Etelfrido (ou ainda Aethelfrith, Æthelfrith, Ethelfrith, ) (morto ca. 616) foi rei da Bernícia, de aproximadamente 593 até cerca de 616; foi também, a partir de 604, o primeiro rei da Bernícia a também governar a Deira, ao sul da Bernícia. Uma vez que Deira e Bernícia foram os dois componentes básicos do que viria a ser definido como Nortúmbria, Etelfrido pode ser considerado, em termos históricos, o primeiro rei da Nortúmbria. Foi especialmente notável por seu sucesso na luta contra os bretões, e sua vitória sobre os escotos de Dál Riata. Embora tivesse sido derrotado e morto em batalha e substituído por um rival dinástico, sua linhagem foi finalmente restaurada no poder na década de 630.
Antecedentes Etelfrido, filho de Etelrico e neto de Ida, aparentemente sucedeu Hussa como rei da Bernícia por volta do ano 592 ou 593; A chegada ao trono de Etelfrido, pode ter envolvido rivalidade dinástica e o exílio dos familiares de Hussa.Michelle Ziegler, "The Politics of Exile in Early Northumbria ", The Heroic Age, Issue 2, Autumn/Winter 1999. As genealogias ligadas a alguns manuscritos da Historia Brittonum dizem que Etelfrido governou a Bernícia por doze anos, e por mais doze anos, a Deira, que pode ser entendido, que governou inicialmente a Bernícia, de cerca de 592 a 604, ano este que também chegou ao trono da Deira.Historia Brittonum, chapter 63. Veja D. P. Kirby, The Earliest English Kings (1991, 2000), página 57, para a interpretação da cronologia. Seus antecessores são obscuros; Etelfrido é o primeiro governante da Bernícia sobre o qual todos os detalhes importantes são conhecidos. O historiador do século XX, Frank Stenton, escreveu que "a história contínua da Nortúmbria, e também da Inglaterra, começa com o reinado de Etelfrido" e que "ele foi o verdadeiro fundador do reino histórico da Nortúmbria, e foi lembrado como o primeiro grande líder que surgiu entre os anglos do norte."Frank Stenton, Anglo-Saxon England (1943, 1971; 1998 Oxford paperback), páginas 76–77.
Conquistas thumb|270px|direita|Os principais reinos anglo-saxões no Beda fala de grandes vitórias de Etelfrido sobre os bretões, ao mesmo tempo em que chama a atenção para o seu paganismo (a conversão da Nortúmbria só teve início dez anos após sua morte): ele "devastou os bretões mais do que todos os grandes homens dos ingleses, de modo que poderia ser comparado a Saul, rei dos israelitas, excetuando-se apenas o fato de que Etelfrido ignorava a verdadeira religião. Conquistou os territórios dos bretões, tornando-os pagadores de tributos, ou promovendo a morte de todos os seus habitantes, e colocando ingleses em seus lugares, do que qualquer outro rei ou tribuno."Beda, História Eclesiástica do Povo Inglês, Book I, Capítulo 34. Pode ter sido Etelfrido quem destruiu o exército bretão na batalha de Catraeth (Catterick, ca. 600), a batalha é descrita no início do poema Y Gododdin. Os bretões chamavam-no de Flesaur, ou "o Tornado".The Historia Britonum menciona o nome Flesaur: ver capítulos 57 e 63. Ver também Stancliffe, "The Making of Oswald's Northumbria", em Stancliffe e Cambridge (ed.), Oswald: Northumbrian King to European Saint (1995), página 20. Foi sob o reinado de Etelfrido, que os limites da Bernícia expandiram-se significativamente do litoral em direção ao interior e penetrou ainda mais em território bretão.
Áedán mac Gabráin, o rei irlandês de Dál Riata (a noroeste da Bernícia), alarmou-se com as conquistas de Etelfrido, e em 603 comandou "um exército imenso e poderoso" contra Etelfrido. Embora Etelfrido tivesse uma força inferior, segundo Beda, obteve uma vitória esmagadora em um lugar chamado Degsastan. A maior parte do exército de Áedán foi morta, e Áedán fugiu. Beda diz que a vitória de Etelfrido foi tão grande que os reis irlandeses na Grã-Bretanha, não fariam mais guerra novamente contra os ingleses, até os tempos de Beda.História Eclesiástica do Povo Inglês, Livro I, capítulo 34; a qualificação de Beda "na Grã-Bretanha" pode aludir à guerra de Fiachnae mac Báetáin e o sucessor de Etelfrido, Eduíno. A batalha contudo, parece ter sido onerosa para Etelfrido; Beda diz que o irmão de Etelfrido, Teodbaldo, foi morto, juntamente com quase todos os homens das forças que comandava".Beda, H. E., I, 34; também a Crônica anglo-saxã, manuscrito E, ano 603, que menciona a morte de Teodbaldo juntamente com "toda a sua tropa". Os Anais de Tigernach, s.a. 598, relatam que Máel Umai mac Báetáin de Cenél nEógain, matou o irmão de Etelfrido, que eles chamavam de "Eanfrith". O surgimento de Hering, filho de Hussa, o antecessor de Etelfrido, do lado dos invasores parece indicar a rivalidade dinástica entre os nobres da Bernícia.Ver a "Crônica anglo-saxã", manuscrito E, ano 603, a participação de Hering; Beda não menciona Hering. Ver Ziegler, "Politics of Exile", as implicações dinásticas da participação de Hering; Ziegler também sugere que Beda não mencionaria a participação de Hering, mesmo se soubesse, uma vez que este aspecto do conflito poderia manchar a sua interpretação de Etelfrido e a linhagem berniciana que ele representava.(nota 5 ) Etelfrido pode ter chegado a um acordo com os irlandeses de Dál Riata depois disso, julgando o fato que, as posteriores campanhas militares conhecidas de Etelfrido ocorreram em outras partes da Grã-Bretanha; e que seus filhos, posteriormente, refugiaram-se entre os irlandeses de Dál Riata, após a morte de Etelfrido em batalha.Rosemary Cramp, "The Making of Oswald's Northumbria", em C. Stancliffe e E. Cambridge (ed.), Oswald: Northumbrian King to European Saint (1995, 1996), página 19 (também nota 10).
Etelfrido obteve o controle da Deira por volta de 604; as circunstâncias que o levaram a isto são desconhecidas.D. P. Kirby, The Earliest English Kings, páginas 60–61. Que ganhou Deira através de conquista é sugerido pelo exílio de Eduíno, filho do ex-rei Ella e Hererico, sobrinho de Eduíno, que eram membros notáveis da linhagem real da Deira; o curto reinado de cinco anos de Etelrico da Deira, que governou logo após a aquisição da Deira por Etelfrido, também pode indicar a conquista. Por outro lado, D. P. Kirby sugeriu que o governo dos dois reinos por Etelfrido pode ter representado "uma formalização de uma relação já existente" de cooperação entre os dois. Kirby também apontou que Eduíno não necessariamente foi para o exílio imediatamente, e considerou ser provável que a hostilidade de Etelfrido para com ele "manifestou-se apenas aos poucos". Eduíno, aparentemente em busca de segurança, parece ter viajado entre muitos reinos diferentes durante o seu período de exílio. Pode ter passado o tempo durante o seu exílio no reino bretão de Venedócia,John Marsden, Northanhymbre Saga (1992) baseado em Reginaldo de Durham e as Welsh Triads. e parece claro que passou algum tempo na Mércia, porque casou com uma filha do rei Cearl.Beda, H.E., Livro II, capítulo 14. Por último, refugiou-se na Ânglia Oriental, onde sua presença precipitou os acontecimentos que causaram a queda de Etelfrido.
Foi também em torno de 604, que nasceu o filho de Etelfrido, Osvaldo.Isto é baseado na declaração de Beda (H.E., Livro III, capítulo 9), que Osvaldo tinha trinta e oito anos de idade quando morreu, em 642; portanto, deve ter nascido por volta de 604. A mãe de Osvaldo foi Acha de Deira, filha de Ella e, portanto, irmã de Eduíno.Beda, H.E., III, 6. Embora Beda não diga explicitamente que Etelfrido casou com Acha, supõem-se que assim o fez;Ziegler, "Politics of Exile", nota 14 . que pode ter-se casado com ela antes de tomar o poder em Deira, caso em que o casamento pode tê-lo facilitado, ou pode ter se casado mais tarde, a fim de consolidar sua posição no território recém dominado.
A Historia Brittonum diz que Etelfrido deu a cidade de Din Guaire para sua esposa Bebba, em homenagem a qual ela foi renomeada para Bamburgo (Bamburgh);Historia Brittonum, capítulo 63; Ziegler, "Politics of Exile", cita uma tradução (Morris, 1980) usando os nomes do lugar grafado como dado. Beda também diz que Bamburgo recebeu esse nome em homenagem a uma ex-rainha chamada Bebba, embora não mencione Etelfrido.Beda, H.E. III, 6, e III, 16. Foi sugerido que ela "foi provavelmente a primeira e a mais importante esposa de Etelfrido".
Mais tarde, em seu reinado, provavelmente entre 613 e 616,A Crônica anglo-saxã (E) registra essa batalha em 605, mas isso é considerado incorreto; veja a tradução de Michael Swanton da ASC (1996, 1998, paperback), página 23, nota 2. 616 é a data geralmente aceita, como proposta inicialmente por Charles Plummer, Venerabilis Beda Opera Historica (1896). Etelfrido atacou o Reino de Powys e derrotou o seu exército em uma batalha em Chester, no qual o rei de Powys, Selyf ap Cynan foi morto, junto com outro rei chamado Cetula, que era provavelmente Cadwal Crysban de Rhos.A. W. Wade-Evans, Vitae sanctorum Britanniae et genealogiae (1944). Massacrou também os monges de Bangor-on-Dee, que se instalaram no local para ajudar os britânicos com suas preces. Beda diz que ele decidiu atacá-los, porque, embora não estivessem armados, opunham-se a ele através de suas orações. O número de monges mortos foi dito aproximar-se de 1200, com apenas cinquenta fugas.Beda, H.E., Book II, capítulo 2. A ASC (E) indica o número de monges mortos, de apenas 200, mas concorda que cinquenta escaparam. Foi sugerido que Etelfrido pode ter feito isso por razões táticas, para pegar os bretões de surpresa e forçá-los a mudar seus planos para proteger os monges. Depois de primeiro matar os monges, Etelfrido prevaleceu sobre o exército inimigo, porém Beda registra que as próprias forças de Etelfrido sofreram perdas consideráveis.Beda, H.E., II, 2. A vitória de Etelfrido em Chester tem sido vista como sendo de grande importância estratégica, pois pode ter provocado a separação dos bretões, entre aqueles situados no País de Gales, e os que habitavam mais ao norte; contudo, Stenton observou que Beda estava especialmente preocupado com o massacre dos monges e não indica que considerava a batalha como um "ponto de inflexão" histórico.Stenton, página 78. Koch diz, que a antiga visão de que a batalha resultou na criação de duas áreas bretãs separadas, é hoje em dia "geralmente entendida" como ultrapassada, uma vez que Etelfrido morreu logo em seguida, e não há "quase nenhuma evidência arqueológica de colonização anglo-saxã, dentro do período pagão de Cheshire ou Lancashire" e, em qualquer caso, o mar teria sido o principal meio de comunicação.Koch, John T., Celtic culture: a historical encyclopedia, p. 318, ABC-CLIO, 2006, ISBN 1851094407, 9781851094400
Rivais O exilado Hererico da Deira foi envenenado na corte de Cerético, rei de Elmet; Etelfrido pode ter sido responsável por esta morte.Beda, H.E., Livro IV, capítulo 23; ver também Ziegler, "Politics of Exile", e Kirby, página 61, para sugestão da culpa de Etelfrido. Eduíno acabou chegando à Ânglia Oriental, sob a proteção de seu rei, Redwald. Etelfrido enviou mensageiros para subornar Redwald com "uma grande soma de dinheiro" para assassinar Eduíno; Beda relata que sua primeira mensagem não teve efeito, porém, Etelfrido enviou mais mensageiros e ameaçou entrar em guerra caso Redwald não aceitasse (subornos e ameaças deste tipo podem ter sido anteriormente utilizadas para realizar o assassinato de Hererico). Redwald finalmente concordou matar Eduíno ou entregá-lo aos mensageiros de Etelfrido, contudo, segundo relatos, foi dissuadido por sua esposa, que disse que tal coisa era indigna de sua honra.