O Los Angeles Times é um jornal diário dos Estados Unidos publicado desde 1881 em Los Angeles, na Califórnia. Com sede em El Segundo, na região da Grande Los Angeles, ocupa o sexto lugar entre os jornais dos Estados Unidos em circulação impressa. Em 2025, tinha aproximadamente 63.000 assinantes da edição impressa e 243.000 assinantes digitais. O jornal recebeu mais de 52 Prêmios Pulitzer desde 1942.

No século XIX, o jornal ganhou reputação pela promoção dos interesses de Los Angeles e pela oposição aos sindicatos. Essa oposição culminou no atentado a bomba contra sua sede em 1910. O perfil do jornal cresceu muito na década de 1960, sob a direção do editor Otis Chandler, que ampliou a cobertura nacional. Assim como ocorreu com outros jornais regionais da Califórnia e dos Estados Unidos, o número de leitores caiu a partir de 2010. O jornal também passou por mudanças de proprietário, cortes de pessoal e controvérsias.

Em janeiro de 2018, os funcionários da redação votaram pela sindicalização. O primeiro contrato coletivo foi concluído em 16 de outubro de 2019. Em julho de 2018, o jornal foi comprado pelo bilionário da biotecnologia Patrick Soon-Shiong e deixou sua antiga sede no centro de Los Angeles, mudando-se para instalações em El Segundo, perto do Aeroporto Internacional de Los Angeles. A partir de 2020, sua cobertura se afastou de assuntos nacionais e internacionais e passou a dar mais espaço à Califórnia, em especial ao Sul da Califórnia.

Em janeiro de 2024, o jornal fez o maior corte percentual de pessoal de sua trajetória. Mais de 20% dos funcionários foram dispensados, inclusive ocupantes de cargos editoriais de nível superior, numa tentativa de conter prejuízos e manter caixa suficiente para operar até o fim daquele ano, em meio às dificuldades para sustentar uma publicação regional de porte reduzido. Soon-Shiong anunciou em julho de 2025 que pretendia abrir o capital do jornal dentro de um ano.

Desde 2012, o Los Angeles Times mantém um paywall e obtém grande parte de sua receita por meio de assinaturas mensais e anuais. A publicação também recebe receita de publicidade gráfica, além de artigos patrocinados e comunicados de imprensa por meio da Imperium Comms.

História

Era Otis

miniaturadaimagem|Escombros do edifício do Los Angeles Times depois do atentado a bomba de 1910 miniaturadaimagem|Harry Chandler e Harrison Gray Otis em agosto de 1917

O Times foi publicado pela primeira vez em 4 de dezembro de 1881, com o nome Los Angeles Daily Times, sob a direção de Nathan Cole Jr. e Thomas Gardiner. Em outubro de 1886, a palavra Daily foi retirada do título e o jornal passou a se chamar Los Angeles Times.

As primeiras edições foram impressas na gráfica do Mirror, então pertencente a Jesse Yarnell e T. J. Caystile. Sem conseguir pagar a impressão, Cole e Gardiner entregaram o jornal à Mirror Company. S. J. Mathes havia ingressado na empresa e insistiu para que o Times continuasse sendo publicado. Em julho de 1882, Harrison Gray Otis mudou-se de Santa Bárbara para assumir a editoria do jornal."Mirror Acorn, 'Times' Oak", Los Angeles Times, 23 de outubro de 1923, p. II-1. O acesso exige cartão de biblioteca. Na mesma época, comprou uma participação de um quarto no jornal por US$ 6.000, financiados em grande parte por um empréstimo bancário.

O historiador Kevin Starr escreveu que Otis era um empresário "capaz de manipular todo o aparato da política e da opinião pública para o próprio enriquecimento". A linha editorial de Otis se apoiava na promoção cívica, exaltando Los Angeles e incentivando seu crescimento. O jornal apoiou, entre outras medidas, a expansão do abastecimento de água da cidade por meio da aquisição de direitos sobre a água do distante Vale Owens.

A campanha do Times contra os sindicatos locais culminou no atentado a bomba contra sua sede em 1º de outubro de 1910, que matou 21 pessoas. Dois dirigentes sindicais, James e Joseph McNamara, foram acusados. A Federação Estadunidense do Trabalho contratou o advogado Clarence Darrow para defender os irmãos, que acabaram se declarando culpados.

Otis instalou uma águia de bronze no alto de um friso do novo edifício-sede do Times, projetado por Gordon Kaufmann, e repetiu o lema escrito por sua esposa Eliza: "Mantenha-se firme, permaneça firme, permaneça seguro, permaneça fiel".

Era Chandler

Depois da morte de Otis, em 1917, seu genro e gerente comercial do jornal, Harry Chandler, assumiu como editor do Times. Em 1944, foi sucedido pelo filho, Norman Chandler, que comandou o jornal durante o rápido crescimento de Los Angeles após a Segunda Guerra Mundial. A esposa de Norman, Dorothy Buffum Chandler, participou de iniciativas cívicas e liderou os esforços para construir o Los Angeles Music Center, cuja principal sala de concertos recebeu o nome de Dorothy Chandler Pavilion em sua homenagem. Integrantes da família estão sepultados no Hollywood Forever Cemetery, perto dos estúdios da Paramount. O cemitério também abriga um memorial às vítimas do atentado ao edifício do Times.

Em 1935, o jornal mudou-se para o Los Angeles Times Building, um edifício em art déco. O complexo foi ampliado até ocupar todo o quarteirão entre as ruas Spring, Broadway, First e Second, que ficou conhecido como Times Mirror Square e abrigou o jornal até 2018. Harry Chandler, então presidente e gerente-geral da Times-Mirror Co., chamou o prédio de "monumento ao progresso de nossa cidade e do Sul da Califórnia".

Otis Chandler, representante da quarta geração da família à frente do jornal, ocupou o posto de 1960 a 1980. Ele buscava ampliar o reconhecimento do jornal, que costumava receber menos atenção nos centros de poder do nordeste dos Estados Unidos devido à distância geográfica e cultural. Sua intenção era aproximá-lo do padrão de jornais como The New York Times e The Washington Post. Convencido de que a redação era "o coração do negócio", aumentou o número de jornalistas, elevou salários e ampliou a cobertura nacional e internacional. Em 1962, o jornal uniu-se ao The Washington Post para criar o Los Angeles Times-Washington Post News Service, que distribuía matérias dos dois jornais a outros veículos. Chandler também reduziu o conservadorismo rígido que havia caracterizado o Times por décadas e levou seus editoriais para uma posição mais centrista.

Na década de 1960, o jornal recebeu quatro Prêmios Pulitzer, mais do que nos nove decênios anteriores somados.

Em 2013, o repórter Michael Hiltzik escreveu:

As primeiras gerações compraram ou fundaram seus jornais locais pelo lucro e também pela influência social e política, que muitas vezes trazia mais lucro. Seus filhos desfrutaram do lucro e da influência, mas, à medida que as famílias cresceram, as gerações seguintes perceberam que apenas um ou dois ramos ficavam com o poder, enquanto todos os outros recebiam uma parcela do dinheiro. Por fim, os ramos que apenas recebiam dividendos perceberam que poderiam ganhar mais investindo em outras coisas que não fossem jornais. Sob sua pressão, as empresas abriram o capital, dividiram-se ou desapareceram. Esse foi o padrão seguido por mais de um século pelo Los Angeles Times sob a família Chandler.

A trajetória inicial do jornal e sua transformação foram abordadas no livro não autorizado Thinking Big, de 1977, . O Times também foi uma das quatro organizações examinadas por David Halberstam em The Powers That Be, de 1979, , republicado em 2000 com . Entre a década de 1960 e meados dos anos 2000, o jornal foi tema total ou parcial de quase trinta dissertações nas áreas de comunicação e ciências sociais.ProQuest Dissertation Abstracts. Consultado em 8 de junho de 2007.

Antigos edifícios do Times

O Los Angeles Times ocupou cinco endereços físicos desde 1881.

Período recente

miniaturadaimagem|Máquina de venda automática do Times com notícias dos Jogos Olímpicos de Verão de 1984 miniaturadaimagem|Sede do jornal em El Segundo

Na primeira década do século XXI, o Los Angeles Times enfrentou mudanças de proprietário, falência, rápida sucessão de editores, cortes de pessoal, queda da circulação paga, necessidade de ampliar sua presença na internet e controvérsias. Em janeiro de 2024, a redação anunciou uma redução de cerca de 20% do quadro, atribuída ao fraco crescimento das assinaturas e a outras dificuldades financeiras.

O jornal mudou-se em julho de 2018 para uma nova sede em El Segundo, perto do Aeroporto Internacional de Los Angeles.

Propriedade

Em 2000, a Times Mirror Company, proprietária do Los Angeles Times, foi comprada pela Tribune Company, de Chicago, Illinois. Com isso, o jornal passou a ter o mesmo proprietário da emissora KTLA, então afiliada à WB e depois à CW, que a Tribune havia adquirido em 1985.

Em 2 de abril de 2007, a Tribune Company anunciou que havia aceitado a proposta do empresário do setor imobiliário Sam Zell para comprar o Chicago Tribune, o Los Angeles Times e os demais ativos da empresa. Zell anunciou que venderia o clube de beisebol Chicago Cubs e colocou à venda a participação de 25% da empresa na Comcast SportsNet Chicago. Até a aprovação dos acionistas, os bilionários de Los Angeles Ron Burkle e Eli Broad poderiam apresentar uma oferta maior. Se isso ocorresse, Zell receberia uma taxa de rescisão de US$ 25 milhões.

Em dezembro de 2008, a Tribune Company pediu proteção contra falência. O processo ocorreu em meio à queda da receita publicitária e a uma dívida de US$ 12,9 bilhões, grande parte contraída quando Zell fechou o capital da empresa.

Em 7 de fevereiro de 2018, a Tribune Publishing, anteriormente chamada Tronc Inc., concordou em vender o Los Angeles Times e seus outros dois jornais do Sul da Califórnia, The San Diego Union-Tribune e Hoy, ao investidor bilionário do setor de biotecnologia Patrick Soon-Shiong. A compra, feita por meio do fundo Nant Capital, custou US$ 500 milhões, além da assunção de US$ 90 milhões em obrigações previdenciárias. A operação foi concluída em 16 de junho de 2018.

Em 21 de julho de 2025, durante uma entrevista ao The Daily Show, Soon-Shiong anunciou que pretendia abrir o capital do jornal dentro de um ano.

Mudanças editoriais e cortes de pessoal

Em 2000, John Carroll, ex-editor do The Baltimore Sun, foi contratado para reforçar a redação do jornal. Durante sua gestão no Times, mais de duzentos postos de trabalho foram eliminados. Embora a margem de lucro operacional fosse de 20%, os executivos da Tribune consideravam os retornos insuficientes, e Carroll deixou o jornal em 2005. Seu sucessor, Dean Baquet, recusou-se a executar novos cortes exigidos pela Tribune Company.

Baquet foi o primeiro afro-americano a ocupar esse tipo de cargo editorial em um diário de primeira linha. Durante as gestões de Baquet e Carroll, o jornal recebeu 13 Prêmios Pulitzer, número inferior apenas ao do The New York Times no mesmo período. Baquet, porém, foi afastado da editoria por não atender às exigências do grupo Tribune. O editor Jeffrey Johnson também saiu. Baquet foi substituído por James O'Shea, do Chicago Tribune. O próprio O'Shea deixou o jornal em janeiro de 2008, após uma disputa orçamentária com o editor David Hiller.

Em 3 de julho de 2008, o jornal informou que pretendia eliminar 250 empregos até o Dia do Trabalho e reduzir em 15% o número de páginas publicadas. Cerca de 17% da redação seria atingida, parte do esforço da nova empresa privada para reduzir despesas. Hiller renunciou em 14 de julho. Em janeiro de 2009, o Times extinguiu a seção separada California/Metro e incorporou seu conteúdo à seção principal. Também anunciou setenta cortes em jornalismo e edição, equivalentes a 10% da folha de pagamento.