Arquipélago de São Pedro e São Paulo é um conjunto de pequenos ilhéus rochosos que fazem parte do estado brasileiro de Pernambuco. O conjunto de ilhéus fica situado na parte central do oceano Atlântico equatorial, distando 627 km do arquipélago de Fernando de Noronha, 986 km do ponto mais próximo do continente sul-americano e 987 km a partir de Natal, no estado do Rio Grande do Norte. Apesar de pertencer ao estado de Pernambuco, é mais próximo do estado do Rio Grande do Norte. Constitui um dos locais mais orientais do território brasileiro, apenas um pouco a oeste do arquipélago de Trindade e Martim Vaz.
Em 1998, foi inaugurada a estação científica na ilha Belmonte, dando início ao Programa Arquipélago de São Pedro e São Paulo (Proarquipélago) sob administração da Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM). A presença permanente de cientistas na estação científica é necessária para provar a habitabilidade no arquipélago, que é fundamental para obter o seu reconhecimento internacional como território brasileiro. Desde 2004 o mar ao redor das ilhas faz parte da zona econômica exclusiva do Brasil.. p .12-13. Eventualmente radioamadores expedicionários apoiados pelas forças armadas efetuam contatos internacionais via rádio HF e satélite, reforçando a presença brasileira na região.
O conjunto de ilhéus era chamado popularmente de "Penedo de São Pedro e São Paulo" ou "Rochedo de São Pedro e São Paulo". Porém, hoje em dia é chamado oficialmente de "Arquipélago de São Pedro e São Paulo". A rocha exposta é peridotito e peridotito serpentinizado, provavelmente originada de uma característica geológica do fundo do mar que forma uma longa cordilheira perpendicular a uma dorsal oceânica, sendo a única exposição mundial do manto abissal acima do nível do mar. O arquipélago está no processo ativo de ascensão com taxa anual de soerguimento de 1,5 mm.
História
Séculos XVI-XVIII
Em 20 de abril de 1511, uma frota da Marinha Portuguesa composta por seis caravelas sob o comando do Capitão Garcia de Noronha descobriu os ilhéus por acaso durante a sua viagem para a Índia. Enquanto navegava em mar aberto durante a noite, a caravela de São Pedro, sob o comando do Capitão Manuel de Castro Alcoforado, embateu contra os ilhéus. A tripulação foi resgatada pela caravela de São Paulo, dando origem ao nome dado aos ilhéus.Saint Peter and Saint Paul's Archipelago - Tectonic uplift of infracrustal rocks in the Atlantic Ocean Campos, T.F.C.; Virgens Neto, J.; Srivastava, N.K.; Petta, R.A.; Harmann, L.A.; Moraes, J.F.S.; Mendes, L.; Silveira, S.R.M. In: Winge, M.; Schobbenhaus, C.; Berbert-Born, M.; Queiroz, E.T.; Campos, D.A.; Souza, C.R.G.; Fernandes, A.C.S. (Ed.), Geological and Palaeontological Sites of Brazil. Retrieved on 2017-03-20.
O primeiro desembarque registrado nos rochedos foi o do francês Bouvet du Losier (1738), seguido pelo do norte-americano Amasa Delano, no comando do Perseverance (1803) e pelo britânico George Criton, a bordo do HMS Rhin (1806).Ilhas do Brasil: Uma terra incógnita e cobiçada. O Globo, 13 de outubro de 2008, p. 24.
Em dezembro de 1799, o capitão americano Amasa Delano desembarcou nos ilhéus. Ele passou uma tarde e uma noite nas rochas.
Século XIX thumb|Representação artística do arquipélago feita durante uma viagem do HMS Challenger em 1877
Na manhã de 16 de fevereiro de 1832, as rochas foram visitadas por Charles Darwin na primeira etapa de sua viagem ao redor do mundo a bordo do HMS Beagle. Darwin listou toda a fauna que conseguiu encontrar, observando que não havia uma única planta ou mesmo um líquen na ilha.
As rochas, então chamadas de "Rochas de São Paulo", foram visitadas por James Clark Ross em 29 de novembro de 1839. Ele estava encarregado de uma expedição às regiões antárticas com dois navios, o HMS Erebus e o HMS Terror. Robert McCormick fez algumas observações geológicas e biológicas sobre as Rochas de São Paulo no relatório da expedição.
Século XX As primeiras fotografias dos rochedos foram feitas pela equipe do Scotia, no caminho que seguiram até à Antártida em 1902. Pouco mais tarde, em 1911, a tripulação do Deutschland iniciou um estudo dos mesmos. Por eles também passou o irlandês Ernest Henry Shackleton (1874-1922), a bordo do "Quest", em 1921 (expedição "Shackleton-Rowett 1921-1922"). thumb|Arquipélago visto pelo periscópio do submarino nuclear estadunidense USS Triton (1960)
Outra pessoa famosa a visitar as rochas foi Ernest Shackleton, na sua última expedição à Antártica (1921–1922). Outros visitantes ilustres foram Gago Coutinho e Sacadura Cabral, que ali amararam com o Lusitânia em 1922, durante a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, para reabastecimento com o Cruzador República da Marinha Portuguesa.
Em 1930, o navio Belmonte, da Marinha do Brasil, instalou o primeiro farol, missão que levou um ano para ser concluída. Um sismo destruiria parcialmente esse farol em 1933 e o atual farol foi inaugurado apenas em 1995.
À época da Segunda Guerra Mundial, a área recebeu a visita de embarcações norte-americanas e, na década de 1960 de cientistas estrangeiros. O Brasil só passou a ocupar os rochedos de forma permanente a partir de 1996.
No início de 1960, as rochas serviram como ponto de partida e de chegada para a primeira circunavegação submersa do mundo pelo submarino nuclear americano .
Estação científica miniaturadaimagem|Estação científica dos rochedos thumb|Farol do arquipélago
Em 25 de junho de 1998, a Marinha do Brasil inaugurou a Estação Científica do Arquipélago de São Pedro e São Paulo (ECASPSP). A estação é tripulada por quatro pesquisadores, que se revezam a cada 15 dias.Nova Era no Arquipélago de São Pedro e São Paulo Marinha do Brasil. Acessado em 6 de junho de 2009. Ao manter a ocupação permanente do arquipélago, a Marinha do Brasil estende a Zona Econômica Exclusiva, as águas territoriais e o espaço aéreo do Brasil para o Oceano Atlântico Norte.Lançamento da nova Estação Científica do Arquipélago de São Pedro e São Paulo Marinha do Brasil. Acessado em 6 de junho de 2009.
Em 5 de junho de 2006, o arquipélago foi abalado por um terremoto de magnitude 6,0 (com epicentro a cerca de 140 km de distância a leste). A forte maré de tempestade após o terremoto fez com que o compartimento da bateria se chocasse contra a parede externa da estação, permitindo que a água do mar inundasse a estação. Os quatro pesquisadores que estavam no arquipélago abrigaram-se no farol, mantendo contato constante com a Marinha do Brasil. Um barco de pesca localizado nas proximidades resgatou os pesquisadores, que foram então transferidos para uma lancha de patrulha da Marinha do Brasil. O incidente causou danos consideráveis à estação e aos equipamentos.Acidente no Arquipélago de São Pedro e São Paulo Brazilian Navy. Retrieved on 2009-07-16. A estação foi reparada entre 9 e 11 de setembro de 2006 e voltou a operar logo em seguida.Recuperação da Estação Científica do Arquipélago de São Pedro e São Paulo (ECASPSP) Brazilian Navy. Retrieved on 2009-07-16. .
Em 2007, a Marinha do Brasil iniciou a construção de uma nova estação científica no arquipélago.Nova Era no Arquipélago de São Pedro e São Paulo Marinha do Brasil. Acessado em 6 de junho de 2009. A construção começou em 24 de julho de 2007 e foi concluída em 25 de junho de 2008. A nova estação foi construída com isolamento sísmico e é consideravelmente maior e melhor equipada do que a anterior.A construção da nova Estação Científica Brazilian Navy. Retrieved on 2009-07-16. A estação é composta por um edifício principal – equipado com sistema de dessalinização de água salgada por osmose reversa, sistema fotovoltaico e sistema de comunicação via satélite; depósitos e um cais de amarração.The scientific station of São Pedro and São Paulo Archipelago - Brazil Alvarez, Cristina E., Melo, Julio E., Mello, Roberto L. Acessado em 6 de junho de 2009.Manual do Pesquisador Brazilian Navy. Retrieved on 2009-07-16.
A Marinha do Brasil também mantém um farol, uma luz focal a 29 m acima do nível médio do mar de 18 m abaixo, onde o dispositivo foi montado, altura total de 10,95 m, base de cimento de 2,5 m, torre de 7,95 m, 3 seções de 2,65 m, antena de 0,5 m, no arquipélago (ARLHS: SPP-001), construído em 1995 para substituir um anterior de 1930.Saint Peter and Saint Paul's Archipelago - Tectonic uplift of infracrustal rocks in the Atlantic Ocean Campos, T.F.C.; Virgens Neto, J.; Srivastava, N.K.; Petta, R.A.; Harmann, L.A.; Moraes, J.F.S.; Mendes, L.; Silveira, S.R.M. In: Winge, M.; Schobbenhaus, C.; Berbert-Born, M.; Queiroz, E.T.; Campos, D.A.; Souza, C.R.G.; Fernandes, A.C.S. (Ed.), Geological and Palaeontological Sites of Brazil. Retrieved on 2017-03-20.
Voo 447 da Air France
Em 1 de junho de 2009, o voo 447 da Air France, um jato Airbus A330-200 em rota do Rio de Janeiro para Paris, caiu no Oceano Atlântico perto do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, matando todas as 228 pessoas a bordo. Corpos e fragmentos da aeronave foram encontrados a noroeste do arquipélago.
Geografia thumb|Fotografia aérea do arquipélago
Os rochedos de São Pedro e São Paulo estão localizados no Oceano Atlântico, a cerca de 100 km ao norte do Equador e são o único grupo de ilhotas oceânicas brasileiras no Hemisfério Norte. O ponto mais próximo na costa brasileira é o Cabo do Calcanhar, no Rio Grande do Norte, a cerca de . do arquipélago. A área total emersa é de aproximadamente 1,7 hectares e a elevação máxima do terreno é 18 metros, na Ilha Nordeste. O arquipélago é composto por várias rochas, cinco pequenos ilhéus rochosos e quatro ilhéus maiores:Saint Peter and Saint Paul's Archipelago - Tectonic uplift of infracrustal rocks in the Atlantic Ocean Campos, T.F.C.; Virgens Neto, J.; Srivastava, N.K.; Petta, R.A.; Harmann, L.A.; Moraes, J.F.S.; Mendes, L.; Silveira, S.R.M. In: Winge, M.; Schobbenhaus, C.; Berbert-Born, M.; Queiroz, E.T.; Campos, D.A.; Souza, C.R.G.; Fernandes, A.C.S. (Ed.), Geological and Palaeontological Sites of Brazil. Retrieved on 2017-03-20.
Ilhéu de Belmonte: Ilhota Challenger (também conhecida como São Paulo): Ilhéu Nordeste (também conhecido como São Pedro): Ilhéu Cabral: Ilhéu Sul: .
Sua base fica a mais de abaixo do nível do mar.Saint Peter and Saint Paul's Archipelago - Tectonic uplift of infracrustal rocks in the Atlantic Ocean Campos, T.F.C.; Virgens Neto, J.; Srivastava, N.K.; Petta, R.A.; Harmann, L.A.; Moraes, J.F.S.; Mendes, L.; Silveira, S.R.M. In: Winge, M.; Schobbenhaus, C.; Berbert-Born, M.; Queiroz, E.T.; Campos, D.A.; Souza, C.R.G.; Fernandes, A.C.S. (Ed.), Geological and Palaeontological Sites of Brazil. Retrieved on 2017-03-20.
Nenhuma das ilhas possui um suprimento permanente de água doce disponível.Saint Peter and Saint Paul's Archipelago - Tectonic uplift of infracrustal rocks in the Atlantic Ocean Campos, T.F.C.; Virgens Neto, J.; Srivastava, N.K.; Petta, R.A.; Harmann, L.A.; Moraes, J.F.S.; Mendes, L.; Silveira, S.R.M. In: Winge, M.; Schobbenhaus, C.; Berbert-Born, M.; Queiroz, E.T.; Campos, D.A.; Souza, C.R.G.; Fernandes, A.C.S. (Ed.), Geological and Palaeontological Sites of Brazil. Retrieved on 2017-03-20.
Biodiversidade thumb|Atobá-pardo no arquipélago
Apenas a maior das ilhotas, Belmonte, é vegetada com musgos e gramíneas. As outras rochas são em sua maioria estéreis, exceto por algumas algas marinhas e fungos que toleram a maresia. As rochas são habitadas por aves marinhas, incluindo o atobá-pardo (Sula leucogaster), o trinta-réis-escuro (Anous stolidus) e trinta-réis-preto ( Anous minutus ), bem como caranguejos (Grapsus grapsus), insetos e aranhas.Série de reportagens sobre o arquipélago de São Pedro e São Paulo e as ilhas de Trindade e Martim Vaz O Globo. Retrieved on 2009-07-16.
As ilhas abrigam mais de 100 peixes de recife, cerca de 10% dos quais não são encontrados em nenhum outro lugar do mundo, incluindo o extremamente colorido Tosanoides aphrodite.