brasileiro de Futebol Feminino 2003 que contava com a participação da Seleção Brasileira Universitária, o Santos, o Saad, e o CFZ.
Retomada e profissionalização Retorno da LINAF
Em 2006, após a saída da CBF, a LINAF retorna a criação do torneio nacional em parceria com a Federação Paulista de Futebol Amador (FPFA). O torneio foi primeiro retomado como Taça Brasil de Futebol Feminino, sendo a décima edição do campeonato, e foi disputado em Jaguariúna, estado de São Paulo, em seu primeiro ano, sendo vencido pelo Botucatu. Em 2007, o torneio foi batizado de I Liga Nacional de Futebol Feminino, tendo sido realizando em várias cidades do estado do Rio de Janeiro em 2007, ano em que as Sereias da Vila sagraram-se campeãs comandadas por Kleiton Lima.
Em 2008, a LINAF, com apoio do Ministério do Esporte, iniciou a organização da II Liga Nacional de Futebol Feminino, que pretendia reunir 32 equipes de 20 estados, incluindo o Distrito Federal. O torneio estava previsto para ocorrer no Circuito das Águas (SP), no final daquele ano, mas acabou sendo adiado sucessivamente — primeiro para fevereiro de 2009, depois para setembro — até ser definitivamente cancelado. Entre os principais motivos estavam a falta de patrocinadores e a concorrência com torneios nacionais promovidos pela CBF, como a Copa do Brasil de Futebol Feminino. Embora os organizadores tenham chegado a publicar o regulamento e a lista de participantes, essa acabou sendo a última tentativa da LINAF de realizar uma competição feminina em âmbito nacional.
Retorno da CBF e divisão entre Campeonato e Copa Em 2007, a CBF criou a Copa do Brasil de Futebol Feminino, um torneio no formato de copa nacional tal qual a Copa do Brasil de Futebol. E em 2013 a Confederação Brasileira de Futebol, em parceria com a Caixa Econômica Federal, organizou a primeira edição do Campeonato Brasileiro, com a participação das 20 melhores equipes do Ranking da CBF de Futebol Feminino.
O agora Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, com uma curta temporada de três meses inicialmente. Em 2015, as equipes que atingiram as fases de mata-mata receberam um apoio financeiro de cerca de R$ 10.000,00 para uma rodada em casa e fora, além do custo de transporte aéreo ou rodoviário pago.
Em 2017, a Confederação Brasileira de Futebol alterou a fórmula de disputa da competição, tendo reduzido a 1ª divisão de 20 para 16 times e criado a Série A2, também com 16 equipes. A ampliação no Campeonato Brasileiro foi acompanhada pelo cancelamento da Copa do Brasil de Futebol Feminino.
Em 2019, a Band adquiriu os direitos de transmissão da CBF. Em novembro de 2020, a ESPN Brasil passou a transmitir a competição. Em 2021 o canal esportivo do Desimpedidos transmitiu as partidas do campeonato no YouTube e o canal SporTV transmitiu as partidas na TV Fechada. Em 2023, o Grupo Globo adquiriu os direitos de transmissão do torneio, mas com a TV Globo realizando a cobertura a partir das quartas de final.
Entre 2021 e 2024, o campeonato tinha como nome Brasileirão Feminino Neoenergia, como ação de naming rights.
Historicamente, os times paulistas dominam a disputa, tendo vencido 9 das 10 edições já realizadas (com 5 times campeões: , , , e ). Além disso, os times paulistas também são responsáveis por todos os títulos do Brasil na Copa Libertadores da América de Futebol Feminino (com 5 times campeões: , , , , e ) . Curiosamente, e são campeões continentais, mas nunca venceram o Campeonato Brasileiro (tendo se classificado para a Libertadores ao vencer a extinta Copa do Brasil de Futebol Feminino).
Em maio de 2021, foi anunciado a criação da Série A3, com 32 clubes.
Acesso à CONMEBOL Libertadores Feminina O acesso à CONMEBOL Libertadores Feminina é feito tendo por base a posição do país no ranking histórico da CONMEBOL. Devido o Brasil ocupar o 1º lugar no ranking da temporada 2023, ambos os finalistas da competição nacional tem acesso à competição internacional.
Ranking da CONMEBOL Atualizado em 21 de outubro de 2023 Associação1 Brasil2602 Chile1483 Colombia1454 Paraguai1155 Argentina1056 Venezuela797 Equador668 Uruguai539 Bolívia4010 Peru38 +Classificação do Brasil no ranking histórico da CONMEBOL2020202120222023 1º 1º 1º1º Participações Um total de 50 clubes já participaram do Campeonato Brasileiro desde a sua primeira edição, em 2013. A tabela a seguir apresenta os clubes que mais participaram dos torneios que compõe o Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino desde 2013 a 2025. Os clubes em negrito indicam as equipes que jogaram o Brasileirão de 2025.
ClubesTemporadas(2013-2025)Melhor campanha 12Campeão (2014 e 2019) 20142025–11Campeão (2016) 20152025–11Vice-campeão (2014 e 2020) 20132024110Campeão (2018, 2020, 2021, 2022, 2023, 2024 e 2025) 20162025–10Campeão (2017) 201520241 10Vice-campeão (2013 e 2015) 201320221 84.º colocado (2017) 201320201 73.º colocado (2013) 2013 20191 7 6.º colocado (2024) 2017 2025 1 7 Vice-campeão (2022) 2019 2025 – 76.º colocado (2013) 2013 20191 75.º colocado (2013) 2013 20191 6 Vice-campeão (2025) 2020 2025 – 6 Vice-campeão (2021) 2020 2025 – 6 Vice-campeão (2024) 2020 2025 – 56.º colocado (2014) 201320181 55.º colocado (2022) 20212025– 5Campeão (2015) 20132018– 59.º colocado (2017) 2014 20251 47.º colocado (2015) 2015 2025– 4 7.º colocado (2017 e 2019) 2017 2020 1 47.º colocado (2025) 2014 20252 4 8.º colocado (2014) 2013 2016 1 4 Campeão (2013) 2013 2016 1 4 5.º colocado (2014) 2013 2016 1 4 8.º colocado (2018) 2017 2020 1 410.º colocado (2014 e 2015) 201420181 4 14.º colocado (2014 e 2016) 2013 2016 1
Campeões Campeões do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino
Total de temporadas entre os quatro primeiros colocados * Atualizado em 21 de setembro de 2026.
Total G4ClubesParticipações91172007132131551211701227011341210213410201102101002012111010801011701007001080001500014000130001
Artilheiras Por edição EdiçãoJogadoraClubeGols 2013 Gabi Zanotti 12 2014 Raquel Fernandes 16 2015 Gabi Nunes 14 2016 Millene Fernandes 10 2017 Soledad Jaimes 18 2018 Danyelle Flamengo 15 2019 Millene Fernandes 19 2020 Carla Nunes Palmeiras 122021 Bia Zaneratto 132022 Cristiane Santos 132023 Amanda GutierresPalmeiras 132024 Amanda GutierresPalmeiras162025 Amanda GutierresPalmeiras17
Clubes com mais artilharias Pos.ClubeTotal 1 Palmeiras 5 2 2 3 1
Maiores goleadas Abaixo segue a lista das maiores goleadas da história do Brasileirão Feminino.
NºEdiçãoMandantePlacarVisitanteData1201416–116 de outubro de 20142202314–025 de fevereiro de 20233201513–020 de setembro de 20154202311–01 de abril de 20235201311–121 de setembro de 20136 201510–016 de setembro de 201510–023 de setembro de 2015201710–031 de maio de 2017201910–023 de março de 2019202310–011 de março de 2023720199–014 de julho de 20199–013 de julho de 2019 20209–010 de setembro de 20209–011 de outubro de 202020239–026 de fevereiro de 2023820141–925 de setembro de 2014920140–817 de setembro de 20148–025 de setembro de 201420158–04 de outubro de 201520188–016 de maio de 20188–022 de maio de 201820198–027 de março de 201920218–020 de junho de 202120230–826 de março de 202320258–019 de abril de 2025
Ver também Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino - Série A2 Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino - Série A3 Supercopa do Brasil de Futebol Feminino Copa do Brasil de Futebol Feminino Taça Brasil de Futebol Feminino