A história do xadrez na Ásia é controversa, tendo diferentes países reivindicado a criação do jogo. Atualmente, a versão mais aceita e amplamente difundida é de que surgiu na Índia com o nome de chaturanga, sendo então disseminado para a China, Rússia, Pérsia e Europa onde atingiu as regras atuais. Estudos recentes indicam origem na China do ou na região do Uzbequistão.

Um dos primeiros registros literários surgiu no poema persa Karnamak-i-Artakhshatr-i-Papakan escrito no , e a partir deste ponto sua evolução é melhor documentada sendo amplamente aceita no meio acadêmico. Após a conquista da Pérsia pelos árabes, estes assimilaram o jogo e o difundiram através do ocidente enquanto no oriente o xadrez se expandiu para sua versão chinesa, o Xiangqi, Coreia e Japão (Shogi) no . No sudoeste Asiático, o jogo foi introduzido diretamente a partir da Índia também no .

As peças mais antigas do jogo foram encontradas no continente Asiático. Estes artefatos, denominados peças de Afrassíabe, foram encontradas na atual região do Uzbequistão e ajudam a documentar a escassa arqueologia do jogo no continente, que ainda carece de mais achados arqueológicas na China e Índia para elucidar por completo as suas origens.

Origem asiática

A origem do xadrez é controversa e motivo de debate entre os historiadores do enxadrismo,Yalom (2004), p.3 A análise filológica dos nomes europeus ao xadrez ligam com clareza o jogo a palavra chaturangaMurray (1913), p.26-27 que designava as quatro partes do exército indiano - bigas, elefantes, cavalaria e infantaria - desde o Murray (1913), p.42-43 Segundo Murray, a análise dos antecessores primitivos deve considerar outros elementos como número de jogadores, o arranjo inicial das peças e os movimentos diferenciados. Antes deste período, a existência de um jogo semelhante ao xadrez, é pura especulação.Murray (1913), p.45-47

Uma teoria iraniana sugere o Chatrangue como antecessor mais antigo, baseado na ausência de evidências arqueológicas indianas anteriores ao enquanto evidências persas já foram encontradas sendo do . Outros pontos abordados pela teoria incluem a literatura indiana anterior,e a influência persa na nomenclatura do jogo, do qual a maioria das palavras tem como raiz a língua pálavi. A presença da figura do elefante como um dos argumentos utilizados para justificar a origem indiana do jogo é refutado segundo o qual os animais não eram exclusividade da Índia, sendo conhecidos desde o período ptolemaico no Egito, e utilizados nos exércitos persas. As literaturas persas indicam a origem do jogo como em um reino a oeste, relatado como Hind que poderia indicar uma província oriental do império persa.

O desenvolvimento do xadrez no extremo oriente - China, Coréia e Japão - é ainda mais intrigante pois as variantes existentes são bastante diferentes da versão indiana sendo difícil acreditar em uma origem em comum. A ancestralidade indiana é suportada parte pelas características do jogo e parte pela influência da Índia na cultura chinesa na religião, cultura e jogos em geral.Murray (1913), p.119 Entretanto alguns pesquisadores afirmam que o jogo pode ter suas origens no país, durante a dinastia Chou pelo imperador Wu embora as fontes que indicam com certeza a relação com um jogo indiquem o .

Expansão pelo continente Não se sabe ao certo como as variantes do xadrez praticadas na Mongólia, Tibete, Sibéria, Turquestão e a região da Transcaucásia foram desenvolvidas. Existem poucas informações históricas a respeitos das variantes locais e de suas regras e somente a partir do século XIX é que etnologistas começaram a registrar suas observações sobre o jogo. Entretanto, é sabido que as regras europeias estavam estabelecidas há pelo menos 100 anos.Murray (1913), p.366 No Tibete, a variante do xadrez é denominada chandaraki e foi recebido diretamente da Índia. As regras locais não permitem o Roque e o avanço do peão por duas casas é limitado ao primeiro peão movimentado. As condições de vitória permitem que um final com o rei solitário seja considerada empate. Também é permitido ao jogador consultar os observadores sobre as jogadas durante a partida. Na mongólia, as regras permitem até três movimentos consecutivos no início da partida, desde que previamente acordado entre os jogadores.Murray (1913), p.368-369

As etnias soyot e uryankhs da região da Sibéria praticavam uma variante provavelmente de origem mongol, devido a nomenclatura de peças semelhantes. Uma coleção de peças no museu de Minusinsk evidencia que estas não eram coloridas e a identificação possivelmente feita pela posição no tabuleiro, isto é, representações de figuras ficavam a mesma face voltada para oponente. Os peões eram distinguidos por representações de lebres e gansos, neste caso. Não existem evidências arquelógicas do tabuleiro e as regras exatas não foram registradas.Murray (1913), p.370-371 As evidências são vagas para conclusões mas sugerem uma origem em comum a variante da Mongólia que se espalhou pela região antes da conquista russa do território, que modificou o jogo. É considero improvável que o jogo tenha evoluído por conta própria e atingido regras semelhantes às europeias. Segundo Murray, o contato da variante europeia na região se estabeleceu por tempo suficiente para que houvesse mudanças de modo semelhante ao que ocorreu na Índia.Murray (1913), p.374-375

Ver também História do xadrez Xadrez na Europa

Bibliografia

Ásia Xadrez