thumb|Pôr do Sol em São João da Boa Vista. São João da Boa Vista é um município brasileiro do estado de São Paulo. Localiza-se na região Centro-Leste do estado a uma latitude 21º58'09" sul e a uma longitude 46º47'53" oeste, estando a uma altitude de 767 metros. Segundo a estimativa do IBGE de 2024 sua população era de 95.762 habitantes.
História
As origens de São João da Boa Vista apresentam pontos controversos que jamais serão perfeitamente esclarecidos. Não há documentação fidedigna que traga prova irrefutável de como se deu sua fundação.
Aceita-se, no entanto, como fato comprovado que as terras que formam hoje o município pertenciam a Mogi Mirim e foram ocupadas por Antônio Manuel de Oliveira (vulgo Antônio Machado), que, juntamente com seus cunhados Ignácio e Francisco, chegou às margens do Rio Jaguari-Mirim, vindos de Itajubá no ano de 1821.
Antônio Machado doou o terreno para o patrimônio da futura população e, desde quando fora erguida a capela sob o patrocínio do monsenhor João José Vieira Ramalho, vinha o eclesiástico a ela, de sua Fazenda Pinheiros, a fim de celebrar missa aos domingos e, possivelmente, celebrar batismos e matrimônios. Nessas viagens, monsenhor tomou-se de amores pelo povoado incipiente, acabando por mudar-se para lá, adquirindo propriedades rurais e casas na parte povoada. Padre Ramalho deve ter sido um interessante tipo de pioneiro, destemido e que sabia batalhar pelas suas opiniões políticas. Sabe-se que tomou parte da revolução de 1842. Ainda hoje existem na Estação da Prata os córregos do Quartel e do Polvarinho, assim como a Serra do Paiol, que devem ser remanescentes dos nomes dados a pontos estratégicos utilizados nas empreitadas bélicas do ativo sacerdote.
O nome da cidade deriva do fato seguinte: os Machado chegaram aqui em vésperas de São João e resolveram dar o nome do santo festejado ao pouso onde se instalaram. Quanto ao resto do nome da cidade (da Boa Vista), explica-se pelas paisagens encantadoras que se descortinam das serras e da maravilhosa mutação de cores que apresentam aos que a admiram da cidade.
Em 28 de fevereiro de 1838, o pequeno povoado foi elevado à freguesia e, em 24 de março de 1859, lei provincial elevou a freguesia a vila. Existe ainda nos arquivos da Prefeitura a ata da instalação da nova vila, em cerimônia realizada em 7 de setembro de 1859.
O verdadeiro patrono do município foi Monsenhor João José Vieira Ramalho, pois sem seu interesse e sua proteção não se desenvolveria o pequenino burgo; o povo queria ser assistido por padre e sentia a necessidade de uma capelinha para a celebração da missa dominical e dos sacramentos. Padre Ramalho incentivou o aumento de população propiciando aos moradores aquilo que mais desejavam; estabelecendo-se depois aqui, deu ao município o impulso necessário para progredir.
Com os trilhos da Mogiana, chegou mais tarde um novo estímulo para o progresso pois facilitavam o intercâmbio econômico e cultural com cidades mais adiantadas e com a capital da então Província de São Paulo.
O município compreendia a própria sede e as vilas de Aguaí (então Cascavel), Vargem Grande e Prata que com o decorrer do tempo foram conseguindo sua autonomia, erigindo-se em cidades progressistas dignos rebentos de sua laboriosa cidade-mãe.
Surgiu então a primeira escola municipal, sendo primeiros professores registrados o casal Sandeville; a Prefeitura recebeu de Joaquim José de Oliveira, um prédio onde pudesse funcionar e a cidade foi crescendo devagar, espalhando-se pelos terrenos que margeiam o Jaguari, o rio da Prata e o córrego São João. As casas foram surgindo em depressões e colinas formando com os anos um aglomerado bastante denso.
Patrocinada por um sacerdote, como a cidade de São Paulo, São João da Boa Vista constituiu uma população extremamente religiosa. Em 1848 foi construída a primeira Igreja Matriz. Em 1890 foi construída a nova igreja e em 1912 foi ampliada, e quase toda reconstruída; a torre foi aumentada, foram edificadas duas capelas laterais e foi instalado o altar-mor, todo de mármore importado da Itália. O atual pároco, Cônego Antônio David, no início de suas funções realizou grande reforma no templo, pondo em ação os planos de seu antecessor, Monsenhor Vinhetas.
== História da Bandeira de São João da Boa Vista! ==
É só em 26 de agosto de 1996 que São João da Boa Vista oficializa sua bandeira, desenhada pelo arquiteto Alberto Carlos Araújo. Baseado no texto do então presidente da Câmara, Ovídio Carlos Martins, Araújo estabelece as medidas exatas para colocação do escudo, no ângulo superior esquerdo da flâmula, obedecendo a um detalhe estabelecido pela lei número 434 daquele ano: na bandeira, o escudo deve ser representado sem os ornamentos externos. Sendo assim, os chifres frutificando os produtos da lavoura e a faixa inferior contendo a frase alusiva ao trabalho terminaram excluídas da bandeira.
“A bandeira, como símbolo de um município, reproduz, gráfica e figurativamente, a vocação de um povo no seu território, em que traz as suas tradições e sua força de trabalho, diante da natureza do solo que oferece a riqueza”, afirmou o autor da lei.
Assim, o desenho oficial foi definido como: “...um retângulo, nas devidas proporções oficiais, em cor predominante, o verde dos campos e patas, representando a agricultura e a pecuária, como principais riquezas do município, colocando-se, no flanco esquerdo de maiorimportância da grande área cultivada, o brasão da cidade, como propulsor das atividades humanas. Em sua posição destacada, no coração do município, o brasão de origem portuguesa com influência francesa, o escudo se distingue, invocando a riqueza, o seu padroeiro e o incomparável crepúsculo, peculiar da região. A rica hidrografia, contando com seus inúmeros rios e afluentes, mantém o valor inestimável do rio Jaguari-mirim, da bacia do Rio Pardo, enobrecida com a representação pela faixa horizontal da bandeira, entremeando no sopé da montanha e dos campos verdes”.
Brasão oficial do município: a simbologia que nos representa Toda cidade tem seus símbolos: brasões, desenhos, obras de arte, bandeiras e monumentos dedicados a seus patronos. Neles, são representados mais do que meros objetos: é possível visualizar um pouco da história, das diferentes épocas, da fé e da sequência dos acontecimentos que transformaram uma pequena comunidade num grande município.
Em São João da Boa Vista não é diferente. O próprio nome já aponta para a devoção católica dos primeiros habitantes e dos religiosos que, em 1824, elegeram São João Batista como orago da cidade que despontava entre o verde das montanhas e o azul dos céus — cores que passaram a companhar as representações municipais desde então.
História e Heráldica É arriscado estabelecer a autoria dos primeiros desenhos que pudessem representar São João, bem como é praticamente impossível determinar que a cidade tenha tido algum outro brasão até 1965, quando a lei determinou a heráldica oficial.
A Lei nº 93/1965 definiu como símbolo sanjoanense um escudo com as seguintes características:
Coroa Mural: Oito torres prateadas (com apenas cinco visíveis). Campo Azul: Contém um cordeiro pascal prateado, símbolo do sacrifício de Cristo. Flâmula: Traz a inscrição latino "ECCE AGNUS DEI" (Eis o Cordeiro de Deus). Testeira: Prateada com a representação do Sol, celebrando os crepúsculos da cidade.
Curiosidade: Em 1926, o jornalista Isaac Cerquinho cunhou a alcunha "Cidade dos Crepúsculos Maravilhosos" em um artigo na Revista Guararapes, referindo-se à beleza natural de São João da Boa Vista.
Elementos Econômicos e Lema O escudo é sustentado por dois chifres dourados (cornucópias) de onde emanam os frutos da terra, como ramos de café e cereais, simbolizando a vocação rural e a dedicação do povo à lavoura. Na base, uma faixa azul com letras douradas ostenta o lema:
"SÓ O TRABALHO DIGNIFICA O HOMEM"
Geografia Aspectos Físicos e Geográficos São João da Boa Vista está na região cristalina da Serra da Mantiqueira (Região geomorfológica de Lindoia e Serra Negra) e próximas à linha de contato com a região sedimentar (Depressão Periférica), que estão a oeste do município, em direção a Aguaí.
As terras do município se encontram na Média Mogiana, fazendo parte da 5ª Região Administrativa do Estado e ainda é sede da microrregião de São João da Boa Vista. O clima e o tipo de solo propiciam ao município a predominância das culturas agrícolas e pecuárias.
Topografia thumb|direita|Vista Aérea
A cidade ocupa as primeiras colinas dessa área, que, se elevam, gradativamente, até o rebordo do também chamado de planalto de Poços de Caldas.
As colinas da parte urbana possuem altitudes de 730 metros, em média, e tendo como ponto mais alto o Morro do Mirante, com 1663 metros. Este sítio urbano, acidentado, explica a irregular malha urbana de São João da Boa Vista: algumas ruas, em ladeiras, não retilíneas, sem saídas ou praças parcialmente fechadas (Joaquim José). Tudo isto oferece ao habitante paisagens belíssimas, mesmo estando em meio aos edifícios. Para leste, pode se ver a belíssima serra, os horizontes são mais amplos e abertos, possibilitando assistir ao colorido “pôr do sol”, nos meses de abril a maio. A cidade faz jus ao “slogan” – “Cidade dos Crepúsculos Maravilhosos”.
Clima O clima é tropical quente. Os invernos não são rigorosos. Os dias são quentes, no verão, mas a brisa agradável das noites refresca as madrugadas. Junto às serras, que funcionam como barreiras interceptoras das massas de ar, que participam da formação do clima do Estado de São Paulo, há descarregamento maior da umidade, em forma de chuvas orográficas. Muitas vezes fortes e copiosas. A pluviosidade está em 1.140 mm anuais e as chuvas se concentram nos meses mais quentes, a partir de outubro. Não há no município um posto meteorológico com funcionamento pleno. Os mais próximos são os de Casa Branca e de Mococa. Assim os dados sobre a temperatura do ar podem ser estimados aproximadamente em: média 28 °C, máxima 34 °C, mínima 5 °C. Média no verão: 22 °C e média no inverno: 18 °C. Há um vento local que sopra do leste ou às vezes do sudeste ao qual os habitantes de São João da Boa Vista dão o nome de: "Boqueirão do Prata". A história registrou geadas fortes causadoras de grandes prejuízos ao café. Citamos as de 1870, 1886, 1902 e 1918. As geadas podem ocorrer em junho e julho, mas são fenômenos não habituais.
Vegetação e ocupação do solo A vegetação original já foi praticamente devastada. Dominava a mata tropical, com boas madeiras de lei.
A prática da agricultura e, de modo especial, a do café, colocou fim à parte florestada. Hoje, temos apenas pequenos vestígios desta mata, em grotões íngremes ou protegendo as nascentes ou minas d'água.
Na parte oeste do município, encontrávamos o início dos campos cerrados, com vegetação rasteira e arbustos retorcidos e de casca grossa. Hoje, já não existem mais. O solo, que era considerado improdutivo, foi corrigido pelas novas técnicas e esta área se tornou a melhor para a agricultura, pois é fácil a mecanização da lavoura, que aí se instalou. Já a área cristalina das serras, importante no início do café, tem terras cansadas pela agricultura tradicional e vítima da erosão, por causa dos acentuados declives. Hoje essas terras são ocupadas, principalmente, por pastagens e, em algumas áreas, a batata inglesa tem sido cultivada com sucesso.
Solo Dominam no município os solos: Podzólico Vermelho Amarelo - Orto (57%) - Este solo ocorre na área cristalina. É ácido e medianamente ácido. O relevo é o principal fator restritivo ao uso deste solo, seguido pela erosão, geralmente decorrente daquele fator e pela fertilidade. O manejo desse solo requer práticas agrícolas cuidadosas. É solo indicado para culturas permanentes, pastagens e florestamentos.