A Estação Ferroviária de Ovar é uma interface da Linha do Norte, que serve o concelho de Ovar, no Distrito de Aveiro, em Portugal.

Descrição

Localização e acessos A estação está situada junto ao Largo Serpa Pinto, no quadrante nordeste da cidade de Ovar, distando menos de um quilómetro do centro da localidade (tribunal).: 870 m: desnível acumulado de +15−18 m

Infraestrutura O edifício de passageiros situa-se do lado nascente da via (lado esquedo do sentido ascendente, para Campanhã). Esta interface apresenta três vias de circulação, identificadas de I a III, com 467, 353, e 262 m de extensão, respetivamente, e acessíveis por plataformas de 290 e 220 m de comprimento e com altura mormente de 90 cm, havento um segmento de 70 m com altura de 35 cm na plataforma da via I; existem ainda quatro vias secundárias, identificadas como IV, V, VIII, e X, com comprimentos de 150 a 180 m; todas estas vias estão eletrificadas em toda a sua extensão. Parte desta configuração, centrada ao , é gerida pela I.P. na tipologia «Linhas de Carga/Desc. DPF» (n.º 83).

No local desta interface há um limiar de tipologia ferroviária no que respeita aos «patamares de velocidade mais elevados» (sic), que é de 120-160 km/h no troço Ovar- e 160-220 km/h no troço -Ovar.

Serviços A estação de Ovar é utilizada por serviços Intercidades, Regionais, InterRegionais e Urbanos da operadora Comboios de Portugal.

História

Século XIX A Estação encontra-se no troço entre Vila Nova de Gaia e Estarreja da Linha do Norte, que foi inaugurado pela Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses em 8 de Julho de 1863. A estação foi uma das abrangidas pelos serviços mistos que foram criados após a inauguração do troço entre Estarreja e Taveiro, em 10 de Abril de 1864.

Em 1888, a estação de Ovar estava ligada à Praia do Furadouro por um serviço de diligências, cuja viagem durava cerca de uma hora.

O jornal Povo de Ovar de 19 de Abril de 1891 relatou que quando o Regimento de Caçadores 5 passou por Ovar, no regresso do Porto, foi festivamente recebido na estação por um grupo de simpatizantes de republicanos e pela população.SARDO e BRANDÃO, 2010:90 Um dos fundadores do Partido Republicano em Ovar foi António Gaioso de Penha Garcia, subdirector das oficinas dos Caminhos de Ferro; com efeito, em Ovar, os únicos proletários do partido eram os funcionários das oficinas.SARDO e BRANDÃO, 2010:91

Século XX Em 1903, a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses ordenou que fossem instalados, nesta estação, novos semáforos, do sistema Nunes Barbosa.

Em 6 de Outubro de 1910, realizou-se um cortejo em Ovar, para celebrar a Implantação da República; o cortejo saiu da estação de Ovar, para homenagear os operários republicanos das oficinas.SARDO e BRANDÃO, 2010: 97 Estes operários estiveram sempre intimamente ligados a todas as acções de dinamização do Partido Republicano de Ovar, tendo constituído uma das influências mais dinâmicas e eficazes junto das massas populares. Durante as incursões da Monarquia do Norte, os ferroviários de Ovar fizeram, em 21 e 22 de Janeiro de 1919, o levantamento e abatimento de pontões, para retardar o avanço das tropas monárquicas. Também participaram directamente nos combates, devendo-se a António Gaioso de Penha Garcia, e a cerca de 400 operários das oficinas de Ovar, o facto dos revoltosos não terem avançado muito além do Rio Vouga; com efeito, a sua resistência deu tempo a que o povo, exército e marinha republicanos se concentrassem e se entrincheirassem nos arredores da cidade de Aveiro, considerando-se a actuação dos ferroviários de Ovar como o principal ponto de viragem no conflito.SARDO e BRANDÃO, 2010:99

Em 1933, as oficinas da estação foram ampliadas pela Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses. Em 1934, foi ampliada a oficina de obras metálicas, tendo as modificações continuado no ano seguinte. Estas obras inseriram-se num programa de desenvolvimento do complexo oficinal de Ovar, levado a cabo nesta década, e que tinha como objectivo melhorar a economia nos processos que aí se realizavam; este projecto contemplou, igualmente, a construção de duas oficinas, uma para elementos metálicos como porcas, parafusos e rebites, e outra para instalações eléctricas.

Segundo o Directório da Rede 2012, publicado pela Rede Ferroviária Nacional em 6 de Janeiro de 2011, a estação ferroviária de Ovar possuía três vias de circulação, com 880, 610 e 310 m de comprimento; as plataformas apresentavam 332 e 286 m de extensão e 70 cm de altura, configuração assaz reduzida em comparação com a de décadas anteriores“Sinalização da estação de Ovar” (diagrama anexo à I.T. n.º 28), 1969 e mais tarde alterada para os valores atuais.Diretório da Rede 2024. I.P.: 2022.12.09 Ovar é um dos interfaces da Linha do Norte a equipar com vias de resguardo para estacionamento / ultrapassagem no âmbito da iniciativa Ferrovia 2020.1ª Adenda do Diretório da Rede 2020 | Anexo 3.8: p.101.138

Movimento de mercadorias Esta estação recebeu cal de Oliveira do Bairro.MOTA, 2002:309

Referências literárias O enredo principal do romance A Capital, escrito em 1877 por Eça de Queirós, inicia-se na estação de Ovar:

Ver também História do transporte ferroviário em Portugal Transporte ferroviário em Portugal Infraestruturas de Portugal Comboios de Portugal

Bibliografia

Ligações externas

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