A Chapada do Araripe é um acidente geográfico e sítio paleontológico localizado na divisa dos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí, no Brasil. A chapada abriga uma floresta nacional (1946), uma área de proteção ambiental (1997) e um geoparque (2006).
Etimologia
"Araripe" deriva do tupi antigo ararype, que significa "no rio das araras" (arara, arara + y, rio + pe, em).NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 545.
Características A Chapada do Araripe é uma feição geomorfológica alongada na direção Leste-Oeste, de topo plano mergulhante suavemente para oeste e limitada por escarpas erosivas e íngremes, sendo uma expressão fisiográfica da Bacia do Araripe. O empilhamento de rochas sedimentares dessa grande estrutura que se destaca no Nordeste do Brasil, juntamente com as bacias de Almada, Camamu, Recôncavo, Tucano, Jatobá, Sergipe, Alagoas e Gabão, registra em detalhes a história da separação do Supercontinente Gondwana, no período Jurássico, no que viria a se tornar os continentes Sul-Americano e Africano.
Existem dois tipos principais de solo: latossolo e sedimentar. O primeiro, oriundo do período cretáceo, é rico em fósseis. Uma equipe do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro já pesquisou o sítio paleontológico e descobriu diversas espécies de dinossauros, tais como Santanaraptor placidus, Angaturama limai, Irritator e Mirischia asymmetrica''. Já a bacia sedimentar se caracteriza por formar aquíferos, existindo várias fontes de água espalhadas por toda a área da chapada.
A fauna local é composta por diversas espécies de répteis, insetos e mamíferos. Já foram catalogadas 290 espécies de aves presentes no livro.Aves da Chapada do Araripe Destaca-se o soldadinho-do-araripe, ave que corre risco de extinção e que é encontrada somente na região da floresta do Araripe.
A vegetação predominante é de cerradão. Existem faixas de transição que apresentam traços de mata atlântica, cerrado e caatinga
Interferência antrópica Muitas cidades ocupam áreas da chapada, provocando forte impacto no ambiente. Parte considerável da mata original foi desmatada ou destruída por queimadas. O forte potencial econômico da chapada é bastante explorado por indústrias que, muitas vezes, não tomam o cuidado de zelar pelo desenvolvimento sustentável. As principais riquezas exploradas são as minas de gesso e calcário, além do extrativismo vegetal, que explora principalmente piqui, carnaúba, mandioca e frutas.
Desmatamento A Chapada vem tendo um dos maiores índices de desmatamento do país. Entre 2019 e 2024, o desmatamento na região, que é uma das maiores unidades de conservação do Nordeste, com aproximadamente 972 mil hectares – teve um aumento de 2.847%, a terceira maior do Brasil, de acordo com dados levantados a partir da plataforma MapBiomas, sendo 5.965 hectares perdidos só no ano de 2024. Desse total, aproximadamente 90% do desmate está ligado a atividade agropecuária. De acordo com o promotor de justiça do estado do Ceará Thiago Marques Vieira, a situação é um reflexo do avanço do agronegócio e de monoculturas na região, em especial da soja e do algodão.
Trilhas A região da Chapada do Araripe é um local com uma diversidade de trilhas, a saber:Trilha do Mirante e Mestre Galdino - Com 8.700 metros, esta trilha contempla diversos mirantes (Belmonte, Saco, Serrano da Pedra Branca e Corujas). É a que dá acesso à Casa Sede do ICMBIO e os mirantes possuem ampla visão da paisagem local. É dentro do Belmonte que a Trilha Inclusiva Mestre Galdino (150m) ganha destaque, adaptada com linha-guia, objetos sonoros, braille e piso especial.Trilha Mirante do Caldas - Quem visita o teleférico do Caldas também pode fazer uma trilha curta e acessível (450m), que fica no topo do teleférico, ao lado do borboletário. É equipada com guizos, QR Codes e placas em Libras/braille, garantindo autonomia para todos os públicos.Trilha do Picoto - é uma jornada de 11 km que atravessa o cerrado caririense''' de Crato a Barbalha, com umidade de até 60% em mata fechada. No final da trilha em Barbalha está o Cruzeiro do Picoto, também conhecido como Picoto do Arajara. Diz a lenda que o cruzeiro foi erguido no século XIX por um fazendeiro como agradecimento por sua família ter sido poupada de um surto de cólera. Até hoje, o local recebe celebrações religiosas e culturais em agosto.
Imagens
Ver também Floresta Nacional do Araripe-Apodi Geoparque Araripe
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