O Arganão é um ser imaginário, proveniente da tradição oral e popular portuguesa do município de Melgaço, no norte de Portugal, que, segundo as crenças locais, vive no campo, embora manifeste grande curiosidade sobre as actividades dos seres humanos, passando o seu tempo a espiá-los. Geralmente é caracterizado como um ser muito esquivo, quase invisível, que se diverte com as atitudes dos humanos, ocasionalmente pregando-lhes algumas partidas e pequenos sustos, sem no entanto ser alguma vez apanhado ou visto por estes. Salema, Álvaro et all. Dicionário Enciclopédico de Língua Portuguesa. Publicações Alfa 1992
Representações culturais Os arganões fazem parte da tradição oral regional, sendo que não existem documentos que registem as suas histórias antes do início do século XX.
Têm existido vários projectos culturais para a revitalização da antiga tradição, que se pressupõe ser de origem pagã, impulsionados por várias instituições, associações e companhias de teatro regionais, tais como o grupo Comédias do Minho, que interagem com as comunidades escolares do Alto Minho, efectuando concursos de máscaras, espectáculos e performances de rua, onde os protagonistas são caracterizados como antigos guerreiros vikings que após incursarem pelo Rio Minho foram transformados em criaturas pelos deuses. Adoptando a mitologia nórdica, após terem sido descobertas várias esculturas nas margens e encosta ribeirinha de Melgaço, nomeadamente em Monte Prado, semelhantes à fisionomia de grandes lagartos ou até de dragões, que comprovam a passagem dos guerreiros e salteadores escandinavos pela região, muitos apontam esta como a origem do mítico ser.
Dissiminou-se erroneamente a versão de que a figura quadrípede representada em alto-relevo no tímpano da Igreja Matriz de Melgaço seria a representação de um arganão, tendo sido no entanto desmistificado pelos historiadores e arqueólogos que analizaram a figura medieval. Segundo a interpretação de Carlos Alberto Ferreira de Almeida, seria um "feroz canídio de guarda" ou um lobo, relembrando que a presença de animais ferozes nos portais das igrejas românicas tinham como função simbólica guardar a entrada e afastar forças maléficas ou ameaçadoras, teoria reforçada por Reynaldo dos Santos, entre outros peritos.
Os arganões foram a figura central do cortejo etnográfico do evento "Melgaço em Festa" em 2017.
Um dos vinhos da marca Encosta de Melgaço, tem como tema o "arganão".
Referências
Categoria:Espécies fictícias Categoria:Melgaço (Portugal) Categoria:Mitologia portuguesa