A Estação Ferroviária de Casa Branca é uma gare da Linha do Alentejo, que serve a localidade de Casa Branca, no concelho de Montemor-o-Novo, em Portugal, e funciona como ponto de entroncamento com a Linha de Évora. upright|thumb|left|Viaduto da EN2 sobre as vias da estação de Casa Branca, vistas da plataforma coberta, para poente, em 2004.

Descrição thumb|left|Estação de Casa Branca, em 2009. Localização e acessos Esta interface situa-se na localidade de Casa Branca, tendo acesso pelo Largo 1º de Maio ou da Estação Ferroviária.

Infraestrutura Esta interface apresenta seis vias de circulação, identificadas como I, II, III, IV, IIIA e III+IIIA, com comprimentos entre 309 e 945 m, sendo as três primeiras acessíveis por plataforma de 220 m de comprimento e 685 mm de altura; existem ainda duas vias secundárias, identificadas como V e VI, com comprimentos de 444 e 334 m; todas estas vias estão eletrificadas em toda a sua extensão.Diretório da Rede 2024. I.P.: 2022.12.09 O edifício de passageiros situa-se do lado norte da via (lado esquerdo do sentido ascendente, a Funcheira).

Enquanto ponto de entroncamento da Linha de Évora na Linha do Alentejo, o local desta interface é um ponto de câmbio nas características da via férrea e do seu uso: + Casa Branca enquanto limiar de tipologia ferroviária: característica 25 kV ~ 50 Hz (não) 25 kV ~ 50 Hz >160 km/h 120-160 km/h >160 km/h 750 m 505 m 750 m PT b+ (CPb+) PT b+ (CPb+) PT b (CPb) GSM-R — GSM-R Serviços Em dados de 2023, esta interface é servida por comboios de passageiros da C.P. de tipo intercidades, com cinco circulações diárias em cada sentido.Horário Comboios : Lisboa ⇄ Évora / Beja («Horário em vigor desde 11 dezembro 2022»). Esta informação refere-se aos dias úteis.

left|thumb|Horários dos comboios do Sul e Sueste, em 1872. História

Século XIX Esta interface encontra-se no lanço entre Vendas Novas e Évora, que abriu em 14 de Setembro de 1863,SANTOS, 1995:111MARTINS et al, 1996:243 enquanto que a linha férrea até Beja entrou ao serviço no dia 15 de Fevereiro de 1864.

Segundo a Gazeta dos Caminhos de Ferro de 16 de Maio de 1897, um alvará autorizou o Barão de Matosinhos a instalar três linhas férreas sobre estradas na região do Alentejo, uma destas ligando Casa Branca a Sines, com passagem por Santiago do Cacém, Grândola, Alcácer do Sal e Montemor-o-Novo.

thumb|left|Casas para pessoal. Esta fotografia foi publicada na Gazeta dos Caminhos de Ferro, em 1934. Século XX Em princípios de 1902, ocorreu um incêndio de grandes proporções nesta estação, que se iniciou no armazém de cortiças mas que depressa se espalhou a outras dependências, tendo sido destruída uma grande quantidade de mercadorias e danificadas várias infra-estruturas, incluindo o edifício de passageiros. Em 13 de Novembro desse ano, o Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria, Manuel Francisco de Vargas pediu a construção de uma escola junto à estação, para servir os filhos dos funcionários dos caminhos de ferro. Este requerimento foi aceite por Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro no mesmo dia, devendo a escola ser construída pela Administração dos Caminhos de Ferro do Estado, e assumir a denominação de Escola Maria Amélia, em honra da rainha.

Em 1 de Fevereiro de 1908, ocorreu um descarrilamento nesta estação, que atrasou em cerca de uma hora o comboio real com destino ao Barreiro. Pouco depois da chegada a Lisboa, a família real foi alvo de um atentado, tendo morrido o Rei D. Carlos e o príncipe D. Luís.RAMOS, 2013:315 Em 1926, o governo determinou que no plano da rede ferroviária ao Sul do Tejo fosse introduzida uma nova via férrea entre Casa Branca e Alcácer do Sal, situada na Linha do Sado. Em 3 de Fevereiro de 1927, os empregados dos Caminhos de Ferro do Sul e Sueste aderiram à revolução no Porto, tendo entrado em greve e recolhido todo o material circulante nesta estação.MARTINS et al, 1996:256-257 Em 11 de Maio desse ano, os Caminhos de Ferro do Estado passaram a ser explorados pela Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.REIS et al, 2006:63

left|thumb|Saída das linhas do Alentejo (esq.) e de Évora (d.ta), na Estação de Casa Branca, em 2009 — antes da eletrificação. No ano de 1933, a Comissão Administrativa do Fundo Especial de Caminhos de Ferro aprovou a instalação de uma divisão de Via e Obras nesta estação. No ano seguinte, foi alvo de grandes obras de reparação, por parte da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, e em 1935 foram construídas as instalações para a 12.ª secção da divisão do Sul e Sueste da CP.

Em 20 de Março de 1948, teve lugar a viagem experimental de uma automotora sueca, entre Casa Branca e Vila Viçosa, A experiência foi bem sucedida, tendo as automotoras sido colocadas nos serviços regulares ao longo deste lanço.

Século XXI Em 10 de Maio de 2010, foram suspensos os serviços na Linha do Alentejo, devido a um projecto da Rede Ferroviária Nacional para a remodelação da linha. A circulação foi reatada no dia 23 de Julho de 2011.

Em Janeiro de 2011, contava com três vias de circulação, que tinham 550, 420 e 380 m de comprimento; as plataformas tinham 170 e 129 m de extensão, e 55 e 40 cm de altura — valores mais tarde ampliados para os atuais.

Referências literárias O escritor Fialho de Almeida descreveu a passagem pela estação, no seu livro A Cidade do Vício (1882):

Ver também Comboios de Portugal Infraestruturas de Portugal Transporte ferroviário em Portugal História do transporte ferroviário em Portugal

Bibliografia

Ligações externas

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