A Praia de Porto Pim é uma zona balnear situada na baía do mesmo nome, junto ao centro da cidade da Horta, na ilha do Faial, no arquipélago dos Açores. Possui um areal de areia fina com cerca de 350 metros de extensão e encontra-se inserida na Área de Paisagem Protegida do Monte da Guia, integrada no Parque Natural do Faial.Mapa dos Açores, Série Regional, 7.ª edição. ISBN 978-989-556-084-4.
Características A praia ocupa um recanto abrigado da baía, com acesso direto pelo centro da cidade da Horta, e é banhada por mar de reduzida ondulação. A temperatura média da água no verão ronda os 22 °C.
A sudeste do areal desenvolve-se um conjunto de dunas cinzentas com vegetação herbácea, classificado no âmbito da Rede Natura 2000. A envolvente é dominada por duas elevações de origem vulcânica contíguas à baía, o Monte da Guia e o Monte Queimado, destacando-se o primeiro pela altitude, que domina o relevo das imediações.
História miniaturadaimagem|220x220px|Vista aérea da praia, em 2010 A baía onde a praia se situa foi o local de desembarque dos primeiros povoadores da ilha, no século XV, conhecendo posteriormente uma ocupação portuária, bacalhoeira, baleeira e telegráfica que se prolongou até à segunda metade do século XX.
Em 2011, no que respeita à utilização balnear, a praia foi galardoada com a Bandeira Azul e classificada como praia de Qualidade de Ouro pela Quercus. A Bandeira Azul foi perdida em 2021, na sequência da acumulação de algas no areal, encontrando-se novamente hasteada em agosto de 2023.
Zona balnear A zona balnear dispõe de duches, bar e parque de estacionamento, e é vigiada durante a época balnear. A sua gestão cabe à Secretaria Regional do Ambiente.
A praia é local de realização do primeiro banho do ano, tradição que aí reúne banhistas a 1 de janeiro. A 1 de janeiro de 2024, e apesar das condições meteorológicas adversas, mais de meia centena de pessoas participou na iniciativa.
Em agosto de 2024, na sequência do alerta de um popular, a Polícia Marítima retirou da água uma mulher de 46 anos, residente na ilha do Faial, que viria a ser declarada morta no hospital; a investigação das circunstâncias da morte foi entregue à Polícia Judiciária.
Ambiente
Qualidade da água Em julho de 2019, a prática balnear foi interditada, em articulação com a Direção Regional dos Assuntos do Mar, após a deteção de contaminação bacteriológica na areia, a partir de amostras recolhidas pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge. A monitorização da qualidade da água passou a ser semanal, tendo as entidades regionais e municipais procurado identificar a origem da contaminação.
Em agosto de 2023, a deteção de uma mancha de poluição junto à Antiga Fábrica da Baleia do Porto Pim levou à interdição parcial da praia até à realização de análises. A Secretaria Regional do Ambiente admitiu as hipóteses de contaminação por bactérias fecais ou de precipitação de proteínas associada à acumulação de fitoplâncton. A Capitania do Porto da Horta e o delegado de saúde levantaram as restrições, depois de as análises da Secretaria Regional do Ambiente não terem confirmado a presença de bactérias acima dos limites legais. Foram então repostas as bandeiras verde e azul, mantendo-se interditada uma pequena zona junto à antiga fábrica da baleia. Na sequência deste episódio, o Governo Regional anunciou uma obra de recuperação que incluía a reparação das fossas sépticas dos balneários e do bar da praia, com conclusão prevista para o primeiro trimestre de 2024.
Em julho de 2026, a praia foi interditada a banhos, por decisão do delegado de saúde da Horta e da Direção Regional das Políticas Marítimas, após a deteção de uma bactéria nas análises efetuadas à água. A interdição foi levantada a 27 do mesmo mês, depois de novas análises terem apresentado valores dentro dos parâmetros normais, sem que a origem da contaminação tenha sido identificada.
Em agosto de 2026, a praia foi de novo interditada, por decisão do delegado de saúde da ilha do Faial, após as análises à água terem revelado 430 unidades por 100 mililitros de uma bactéria, quando o limite aplicável é de 300, tendo sido hasteada a bandeira vermelha. Tratou-se da segunda interdição pelo mesmo motivo em menos de um mês. Segundo a Direção Regional das Políticas Marítimas, os resultados da contra-análise seriam divulgados a 24 de agosto, estando igualmente em curso um despiste de ADN destinado a apurar se a bactéria era de origem humana ou animal.
Algas invasoras miniaturadaimagem|220x220px|A praia coberta de algas, em 2020 A alga invasora Rugulopteryx okamurae, detetada nos Açores em 2019, foi identificada na praia do Porto Pim em julho de 2021, tendo a zona balnear perdido nessa altura a Bandeira Azul. Ainda em 2021, a acumulação de algas no areal motivou requerimentos parlamentares que questionaram o Governo Regional sobre as causas do arrojamento, a suficiência dos meios disponíveis e a existência de um plano de monitorização.
Os arrojamentos tornaram-se recorrentes, obrigando a operações regulares de limpeza do areal, algumas das quais realizadas em articulação com a Câmara Municipal da Horta.
Em março de 2023, a Secretaria Regional do Ambiente investiu 200 mil euros na aquisição de maquinaria adequada à limpeza do areal, entregue à gestão do Parque Natural do Faial. Em maio do mesmo ano, o Serviço de Ambiente e Alterações Climáticas do Faial estimava terem sido já removidas da baía cerca de 10 000 toneladas de algas desde o início do ano.
Em junho de 2026, em resposta a um requerimento parlamentar, o Governo Regional indicou terem sido aplicados cerca de 50 mil euros na limpeza da praia do Porto Pim nos três anos anteriores.
Lixo marinho Em abril de 2017, o Observatório do Mar dos Açores e dois movimentos de cidadãos, a Brigada do Mar e o No More Plastics for the Azores, promoveram uma ação de limpeza do areal, com recolha e triagem de resíduos por voluntários.
Em setembro de 2026, um estudo da Universidade dos Açores documentou o arrojamento, em areais do Faial e do Pico, de lixo associado à pesca da lagosta na costa atlântica norte-americana. A investigação, que decorreu entre 2017 e 2025, reuniu mais de 1500 peças oriundas dos Estados Unidos e do Canadá, transportadas pelas correntes ao longo de mais de 3000 quilómetros. Este areal figurou entre os pontos onde se procedeu à recolha.
Ver também Lista de praias dos Açores Paisagem Protegida do Monte da Guia Parque Natural do Faial Porto Pim
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