Filipe de Hesse (nome completo em alemão: Philipp von Hessen-Kassel; Offenbach am Main, 6 de novembro de 1896 – Roma, 25 de outubro de 1980), Landegrave de Hesse, foi um nobre, político e militar alemão, chefe da Casa Eleitoral Hessiana de 1940 até sua morte.

Nascido um príncipe alemão da Casa de Hesse-Cassel, neto do imperador Frederico III da Alemanha e bisneto da rainha Vitória do Reino Unido, lutou na Primeira Guerra Mundial e, após a Revolução Alemã, testemunhou a deposição de sua família e a consequente abolição da monarquia. Entre entre 1920 e 1922, frequentou a Universidade Técnica de Darmstadt, onde estudou história da arte e arquitetura, embora não tenha concluído sua formação acadêmica. Posteriormente, prosseguiu seus estudos na Itália.

Bissexual, manteve um relacionamento de dois anos com o poeta e militar judeu-britânico Siegfried Sassoon. Após o término com Sassoon, casou-se, em 1925, com a princesa Mafalda de Saboia, filha do rei Vítor Emanuel III da Itália. Durante os anos em que viveu na Itália, Filipe se aproximou do fascismo de Benito Mussolini e ficou impressionado com o regime. Ao retornar à Alemanha, em 1930, filiou-se ao Partido Nazista.

Após a ascensão de Adolf Hitler ao cargo de chanceler alemão, Filipe foi nomeado Governador de Hesse-Nassau, em 1933. Por ser genro do rei italiano, tornou-se um importante intermediário entre o regime nazista e Mussolini, além de atuar como agente de Hitler no campo das artes na Itália. Entretanto, a relação de Filipe com Hitler se deteriorou a partir de 1941. Em 1943, ele e a esposa foram presos como prisioneiros em campos de concentração. Mafalda faleceu em 1944, no campo de Buchenwald, após um ataque aéreo. Filipe permaneceu preso em diferentes campos de concentração, como Flossenbürg e Dachau, até ser libertado em 1945.

Filipe viveu entre a Alemanha e a Itália, onde faleceu em 1980, aos 83 anos. Seu primo, Filipe, Duque de Edimburgo, marido da rainha Elizabeth II do Reino Unido, foi batizado em sua homenagem.

Início de vida esquerda|miniaturadaimagem|Filipe (3.ª esq.) com os irmãos, em 1908. Nascido em 6 de novembro de 1896, no Palácio de Rumpenheim, Filipe foi o terceiro filho do príncipe Frederico Carlos de Hesse-Cassel e da princesa Margarida da Prússia. Sua mãe era filha do imperador Frederico III da Alemanha, fazendo de Filipe, portanto, sobrinho do imperador Guilherme II da Alemanha e bisneto da rainha Vitória do Reino Unido.

Filipe frequentou inicialmente o Ginásio Goethe, em Frankfurt am Main, e posteriormente o Ginásio Helmholtz, em Potsdam. Durante a Primeira Guerra Mundial, serviu como voluntário e tenente no Regimento de Dragões da Guarda do Grão-Ducado de Hesse.

Após o fim da guerra, iniciou seus estudos de história da arte e arquitetura. Frequentou a Universidade Técnica de Darmstadt, onde estudou história da arte e arquitetura, embora não tenha concluído sua formação acadêmica. Posteriormente, prosseguiu seus estudos em Roma, na Itália.

Em 1921, durante sua permanência em Roma, Filipe conheceu o poeta e militar judeu-britânico Siegfried Sassoon, que era dez anos mais velho. Os dois mantiveram um relacionamento amoroso por aproximadamente um ano. Sassoon o achou charmoso, mas "totalmente sem imaginação e grosseiramente sensual".

A sexualidade de Filipe já era conhecida nos círculos nazistas. Karl Wolff, general da Waffen-SS, afirmou durante seu processo de desnazificação que o príncipe era "considerado homossexual".

Casamento miniatura|direita|Filipe e Mafalda em seu casamento. Em 23 de setembro de 1925, Filipe casou-se com a princesa Mafalda de Saboia, filha do rei Vítor Emanuel III da Itália, em uma cerimônia realizada no Castelo Real de Racconigi, nas proximidades de Turim. O casal teve quatro filhos:

Maurício (1926–2013). Casou-se com a princesa Tatiana de Sayn-Wittgenstein-Berleburg em 1964, com descendência. O casal divorciou-se em 16 de outubro de 1974; Henrique (1927–1999); Oto Adolfo (1937–1998). Casou-se com Angela von Doering em 1965, sem descendência. O casal divorciou-se em 3 de fevereiro de 1969. Em 28 de dezembro de 1988, casou-se novamente com Elisabeth Bönker, também sem descendência. O casal divorciou-se em 1994; Isabel Margarida (nascida em 1940). Casou-se com o conde Friedrich Karl von Oppersdorff em 26 de fevereiro de 1962, com descendência.

A família residia principalmente na Villa Polissena, assim chamada em homenagem à rainha Polixena de Hesse-Rotemburgo, situada no complexo da Villa Savoia, propriedade do rei da Itália nos arredores de Roma. A família também viajava regularmente para a Alemanha.

Envolvimento com o Partido Nazista esquerda|miniaturadaimagem|300x300px|Filipe de Hesse, segundo da direita na primeira fila, fazendo a saudação nazista em Cassel, em 1933. Enquanto esteve na Itália, Filipe foi influenciado pelo fascismo ou passou a considerar os bolcheviques a maior ameaça da época. Ao retornar à Alemanha, em outubro de 1930, ingressou no Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP). Em 1932, entrou para a SA, chegando posteriormente aos postos de Gruppenführer e Obergruppenführer. Seus irmãos também aderiram a organizações nazistas, e Filipe tornou-se próximo de Hermann Göring, que em 1936 lhe concedeu a patente de Hauptmann da reserva da Luftwaffe.

Após a nomeação de Adolf Hitler como chanceler, em janeiro de 1933, Filipe foi nomeado Oberpräsident (Governador) de Hesse-Nassau por Göring. No cargo, contribuiu para a consolidação do regime nazista, aproximando membros da aristocracia dos dirigentes do Partido Nazista. Por ser genro do rei da Itália, também atuou como intermediário entre Hitler e Benito Mussolini. Além disso, intermediou a aquisição de importantes obras de arte na Itália para o planejado museu de Hitler em Linz.

Como governador de Hesse-Nassau, Filipe esteve envolvido na Aktion T4, o programa nazista de extermínio de pessoas com deficiência e doenças mentais. Em 1941, assinou o contrato que colocou a Clínica de Hadamar à disposição do Ministério do Interior do Reich. Mais de 10.000 pessoas foram assassinadas na instituição. Em 1946, Filipe chegou a ser acusado de participação nos assassinatos, mas as acusações foram posteriormente retiradas.

Prisão Com o avanço da guerra, o regime nazista passou a desconfiar dos membros das antigas casas principescas alemãs. Em 1943, Filipe foi chamado à sede de Hitler e, posteriormente, perdeu seus cargos no partido e na Luftwaffe. A prisão de Mussolini, em julho daquele ano, agravou ainda mais sua situação, pois seu sogro, o rei Vítor Emanuel III, havia participado de sua destituição.

Filipe foi preso em 8 de setembro de 1943, perdeu sua condição de membro do partido e foi afastado da Luftwaffe. Em janeiro de 1944, também foi destituído publicamente do cargo de Governandor de Hesse-Nassau.

Em setembro de 1943, foi enviado ao campo de concentração de Flossenbürg, onde permaneceu em confinamento solitário, embora recebesse alguns privilégios, como o uso de roupas civis e alimentação semelhante à dos guardas.

Sua esposa, Mafalda, também foi presa e posteriormente enviada ao campo de concentração de Buchenwald. Em agosto de 1944, foi gravemente ferida durante um bombardeio aliado à fábrica de armamentos próxima ao campo e morreu alguns dias depois, após uma operação realizada tardiamente pela equipe médica.

Vida posterior Filipe foi mantido sob custódia dos Aliados em Nápoles e, posteriormente, transferido para o Campo de Ashcan, em Luxemburgo, e depois para uma série de outros centros de detenção até 1947. Ele passou pelos procedimentos de desnazificação em Darmstadt e, em 17 de dezembro de 1947, foi classificado na Categoria II (infrator). Foi condenado a dois anos em um campo de trabalhos forçados, pena suspensa com base no tempo já cumprido. Também foi obrigado a perder 30% de seus bens e propriedades, avaliados em 600.000 marcos alemães (DM). Os recursos posteriores foram concluídos em fevereiro de 1949 e resultaram em sua reclassificação para a Categoria IV (seguidor), além da redução da multa para 36.568 DM.

Em 28 de maio de 1940, Filipe sucedeu seu pai como chefe do ramo Cassel da Casa de Hesse. Em 1968, após a morte de seu parente Luís de Hesse-Darmstadt, chefe do ramo Darmstadt da Casa de Hesse, tornou-se chefe de toda a Casa de Hesse.

Filipe faleceu em Roma, Itália, em 1980, aos 83 anos.

Honrarias miniatura|direita|Retrato de Filipe, Landgrave de Hesse, por Howard Chandler Christy, 1927. Nacionais 60px Cruz de Ferro (Primeira Classe) 60px Cruz de Ferro (Segunda Classe) 60px Cruz de Mérito de Guerra de Brunsvique 60px Condecoração Geral de Honra de Hesse 60px Cruz de Honra da Guerra Mundial (com Espadas) 60px Cruz de Mérito de Guerra (Primeira Classe; sem Espadas) 60px Cruz de Mérito de Guerra (Segunda Classe; sem Espadas) 60px Medalha Anschluss 60px Medalha dos Sudetos

40px Medalha de Longo Serviço do Partido Nazista (Bronze) 40px Medalha de Longo Serviço do Partido Nazista (Prata) 20px Distintivo do Encontro de Brunsvique 25px Crachá Dourado do Partido Nazi 25px Chevrón Honorário da Velha Guarda

Estrangeiras Reino da Itália: Ordem Suprema da Santíssima Anunciação : Ordem de Santo Alexandre

Ancestrais

Bibliografia

Ligações externas Mini-série "Mafalda di Savoia" Livro "Royals and the Reich" de Jonathan Petropoulos

Categoria:Condes de Hesse-Cassel Categoria:Pessoas gêmeas Categoria:Membros da Sturmabteilung (SA) Categoria:Descendentes da rainha Vitória do Reino Unido Categoria:Realeza no Partido Nazi Categoria:Homens bissexuais da Alemanha Categoria:Militares bissexuais Categoria:Realeza LGBT Categoria:Realeza e Partido Nazista