Gustavo Adriano de Matos Sequeira (São Mamede, Lisboa, 9 de Dezembro de 1880 — São Mamede, Lisboa, 21 de Agosto de 1962) foi um jornalista, político e escritor olisipógrafo português.
Biografia Vida pessoal e formação Filho do magistrado judicial Joaquim Germano de Sequeira e de sua segunda mulher Adelaide Margarida Franco de Matos, natural de Lisboa (freguesia de Santa Maria de Belém), nasceu em Lisboa, na freguesia de São Mamede, a 9 de Dezembro de 1880, tendo frequentado e feito o Colégio Militar, várias cadeiras da Escola Politécnica de Lisboa, o Instituto Industrial e Comercial de Lisboa e o Curso Superior de Letras.
A 12 de novembro de 1902, casou com bênção papal na igreja de São Pedro em Alcântara, em Lisboa, com Beatriz Carolina Rosado de Oliveira (Santa Maria de Belém, Lisboa, 1882), filha do major Alfredo Artur de Oliveira e de Carolina Amélia Xavier Rosado de Oliveira, ambos naturais de Lisboa (ele da freguesia das Mercês e ela da freguesia da Encarnação). Deste casamento nasceram Maria Adelaide de Matos Sequeira de Oliveira Guimarães, Maria Carolina de Matos Sequeira Duque, José de Matos Sequeira, Joaquim Germano de Matos Sequeira e Vasco de Matos Sequeira.
Carreira profissional e política Assumiu e exerceu, entre 1915 e 1919, o cargo de Comissário Interino do Governo no Teatro Nacional D. Maria II, nos impedimentos do Dr. Augusto de Castro, tendo sido, posteriormente, a 18 de Junho de 1919, promovido a comissário efectivo, posição da qual se demitiu. Enquanto exercia aquela posição, realizou várias investigações sobre a história do teatro, tendo escrito vários livros.
Também em 1915, tornou-se chefe de gabinete do Ministro das Finanças, Eng.º Herculano Galhardo, tendo sido eleito, dois anos depois, em 1917, Vereador da Câmara Municipal de Lisboa, voltando a ser eleito em 1919, sem, contudo, ter exercido este cargo.
Em 1921, foi membro da Comissão de Propaganda da Aliança Republicana e Socialista, e, entre 1919 e 1922, fez parte das Comissões de Reforma do Teatro Nacional D. Maria II, e da Subcomissão Redactora, com Júlio Dantas, Vasco Borges e Santos Tavares; a 19 de Outubro de 1926, voltou, novamente, a ser nomeado Comissário do Governo junto desta instituição, posição que deteve exercendo este cargo até 1936. Também trabalhou na Alfândega de Lisboa, até ser demitido do cargo de Subdirector e preso em 1931, acusado de participar nas preparações duma Revolução; nesse ano, colaborou na organização do Congresso da Crítica.
Pertenceu, igualmente, à Academia das Ciências de Lisboa, à Academia Portuguesa da História, à Associação dos Arqueólogos Portugueses, e à Academia de Belas-Artes de Lisboa.
Entre 1951 e 1959, exerceu como Membro da Comissão Consultiva Municipal, tendo sido nomeado Vogal da Comissão de Toponímia.
Morreu vítima de tumor maligno da laringe a 21 de agosto de 1962, em sua casa, na Rua Nova de Santo António, n.º 45 (atualmente denominada Rua de Gustavo de Matos Sequeira), freguesia de São Mamede, em Lisboa. Foi sepultado no Cemitério dos Prazeres.
Jornalismo Também colaborou em várias revistas e jornais, principalmente nos temas de arte e arqueologia, tendo escrito nas revistas "Gazeta dos Caminhos de Ferro",Gazeta dos Caminhos de Ferro (1899-1971) [cópia digital, Hemeroteca Digital], "O Occidente", (1878-1915), "Illustração Portugueza",Ilustração portuguesa (1903-) [cópia digital, Hemeroteca Digital], Terra portuguesa (1916-1927), "Atlântida",Atlantida: mensário artístico literário e social para Portugal e Brazil (1915-1920) [cópia digital, Hemeroteca Digital] (1915-1920), "Feira da Ladra", (1929-1943), "Domingo Ilustrado",O domingo ilustrado: noticias & actualidades graficas, teatros, sports & aventuras, consultorios & utilidades (1925-1927) [cópia digital, Hemeroteca Digital] (1925-1927), "O Século Ilustrado", "Panorama", "Colóquio", "Revista Municipal", (1939-1973) publicada pela Câmara Municipal de Lisboa, "Olisipo", "Mocidade Portuguesa Feminina: boletim mensal", (1939-1947), nos "Anais das bibliotecas, arquivo e museus municipais" (1931-1936), no Boletim do Sindicato Nacional dos Jornalistas (1941-1945) e outras revistas e magazines, e, também, nos jornais "O Mundo (jornal)", "A Manhã", "Diário da Tarde", "O Dia", e "Diário Popular", e sido Redactor dos jornais "O Mundo", "A Manhã", "Diário da Tarde", "O Século", onde fazia a crítica teatral, e "Diário Popular". Foi, junto com Norberto Moreira de Araújo e Luís Pastor de Macedo um dos impulsionadores da fundação do Grupo Amigos de Lisboa, instituição na qual exerceu como Vice-Presidente e Presidente, e como Director da sua revista oficial, a Olisipo.
Em 1920 contribuiu com texto da sua autoria na obra In Memoriam: Júlio de Castilho.
Exposições e outras iniciativas Colaborou, igualmente, na organização de várias iniciativas, e organizou, ou ajudou a organizar: a Exposição Olissiponense no Museu Arqueológico do Carmo, em 1914 com José Júlio Marques Leitão de Barros e Alberto de Sousa, as reconstituições do Mercado do Século XVII, no Largo de São Domingos, em Outubro de 1925 e 1926 o "stand" d' "O Século", na Feira de Amostras do Estoril, em 1927 as Festas da Curia, em 1927 a Exposição das Mulheres Portuguesas, n' "O Século", em 1933 a Exposição Triunfal do Desporto, nas instalações do Automóvel Club de Portugal, em 1934 o Cortejo Histórico Colonial do Porto, em 1934 a Exposição Bíblio-Iconográfica de Lisboa, em 1935 a Exposição do Terramoto de 1755, no Parque Eduardo VII, em 1935 a Reconstituição da Lisboa Antiga, na Cerca das Francesinhas, em 1927 e 1935 a Exposição dos Artistas de Coimbra, n' "O Século", em 1937 a Exposição dos Barristas, no Museu Nacional de Arte Antiga, em 1938 a Exposição do Mundo Português e, nela, a Casa de Santo António e o Bairro Comercial e Industrial, em 1940 a Exposição do Centenário da Imprensa, em 1941 a Exposição dos Retratos do Século XVII, no Palácio da Independência, em 1943 e, com José Júlio Marques Leitão de Barros e Mimon Jaime Anahory, a Reconstituição duma Feira Antiga no Parque da Palhavã, que foi a 1.ª Feira Popular de Lisboa, em 1943 por Delegacia da Academia Nacional de Belas-Artes, dirigiu a Missão Estética de Férias em Santarém, em 1943
Conferências Conferencista notável, focando sempre assuntos de absoluto interesse, realizou mais de um cento de Conferências, além de muitas Palestras e Ciceronagens, feitas em excursões da antiga Academia de Estudos Livres, da Associação dos Arqueólogos Portugueses, do Grupo dos Amigos de Lisboa, etc. Destacam-se as Conferências: O Luxo Proibido, na Associação dos Arqueólogos Portugueses, em 1919 A Transformação do Rossio, na Associação dos Arqueólogos Portugueses, em 1922 As Freiras Francesinhas, na Associação dos Arqueólogos Portugueses, em 1922 A Rua Nova dos Ferros, na Associação dos Arqueólogos Portugueses, em 1923 As Faianças Portuguesas, na Academia das Ciências de Lisboa, em 1924 Iconografia de Lisboa, na Associação dos Arqueólogos Portugueses, em 1926 Conferência no Teatro da República, na Festa de Augusto Rosa, em 1927 Os Pátios de Comédias, na Academia das Ciências de Lisboa, em 1929 Vila do Conde, Princesa do Ave, em Vila do Conde, em 1929 Évora Íntima, na Sociedade de Propaganda de Portugal, em 1932 Melhoramentos da Capital, no Rotary Club, em 1932 O Teatro Vicentino, no Teatro Nacional D. Maria II, em 1932 O fundo lírico galaico da poesia portuguesa, em Vigo, no Teatro Garcia Bourbon, em ... Da Lenda ao Realismo, recitada pelo actor Carlos Santos, no Estoril, em 1933 A Velha Lisboa, no Miradouro de Santa Luzia, em 1934 O Bairro de São Vicente, em Santa Engrácia, em 1936 A Evolução da Cidade, na Câmara Municipal de Lisboa, em 1936 São Crispim na História de Lisboa, na Ermida de São Crispim, em 1937 A Universalidade de Gil Vicente, na Academia das Ciências de Lisboa, em 1937 Gil Vicente e Évora, em Évora, no Liceu, em 1937 O Aqueduto das Águas Livres, no Aqueduto das Águas Livres, em 1937 e 1939 O Humorismo de Outros Tempos, na Sociedade dos Humoristas, em 1938 O Carmo e a Trindade, no Largo do Carmo, em 1938 A Universidade de Lisboa, no antigo Liceu do Carmo, em 1938 Os Presépios e as Comemorações do Natal, no Automóvel Clube de Portugal e na Emissora Nacional, em 1938 A Fisionomia de Lisboa, na Câmara Municipal de Lisboa, em 1939 Lisboa vista do Mar, no Rio Tejo, em 1939 O Castelo de São Jorge, na Emissora Nacional, em 1939 Elogio de Castilho, na Câmara Municipal de Lisboa, em 1940 O Chiado, no Grupo Amigos de Lisboa, em 1940 O Castelo e a Alcáçova, no Castelo de São Jorge, em 1940 Fradique Mendes, Símbolo dos Vencidos da Vida, n' "O Século", em 1941 Como se não fazem aficcionados, na Tertúlia Tauromáquica, em 1941 Os Conventos de Carnide, em Carnide, em 1941 A Bacalhoa, no Palácio da Bacalhoa, em 1941 Os Presépios de Natal, no Asilo de D. Pedro V, em 1942 O Reino Saloio, em Telheiras, em Mafra e na Rinchoa, em 1942 Lisboa e os seus poetas, em São Pedro de Alcântara, em 1942 Porto e Lisboa, no Porto, no Clube dos Fenianos, em 1942 Olivença, no Grupo Amigos de Olivença, em 1944 Os Pátios de Comédias e o Teatro de Cordel, n' "O Século", em 1945 Uma verdade para cada um, no Salão do Teatro Nacional D. Maria II, em 1945 Elogio Literário de um Poeta, em Évora, no Teatro Garcia de Resende, em 1945
Obras publicadas Foi, igualmente, Poeta, Dramaturgo, e Escritor, tendo produzido diversos livros, principalmente sobre a História de Lisboa; várias das suas obras e peças foram adaptadas ao rádio e levadas à cena, principalmente no Teatro Nacional D. Maria II, onde tiveram grande êxito.
Publicou: Noudar, folheto, 1909 Catálogo da Exposição Olissiponense, 1914 Excursões ao Termo de Lisboa, 1916 Depois do Terramoto - Subsídios para a História dos Bairros Ocidentais de Lisboa, 4 volumes, 1916, 1918, 1921 ou 1922 e 1934 Catálogo da Exposição Ameal, com Alberto de Sousa, 1921 Tempo Passado, crónicas alfacinhas, 1924 Olivença, com Rocha Júnior, 1924 Catálogo dos Manuscritos da Colecção Ameal, 1924 No Leilão Ameal, sátiras em verso, 1924 Monografia Histórica de Lisboa, com Nogueira de Brito, no Guia de Lisboa, 1924 Relação de vários casos notáveis, 1925 Guia Turístico de Lisboa, 1926 Lisboa, Monografia para a Exposição Ibero-Americana de 1929, 1929 Vila do Conde, a Princesa do Ave, 1930 A Sé de Lisboa, com Nogueira de Brito, 1930 Catálogo da Exposição das Mulheres Portuguesas, 1930 Queluz, 1930 Os Continuadores de Gil Vicente, na História da Literatura, 1930 Os Continuadores de Sá de Miranda, na História da Literatura, 1930 Palácios e Solares Portugueses, 1931 Teatro de Outros Tempos, 1932 ou 1933 História do Trajo, 1932 Évora, 1932 Como se visita Lisboa, 1 volume, 1932 Figuras Históricas de Portugal, com Bourbon e Meneses, 1933 Auto de Santo António, 1934 Mediterrâneo, crónicas de viagem, 1934 Portugal de Algum Dia, com Alfredo Roque Gameiro, 3 fascículos, 1935 A Abelheira (História de uma Fábrica), 1935 A Indústria do Vidro em Portugal, 1 folheto, ... A Evolução da Cidade, 1 folheto, 1935 Auto de São João, 1 volume, 1936 Catálogo da Exposição dos Barristas Portugueses, 1 volume, 1938 A Universalidade de Gil Vicente, 1 folheto, 1939 O Carmo e a Trindade, 3 volumes, 1939 a 1941 Aldeias Portuguesas, versos, 1 folheto, 1939 A Fisionomia de Lisboa, 1 folheto, 1939 Elogio Histórico do Visconde de Castilho, 1 folheto, 1940 Afonso Henriques, alegoria dramática em verso, 1 volume, 1940 Fradique Mendes, Símbolo dos Vencidos da Vida, 1 folheto, 1942 Jerónimo Martins - 150 anos de vida comercial, 1 folheto, 1942 A Nossa Lisboa, com Luís Pastor de Macedo, 1945 História do Teatro Nacional D. Maria II, 2 volumes, 1955 Oito Séculos de História, 1956 História do Palácio Nacional da Ajuda, 1959 O Castelo de Vila Viçosa, 1961
Além das revistas em que participou: A Espiga, 1912 Auto Aqui, 1913 Céu Azul, 1914 Dominó, 1915 A Revolta, 1918 Negócio da China, 1920 Burro em pé, 1920