Lothar Herbert Matthäus (pronuncia alemã: ; Erlangen, 21 de março de 1961) é um ex-treinador e ex-futebolista alemão que atuava como meio-campista ou líbero. Famoso por ter guiado a Alemanha Ocidental na conquista da Copa do Mundo FIFA de 1990, foi eleito o Melhor Jogador do Ano da Europa. Já em 1991, foi eleito melhor jogador do mundo pela FIFA e continua sendo o único alemão a receber o prêmio.

Matthäus marcou época por sua alta eficiência, sua assumida obsessão nos gramados,O homem dos recordes (novembro de 1999). Revista Placar - Especial "Os Craques do Século". Editora Abril, p. 33 bem como por sua técnica e seus famosos recordes: além de ser quem mais vestiu a camisa da Seleção Alemã (somando-se as aparições pelas Alemanhas Ocidental e reunificada), é um dos oito únicos jogadores a participarem de cinco Copas do Mundo, ao lado dos mexicanos Antonio Carbajal, Rafa Márquez, Andrés Guardado e Guillermo Ochoa, do argentino Lionel Messi, do português Cristiano Ronaldo e do italiano Gianluigi Buffon. Até 2022, era o jogador que mais partidas disputou no torneio, com 25 jogos, mas foi ultrapassado por Messi na Copa do Mundo FIFA de 2022, que chegou ao total de 26 partidas.

Por outro lado, assim pelo bom futebol e pelos recordes, outra característica de Matthäus é o seu lado encrenqueiro, tendo proferido inúmeras declarações fortes.KOHL, Frank (março de 2006). Dupla face. Revista Placar n. 1292. Editora Abril, pp. 62-65 Como jogador, se envolvia facilmente em discussões onde não media as palavras, ficando com fama de polêmico, egocêntrico e apegado aos holofotes. Como correspondia em campo com boas atuações, o peso de seu temperamento só veio à tona quando iniciou a carreira de treinador, onde não obteve grandes sucessos e coleciona desafetos e portas fechadas em seu país.

Carreira como jogador Início na Alemanha Ocidental Após iniciar a carreira nos juvenis do Herzogenaurach, debutou profissionalmente em 1979 no Borussia Mönchengladbach, um dos mais vitoriosos clubes alemães dos anos 1970. Já demonstrando sua característica categoria, não tardou a ser chamado para defender a Alemanha Ocidental, nas seleções de base e na principal. Em sua primeira temporada, foi vice-campeão da Copa da UEFA. O M'Gladbach, decadente, começava uma incômoda carência de títulos.

Matthäus permaneceria no Borussia até 1984. Depois de ser vice da Copa da Alemanha, rumou justamente para o arquirrival do seu clube na década anterior: o Bayern de Munique. Ali sucedeu líderes antigos, como Paul Breitner e Karl-Heinz Rummenigge. Campeão da Bundesliga logo na primeira temporada, a de 1984–85, Matthäus e o Bayern emendariam outros dois títulos seguidos na Bundes, que fizeram o clube tornar-se o maior vencedor do campeonato nacional, superando marca que pertencia ao também bávaro e decadente Nuremberg.FREITAS, Carlos Eduardo (fevereiro de 2006). Baviera - A terra dos campeões. Copa'06 n. 1. Pool Editora, pp. 34-37 Matthäus e o Bayern ganharam ainda a Copa da Alemanha em 1986 e foram vice-campeão da Copa dos Campeões da UEFA.

A temporada 1987–88 foi a primeira de Matthäus sem títulos no Bayern. Mal acostumados, torcida e dirigentes desgastaram o ídolo, que aceitou proposta do futebol italiano, transferindo-se para a Internazionale ao lado do colega de clube e Seleção Andreas Brehme.

Internazionale Não demorou a se tornar um ídolo nerazzurri: em um campeonato fortíssimo com o Napoli de Diego Maradona e Careca e o Milan de Ruud Gullit, Marco van Basten e Frank Rijkaard, a Inter não era a favorita para a edição 1988–89 da Serie A.

Enquanto Milan e também a Juventus decepcionavam, a Inter manteve-se na ponta do início ao fim, liderando todas as 34 rodadas. Apenas o Napoli continuou na luta, até os milaneses garantirem o título em um confronto direto em Milão a quatro rodadas do fim. A vitória que decretou o scudetto foi de virada, 2 a 1, com Matthäus marcando o gol que garantiu a conquista, encerrando um jejum de nove anos para a Inter. Naquele ano, venceu ainda a Supercopa da Itália.

Para a temporada seguinte, enquanto o rival Milan seguia com o seu trio neerlandês (Gullit-Rijkaard-Van Basten), a Internazionale apostou em um alemão: Brehme e Matthäus receberam a companhia de Jürgen Klinsmann. Um novo título demoraria dois anos para vir: seria a Copa da UEFA de 1990–91, com Matthäus marcando, de pênalti, o primeiro gol na vitória por 2 a 0 na decisão contra a Roma. Apontado como o "Rei de Milão", foi eleito ao final daquele ano o Melhor Jogador do Mundo pela FIFA, na primeira ocasião em que a entidade realizou a premiação.

Porém, a trajetória na Inter acabou interrompida por uma séria lesão no joelho. Matthäus não pôde ir à Eurocopa de 1992 e decidiu voltar ao Bayern de Munique, para tentar realizar uma recuperação desacreditada.

Retorno ao Bayern de Munique No antigo clube, passou a jogar mais recuado, como líbero, posição exercida com maestria por Franz Beckenbauer vinte anos antes no clube, do qual era então técnico, o mesmo Beckenbauer que já o conhecia quando treinou a Alemanha Ocidental. Matthäus ganhou a Bundesliga de 1993–94, garantindo seu lugar na Copa do Mundo FIFA de 1994.

Todavia, as lesões no joelho continuavam a lhe perseguir. Em 1995, realizou duas operações no tendão de aquiles, novamente ameaçando-lhe a encerrar a carreira. Logo voltou à velha forma, porém, conseguindo participar da campanha vitoriosa na Copa da UEFA de 1995–96. Mesmo assim, acabou perdendo nova Eurocopa, desta vez a de 1996, realizada ao fim daquela temporada. O torneio, por sinal, fez estremecer sua relação com Jürgen Klinsmann, que era seu colega no Bayern desde 1995. Klinsmann não teria gostado de saber de uma pressão para que não fosse convocado para a Euro feita por aquele que fora seu amigo na Inter de Milão e na Seleção.

Matthäus declararia em autobiografia que lançou em 1997 que era Klinsmann quem fazia intrigas para prejudicá-lo. Seu ódio pelo atacante era tamanho que o líbero chegou a ponto de apostar com o treinador de que o atacante não faria mais de 15 gols na temporada. Mesmo com a briga de suas maiores estrelas, o Bayern terminou campeão na temporada 1996–97, mas Klinsmann deixou o clube, que seguiu liderado por Matthäus. O clube, por dois pontos, foi vice da Bundes em 1997–98 para o surpreendente Kaiserslautern, mas o veterano conseguiu lugar em sua quinta Copa do Mundo. Depois, em 1998–99, foi novamente campeão alemão pelo Bayern. O desafeto da vez no clube, de acordo com a imprensa, seria Stefan Effenberg.

Em 1999, também esteve perto do único título que lhe faltava: a da Liga dos Campeões da UEFA. O Bayern vencia por 1 a 0 o Manchester United e aos 40 minutos Matthäus foi substituído. Veria do banco o seu time sofrer uma inimaginável virada nos descontos do segundo tempo e perder o troféu que estava quase assegurado. Beckenbauer teria dito que não foi Matthäus quem não teve a honra de erguer o troféu da Liga dos Campeões, e sim o troféu que não teve a honra de ser erguido por Matthäus.

Matthäus jogou no Bayern por mais uma temporada, ganhando pela sétima vez a Bundes com o clube e garantindo aos 39 anos presença na Eurocopa de 2000. O título alemão marcou sua despedida do time. O que era para ser um fim glorioso terminou manchado: o clube lhe ofereceu um amistoso comemorativo com vários astros do futebol da década de 90 e, mesmo assim, Matthäus acionou judicialmente o clube, cobrando 500 mil euros. Após longa batalha judicial, recebeu apenas 7,5 mil e antipatia geral. Na época, o diretor Uli Hoeneß declarou que, enquanto trabalhasse no Bayern, Matthäus não voltaria à equipe "nem como jardineiro".

Brigado com o clube bávaro, Matthäus esticou a carreira na equipe estadunidense do MetroStars, onde aposentou-se ao final daquele ano. Mesmo não tendo vencido uma Liga dos Campeões, ele é um dos oito jogadores a disputar cinco Copas do Mundo e o único alemão, sendo considerado um dos maiores jogadores alemães de todos os tempos.

Seleção Alemã Matthäus estreou pela equipe principal da então Alemanha Ocidental na Eurocopa de 1980. Seu debute foi bastante desastrado: a Mannschaft vencia os Países Baixos por 3 a 0 e, em seu primeiro lance, Matthäus cometeu um pênalti. Os neerlandeses converteram e se animaram, chegando a diminuir para 3 a 2. O jovem meia reconheceu sua má partida: "Não acertei nada e, se perdêssemos o título, não sei o que seria da minha carreira". Em função da estreia vergonhosa, acabou vendo do banco seu país ser campeão daquela Euro.

Sua regularidade no Borussia Mönchengladbach, no entanto, o manteve na Seleção Alemã-Ocidental. Mas continuaria a ser um discreto reserva por um tempo: no elenco vice-campeão da Copa do Mundo FIFA de 1982, pouco entrou em campo e também não jogou a final. Quatro anos depois, a história era outra: líder e vitorioso no Bayern de Munique, já era um dos principais nomes do time na Copa do Mundo FIFA de 1986. Nas oitavas-de-final, marcou o único gol da partida contra o Marrocos a três minutos do fim. Teve também frieza para converter sua cobrança na decisão por pênaltis contra o anfitrião México, nas quartas.

Os alemães ainda passaram pela rival França nas semifinais e, na decisão, conseguiram buscar o empate a dez minutos do fim após derrota parcial por 0 a 2 para a Argentina. Os sul-americanos, porém, conseguiram marcar seu terceiro gol três minutos depois do empate e Matthäus e a Alemanha Ocidental novamente amargou um vice-campeonato.

Dois anos depois, nova decepção: após uma temporada sem títulos no Bayern, Matthäus participou da Eurocopa de 1988, sediada na Alemanha Ocidental. Todavia, os anfitriões foram eliminados nas semifinais para os Países Baixos, de virada, em partida em que ele marcou de pênalti o gol alemão. O troco viria depois de outros dois anos, na Copa do Mundo FIFA de 1990: os dois países se enfrentaram nas oitavas e na ocasião, os 2 a 1 foram em favor dos alemães.

miniatura|200px|Matthäus marca de pênalti pela Alemanha contra a Bulgária nas quartas-de-final da Copa do Mundo de 1994, abrindo o placar. No entanto, os búlgaros virariam a partida e eliminariam os detentores do título.

Na Copa da Itália, Matthäus, ídolo da Internazionale, sentia-se em casa. Já havia marcado três vezes na primeira fase (dois contra a Iugoslávia e outro contra os Emirados Árabes) e sua frieza e eficiência característica foram determinantes no caminho à final: nas quartas, acertou a cobrança de pênalti que resultou no único gol da partida contra a Tchecoslováquia; nas semifinais, cobrou e acertou nova penalidade, na decisão por pênaltis contra a rival Inglaterra.

Na decisão, os alemães puderam vingar-se de outra seleção, a Argentina, que lhes venceram quatro anos antes no México. Andreas Brehme marcou de pênalti no final da partida, e Matthäus, como capitão, ergueu a Copa, marcando o tricampeonato da Alemanha Ocidental. As comemorações foram maiores pois combinaram-se com o festejado processo de reunificação do país, concluído meses depois do torneio. O título lhe valeu, entre outras premiações individuais, a Bola de Ouro da France Football como melhor jogador europeu naquele ano.

miniatura|150px|esquerda|Matthäus na delegação alemã na Copa das Confederações de 1999. A Alemanha fez má campanha e caiu na primeira fase.

Na primeira competição em que a Alemanha atuou reunificada, a Euro 1992, porém, Matthäus não pôde estar presente, em função da lesão no joelho. Sem ele, o país perdeu a final para a surpreendente Dinamarca. Vencendo o descrédito causado por suas lesões, conseguiu seu lugar entre os convocados para a Copa do Mundo FIFA de 1994, sua quarta Copa. O país realizava boa campanha e todos davam como certa a presença na semifinal, quando viu-se que enfrentariam a bem menos badalada Bulgária nas quartas. Matthäus, de pênalti, pôs os germânicos na frente, mas os búlgaros conseguiriam, surpreendentemente, a virada.