Ciro Ferreira Gomes (Pindamonhangaba, 6 de novembro de 1957) é um advogado, professor universitário, escritor e político brasileiro, atualmente filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), no qual é o presidente estadual no Ceará. Exerceu diversos cargos públicos de destaque, incluindo deputado estadual e federal pelo Ceará, prefeito de Fortaleza, governador do Ceará, ministro da Fazenda no Governo Itamar Franco — durante a implantação do Plano Real — e ministro da Integração Nacional no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, quando atuou na formulação do projeto de transposição do rio São Francisco.

Natural de Pindamonhangaba (São Paulo), Ciro Gomes vive em Sobral (Ceará), cidade de sua família paterna, desde 1962. Dois de seus quatro irmãos também seguiram carreira política: Cid Gomes foi governador do Ceará por dois mandatos, enquanto Ivo Gomes foi prefeito de Sobral por dois mandatos, onde seu pai também exerceu o mesmo cargo. Seu tio, Vicente Antenor Ferreira Gomes, foi prefeito do município de Itapipoca em 1992 e deputado estadual pelo Ceará em 1982.

Ciro é formado em direito pela Universidade Federal do Ceará, e também lecionou direito tributário e constitucional. Foi pesquisador visitante na Harvard Law School e é autor de livros sobre economia política: No País dos Conflitos (1994), O Próximo Passo — Uma Alternativa Prática ao Neoliberalismo (1995), Um Desafio Chamado Brasil (2002) e Projeto Nacional: O Dever da Esperança (2020). No setor privado, presidiu a Transnordestina S/A e integrou a diretoria da Companhia Siderúrgica Nacional.

Foi candidato à presidência da República em quatro ocasiões: em 1998, obteve 10,97% dos votos; já em 2002, recebeu 11,97% dos votos; em 2018, obteve 12,47%; e por último em 2022, em que obteve 3,04% dos votos.

Juventude

Ciro Ferreira Gomes nasceu em Pindamonhangaba, interior de São Paulo, filho do cearense José Euclides Ferreira Gomes Júnior (1918-1996) e da paulista Maria José Santos (1928–2015).

Em 1961, aos quatro anos de idade, a família de Ciro instalou-se em Sobral, Ceará, onde vivia toda a sua família paterna. Seu pai era defensor público e sua mãe professora. Em Sobral, Ciro concluiu o curso secundário em uma escola pública da cidade.

Os Ferreira Gomes, na cidade de Sobral, sempre foram uma família de pequenos comerciantes ou funcionários públicos. Em 1975, José Euclides Ferreira Gomes, mesmo sem militância política, foi cogitado para ser prefeito de Sobral em um momento que a política da cidade se alternava entre as famílias Prado e Barreto.

Vida estudantil (1957–1982) miniatura|esquerda|Imagem aérea de Sobral com vista para a Igreja do Patrocínio e o Museu do Eclipse, importante museu científico do Ceará

Aos 15 anos, Ciro venceu um prêmio literário sobre a vida e obra do poeta Luís de Camões.

Após concluir o curso secundário em uma escola pública da cidade, transferiu-se para Fortaleza e ingressou em 1976 na Universidade Federal do Ceará (UFC), na faculdade de direito. Ciro foi aprovado em primeiro lugar no vestibular.

Ciro também sempre revelou interesse por Futebol, sendo torcedor e sócio do Guarany de Sobral.

Durante o período universitário, Ciro militou no grupo Habeas-Corpus, de acordo com seu depoimento no livro "No País dos Conflitos". Em 1979, disputou as eleições da União Nacional dos Estudantes (UNE), onde concorreu para vice-presidente na chapa Maioria. Em entrevista dada ao Roda Viva, em 1991, afirmou que, no movimento estudantil, se aproximava mais com a esquerda católica.

Ao concluir a universidade, Ciro voltou para a cidade de Sobral e entrou na vida pública aos 23 anos, tornando-se professor universitário e advogado, época em que seu pai foi eleito prefeito e o nomeou como procurador do município. Nesse período foi também convidado por José Maria Felix, já como professor da universidade, para ser comentarista esportivo da Rádio Educadora do Nordeste. Como comentarista acompanhava principalmente o Guarany de Sobral.

Carreira política Deputado estadual (1983–1988) miniatura|upright|esquerda|alt=Ciro candidato pelo PDS - 1982|Ciro candidato a deputado estadual pelo PDS no ano de 1982 Ciro disputou sua primeira eleição em 1982, para deputado estadual, tendo sido o deputado estadual mais votado na cidade de Sobral, onde obteve votos. Foi candidato pelo Partido Democrático Social (PDS), que era o partido do pai. Defendeu nesta eleição o "voto camarão": recomendava vereadores, prefeitos e deputados, mas o voto em branco para senador e governador.

Em 1983, Ciro filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e assumiu seu primeiro mandato de forma ousada: se manifestando inclusive contra o governador eleito pelo seu próprio partido, Gonzaga Mota. Ciro chamou a atenção da imprensa local por debater questões nacionais, democracia, reformas sociais, liberdades, e até geopolítica internacional, algo que segundo ele havia sido deixado de lado pelos políticos cearenses.

Foi então que Tasso Jereissati, presidente do Centro Industrial do Ceará (CIC), despontando como uma nova liderança industrial no estado, conheceu Ciro e o convidou a participar de conversas particulares e conferências do CIC. A relação deles se estreitou no ano de 1984 durante as eleições diretas que elegeram Tancredo Neves. Segundo Ciro, após a morte do presidente eleito ele teria passado a ser perseguido pelo governador, e então decidiu apoiar o nome de Jereissati para o governo estadual.

Na eleição de 1986, quando da sua reeleição, apoiou a proposta do grupo de Tasso, que também era candidato pela primeira vez a governador, com a intenção manifesta de "derrubar os coronéis" do estado. Ciro conquistou seu segundo mandato de deputado e foi convidado por Tasso a exercer a liderança do governo estadual na Assembleia Legislativa do Ceará. Enfrentou as reações dos parlamentares ao enxugamento da máquina administrativa, e seu esforço foi retribuído com o convite de disputar a prefeitura da capital do estado, Fortaleza, dando seguimento à estratégia de isolamento político dos coronéis do Ceará. Mais tarde, juntou-se ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

Prefeito e Governador (1989–1994) Prefeito de Fortaleza Ciro assumiu a prefeitura da capital cearense em janeiro de 1989. De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, a gestão anterior deixou uma herança pesada, com serviços públicos paralisados, mas, de acordo com a mesma reportagem, em um ano ele reconstruiu a cidade. Colocou em funcionamento os serviços de limpeza e manutenção viária, de saúde e educação, além de pagar em dia o salário dos mais de 20 mil funcionários da cidade. Obteve, no ano seguinte, o melhor índice de aprovação entre todas as prefeituras das capitais brasileiras, atingindo 77% de ótimo/bom, de acordo com a Folha de S.Paulo. Ainda em seu mandato, implantou o primeiro IPTU progressivo do Brasil.

Porém, com apenas 15 meses à frente da sua administração, deixou o cargo para se candidatar ao Governo do Estado no final de 1990, pelo PSDB, partido que havia sido recém-criado. Foi eleito no primeiro turno com 56% dos votos e saiu vencedor em todas as urnas de Fortaleza. Foi o único governador eleito pelo PSDB naquele ano.

Na eleição presidencial de 1989, apoiou no primeiro turno Mário Covas, candidato pelo PSDB, e Lula no segundo turno.

Governador do Ceará miniatura|Lula e o então governador do Ceará Ciro Ferreira Gomes no Palácio do Cambeba (Fortaleza-CE, Data desconhecida). / Crédito: Evandro Teixeira

Em 1990, foi eleito governador do Ceará, vencendo Paulo Lustosa. Foi o primeiro governador a ser eleito pelo PSDB e tornou-se o segundo mais jovem governador do país na época. Ciro assumiu o governo do Estado do Ceará em março de 1991. Foi um incentivador da criação de micro e pequenas empresas no estado, e deu prosseguimento a redução da máquina administrativa, iniciado na gestão de Tasso. Também combateu a sonegação de impostos e aumentou a arrecadação estadual. Sua gestão o transformou no mais popular dos governadores do Brasil, com 74% de aprovação de acordo com o Datafolha, em pesquisa de julho de 1992, e foi relacionado pela revista Time como uma das 100 lideranças emergentes no cenário mundial.

Um importante marco do governo de Ciro foi a reestruturação das Secretarias de Governo, colocadas nas mãos de jovens técnicos em substituição aos políticos. Segundo dados coletados por Washington Bonfim, 71% das Secretarias de Ciro eram comandadas por técnicos e pouco mais de 17% por políticos. Com essa estratégia o governador buscou aliados em setores organizados da sociedade, e adotou formas participativas de gestão.

Durante o governo de Ciro, aconteceu uma rebelião no Instituto Penal Paulo Sarasate, no Ceará. Na altura, o Arcebispo Dom Aluísio Lorscheider visitava o presídio com outros bispos para denunciar as condições do presídio. Dom Aluísio foi sequestrado por dez presos que exigiam armas e munições. Presos e reféns deixaram o presídio em um carro blindado após negociações conduzidas por Ciro. Em entrevista ao Jornal o Povo, em 2018, um dos líderes da rebelião informou que o então governador Ciro Gomes havia inclusive proposto de se colocar como refém no lugar do então Arcebispo Dom Aluísio.

Ciro, ao deixar o Governo do Estado do Ceará, recusou a pensão de governador vitalícia a que tinha direito. Já havia recusado também a pensão vitalícia de ex-prefeito de Fortaleza, combinando a negação de duas aposentadorias vitalícias. Ficou no posto entre 1991 e 1994, e foi na época o governador mais bem avaliado do Brasil segundo as sucessivas pesquisas do Datafolha.

Com as secas de 1991, 1992, e 1993, o Canal do Trabalhador foi considerada a principal realização de Ciro frente ao Governo do Ceará, tendo como objetivo imediato evitar um colapso de água em Fortaleza mediante o transporte de água do Açude Orós ao sul de Fortaleza. O canal foi construído em três meses e inaugurado em 1993, tendo 40% do seu custo financiado pelo governo federal e 60% financiado pelo governo do estado. O canal funcionou por sete meses durante as secas, e ficou desativado depois das chuvas retomarem, sendo que as obras de aproveitamento da água do canal e de irrigação anunciadas pelo governo Ciro não foram realizadas. Segundo o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Companhia de Água e Esgotos do Ceará, o canal teria ficado "sem utilidade".

Como governador, Ciro elevou a renda per capita do estado do Ceará de R$ para R$ (termos absolutos). Um aumento acumulado de 11,6%, enquanto o Brasil teve um aumento de 6,3% e o Nordeste, um aumento de 4,2%. Elevou a representação do PIB cearense de 1,65% do PIB nacional e 12,45% do PIB nordestino para 1,72% e 13,3%, respectivamente. No período, o PIB industrial do Ceará cresceu 1,38%. Saiu do Governo do Estado com 74% de aprovação, mesmo enfrentando oposição de sindicatos e movimentos sociais por ter arrochado salários e terceirizado alguns serviços públicos.

Também reduziu em 32% a taxa de mortalidade infantil e o Programa Viva Criança recebeu o Prêmio Maurice Paté da Unicef, entregue em Nova Iorque, sendo o primeiro governante latino-americano a receber o prêmio. O Programa Viva Criança, divulgado por Renato Aragão, foi iniciado em 1987 por Tasso e em seis anos levou o Ceará para as melhores posições no ranking de mortalidade infantil do país.

Ao longo de vários governos, o Ceará se fortaleceu como destino turístico no imaginário social nordestino e brasileiro. O Pacto de Cooperação, instituído em 1991, foi a representação maior dessa estratégia. Uma parceria entre a sociedade civil e o Estado com o objetivo de repensar a economia do Ceará no cenário mundial. Fizeram parte dessa estratégia o setor privado, as universidades e centros de pesquisa, todos reunidos em um grande fórum com o então governador Ciro Gomes (presidente do Pacto de Cooperação) e o Prefeito de Fortaleza, Juraci Magalhães. Ciro também foi um dos idealizadores do projeto do Centro de Arte e Cultura Dragão do Mar.